Três dias depois encontraram o menino num dos pátios do Templo,
sentado no meio dos professores da Lei,
ouvindo-os e fazendo perguntas a eles.
Todos os que o ouviam estavam muito admirados
com a sua inteligência e com as respostas que dava.
Lucas 2.46-47 (leia 2.41-52) – BLH
Para o Evangelho de Mateus, Maria e José eram residentes em Belém quando Jesus nasceu. Após dois anos e a visita dos magos, fugiram para o Egito para escapar da perseguição do Rei Herodes. Voltando do Egito, mudaram para Nazaré para ficar longe dos perigos de Jerusalém. Jesus fez seu ministério longe de Jerusalém. Retornou para lá somente no fim do seu ministério para ser crucificado.
O Evangelho de Lucas conta a história de outro jeito. Maria e José moravam em Nazaré e foram à Belém para fazer seu registro. Jesus nasceu em Belém enquanto o casal ainda estava lá em viagem. Depois de cumprir os ritos religiosos, a família voltou para seu lar em Nazaré. Todos os anos a família ia à Jerusalém para a Festa da Páscoa. Jesus visitou Jerusalém muitas vezes e foi lá que foi crucificado.
O texto fala de uma destas viagens, quando Jesus tinha doze anos de idade. Na viagem de retorno os pais acharam falta de Jesus e voltaram à Jerusalém a sua procura. Encontraram Jesus “num dos pátios do Templo, sentado no meio dos professores da Lei, ouvindo-os e fazendo perguntas a eles”.
Desde o tempo de menino, Jesus buscava conhecimento, ouvindo e perguntando. Foi assim que ele cresceu, não somente em estatura física, mas, também, em sabedoria. Os professores da Lei ficavam admirados com a inteligência e as respostas do menino. Gostavam muito dele.
Mas na continuação da narrativa de Lucas, Jesus, como adulto, por causa das suas perguntas e respostas, criou sérios problemas para os professores da Lei. Sua sabedoria foi muito além do Templo. Suas visitas se tornaram confrontos. Eles passaram a odiá-lo a ponto de matá-lo!...
Para Jesus, o Templo era a casa do "Papai", mas o Papai trabalhava fora da casa e ia ao encontro das pessoas que nunca frequentavam sua casa. O Papai não ficava em casa esperando ser visitado. O Templo não tinha espaço para receber os milhões que necessitavam da presença paternal (maternal).
O crescimento de Jesus deveria servir de modelo para o nosso. As nossas instituições religiosas têm seu valor como pontos de apoio, mas nunca devem ser fins em si mesmas. Doutrinas e dogmas nunca devem ser fechados, excluindo segmentos da humanidade. Os professores da Lei ficaram presos a um sistema exclusivista. Tinham medo de abertura.
O nosso crescimento deveria nos libertar das limitações do Templo institucional.
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