quinta-feira, 31 de julho de 2008

MÁSCARAS RELIGIOSAS

Sempre que entrava na Tenda Sagrada

para falar com o Deus Eterno,

Moisés tirava o véu.

Quando saía,

ele contava ao povo de Israel

tudo o que Deus lhe havia mandado dizer,

e o povo via que o seu rosto continuava brilhando.

Porém Moisés cobria de novo o rosto com o véu

até que entrava de novo na Tenda

para falar com Deus.

Êxodo 34.34-35 (leia 34.29-35) – BLH

Moisés tinha razão. Se é para tirar a máscara deveria ser feito na presença de Deus. A prática normal é colocar a "máscara" em atos religiosos, assumir uma atitude artificial nos atos religiosos. Por exemplo, a maioria das pessoas muda de voz e do jeito de falar quando faz orações assim, tomando uma postura totalmente artificial. Muitos falam com Deus de um jeito, mas com o próximo de outro. Muitos, para participar de um culto, se vestem especialmente, põem uma Bíblia debaixo do braço e assumem "uma pose de piedade". Em outras horas são espontâneos, mas nos atos religiosos cumprem um papel imposto pelo grupo.

A religiosidade sadia nos ajuda a tirarmos as máscaras e sermos autênticos. As máscaras religiosas são manifestações de fingimento e auto-engano, fugas da realidade e negações da verdade, tentativas de parecer o que não é.

quarta-feira, 30 de julho de 2008

GRAÇA DIVINA

Ele disse:

”Ó Senhor, se estás de fato contente comigo,

eu te peço que vás conosco.

Este povo é teimoso,

mas perdoa o nosso pecado

e a nossa maldade

e aceita-nos como o teu povo”.

Êxodo 34.9 (leia 33.7-11, 34.5-9,28) – BLH

As sementes semeadas hoje darão seus frutos amanhã. Uma semente, independente de sua espécie, tem dentro dela o princípio de vida. A semente produz vida! Pode ser até que seja um tipo de vida danosa a nós, mas produz vida – tem a sua utilidade na ordem das coisas. Tudo o que existe tem o seu lugar no esquema das coisas.

Uma interpretação teológica (para não dizer "mitológica") do princípio da semente seria a teologia da "graça". A graça é a conseqüência boa de uma coisa ruim: - A conversão dum maldade em bondade; o perdão, uma pessoa amada pelo inimigo imaginário, ou o recebimento de compaixão quando merecemos castigo. A graça é aquela fruta que vem sem ser esperada.

Moisés entendia que, apesar do povo ser de "cabeça dura", poderia sobrar algo de bom: O bem ainda poderia ser o resultado de tudo ruim que estava passando. Ainda alimentamos esta esperança hoje. A lógica diz o contrário, mas a "graça" é uma esperança.

terça-feira, 29 de julho de 2008

CASTIGO DE DEUS

Então o Eterno disse a Moisés:

“Riscarei do meu livro todos os que pecaram contra mim. Agora vá e leve o povo para o lugar que eu mandei.

Lembra-se de que o meu anjo guiará você.

Porém já está chegando o tempo

em que vou castigar este povo

pelo seu pecado”.

Êxodo 32.33-34 (leia 32.15-24,30-34) – BLH

Por um lado, estas palavras parecem severas, de um Deus caprichoso e intolerante, mas, por outro lado, refletem o fato de que os nossos atos trazem consequências naturais. Até certo ponto, Deus é uma personalização dos diversos fatores da nossa vida. Às vezes os nossos atos trazem resultados negativos para nossa vida e dizemos que Deus nos castigou. Outras vezes estes atos trazem resultados positivos e achamos que Deus nos abençoou. Quando esperamos um resultado negativo como consequência de um conjunto de fatores e vem algo positivo achamos que é a misericórdia de Deus. Quando algo desagradável acontece com pessoas que não são do nosso agrado, dizemos que é o castigo de Deus. Quando coisas semelhantes acontecem conosco ou com as pessoas que julgamos boas, achamos que são provações que Deus permite. A verdade é que, o que é semeado hoje, frutificará amanhã.

segunda-feira, 28 de julho de 2008

A MANEIRA DIGNA DE VIVER

Peço a vocês que vivam daquela maneira digna
que Deus determinou quando os chamou.
Sejam sempre humildes,
delicados e pacientes.
Mostrem o seu amor,
suportando uns aos outros.

Efésios 4.1b-2 (leia 4.1-6) - BLH

A validade da experiência cristã está na maneira em que nós nos relacionamos uns com os outros. Esta "maneira digna" descrita nesta passagem inclui humildade, delicadeza, paciência e tolerância. É justamente o que falta a muitas pessoas que julgam ter uma espiritualidade superior. Muitos movimentos espirituais se caracterizam pelo "ar de superioridade": se julgam as elites da espiritualidade. Sempre querem impor a sua espiritualidade aos outros mostrando impaciência e intolerância àqueles que não "embarcam na sua".

A verdadeira espiritualidade sempre nos leva ao encontro com o próximo, independentemente dele ser ou não igual a nós. Uma espiritualidade que tende a formar grupos separados de elites espirituais é suspeita. A verdadeira espiritualidade vence estas barreiras de egoísmo e elitismo e se identifica com a humanidade como ela é.

domingo, 27 de julho de 2008

IMPOSIÇÕES EXTERNAS

Depois pegou o livro de acordo,

onde estavam escritos os mandamentos do Eterno,

e o leu em voz alta para o povo.

Eles disseram:

“Nós obedeceremos ao Deus Eterno

e faremos tudo o que ele mandar.”

Então Moisés pegou o sangue das bacias,

borrifou o povo com ele e disse:

“Este é o sangue que sela o acordo

que o Deus Eterno fez com vocês

quando deu todos esses mandamentos.”

Êxodo 24.7-8 (leia 24.3-8) – BLH

Este acordo representava um ideal imposto. Era bonito, e o povo concordou sem saber o que realmente estava fazendo. O acordo não nasceu do coração do povo, e, por isso, foi logo esquecido, como a narrativa consta.

O grande problema do acordo era que não passou de um ideal escrito em pedra, não representava uma realidade interna do povo. A história de Israel nas escrituras é, na realidade, a história de uma minoria tentando impor um ideal à maioria. Um pequeno número de Israelitas detinha o poder, mesmo assim, enfrentando dificuldades para fazer valer sua vontade. No tempo de Jesus, os fariseus, "uma minoria poderosa", se esforçavam para impor a lei de Moisés à maioria: em contraste, Jesus cuidava da motivação interna.

Na prática Jesus ignorava a lei quando ela entrava em conflito com as necessidades humanas. O bem-estar do ser humano estava acima da lei. Precisamos tomar muito cuidado quando julgarmos os outros de acordo as nossas leis e normas. O caminho de Jesus era lidar com o próximo com compaixão e de acordo com as suas carências. Os guardiães da lei enxergavam pecadores, Jesus as grandes possibilidades do amor. O nosso desafio deve ser: ver os outros na luz das possibilidades da graça divina, não na sombra da lei.

sábado, 26 de julho de 2008

A VERDADE CENTRAL DOS HEBREUS

Meu povo, eu, o Eterno, sou o seu Deus.

Eu o tirei do Egito,

a terra onde você era escravo.

Não adore outros deuses:

adore somente a mim.

Êxodo 20.2-3 (leia 20.1-17) – BLH

A identidade de Israel está baseada na afirmação de Iahweh ser o único Deus digno de ser adorado, o Deus da criação e da história, o Deus capaz de libertar! A sua identidade é de ser o povo escolhido por este Deus, o povo escolhido para a salvação. Por ser fiel a Iahweh o povo seria protegido e teria prosperidade. Ao se afastar dele, cairia na desgraça e na infelicidade. O destino do povo está vinculado ao seu relacionamento com Iahweh! Assim eles explicavam suas vitórias e seus fracassos. Os Israelitas organizavam a sua mitologia em torno desta afirmação central e tudo foi explicado nestes termos.

Jesus, por sua vez, mudou o enfoque, revelando um Deus diferente e indo muito além do Deus apresentado no antigo testamento. O Deus de Jesus era cósmico e de amor, um Deus que é "Papai" e chama todos os homens e as mulheres à libertação e serviço ao próximo. Ao fazer o bem ao próximo estamos adorando o “Papai”. A adoração verdadeira ocorre em todos os lugares onde há solidariedade humana, não só em templos fechados nos atos de culto.

sexta-feira, 25 de julho de 2008

JESUS E O ESPÍRITO MAU

Todos ficaram espantados
e diziam uns para os outros:
Que quer dizer isso?
É um novo ensinamento dado com autoridade.
Ele manda até nos espíritos maus,
e eles obedecem.

Marcos 1.27 (leia 1.21-28) – BLH

Os teólogos, estudiosos e pensadores diferem muito nas suas interpretações quanto a pessoa de Jesus. Uns acham que Jesus era Deus (a segunda pessoa da trindade), outros que ele era um profeta, e outros, um revolucionário que atraiu seguidores que o endeusaram depois da morte e criaram uma mitologia em torno dele. Mas, todos concordam que Jesus era um homem bom e que representava o bem.

Não é nosso intento entrar no mérito dos diversos posicionamentos sobre a pessoa de Jesus. Tal discussão criaria só polêmica e não seria edificante. Queremos fazer uma abordagem atualizada do confronto do bem que Jesus representava e o espírito mau que dominava o homem do texto.

Os relatos bíblicos são retratos simbólicos de realidade humana. Desde o livro de Gênesis, a Bíblia retrata a interação entre dois pólos: caos e ordem. O início da criação era caos (Gn. 1.1-2). Depois, do caos, foi estabelecida a ordem (Gn. 1.3-31). Depois da ordem do Jardim do Éden veio o caos do fruto proibido. O dilúvio foi uma tentativa de restaurar a ordem. Esta interação continua durante toda a história bíblica.

O espírito mau desestruturou a vida do homem do texto. Sua vida era caos, tão caótica que achou que Jesus queria lhe fazer mal: “Você veio para nos destruir?”. Diante da incapacidade do homem dominado a reconhecer a sua necessidade de libertação, Jesus precisou de se impor, ordenando ao espírito mau “Cale a boca e saia desse homem!”.

Neste encontro de Jesus com o homem dominado, temos o retrato do nosso mundo atual. Grandes males estão instalados na vida humana. No vazio da alma do “homem civilizado” se estabeleceram o consumismo, dependências químicas e a alienação. Estes males estão colocando todos os povos em caos, um caos que ameaça a própria vida.

Jesus nos deu um grande exemplo. Ele não se isolava das pessoas dominadas, simplesmente orando. Depois de falar com o “Pai” em particular, ele enfrentava os “espíritos maus” com firmeza em todos os lugares onde eles se encontravam. Jesus nunca marcava reuniões de libertação, mas enfrentava os “espíritos maus” no seu próprio ambiente.

Os “espíritos maus” da nossa época não sairão voluntariamente ou por “controle remoto” com simples reuniões de oração. A militância e confronto serão necessários. Por isso, a nossa fé precisa ter as dimensões sociais, econômicas e políticas. Os “espíritos maus” gostam de um fervor espiritual que não seja “deste mundo”. Adoram a espiritualidade do templo porque deixa o mundo livre para eles agirem.

É perturbante a atuação da igreja não causar espanto com a sua atuação na sociedade. Ela constrói templos cada vez maiores, mas os males estão cada vez mais enraizados. Onde está o fruto da nossa fé?

quinta-feira, 24 de julho de 2008

O PÃO DE CADA DIA

O Deus Eterno disse a Moisés:
”Agora eu vou fazer chover do céu pão para vocês.
E o povo deverá sair,
e cada um deverá juntar uma porção que dê para um dia.
Assim eu os porei à prova
para saber se eles vão obedecer às minhas ordens.

Êxodo 16.4 (leia 16.1-5,9-15) – BLH

A prudência nos leva a armazenarmos coisas para o dia de amanhã, especialmente quando já temos experiência de termos passado necessidade. Por ter passado fome a tendência do povo era pegar bastante maná para hoje, amanhã e depois; porém a ordem era apanhar apenas o suficiente para um dia só! Nem sempre esta prudência é o melhor caminho. Neste caso, a prática não funcionou porque não era algo que poderia ser guardado de um dia para outro. Também, não há garantia de que aquilo que guardamos hoje ainda estará em nossas mãos quando chegar o amanhã. A nossa segurança não está naquilo que conseguimos guardar para nós mesmos, mas naquele (ou naquela ou naquilo) que é a fonte de todas as coisas.

A falta de confiança muitas vezes leva as pessoas a recusar a ajudar ao próximo com o medo de que, ao fazê-lo, acarrete prejuízos. Um dos perigos da vida é colocar a nossa própria segurança acima do bem estar dos outros. Muita fé é necessária para orarmos como Jesus nos ensinou: “O pão nosso de cada dia dá-nos hoje” (Mt.6.11).

quarta-feira, 23 de julho de 2008

O IMPOSSÍVEL PODE ACONTECER

...e os israelitas passaram pelo mar em terra seca,
com muralhas de água nos dois lados.

Êxodo 14.22 (leia 14.21-31) – BLH

Além de não precisar forçar a barra para fazer acontecer o que está em sintonia com a realidade, podemos observar que o "impossível" pode acontecer. É aqui que entra o milagre. Milagre é aquilo que desafia qualquer explicação, que é impossível ou pouco provável à luz dos nossos conhecimentos. Eu rejeito a definição de que o milagre seja uma intervenção de Deus suspendendo ou cancelando as leis naturais, porque acho que não existe lei natural sem Deus. Deus está naturalmente presente em TODOS os acontecimentos. Tudo o que acontece é uma expressão de Deus, seja bom ou seja ruim a nosso ver.

Rejeito um dualismo que separa Deus da sua criação e que coloca outros deuses contra Ele na forma de satanás, demônios, etc. Deus é um só, porém, com muitas facetas. A doutrina da trindade é uma tentativa de lidar com este fato. Deus é muito mais que trino! A realidade é complexa e conceitos como trindade, demônios, etc., são tentativas mitológicas de entendermos esta realidade cujo criador é o que nós chamamos Deus.

terça-feira, 22 de julho de 2008

DEIXANDO O PODER FLUIR

Porém Moisés respondeu:
”Não tenham medo.
Fiquem firmes e vocês verão
que o Deus Eterno vai salvá-los hoje.
Nunca mais vocês vão ver esses egípcios.
Vocês não terão de fazer nada:
o Deus Eterno lutará por vocês.”

Êxodo 14.13-14 (leia 14.5-18) – BLH

O que é natural é, também, espontâneo. Não é preciso forçá-lo a acontecer. A própria natureza o faz. O "fazer nada" desta passagem não quer dizer ficar parado de tudo mas que a força que faz o acontecimento não é nossa. O carroceiro dá o comando e puxa a rédea mas é o cavalo que faz a carroça andar. A pessoa liga a chave mas é a usina que acende a lâmpada. O motorista aperta o acelerador mas é o motor que faz o carro correr. Nós nos entregamos a Deus e, como conseqüência, atingimos a salvação.

Os profetas de Baal se esforçaram horas e horas no Monte Carmelo para fazer o fogo cair sobre o seu sacrifício. Gritavam, clamavam e se cortavam, se desgastando, mas nada aconteceu. Em contraste, Elias fez uma oração simples e o fogo caiu e queimou a oferta. As atividades vivenciadas em sintonia com a realidade básica da vida não são desgastantes. O desgaste vem quando tentamos "forçar a barra" e lutamos por aquilo que não deveria ser.

segunda-feira, 21 de julho de 2008

MUROS DE EXCLUSIVIDADE

Pois o próprio Cristo nos trouxe a paz,
fazendo dos judeus e dos não-judeus um só povo.
Por meio do sacrifício do seu corpo,
ele desfez a inimizade que os separava
como se fosse um muro.

Efésios 2.14 (leia 2.13-18) – BLH

O povo de Israel foi chamado para ser uma bênção à todas as nações, mas ele se isolou das outras nações por se achar o povo "exclusivo" de Deus. Confundiu "escolhido" com "exclusivo". Em vez de procurar estar junto às nações, Israel se afastou, construindo o muro da exclusividade!

Historicamente, a igreja tem seguido o mesmo caminho dos Judeus, o da exclusividade. Ela se acha “o povo salvo” em vez de o "povo servo" ou o "povo amigo". A Igreja se isola do mundo quando constrói seus muros de exclusividade.

Cristo veio para trazer a paz e destruir inimizades, não somente em termos de judeu e não-judeu, mas, também, em termos de igreja e não-igreja, ou seja, em termos de cristianismo e não-cristianismo. Jesus pregou o "Reino de Deus" e não a "Igreja de Deus". Na prática, a igreja tem servido como uma “vacina” contra o Reino. Achamos que ao promovermos a igreja, estamos promovendo o Reino. Engano nosso!!! A igreja cresce mas o Reino se afasta.

domingo, 20 de julho de 2008

O SETE DE SETEMBRO DOS HEBREUS

Essa foi a noite em que o Eterno ficou vigiando
para tirá-los do Egito.
Ela é dedicada ao Deus Eterno para sempre,
como a noite que deverá ser comemorada
por todos os israelitas.

Êxodo 12.42 (leia 12.37-42) – BLH

Há momentos da vida que são inesquecíveis e que devem ser celebrados para sempre; momentos que mudam definitivamente o rumo da nossa vida, momentos em que nasce uma nova realidade.

Estes versículos descrevem o nascimento de um povo e a sua passagem da escravidão para a libertação. É o "Sete de Setembro" de Israel. Não importa que seja vestido de forma mítica para ser melhor compreendido e lembrado. O importante são estes momentos em que novas realidades nascem na vida.

A Páscoa não representava apenas uma realidade no passado mas, também, possibilidades de outras libertações e outros momentos novos. Vieram crise, desespero, fracasso e a Páscoa dava força para possibilitar superá-los.

Jesus usou a Páscoa judaica para simbolizar a universalização da libertação. A passagem da morte para a vida não é restrita a um pequeno povo, mas, a toda a humanidade. Entretanto, a tendência da igreja é restringir esta libertação só para ela.

sábado, 19 de julho de 2008

A FONTE DE TUDO

Moisés e Arão fizeram todas essas coisas espantosas
diante do rei do Egito,
porém o Deus Eterno endureceu o coração do rei,
e este não deixou
que os israelitas saíssem do país.

Êxodo 11.10 (leia 11.10-12.14) – BLH

Os primeiros livros da Bíblia são coerentes em colocar Deus como o absoluto. Não caem no dualismo de conflito entre diversas divindades e na luta entre o bem e o mal. Satanás não existe no Pentateuco. A maldade da serpente estava no mesmo nível da de Eva, Adão, Caim, Jacó, etc. O Pentateuco não aponta uma força do mal agindo no mundo contra Deus e contra a humanidade. Não foi satanás que endureceu o coração do rei, foi Deus mesmo! Eu formo a luz, e crio as trevas; faço a paz, e crio o mal; eu o Senhor, faço todas estas coisas.” (Isaías 45.7).

Independentemente de quem nos induz a agirmos desta ou de outra forma, somos responsáveis pelos nossos atos e temos que responder por eles. Satanás foi uma invenção do ser humano para tentar explicar o mal, fugindo da sua responsabilidade de atos e atitudes. O dualismo do bem e do mal como forças espirituais opostas nasceu na Pérsia. Satanás e os demônios, como forças do mal contra um Deus bom, foram importados pelos exilados judeus quando voltaram do cativeiro. Antes disso foram considerados servos de Deus. Deus era criador de tudo, incluindo o mal.

A luz de Jesus dos evangelhos, temos outro retrato do Deus diferente do Antigo Testamento. É Deus Papai/Mamãe compassivo/a que nos trata como filhos e filhas amados/as, mesmo quando não correspondemos com este amor. Podemos ter a humildade do pecador no templo e curtir este amor. Ou podemos ter o orgulho dos fariseus nos julgando melhores que os outros e nos afastarmos dum relacionamento de amor. A decisão é nossa. A última palavra está conosco. Somente nós temos o poder de fecharmos ou abrirmos o nosso coração para um relacionamento de amor.

sexta-feira, 18 de julho de 2008

REPENSANDO A TRINDADE

Jesus chegou perto deles e disse:
Deus me deu todo o poder no céu e na terra.
Portanto, vão a todos os povos do mundo
e façam com que sejam meus seguidores,
batizando esses seguidores
em nome do Pai,
do Filho
e do Espírito Santo.

Mateus 28.18-19 (leia 28.16-20) – BLH

Para Lucas, o Jesus ressurrecto ficou nas redondezas de Jerusalém para se manifestar aos seus seguidores. Usou Jerusalém como base de lançamento do Evangelho para todo o mundo. Jesus subiu ao céu do povoado de Betânia, perto da cidade, e mandou os discípulos esperar a descida do poder do Espírito Santo em Jerusalém.

Para Mateus, o Jesus ressurrecto foi para um monte em Galiléia, 100 quilômetros ao norte de Jerusalém, onde ele havia combinado encontrar com seus discípulos. De lá, Jesus os enviou para “todos os povos do mundo” para fazer seguidores. A Galiléia foi o ponto de partida.

As duas narrativas, bem diferente uma da outra, têm um ponto fundamental em comum: a inclusão do mundo no plano salvífico de Deus: Lucas por meio do derramamento do Espírito sobre todos (Atos 2.17) e Mateus por meio do formulário “em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo” no batismo. A idéia da Trindade está embutida nesta frase.

Erramos no uso do conceito “Trindade” ao tentar descrever Deus como “ser de três pessoas em um”. Deus é insondável. Não pode ser descrito ou analisado! Não podemos dizer nada a respeito de Deus a não ser que Ele é o mistério absoluto. A Trindade é válida somente como uma descrição da nossa percepção do Grande Mistério, chamando atenção às múltiplas facetas de Deus. A idéia de muitas facetas não era nova. Encontra-se no primeiro capítulo de Gênesis. O primeiro nome dado a Deus foi “Eloim”, uma palavra plural. Quando chegou a hora de criar o ser humano, Eloim disse “Agora vamos fazer os seres humanos, que serão como nós, que parecerão conosco” (1.26). O contexto desta passagem visa Deus como “homem” e como “mulher”, um Deus casal --“os criou parecidos com Deus (plural)…os criou homem e mulher”(27). Não podemos descrever Deus como casal, mas podemos dizer que podemos sentir Deus como masculino e feminino e chamá-lo de Pai ou de Mãe. Os cristãos romperam barreiras ao chamar Deus de Pai (papai), de Filho (Jesus) ou de Espírito Santo (Consolador). Os teólogos da Igreja tentam colocar Deus em uma gaiola e usar a Trindade para descrever a pessoa de Deus. Mas é possível descrever apenas a experiência humana numa maneira muito limitada.

A Trindade é apenas uma porta que se abre para podermos experimentar a grandeza de Deus. Não podemos dizer que Deus é só “três em um”. Ele (ou Ela) pode ser um milhão, um bilhão ou uma infinidade em um. De Deus mesmo, nada podemos afirmar a não ser a nossa ignorância diante do Mistério.

É impossível ver Deus. Vemos as máscaras que nós mesmos colocamos nele (nela). Os cristãos colocam as máscaras do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Confundimos as máscaras com o próprio Deus. Idolatramos as máscaras. Ao idolatrarmos as máscaras que nós colocamos, condenamos as máscaras dos outros, achando que Deus pertence a nós e que somos os únicos que lho entendemos.

quinta-feira, 17 de julho de 2008

A FONTE DA LIBERTAÇÃO

Deus respondeu:
”Eu estarei com você.
Quando você tirar do Egito o meu povo,
vocês vão me adorar neste monte,
e isto será uma prova de que eu o enviei.

Êxodo 3.12 (leia 3.1-6,9-12) – BLH

Um tema bíblico: da fraqueza nasce o poder verdadeiro. O poder de verdade não é a força bruta. Moisés, no palácio do governo, tinha a força bruta do aparelho do estado, mas não tinha poder para realmente libertar o seu povo. Agora que ele perdeu a posição de privilegiado, está numa posição de libertador dos descendentes de José do Egito. A libertação nasce entre os próprios oprimidos. Vem do lado dos que estão na posição inferior em termos de poder bruto.

É quase impossível o poderoso abrir mão do poder e do privilégio e, mesmo que fizesse isto, não seria verdadeira a libertação. Toda libertação é conquistada de baixo para cima, nunca imposta de cima para baixo. A libertação nasce primeiro no peito dos oprimidos para depois se tornar uma realidade externa. Enquanto o povo não se libertar por dentro não é verdadeiramente livre. A pior opressão é interna. Foi através de Moisés o fugitivo, e não Moisés, o príncipe, que Deus libertou o povo escravo e oprimido.

Jesus não tinha poder institucional. Nunca ocupou nenhuma posição de poder político, econômico ou religioso. Seu poder tinha suas raízes no amor humilde. Como os seguidores de Jesus nosso caminho é o caminho do amor sem pretensões.

quarta-feira, 16 de julho de 2008

PODER DO AMOR E AMOR AO PODER

Como não podia escondê-lo por mais tempo,
ela pegou uma cesta de junco,
tapou os buracos com betume e piche,
pôs nela o menino e deixou a cesta entre os juncos,
na beira do rio.

Êxodo 2.3 (leia 2,1-15) – BLH

Aí temos as duas maiores forças do mundo em oposição entre si. De um lado, uma mãe que fez o possível dentro de seus limites: mulher escrava proibida de ter e criar um filho homem. O amor pelo filho levou-a a fazer tudo para adiar a sua morte. Este tema se repete no nascimento de Jesus e na mulher do Apocalipse. De outro lado, temos as forças da opressão: são inseguras no seu poder e temem reparti-lo, fazendo tudo para eliminar a concorrência. Acham que a sua sobrevivência depende da eliminação do outro.

O tema bíblico esclarece: o poder bruto é fraqueza, o amor, embora pareça levar desvantagem, é a maior força do mundo. Ela vencerá todas as forças de opressão! Os seres humanos fazem suas opções entre os dois: o amor ao poder ou o poder do amor. Opor-se ao amor é opor-se a uma força fundamental da existência - o próprio Deus é amor. A vitória da força bruta é sempre temporária. A resistência do amor não tem fim e acaba permanecendo até esgotar a força opressora.

terça-feira, 15 de julho de 2008

OPRIMIDOS E OPRESSORES

Porém quanto mais os egípcios maltratavam os israelitas,
tanto mais eles aumentavam.
Os egípcios ficaram com medo deles.

Êxodo 1,12 (leia 1,8-14.22) – BLH

A opressão é auto-destrutiva. Mais cedo ou mais tarde os oprimidos ganharão o seu espaço. O mal, embora dotado de muito poder, não consegue se impor para sempre. Seus dias são contados. O bem, sem poder aparente, sobrevive às agressões do mal e no fim triunfa! O mal tem razão em ter medo do bem, pois a agressão contra ele não lhe dá vitória permanente.

Este fato nunca foi aprendido. Cada geração repete o mesmo engano. As vítimas da opressão do mal, ao se libertarem tem a tendência de se tornarem opressoras. Isto aconteceu no caso dos israelitas. Ao serem libertados da opressão da terra do Egito os Israelitas se tornaram opressores na terra de Canaã, pressionando e destruindo o povo nativo e a sua cultura - tudo foi feito em nome de Deus!... O Deus libertador na terra de Egito se tornou o Deus opressor na terra de Canaã.

Na história moderna Israel ficou sem terra por muitos séculos e sofria muitas perseguições. Quando Israel voltou a ocupar a Palestina em 1948 com o apoio da ONU, ela se tornou uma nação opressora. Hoje, com o apoio dos EUA, Israel é uma das grandes potências opressoras do Oriente Médio, mas tudo em nome de defesa.

Nem a igreja escapa deste terrível “ciclo de oprimida” se tornando opressora. Ela começou como um grupo perseguido e oprimido, mas, ao adquirir poder, usou-o para perseguir e oprimir os outros. A igreja forte tem sido opressora e a igreja fraca, serva. É perigoso à igreja adquirir poder.

Parece que a raiz da opressão é o medo. A libertação do medo elimina o impulso opressor. O amor lança fora o medo. Quem ama não oprime.

segunda-feira, 14 de julho de 2008

TUDO SE TRANSFORMA

Deus já havia resolvido que nos faria seus filhos
por meio de Jesus Cristo,
pois esse era o seu prazer e a sua vontade.

Efésios 1.5 (leia 1.3-14) – BLH

Tudo se transforma. Este é um dos grandes fatos da nossa existência. Jesus é o maior exemplo desta transformação, a começar pela encarnação. Jesus foi transformado em ser humano e se tornou o ser humano modelo. Jesus revela o potencial de cada um de nós. Por meio de Jesus podemos atingir o nosso potencial de filhas e filhos de Deus.

A vida é um processo de transformação. No momento da concepção, duas células separadas são transformadas num ser vivo, um feto. Aquele feto toma forma dentro do útero num ambiente fechado preparando-se para ser transformado num ser que respira e anda num ambiente aberto. Ao ser expulso para o novo ambiente, a transformação continua na formação física, mental e espiritual.

Jesus revela o potencial desta transformação humana. Tudo é destinado à transformação, cada coisa à sua maneira, mas esta transformação pode ser prejudicada. Em Jesus temos o poder de vencer os obstáculos da transformação e atingir este potencial de sermos feitos filhos e filhas de Deus.

domingo, 13 de julho de 2008

LEVAR OU SER LEVADO

É verdade que vocês planejaram aquela maldade contra mim,
mas Deus mudou o mal em bem
para fazer o que hoje estamos vendo,
isto é,
salvar a vida de muita gente.

Gênesis 50.20 (leia 49.29-33 e 50.15-24) – BLH

O mais importante deste texto é a atitude de José, a de perdão, olhando para o lado positivo dos atos mal intencionados de seus irmãos. Na ausência de rancor sobrou-lhe “energia” para chegar onde chegou. Não gastou em ressentimentos contra os irmãos que lhe queriam mal.

É difícil prever todos os resultados de qualquer ato. Um ato mal intencionado pode resultar num grande benefício! Malefício também pode ocorrer através de um ato motivado de boas intenções… A nossa atitude pode influenciar o efeito dos atos dos outros.

José não se fez de vítima, ele se colocou em condições de tirar proveito de qualquer situação, fosse ela favorável ou não. Neste sentido José era o mestre do seu próprio destino. Não deixava que os outros manipulassem o seus sentimentos. Ele agia em vez de reagir. Foi o próprio José que se colocou disponível para que o mal fosse convertido em bem. Levou a vida em vez de ser levado por ela.

Neste sentido somos mestres do nosso destino! Somos nós quem determinamos como vamos jogar as cartas que a vida coloca em nossas mãos.

sábado, 12 de julho de 2008

PROMESSA E ESPERANÇA

Deus disse: -- Eu sou Deus, o Deus do seu pai.
Não tenha medo de ir para o Egito,
pois ali eu farei que os seus descendentes
se tornem uma grande nação.
Eu irei para o Egito com você
e trarei os seus descendentes de volta para esta terra.
E, quando você morrer,
José estará ao seu lado.

Gênesis 46.3-4 (leia 46.1-7,28-30) – BLH

Esta é uma promessa feita à Jacó depois de muitos anos de luto e inconformismo com a suposta morte de seu filho José. Até este momento uma nuvem de tristeza pairava sobre a cabeça de Jacó, mas agora, tudo mudou. A esperança nasceu de novo - um filho dado por morto é restaurado, há uma nova terra e um novo começo de vida.

A vida tem suas tristezas e desilusões. Chegam épocas em que o futuro parece sombrio e sem esperanças. Um passado triste pesa mais do que as possibilidades do futuro. Nós não conseguimos ver algo de positivo e as possibilidades são escondidas dos nossos olhos. O desânimo toma conta e ficamos com vontade de desistir. Felizmente algo nos segura.

O futuro não está preso ao presente momento e este momento não limita o futuro. Não temos capacidade de ver toda a realidade, só podemos, com fé, aguardar o futuro.

sexta-feira, 11 de julho de 2008

PERIGO DA RELIGIOSIDADE

Então Jesus falou à multidão
e aos seus discípulos.
Ele disse:
Os professores da Lei e os fariseus
têm autoridade para explicar a Lei de Moisés.
Por isso
vocês devem obedecer e seguir tudo o que eles dizem.
Porém
não imitem as suas ações,
pois eles não fazem o que ensinam.

Mateus 23.1-3 (leia 23.1-12) – BLH

É perigoso ser religioso – quanto mais religioso, mais perigo corre. A religião ensina amor e humildade. Amar os outros como a si mesmo e ser humilde são ideais muito bonitos. Praticá-los é outra coisa… Falar de amor e humildade e vivê-los são coisas distintas. Quanto mais discurso, menos prática. O amor e a humildade são silenciosos – não falam de si mesmos e não chamam atenção.

Quando a prática da religião é muito visível, pode desconfiar! É pior ainda quando a santidade se organiza. Uma vez estabelecido um sistema oficial de valores e criada uma estrutura política/social para promovê-los, abrem-se as portas para a hipocrisia e incoerência. Foi dentro deste contexto que Jesus agia nos seus confrontos com as autoridades religiosas. Jesus apoiou os ensinamentos dos fariseus. Criticou-lhes pela falta de prática. Ensinavam uma coisa, mas agiam ao contrário, transformando fé em fardo e farsa. O ser humano é o mesmo desde o início e esta disparidade entre a profissão e a prática está muito presente no Judaísmo, Cristianismo e Islamismo atual. Apesar da beleza do conceito do amor e da humildade, a igreja é “palco perfeito” para hipocrisia e incoerência, tanto individual como coletiva.

No nível individual, o ideal do bem faz que as aparências sejam importantes. É natural a pessoa querer “auto imagem boa e ser bem-vista”. Isto faz com que a sua religiosidade se torne pública e bem visível. Reuniões servem de palco para mostrar boas qualidades espirituais, reforçando seu auto conceito e reputação. Admitir carências e derrotas seria prejudicial a auto imagem e ao que os outros podem pensar a seu respeito. O comportamento junto com os outros crentes é diferente do que em ambientes seculares. Até muda o tom da voz quando faz oração nos cultos. A vida religiosa e secular são compartimentadas, vive-se de um jeito na igreja e de outro no lar, emprego e lazer. Na igreja pode ser manso e simpático, mas no lar, é agressivo e chato. A religiosidade pode ser apenas uma máscara para esconder carências.

No coletivo, as hierarquias eclesiásticas alimentam orgulho. Quanto mais alto sobe na escada hierárquica, mais prestígio. Por ocuparem posições elevadas os líderes podem ter a sensação de serem superiores. A humildade pode ser transformada em máscara para esconder o orgulho. Os líderes se esforçam para se manter na liderança e subir ainda mais. Para manter a sua posição, as autoridades precisam preservar o sistema e promover a instituição. Os adeptos se tornam manipulados para a manutenção da máquina. A maior parte dos dízimos cobrados é usada para o bem da estrutura e não do ser humano.

Jesus exalta o serviço humilde, sem pretensões, sem visar cargos e prestígio humano, serviço que alivia os fardos da vida. Felizes são os humildes…….

quinta-feira, 10 de julho de 2008

GALARDÃO DO SONHADOR

Quando os egípcios começaram a passar fome,
foram pedir alimentos ao rei.

Ele disse:”Vão falar com José e façam o que ele disser.”

Gênesis 41,55 (leia 41.55-57) – BLH

O mundo dá muitas voltas e reviravoltas. José, condenado à prisão dependendo dos outros para comer; agora numa nova situação, José estava controlando todo o abastecimento do país!

José sonhava muito. Os seus sonhos colocaram-no numa situação difícil diante dos seus irmãos. Seu idealismo mandou-o para a prisão. Mas estas mesmas qualidades libertaram-no da prisão e colocaram-no no lugar de ser o homem mais poderoso do país!...

O importante não são as “conseqüências imediatas” dos nossos atos e as nossas atitudes, mas o que produzem a longo prazo. A curto prazo José sofreu por ser um sonhador mas foi esta mesma qualidade que lhe deu forças para superar a pressão negativa que veio em cima dele. José não cedeu às pressões, conservava a integridade interior e venceu as circunstâncias imediatas.

Nesta sociedade de corrupção generalizada em que vivemos somos fortemente pressionados a “entrar na dança” para não “ficar para traz” – os “espertos” levam vantagem, os “bobos” perdem. Nos valores populares é melhor sair-se bem do que ser bom. Até dentro das religiões o sucesso é colocado acima do serviço com a glorificação de grandes igrejas e grandes movimentos. O apelo dos evangelistas modernos é mais para o lado de recebermos grandes bênçãos do que sermos uma bênção.

Ao ser alimentado pelo “pão da integridade” José tinha um "pão interior” que o colocou em condições de poder distribuir pão para os outros também. Ao sermos alimentados teremos condições de alimentar os outros.

quarta-feira, 9 de julho de 2008

RECONHECENDO A NOSSA VERDADE

Aí o homem perguntou:
Como você se chama?”
Jacó” respondeu ele.
Então o homem disse
O seu nome não será mais Jacó.
Você lutou com Deus e com os homens e venceu;
por isso o seu nome será Israel".

Agora diga-me o seu nome” pediu Jacó.
O homem respondeu:
Por que você quer saber o meu nome?”
E ali ele abençoou Jacó.

Gênesis 32.27-29 (leia 32.23-33) – BLH

Na língua hebraica o nome “Jacó” era apelido de “ladrão”.

De repente, Jacó não era mais aquele Jacó (ladrão) de antigamente que subia na vida às custas dos outros. Acabou o egoísmo, o dolo e a ambição de ser rico. Entrou em crise e deu uma volta de cento e oitenta graus. Finalmente Jacó entrou na herança de Deus.

Para isto acontecer foi preciso Jacó reconhecer e confessar quem ele realmente era. Chegou à conclusão de que a sua "falta de vergonha" estava levando-o a um caminho de auto-destruição. Ao descobrir a sua verdadeira identidade, Jacó conseguiu lidar com o seu verdadeiro problema, ele mesmo. Daí veio a verdadeira libertação e transformação. Ao conhecermos a nossa verdade seremos libertados da auto-destruição.

terça-feira, 8 de julho de 2008

ABENÇOADO APESAR DE...

Então Jacó sonhou.
Ele viu uma escada que ia da terra até o céu,
e os anjos de Deus subiam e desciam por ela.

Gênesis 28.12 (leia 28.10-22) – BLH

Jacó era ambicioso. Torcia as regras para conseguir o que queria e agora estava fugindo de casa por causa de uma coisa mal feita contra o seu irmão mais velho. Havia roubado o seu direito de herança. Fugia do irmão mas não conseguiu fugir de Deus e de si mesmo. Mesmo assim, Jacó viu e ouviu alguma coisa positiva que não esperava. Ouvia a promessa de que aquela terra, que havia conseguido por meio de engano, um dia seria realmente sua.

Parece que Deus legitimou o resultado do roubo. Os anjos estavam confirmando que a terra seria de Jacó apesar do meio como foi adquirida. O resultado do roubo estava dentro do plano divino para Jacó e o roubo não cancelou o plano.

Nem sempre cumprimos o plano de Deus por motivos puros. Às vezes (se não muitas vezes), o nosso orgulho e ambição motivam as nossas "boas ações", embora isto não anule o resultado positivo delas. Deus não nos rejeita por encontrar dentro de nós atitudes indignas. Ele nos abençoa, apesar das nossas falhas mostrando-nos a sua misericórdia.

Para nós é chocante a ideia que a “justiça de Deus é misericórdia” e que Deus abençoe os maus, fazendo a chuva cair sobre eles também. A nossa tendência é querer perdão para nós e condenação para os maus, bênção para nós e maldição para os ímpios.

segunda-feira, 7 de julho de 2008

FORTALECIMENTO NA FRAQUEZA

Três vezes orei ao Senhor e lhe pedi que tirasse isso de mim.
Então ele me respondeu:
"A minha graça é o suficiente para você,
pois o meu poder é mais forte quando você é fraco."
Portanto, eu me sinto mais alegre ainda por estar orgulhoso
pelas minhas fraquezas,
para assim ter a proteção
do poder de Cristo em mim.

2 Coríntios 12.8-9 (leia 12.7-10) – BLH

A vida nunca é do nosso gosto nem da nossa conveniência. Os nossos mundos sempre têm os "poréns". Uma parte da maturidade é lidar criativamente com estes fatores que nos causam transtornos e transformá-los em algo positivo. Existe aquela figura clássica da pérola, algo de grande beleza e valor mas que, na realidade, não passa de um grão de areia que causou sofrimento para um bichinho no fundo do mar. O que parece ser uma grande inconveniência pode ser uma grande oportunidade.

Nem sempre os obstáculos podem ser removidos. Ficam plantados bem no meio da nossa vida. Precisamos aprender a viver com eles de uma maneira criativa. Esta criatividade nos faz crescer e ficar mais fortes. A autodisciplina que nos leva a enfrentá-los é o caminho para o crescimento e maturidade da personalidade. Nós nos fortalecemos por meio de nossas fraquezas

domingo, 6 de julho de 2008

RIVALIDADES FAMILIARES

Depois ela pegou a melhor roupa de Esaú,
que estava guardada em casa,
e com ela vestiu Jacó.

Gênesis 27.15 leia 27.1-5,15-29) – BLH

Rebeca queria o melhor para Jacó às custas de Esaú. Tirou de um filho para dar para outro somente para satisfazer uma ambição pessoal. Eis um retrato daquilo que acontece muito no mundo; é uma história que se repete constantemente. Este acontecimento provocou uma cadeia de acontecimentos que perturbou a vida de muitas pessoas e gerou muito sofrimento físico e mental.

Um fator interessante desta história é que os artistas deste drama conseguiram dar volta por cima e tiraram proveito para suas vidas. A participação de Jacó na jogada lhe causou muito sofrimento, mas conseguiu recuperar seu caráter mesmo levando as cicatrizes no corpo e na alma para o túmulo.

Deus é tão grande que, mesmo no mal que praticamos, semeamos as sementes da nossa redenção. A maldade de Jacó o levou até ao fundo do poço onde ele era forçado a enxergar a sua realidade e procurar a salvação. Ao ferir os outros ele estava se ferindo e os seus ferimentos o levaram a procurar a cura do seu mal. Finalmente, teve seu nome (caráter) mudado.

As escrituras confirmam o ditado popular que diz que Deus escreve direito com linhas tortas. Eis a nossa esperança…

sábado, 5 de julho de 2008

VISÃO LIMITADA

Jure pelo Eterno, o Deus do céu e da terra,
que você não deixará que meu filho Isaque
se case com nenhuma mulher deste país de Canaã,
onde estou morando.

Gênesis 24.3 (leia 23.1-4,19 24.1-8,10,62-67) – BLH

Mesmo sentindo-se chamado por Deus para ser uma bênção para as nações, Abraão ainda era limitado na sua visão pela sua cultura "bairrista", permitia casamentos somente dentro do clã. Isaque deveria casar com uma parente distante. A "pureza da raça" era importante. Mais tarde, pelas circunstâncias especiais (Raabe e Rute) Deus conseguiu furar o esquema. Esta "pureza de raça" não servia de garantia que a sua descendência ia andar dentro das normas da aliança. Os netos e bisnetos de Abraão, aprontaram bastante e deram muitos "foras"...

A tendência humana é de se fechar dentro de um grupo limitado e de se proteger contra novas influências e contra mudanças, independentemente de serem ou não mudanças benéficas. O fato de ameaçar o "status quo" é motivo suficiente para resistência. Esta é a tendência dos filhos de Abraão até hoje. Ao ler este versículo, a minha primeira reação era justificar a atitude de Abraão, mas, pensando melhor, achei bem questioná-la. Há muitos exemplos dentro das escrituras e da história do cristianismo de novas aberturas que resultaram em mudanças para o bem. Não podemos nos deixar sermos limitados por leis ou tradições rígidas. Deus é maior do que estas limitações

sexta-feira, 4 de julho de 2008

COMPAIXÃO OU CASTIGO

Ame o Senhor, seu Deus, com todo o coração,
com toda a alma e com toda a mente."
Este é o maior mandamento e o mais importante.
E o segundo mais importante é parecido com o primeiro: "Ame os outros como você ama a você mesmo."
Toda a Lei de Moisés e os ensinamentos dos Profetas
se baseiam nesses dois mandamentos.

Mateus 22.37-40 (leia 22.34-46) - BLH

É difícil falar do amor sem trivialidades. É um dos assuntos mais abordados e menos vividos. O texto destaca o amor. Abordo-o com receio de perpetuar a banalidade. Jesus está falando do básico, do essencial. É importante entender com coração e mente a mensagem de Jesus.

Talvez somos iguais a menina, Cynthia, que escreveu uma carta para Deus:

Querido Deus,

Aposto que é muito difícil para Você amar a todas as pessoas no mundo. Na nossa família tem só quatro pessoas e nunca consigo…”

Cynthia

Não podemos falar de amor sem, primeiro, defini-lo. No uso popular, a palavra tem conotações sentimentalistas: adoração, paixão, afeto, etc. Mas o amor “ágape” no Novo Testamento é “desejar o bem de outrem”, também, “exercer compaixão”. A espiritualidade de Jesus é a de “com-paixão” sofrer junto com, tomar as dores de.

O nosso amor para com Deus deve ser holístico, de coração, alma e mente. Seria uma vida integrada, colocando o Divino como o ponto de referência em todas as áreas da vivência. O contrário seria amor esquizofrênico, em que dividimos a nossa vida em compartimentos: igreja-mundo, espiritual-material, discurso-prática, crença-ação, culto-trabalho-lazer, etc.

A convivência filial (incondicional) com Deus nos dá condições de amar o outro como somos amados e como a nós mesmos. Se o nosso relacionamento com Deus é condicional, dependendo de nós cumprirmos um determinado jogo de regras, a compaixão para com os que são diferentes de nós seria difícil.

A teóloga e historiadora *Karen Armstrong escreve, “Todas as religiões do mundo afirmam que a espiritualidade só tem valor quando resulta na prática da compaixão.”* As religiões não conseguem alcançar seu ideal. O valor de uma religião não está na sua crença. Os cristãos dão muito valor à doutrina. Protestantes e católicos são separados porque têm diferenças na doutrina da igreja. Há divisões entre protestantes por causa de interpretações diferentes do Espírito Santo. Os fariseus colocavam práticas religiosas acima do bem estar do ser humano. Jesus afirmou que as normas legais de Moisés e a justiça social dos profetas são fundadas no amor.

O amor (compaixão) está acima de qualquer doutrina ou prática religiosa. As leis e normas foram criadas por causa de falta de amor. Com amor, não há necessidade delas. Cada um contribuiria espontaneamente para o bem estar dos demais. O problema é que, uma vez criadas, colocamos as leis, normas e doutrinas acima do amor. Idolatramos os nossos sistemas e prejudicamos os outros para mantê-los. Em vez de compaixão, praticamos o castigo. “O maior…é o amor.” (1 Coríntios 13.13)

*Em Nome de Deus: O Fundamentalismo no Judaísmo, no Cristianismo e no Islamismo, 2001 Companhia Das Letras, página 31. (nota: leia este livro para entender melhor o que se passa no cenário internacional)

quinta-feira, 3 de julho de 2008

A ESSÊNCIA DO AMOR

Vocês são como um edifício
e estão colocados sobre o alicerce
que os apóstolos e os profetas puseram.

E o próprio Cristo Jesus é a pedra fundamental desse edifício.

Efésios 2.20 (leia 2.19-22) – BLH

Mais do que qualquer outra pessoa da história, Jesus captura a essência da realidade e a revela pela sua vida. Os escritores dos quatro evangelhos que registraram a sua vida e seus feitos estavam relatando muito mais do que imaginavam e seus seguidores até hoje não conseguiram captar toda a riqueza e toda a amplitude daquilo que foi escrito no Novo Testamento. As igrejas institucionais estão longe de imitar e transmitir aquilo que Jesus foi e o que fez; a própria natureza institucional das igrejas dificulta esta tarefa, pois as instituições estão interessadas na sobrevivência e na perpetuação do poder e do privilégio.

Jesus é a essência do AMOR e as suas implicações para a vida humana. Jesus vivia o amor na vida diária, nas mais diversas circunstâncias sociais, na sua vida íntima e devocional. Jesus revelou: um “Papai” não ortodoxo que não é compreendido até hoje e uma ética que a igreja como uma estrutura institucional não consegue pôr em prática.

quarta-feira, 2 de julho de 2008

A REVOLTA DA NATUREZA

No dia seguinte Abraão se levantou de madrugada
e foi até o lugar onde havia falado com o Deus Eterno.
Abraão olhou na direção de Sodoma,
de Gomorra e de todo o vale
e viu que da terra subia fumaça,
como se fosse a fumaça de uma grande fornalha.

Gêneses 19.27-28 (leia 19.15-29) – BLH

A reação da natureza é interpretada muitas vezes como a ira de Deus. Possivelmente havia muitas agressões contra a natureza no vale super-populoso. Houve uma espécie de auto-destruição por parte dos moradores. De qualquer forma, a causa da destruição era conseqüência de muitos fatores que poderiam ter incluído um estilo de vida auto-destrutivo da população, não o capricho de um deus que não gostava do que estava acontecendo. A história foi interpretada apenas com um conteúdo ético-moral.

Ló, embora bonzinho, era um fraco e se deixava levar pelos outros. Não tinha uma meta na vida. A mulher dele olhava para o passado, sem vontade de partir para situações novas da vida. A escritura relata que, ao olhar para trás, a mulher de Ló virou uma estátua de sal. A recusa de mudar traz a paralisação. Foi a bondade de Abraão que salvou Ló e suas duas filhas. Nesta história vemos a jogada entre as forças da vida e as de auto-destruição.

terça-feira, 1 de julho de 2008

DEUS MUTÁVEL

Finalmente Abraão disse:
Não fiques zangado, Senhor,
pois esta é a última vez que vou falar.
E se houver só dez?”

Por causa desses dez, não destruirei a cidade”
Deus respondeu.

Gênesis 18,32 leia 18.16-33) – BLH

Deus é mutável. Muda. É flexível. Está sempre pronto para mudar seus planos, especialmente em relação ao bem estar humano e todo o sistema ecológico. A palavra de Deus não é palavra de rei que não retrocede. Deus é sensível às mudanças do ser humano e modifica os seus planos.

A existência é um fluxo dinâmico de acontecimentos. A física nuclear confirma isso. Tudo é energia em processo de interações entre a infinidade dos segmentos. Tudo está em constante mudança ou fluxo. Nada é estático. Deus é a personificação desta realidade.

O constante de Deus é o amor. O amor faz com que Ele seja mutável. Em nossa vida estamos em constante diálogo com o nosso ambiente físico, social e espiritual. Estamos em constante mudança. À medida que estamos abertos às verdades da nossa vida e do nosso mundo estas mudanças contribuem para o bem de todos.