
Ele fará brilhar sobre nós a sua luz
e do céu iluminará todos os que vivem na escuridão
da sombra da morte,
para guiar os nossos passos no caminho da paz.
Lucas 1.78b-79 (leia 1.68-79) – BLH
Neste texto, Zacarias está louvando ao Senhor porque o seu filho, João (Batista), seria o profeta destinado a preparar o caminho para a chegada do Salvador do seu povo. Ele falou da esperança de paz e liberdade, de uma vida sem opressão e sem medo.
Profetas de todos os tempos têm pregado a vinda de um Salvador Poderoso que vai golpear os maus, destruindo o mal e impondo justiça, paz e prosperidade. Os judeus aguardam uma figura humana para cumprir esta missão para o Povo de Israel. Os cristãos esperam um Cristo, vindo do céu, para destruir os maldosos e restabelecer o paraíso terrestre. Ambas as tradições descartam a paz como meio de estabelecer a paz...Para elas, a paz final será fruto da violência praticada para eliminar o mal.
Os fundamentalistas monoteístas: judeus, cristãos e muçulmanos, estão seguindo o caminho de passos violentos da guerra e terrorismo para destruir seus inimigos e estabelecer suas versões de paraíso. O resultado está sendo desastroso para a humanidade, fazendo a terra mais infernal.
Em contraste, o “poderoso Salvador” dos evangelhos foi Jesus de Nazaré: pobre, sem terra, sem teto, sem voto, sem nenhum poder institucional. Ele veio para “guiar os nossos passos no caminho da paz”. Sua arma era amor cujo fruto é: bondade, misericórdia e perdão. Proibiu seus seguidores de pegarem em armas nem para se defender.
Sua maneira de ser era muito diferente do esperado. João Batista estranhou o comportamento de Jesus! Jesus não era agressivo para com os opressores, não tentava impor uma nova ordem social, não era abstinente, mas celebrava a vida com seus amigos. Era pacífico demais para o gosto dele. João ficou na dúvida se Jesus realmente era o salvador anunciado. Mandou perguntar à Jesus: “O senhor é aquele que ia chegar ou devemos esperar outro?” Jesus apontou seu ministério de solidariedade como sinal do estabelecimento da paz e liberdade.
A liberdade é fruto da justiça. A justiça está alicerçada na bondade e misericórdia. Os passos no caminho da paz e liberdade nos levam em direção à prática da justiça, resultado de misericórdia e bondade. Tudo está interligado em uma só unidade. Este conceito é contrário à prática do mundo “civilizado” que tenta estabelecer paz e liberdade com o emprego da força, pensando em destruir o mal. O combate ao mal nunca estabeleceu uma ordem social de justiça, paz e liberdade.
Os passos no caminho da paz são: solidariedade (ajudar) no lugar de competição, respeitar os outros (dar a liberdade) em vez de manipulá-los, não vingar as injustiças (perdoar), ser compassivos (misericordiosos) e generosos (bondosos). É assim que a “luz do céu iluminará todos os que vivem na escuridão da sombra da morte”.
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