
Os empregados saíram pelas ruas
e reuniram todos os que puderam encontrar,
tanto bons como maus.
E o salão de festas ficou cheio de gente.
Mateus 22.10 (leia 22.1-15) – BLH
Esta parábola faz parte de confronto dos líderes religiosos com Jesus. A sua interpretação precisa levar em conta este contexto. Esta alegoria reflete tensão e conflito entre dois sistemas de valores. O rei priorizou a festa de casamento do seu filho, mas os súditos prediletos colocaram seus negócios particulares no primeiro plano e rejeitaram o convite real. O rei reagiu: acabou com os primeiros convidados e abriu a festa para todos.
Mais uma vez, Jesus criticou o elitismo exclusivista do estabelecimento religioso dominante da sua época. Aprovou a abertura da festa para os excluídos. Por ser uma realidade gritante, este tema foi tratado repetidas vezes nos quatro evangelhos. O Reino de Deus era exatamente o oposto do sistema vigente. Para as vítimas da situação social de desigualdade, Jesus trouxe boas novas (Evangelho) de esperança.
O Evangelho é perpetuamente válido porque a história se repete com constância. A natureza humana faz com que, em qualquer estrutura social, o jogo de poder predomine e chega a existirem os privilegiados e os discriminados, os primeiros e os últimos. A grande ironia da história da igreja é que a grande maioria das autoridades eclesiásticas, que dizem representar o Jesus humilde e pobre, vivem com mordomias muita acima da média! Isto é, desde o luxo do Vaticano até as lideranças protestantes, dos tradicionais aos carismáticas. O cristianismo moderno não possui um líder tipo Mahatma Gandhi. Outro ironia: em tempos modernos, o líder político que mais imitou Jesus era hindu.
Não é de admirar que o estabelecimento religioso é tanto carente do evangelho quanto qualquer entidade secular ou profana. Os “prediletos” do rei continuam tratando do seus negócios particulares e ignorando o convite para o “casamento do filho”.
Os seguidores de Jesus são perpetuamente condenados a serem desafiados a se identificarem com os excluídos. Os prediletos estão sempre ocupados com seus negócios particulares.
À luz destas colocações, não somos dignos de participarmos do “casamento do filho”. Mas a nossa esperança está exatamente nisto: sermos convidados, mesmo não sendo dignos. Lembrando das palavras de Jesus em outras ocasiões, ainda resta esperança para nós que confessamos o nome de Jesus, sem conseguirmos atingir os ideais propostos. “Felizes os que sabem que são espiritualmente pobres, pois o Reino do Céu é deles” (Mt.5.3). A humildade de admitirmos a nossa carência nos ajudaria a, pelo menos, tentar caminharmos em direção à “festa”. A graça nos ensina que o Reino de Deus é para ambos: os bons e os maus.
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