(Jesus) foi levado pelo Espírito ao deserto.
Ali ele foi tentado pelo Diabo durante quarenta dias.
Lucas 4.1-2a (leia 4.1-13) – BLH
Antes de começar seu ministério, Jesus passou 40 dias no deserto em meditação. Na Bíblia o número quarenta é usado para simbolizar “período de preparo” e deserto simboliza “lugar de encontro.” O Antigo Testamento emprega muito estes dois símbolos na sua narrativa.
O preparo sério é necessário para qualquer empreendimento. Todas as grandes personagens na história das religiões passaram por grandes períodos de preparação: Abraão e Moisés em nossa tradição, Buda no budismo e Maomé no islã. Jesus se preparou durante muitos anos e o último estágio foram os quarenta dias no deserto em oração.
Nesta “reta final”, Jesus lidou com três tentações para desviá-lo do caminho. Todas tinham algo em comum.
A primeira tentação foi uma pedra, parecida com pão. Por quê não suavizar o jejum com um pedacinho de pão? Ninguém ia saber! A primeira tentação era suave: colocar o conforto acima da disciplina da missão. Seria atender primeiro um desejo físico, e depois, a espiritual. Seria abrir caminho para sujeitar o espiritual ao material.
Nossa cultura materialista é o exemplo extremo desta inversão. O econômico tem precedência sobre o social. O lucro está acima do bem social. Traficantes matam, corruptos roubam, empresas demitem, igrejas capitalizam e nações fazem guerra – tudo por causa do valor do material. Mas Jesus disse “Não, o outro pão é o mais importante”.
A segunda foi um monte. Ao ser levado ao lugar mais alto, Jesus viu todos os reinos e foi oferecido poder e riqueza. Estaria em condições de impor a salvação. Mas Jesus viu que a imposição é satânica, é um deus falso. Salvação não pode ser imposta. O Reino de Deus não é regime de ordem imposta. É uma família, sendo Deus o Papai e os habitantes da terra seus filhos e filhas numa grande irmandade. É perigoso ser elevado até lugares altos na vida. Dá a ilusão que o poder permite impor soluções. Jesus disse: “Não”.
A terceira foi a torre do templo. Jesus pulando da torre e não se machucando poderia demonstrar seus poderes sobrenaturais e ganhar a admiração da multidão. Seria fácil levá-la à salvação. Jesus não se enganou. Usar Deus para manipular os outros não faz parte do Reino. Ele veio para mostrar o caminho do amor e não fazer espetáculos! Deus não precisa de auto afirmação para ganhar admiração e simpatia. Jesus disse: “Não”.
A pedra, o monte e a torre tinham algo em comum. Foram tentações para fazer Jesus evitar a cruz. São tentações perenes, que se colocam no caminho de todos. No nosso deserto podemos, também, dizer o nosso: “NÃO”.
0 comentários:
Postar um comentário