domingo, 4 de dezembro de 2011

ENXERGANDO O OCULTO


Simeão pegou o menino no colo e louvou a Deus.

Lucas 2.28 (leia 2.22-40) – BLH


Fé é a arte de enxergar além das aparências. Antônio Francisco Lisboa, o Aleijadinho (1738-1814), contemplou uma pedra bruta e viu dentro dela um profeta. Com martelo e cinzel, o libertou para todo o mundo ver. George Washington Carver (1860-1943), nascido escravo, olhou para um grão de amendoim e orou: “Deus, ajuda-me a ver o que está dentro dele”! No seu laboratório, extraiu 325 produtos diferentes: alimentos, cosméticos, tintas, tecidos, plásticos, etc. Simão viu um casal de camponeses trazer seu filho recém nascido ao templo para ser dedicado. Pela fé, viu no menino, uma grande luz para iluminar o caminho dos povos no mundo.


Fé é a arte de ver a grandeza nas coisas pequenas: numa pedra, num grão de semente, num nenê de família pobre. Sem elas, não haveria grandeza. A grandeza verdadeira está nas pequenas coisas. A tragédia do homem moderno é confundir a ostentação com a grandeza. A ostentação é ilusão. A grandeza construída às custas dos outros e da criação é falsa. É viver a mentira.


Jesus abençoou os humildes, pacificadores e pobres de sua época. Viu neles o Reino de Deus. Na economia divina, o simples é a base do complexo. Nêutrons e prótons formam átomos, átomos --> moléculas, moléculas --> compostos, compostos --> células, células --> organismos vivos. Jesus, que os cristãos reconhecem como Salvador e Filho de Deus, veio por meio deste processo divino. Foi concebido, nasceu e cresceu em estatura e sabedoria. Não “queimou etapas”. Não chegou já feito. Sua grandeza veio naturalmente como resultado de humildade e compaixão.


Nas florestas, admiramos as árvores gigantescas que são verdadeiros “arranha-céus vivos”. Sabemos que começaram como sementes pequenas. Mas, muitas vezes não percebemos que a sua existência e proliferação seria impossível sem milhões de outros organismos menores, até invisíveis a olho nu. A destruição deste sistema ecológico seria o fim das árvores gigantes também. As coisas pequenas são importantíssimas em todos os níveis da existência.


A fé enxerga o potencial daquilo que é aparentemente sem valor e a fragilidade, da grandeza aparente. Simão poderia ter se concentrado na grandeza do templo e da liturgia bonita dos atos religiosos. Poderia ter se impressionado com os ricos e poderosos trazendo suas ofertas valiosas. Viu apenas um menino pobre! Mas ao vê-lo, viu tudo que era importante. Viu a grandeza verdadeira!… O templo não existe mais. Mas Jesus continua a ser central na vida de bilhões de pessoas.


O importante não é ser grande ou pequeno. Todos têm o potencial de ser uma bênção e de crescer em sabedoria. Trilhar o caminho da compaixão está dentro do alcance de todos.

0 comentários: