...alguns homens que estudavam as estrelas
vieram do Oriente e chegaram a Jerusalém.
Eles perguntaram:
-Onde está o menino que nasceu para ser o rei dos judeus?...
Nós vimos a estrela dele no Oriente e viemos adorá-lo.
Quando o rei Herodes soube disso, ficou muito preocupado…
Depois os mandou a Belém com a seguinte ordem
-Vão e procurem informações bem certas sobre o menino.
E, quando o encontrarem, me avisem,
para eu também ir adorá-lo...
E num sonho Deus os avisou que
não voltassem para falar com Herodes.
Mateus 2.1-3a, 8-9, 12 9 (leia 2.1-12) BLH
Jogo de poder não é novidade. Mateus retrata o Rei Herodes como um tirano faminto de poder. De repente aparece em Jerusalém a ameaça de um rival. Um grupo de magos astrólogos aparece em Jerusalém. Indagam a respeito do nascimento de um novo rei de Israel. Herodes se assusta, mas mantém a calma. Discretamente descobre o possível local do nascimento “do tal perigo” ao seu trono. Fingindo ter a mesma fé e devoção dos magos, mandou-os confirmar o ocorrido trazendo de volta o relatório!
O enganador acabou enganado. Os magos voltaram às suas terras por outro caminho e Herodes ficou esperando em vão. Era tarde demais quando descobriu que fora logrado. “A presa” já havia escapado.
A narração do natalício de Jesus pelo evangelista Mateus relata o contraste entre dois tipos de poder existentes no mundo até hoje: o poder que se auto promove o e poder que busca a verdade.
Herodes representa o poder auto promocional, o poder que quer se manter. Foi capaz de fingir devoção e manipular outros para alcançar seus objetivos. Este tipo de poder é encontrado em qualquer tipo de instituição, seja ela política, econômica ou religiosa. No primeiro evangelho, Herodes mata muitas crianças inocentes na tentativa de atingir e destruir o menino Jesus. Quantas pessoas inocentes sofrem e morrem hoje, vítimas de pessoas exercendo seu poder político, econômico e religioso? É só ligar o televisor e aparecem cenas de violência, guerra, fome e outros sofrimentos.
Os magos astrólogos representam o poder que busca e respeita a verdade. Este poder se abre diante da verdade e doa seus melhores tesouros. Eles buscavam a verdade nas estrelas e estas os levaram à verdade: uma criança insignificante diante dos poderosos da época. Enxergavam o que foi oculto aos demais. A ambição cega e destrói, mas a humildade abre os olhos e amplia a visão. Como resultado, os magos foram guiados para seguir outro caminho.
O menino Jesus representa a verdade; temida por uns, adorada por outros. A verdade de Jesus não deve ser confundida com os dogmas da igreja e de outros grupos religiosos. As instituições usam Jesus para promover seu jogo de poder. A verdade de Jesus é nada mais do que “amor” em ação. Este amor transcende qualquer instituição.
A busca da verdade não é privilégio de uns poucos escolhidos. Provavelmente os magos eram “pagãos”, mas buscavam a verdade mais do que os próprios “eleitos” de Abraão. As manifestações de amor se encontram em muitas culturas. Onde há amor, Deus está. Deus é Amor: Deus/Amor/Jesus/Verdade são vivências inseparáveis!...
A história natalícia revela onde Deus está em todo este jogo de poder.