domingo, 29 de maio de 2011

REINO DE PARADOXOS



Quando Jesus viu aquelas multidões,

subiu um monte e sentou-se.

Os seus discípulos chegaram perto dele,

e ele começou a ensiná-los. Jesus disse:

-Felizes os que sabem que são espiritualmente pobres,

pois o Reino do Céu é deles.

-Felizes os que choram,

pois Deus os consolará.

-Felizes os humildes,

pois receberão o que Deus tem prometido.

-Felizes os que têm fome e sede de fazer a vontade de Deus,

pois ele os deixará completamente satisfeitos.

-Felizes os que têm misericórdia dos outros,

pois Deus terá misericórdia deles.

-Felizes os que têm o coração puro,

pois eles verão a Deus.

-Felizes os que trabalham pela paz entre as pessoas,

pois Deus os tratará como seus filhos.

-Felizes os que sofrem perseguições por fazerem a vontade de Deus,

pois o Reino do Céu é deles.

-Felizes são vocês quando os insultam, perseguem e dizem todo tipo de calúnia contra vocês por serem meus seguidores.

Fiquem alegres e felizes, pois uma grande recompensa está guardada no céu para vocês. Porque foi assim mesmo que perseguiram os profetas que viveram antes de vocês.

Mateus 5.1-12

Parece um absurdo: a felicidade ligada à pobreza, choro, fome, sede, sofrimento e perseguição. Todos sabem que tudo isto é desgraça e só leva à tristeza. O nosso esforço é para não sermos pobres, nem sofrermos de fome ou sede, mas sermos benquistos por todos. Pregamos a salvação popular que deve nos livrar de tudo que oprime o ser humano, inclusive a libertação dos males que nos cercam. A prosperidade é sinal da bênção divina.

Mas o Reino de Deus não segue as normas da religião popular. Os valores são invertidos. O que parece desgraça é, na realidade, graça. Jesus deu os seguintes exemplos:

Felicidade é reconhecermos nossa pobreza de espírito e as nossas limitações. Ilusões de grandeza podem trazer uma alegria momentânea, mas tais ilusões se transformam em desilusões a longo prazo. Desilusão resulta em infelicidade.

Felicidade é sermos consolados. As lágrimas podem ser de dores de parto para novas possibilidades na vida. O choro da noite se transforma na alegria do nascer dum novo dia.

Felicidade é sermos surpreendidos pela recompensa do bem. Os humildes servem sem visar recompensas. Muitos súditos do Reino nem sabem que pertencem a ele. Muitos dos “bons” que os condenam e se julgam dignos são os verdadeiros infelizes…

Felicidade é a satisfação que vem ao fazermos o bem. O próprio bem é a sua maior recompensa. O reconhecimento dos outros é agradável, mas secundário.

Felicidade é curtirmos a misericórdia de Deus. A consciência da graça divina nos dá força para exercermos a misericórdia para com aqueles que nos desejam mal.

Felicidade é vermos os outros como Deus nos vê e vermos Deus nos outros! A pureza de coração consiste em não projetarmos as nossas falhas nos outros. Quem é puro vê pureza nos outros.

Felicidade é vivermos em paz com os outros. O Reino é de paz e os filhos do Reino são pacíficos. Quem provoca contendas vive o anti-reino.

Felicidade é agirmos ao lado do bem, independente das conseqüências. Os filhos do Reino não são perseguidores, mas, mesmo assim, são perseguidos muitas vezes.

Felicidade é sabermos que as calúnias dos outros não têm fundamento. Antes sermos perseguidos por fazermos o bem do que fazermos o mal.

Felicidade é sabermos que, com Deus, tudo terminará bem. Os obstáculos não podem prevalecer diante do Reino. Se somos do Reino não há o que temermos. A eternidade é nossa!

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