domingo, 1 de maio de 2011

PROFECIA? VISÃO? SONHO?


Alegre-se muito,

povo de Sião!

Moradores de Jerusalém,

cantem de alegria,

pois o seu rei está chegando.

Ele vem triunfante e vitorioso;

mas é humilde,

e está montado num jumento,

num jumentinho,

filho de jumenta.

Zacarias 9.9 (leia 9.9-12) BLH

Profecias são frutos de tempos de adversidade e tinham por finalidade apontar saídas. No tempo de Zacarias o povo havia voltado do cativeiro para sua terra e estava começando tudo de novo. A realidade era dura: caos em geral, devastação, pobreza, instabilidade social e econômica. Não restavam vestígios da glória passada ou perspectivas da sua restauração.

Para o profeta, tal situação não era motivo de desânimo. Seu Deus era grande. Era a hora de se alegrar com as possibilidades do futuro. Ele apresentou a visão da chegada de um rei poderoso, de prosperidade e de paz. Esta visão dava forças para o povo lutar para sair da miséria. Mas o rei, a prosperidade e a paz nunca chegaram. Ficou como visão.

550 anos depois, no tempo de Jesus, a situação também era de desgraça e desânimo. A nação Israel havia se tornado vassala de Roma. O rei era imposto pelo poder estrangeiro e as riquezas captadas e mandadas para fora para promover os interesses de César. De novo, o povo estava precisando motivos de esperança. A visão da chegada de um líder poderoso renasce. No Evangelho de Mateus, Jesus entra em Jerusalém numa maneira triunfal (21.5). Havia fugido de Belém para o Egito na infância e voltado para Nazaré da Galiléia onde cresceu e exerceu seu ministério. O exilado voltou! Ascendeu uma nova chama de esperança. Jesus seria este rei glorioso para restaurar a glória perdida e acabar com o sofrimento?

A história demonstra que esta interpretação da profecia de Zacarias foi muito equivocada. Jerusalém (Cidade de Paz) nunca foi cidade de paz e glória. É violentamente disputada pelas três maiores religiões monoteístas do mundo: Judaísmo, Cristianismo e Islamismo. É cidade de ódio, violência e derramamento de sangue. Jerusalém o centro de sofrimento e guerra, não de paz e prosperidade!

Jesus se identificou mais com o jumento do que com o rei. Entrou no templo e deu “coice” naqueles que estavam comercializando a fé. Seus atos e ensinamentos estavam em torno da humildade, sinceridade, e serviço. O amor a Deus e ao próximo (22.34) é a dinâmica fundamental dos filhos e filhas do Reino e o serviço ao próximo a base da avaliação final. No lugar de expectativa de glória e triunfo, Jesus preparou seus seguidores para sofrimento, frustração, traição e morte. A esperança não está naquilo que se vê, mas na confiança que Deus tem a última palavra.

A religião institucional ama estatística e realizações visíveis. Uma igreja perseguida, desprezada e clandestina estaria mais em harmonia com Jesus do que a igreja que ostenta?

O galardão do Reino é o privilégio de amar a Deus e servir o próximo, independente dos resultados práticos resultantes. Há um ditado, “Melhor amar e perder do que nunca ter amado”. Amar é o nosso papel e o nosso privilégio. O amor é a sua própria recompensa.

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