domingo, 25 de setembro de 2011

O DESPREZO DO COMUM


De onde é que este homem consegue tudo isso?
De onde vem a sabedoria dele?
Como é que faz esses milagres?
Por acaso ele não é o carpinteiro, filho de Maria?

Marcos 6.2b-3a (leia 6.1-13) – BLH

Familiaridade gera desprezo. Jesus era comum demais para merecer respeito. O povo da aldeia de Nazaré desprezou a sabedoria e as palavras de Jesus porque ele era conhecido como simples carpinteiro, filho de Maria, mãe de numerosos filhos e filhas. Rejeitaram-no como profeta e se fecharam contra a verdade que ele representava. A falta de fé do povo limitava a atuação de Jesus no seu meio. Eles esperavam algo mais exótico e impressionante...

A graça divina estava operando fora das estruturas do poder político e econômico. Jesus era “povão”, agindo nas bases da sociedade. Igual a Jesus, os cristãos dos primeiros quatro séculos eram pessoas sem projeção social e econômica. Eram considerados criminosos, ateus, subversivos e não dignos de respeito. Foi justamente nestas classes desprezadas pela elite que a fé tinha seu poder transformador.

Em nossa cultura, os cristãos estão “por cima”, em posições de poder e prestígio. Será que perdemos de vista a consciência da presença divina e o potencial da fé para fazer transformações pelos humildes, marginalizados e desprezados deste mundo?

O ser humano gosta do espetacular! Temos dificuldade de valorizar o comum. Usamos a palavra “banal” numa maneira derrogatória para expressar a nossa escala de valores. O dicionário Aurélio define o banal como “vulgar, trivial, corrente e corriqueiro”. Banalizamos o comum.

Esperamos a “salvação”, vinda de cima para baixo como intervenção de força superior. Esquecemos que a solução de muitos dos nossos problemas vem da mesma fonte do problema... Bom seria se existisse uma grande vassoura para varrer o nosso mundo e deixar tudo justo e perfeito...

Os “gigantes” e “monstros” que afligem a nossa vida e o mundo em que vivemos não serão vencidos por gigantes ainda maiores e outros monstros mais fortes. A solução está nas coisas pequenas e aparentemente insignificantes.

O materialismo, que domina a nossa cultura, exalta a grandeza superficial. As coisas são julgadas pela aparência. Sucesso e fracasso são determinados pelo IBOPE. “Vender” uma boa imagem é o segredo do sucesso. Assim os “melhores” vencem os mais fracos. As igrejas entram no jogo de usar os meios de comunicação social para criar imagens de grandeza e chamar a atenção do público para si mesmas. Mas a fé de verdade age silenciosamente e discretamente como sal e fermento...

Não sabemos valorizar os momentos e eventos comuns da nossa vida diária. Ficamos cegos para o sagrado em cada passo, cada ato, cada encontro e cada respiração. O milagre verdadeiro está na simplicidade e no comum. O maior dos milagres é estarmos vivos. A rotina diária é tão milagrosa quanto um acontecimento inexplicável. A grandeza de Jesus estava na sua simplicidade e humildade.

A falta de fé do povo da aldeia de Nazaré na pessoa tão comum como Jesus criou barreira para a atuação divina. A fé nos ajuda a enxergar a ação divina nas coisas simples de cada dia e a participarmos com atos concretos na construção de um mundo melhor.

1 comentários:

PAULA DE SOUZA LIPPA disse...

CHEGUEI ATÉ SEU BLOG NA DATA DE ONTEM. PALAVRAS DE FÉ E SABEDORIA QUE ME ENCHERAM O CORAÇÃO. QUE DEUS O ABENÇOE, GRANDE ABRAÇO.