Buscamos inspiração na pessoa de Jesus para fazermos a nossa jardinagem do espírito. Ele foi o jardineiro por excelência. Soube cultivar as sementes da fé para produzirem plantas que fornecem abrigo e sustento. Este blog é um esforço para fazer a nossa jardinagem das passagens bíblicas à luz de Jesus que é digno de servir como nosso modelo.
Convidamos os leitores a aprenderem com ELE e fazerem a sua própria jardinagem.
E como poderá ser anunciada, se não forem enviados mensageiros? As Escrituras Sagradas dizem: "Como é bonito ver os mensageiros trazendo boas notícias!"
Romanos 10.15 (leia 10.9-18) – BLH
Como é bom receber uma boa notícia! A experiência nossa, na época em que vivemos, é recebermos más notícias: medidas provisórias do governo, notícias de roubos pela corrupção dos políticos, a morte da ética e da moral dos órgãos públicos em todos os níveis, desastres da natureza e outros causados por negligência e burrice humana, todos os tipos de violência do ser humano contra o ser humano, acontecimentos desagradáveis relacionados com amigos ou familiares... Há também o reconhecimento, consciente ou subconsciente, das nossas próprias carências e fracassos... Tudo contribui para gerar um estado de pessimismo, desânimo e até momentos de desespero...
Mas no meio do caos aparente há sinais de esperança. Os mensageiros são as pessoas que pagam o mal com bem, recebem o ódio e retribuem com amor, toleram os intoleráveis, que transmitem paz no meio de conflito e que recusam entrar na dança do materialismo e da ganância. Muitas vezes os mensageiros são incompreendidos, mas agem por motivos internos, ignorando as pressões sociais. Plantam suas sementes em silêncio sem chamar atenção para si. São os humildes, dos tais é o Reino de Deus.
Deram-lhe o poder, a honra e a autoridade de rei, a fim de que os povos de todas as nações, línguas e raças o servissem. O seu poder é eterno, e o seu reino não terá fim.
Daniel 7.14 (leia 7.2-14 – BLH)
O mundo não é dualista com um Deus do bem e outro do mal. Gira em torno de um só Deus, embora tendo muitas facetas! Não é questão do bem triunfar sobre o mal! Todos os acontecimentos fazem parte de um processo cujo fim é o bem. As culturas surgem e desaparecem, os reis se levantam e caem, regimes nascem e morrem, mas tudo acontece em função do Reino de Deus... Estando no meio dos transtornos e das transformações, dificulta-nos ver o padrão. Parece que são forças opostas em luta pelo poder quando, na realidade são polaridades diversas agindo entre si, caminhando numa direção só! É semelhante ao ciclone que tem ventos soprando em todas as direções, mas caminha numa direção única. Foi Deus quem endureceu o coração do faraó contra a libertação dos hebreus, enquanto o mesmo Deus os libertou da escravidão do Egito. Deus estava jogando nos dois lados. As visões de Daniel, todas, apontam para um reino acima de todos os reinos e a sujeição de todos os reinos a este reino supremo e eterno!
Por que vocês me chamam "Senhor, Senhor"
e não fazem o que eu digo?
Lucas 6.46 (leia 6.39-49) – BLH
Para construir um edifício sólido, é necessário, primeiro, cavar bem fundo para fazer alicerce sólido. O trabalho de alicerçar é ingrato porque não aparece. Ninguém vê. Parece perda do tempo. Por quê não erguer o edifício logo? Mas a natureza é penosa, dura e não perdoa. Com certeza, vêm as tempestades para testar a construção. A qualidade do alicerce e da estrutura, não o acabamento, se revela na hora da tempestade.
Jesus fez um paralelo entre a casa e a vida. A vida, também, precisa ser bem alicerçada! Tempestades investem, também, contra a vida. Precisamos ser fortes para resistir os assaltos. Vidas, como casas, desmoronam diante da fúria dos elementos.
Jesus identificou o “não alicerce” como sendo o discurso sem ação. Chamar Jesus de “Senhor”, “Cristo”, “Salvador”, “Mestre”, “Filho de Deus”, etc. nada significa sem o acompanhamento da prática que estes títulos sugerem. Fazer barulho exige muito menos energia do que produzir luz! Falar é mais fácil do que fazer. O discurso não custa nada, mas a prática pode custar caro. Pregar credos exige muito menos do que viver a fé! O falar representa apenas a fachada da fé. Os nossos sistemas de teologia ou de crenças, nossas práticas religiosas, orações cumpridas, fervorosas e formas de culto não têm nada a ver com a qualidade da fé.
A vida é dura. Ninguém escapa de tempestades. A fé cristã não nos isenta de enchentes, contratempos ou desastres. O perigo da religião é confundir teoria com prática, usar palavras para camuflar a realidade dura da vida. É tentar achar um caminho mais fácil e fugir da dureza. É de procurar “bênçãos” em vez de nos dedicar a aprender o que significa tomar a cruz para seguir Jesus.
Jesus apontou a “obediência a sua mensagem” como alicerce da vida. É mensagem de relacionamento: com Deus e com o próximo. Para Jesus, Deus é o “Papai” de todos. O próximo inclui todos como seus filhos e filhas, sendo nós todos, irmãs e irmãos. Por ser pródigo, o filho não deixa de ser filho, nem o irmão de ser irmão. O mandamento básico é amor a Deus e ao próximo como a nós mesmos, sem restrições. A mensagem de Jesus não fundou uma sociedade de pessoas separadas do mundo como recipientes especiais de salvação, nem criou uma hierarquia religiosa de autoridades e de submissos. Não elaborou credos e doutrinas que precisam ser aceitos. Não legislou práticas e regras de conduta. Basta viver o amor incondicional!... Melhor alicerce não existe.
Mas, o amor incondicional inclui a cruz. Para amar assim, é preciso “cavar bem fundo”, vivendo a solidariedade no lugar da competição, tomar o lugar do servo, ser como uma criança na sua simplicidade, sem pretensões, aceitando a nossa fragilidade. A mensagem de Jesus desafia o melhor que está dentro de nós.
A nossa cultura ocidental “cristã” é de fachada, extremamente materialista e competitiva. O sucesso é vencer o outro, seja na religião, na política ou na economia. Colocamos cruzes em vez de tomá-las. Construímos impérios. Estamos sofrendo as conseqüências de sermos surdos à mensagem de Jesus: injustiça, violência e corrupção. As tempestades vêm. Sem alicerce, a casa cairá. Ouçamos a mensagem de Jesus.
MENE, MENE, TEQUEL e PARSIM.
E agora a explicação.
MENE quer dizer que Deus contou o número dos dias
do reinado do senhor e resolveu terminá-lo.
TEQUEL quer dizer que o senhor foi pesado na balança
e pesou muito pouco.
PARSIN quer dizer que o seu reino será dividido
e entregue aos medos e aos persas.
Daniel 5.25-28 (leia 5.1-6,13-14,16-17,23-28) - BLH
Até certo ponto, estas palavras estão sendo escritas na parede de todos nós pelas mãos divinas. Falam da nossa fragilidade e das nossas limitações no tempo e no espaço. MENE: Os nossos dias são contados nesta existência que agora conhecemos. Até agora ninguém ficou para sempre... TEQUEL: Em comparação com o peso do universo, nós pesamos pouco menos que um grão de areia nas praias dos mares! PERES: Tudo aquilo que construímos será um dia tirado de nós e passado para outros...
Não somos donos do nosso tempo ou das circunstâncias da vida. Tudo é dado, ou melhor: emprestado. Não há como nos agarrarmos a nada. Jesus acertou a nossa situação com a parábola dos talentos de ouro. As moedas de ouro não eram presentes mas objetos para serem administrados. O importante não era a moeda em si, mas o que cada um fez com aquilo que recebeu.
No tempo desses reis
o Deus do céu fará aparecer
um reino que nunca será destruído
nem será conquistado por outro reino.
Pelo contrário,
esse reino acabará com todos os outros
e durará para sempre.
Daniel 2.44 (leia 2.31-45) – BLH
Este texto faz parte da interpretação de um sonho do rei Nabucodonosor. A sua essência é que os nossos reinados, sistemas e estruturas não são absolutos ou definitivos. Há algo acima deles que não pode ser destruído ou conquistado, que acabará conquistando e destruindo os nossos. A realidade destruirá as nossas ilusões de poder. Não existe nada absoluto neste mundo, inclusive esta declaração. O único absoluto é a mudança! Nada é absoluto em si.
A nossa tendência é exercer o nosso poder, seja ele pouco ou muito, promovendo o nosso sistema com seus valores e atitudes como se fossem absolutos, julgando os outros sistemas pelo nosso. Muitas igrejas fazem isso achando que seu sistema religioso é certo e que os outros são errados. Há igrejas que lutam para sobressair-se sobre as outras. Políticos e governos lutam para conquistar o poder e vencer os inimigos. Todos esquecem que, aquela pedra do sonho do rei Nabucodonosor virá da montanha para destruí-los e tomar o seu lugar.
A grande pedra é o Reino do Amor que Jesus descreveu e está acima de todos os “reinos” existentes hoje. Vivendo o amor que Jesus revelou, já pertencemos ao Reino da Pedra.
Deus deu aos quatro jovens
um conhecimento profundo dos escritos
e das ciências dos babilônios,
mas a Daniel deu também
o dom de explicar visões e sonhos.
Daniel 1.17 (leia 1.1-6, 8-21) – BLH
Aos quatro jovens Deus deu conhecimento da cultura babilônica e não somente da sua própria tradição. O conhecimento geral é muito importante para nossa formação. Se conhecermos apenas as coisas da nossa cultura, estamos alijados intelectualmente. O conhecimento que aqueles quatro jovens tinham era "profundo", era um conhecimento que ia à fonte, estudando os próprios escritos dos babilônios. Assim, podiam avaliar por si mesmos, com firmeza e autoridade a cultura alheia e utilizar ou descartar seus vários aspectos.
Há "crentes" que criticam outras ideologias sem examiná-las profundamente para saber do que se tratam. Eles vão pela cabeça dos outros. São roubados da oportunidade de conhecê-las indo às fontes. A nossa espiritualidade poderia ser enriquecida pelo conhecimento do pensamento oriental, do conteúdo dos evangelhos apócrifos, das tradições mitológicas da humanidade e dos pensadores modernos. A Bíblia recomenda examinar tudo e reter o que é bom. O conhecimento do mundo aprofunda o nosso entendimento da Bíblia. Os quatro jovens eram sábios porque tinham conhecimento. Conhecimento é uma bênção - ignorância uma tragédia!
Este texto nos fala do Reino de Deus e em que ele é baseado. O Reino de Deus é o reinado de Jesus, baseado no amor que nos liberta do pecado. Neste caso, o pecado seria qualquer coisa que seja anti-amor. O maior valor do cristão seria justamente este Reino do Amor de Jesus.
Este Reino é um reino de justiça, implantado pelo amor, com amor: não vem com violência! Se fosse por violência teria sido implantado há muito tempo... Por ser um reino de amor e por amor, a sua implantação é lenta. Um regime implantado por força e violência, jamais poderia ser um regime de amor! Por isso, a não violência é a única maneira de implantar este reino.
O cristianismo que foge desta norma de amor e apela para o egoísmo, desrespeito, desprezo, manipulação, e qualquer tipo de violência é um falso cristianismo. Um falso cristianismo é pior do que anti-cristianismo.
Eu, que era tão bondoso e amado nos tempos do meu poder! Agora, porém, assalta-me a lembrança
dos males que cometi em Jerusalém,
quando me apoderei de todos os objetos de prata e de ouro
e mandei exterminar os habitantes de Judá sem motivo.
É por isso que esses males se abateram sobre mim.
1 Macabeus 6.11b,12,13ª (leia 6.1-13) – BJ
Aqui temos o depoimento de um agressor no fim da sua vida, que, ao cair em desgraça, analisou o seu passado com honestidade. Ele reconheceu que, muito daquilo que fazia contra os outros, era também contra si mesmo! Esta é uma lição difícil de aprender! É impossível conseguir qualquer coisa, às custas dos outros, sem nos prejudicar também... O ladrão, por mais rico que seja, é uma figura trágica, uma pessoa infeliz e vazia.
O rei do nosso texto morreu triste e sozinho porque a sua vida se concentrava em adquirir poder e coisas. Para fazer isto ele tinha que se colocar contra os demais. Ao se colocar contra os demais, o rei se alienou da vida e morreu por dentro... Esta morte por dentro levou-o à enfermidade física. Em contraste, Jesus veio como pobre, em forma de servo e, pelo amor ao próximo se realizou! A sua morte se transformou em vida...
No mês em que os gentios o tinham profanado,
foi o altar novamente consagrado com cânticos
e ao som de citaras, harpas e címbalos.
O povo inteiro se prostrou,
elevando louvores ao Céu
que os tinha conduzido até ali.
1 Macabeus 4.54-55 (leia 4.36-37,52-59) – BJ
O tema principal de Macabeus é a preservação da identidade e o meio de vida diante de fortes pressões externas. Houve uma minoria que conseguia, apesar de tudo, manter a sua identidade por achar que era preferível morrer do que perder a identidade e os costumes que apoiavam.
Isto tem o seu lado positivo em termos de formação de caráter e de integridade. Indica uma "encarnação" de um conjunto de valores que vai além da mera sobrevivência individual e uma integração da vida a um cosmos maior do que o indivíduo. O valor supremo da pessoa não é ela mesma, pois o centro de sua vida está fora de si mesma.
O extremo individualismo de hoje perdeu esta dimensão da vida e cria uma geração de "Maria-vai-com-as-outras", em que a sobrevivência individual é o valor supremo: - cada um por si e os outros se danem... Daí, o desmoronamento da nossa sociedade...
O Sermão do Monte do Evangelho de Mateus (5.3-11) é bem diferente do Sermão da Planície do Evangelho de Lucas. Mateus “espiritualizou” as palavras de Jesus, falando dos “espiritualmente pobres” e de “fome e sede de fazer a vontade de Deus”, enquanto Lucas falava simplesmente de “pobres” e “fome”. Mesmo materializando, Lucas estava falando da espiritualidade.
Falar da espiritualidade é falar do sistema de valores. Nosso sistema de valores é a nossa espiritualidade. A espiritualidade popular valoriza a riqueza, o prazer e a popularidade. Vestir-se com roupa de grife dá prestígio. Roupa desgastada depõe contra a pessoa, não sendo roupa artificialmente envelhecida pela fábrica! Ser rico, bonito e bacana é o máximo. O coitado do pobre não tem vez. Andar de coletivo tira prestígio, de carro próprio é melhor, melhor ainda ter motorista. Somos classificados pela ostentação do estilo de vida, bairro onde moramos, escola onde os filhos estudam, os lugares de lazer e restaurantes que freqüentamos e clubes que pertencemos. Pessoas são levadas até fingir ser algo que não são para poder subir a escada social. Opulência é sinal de sucesso e felicidade!...
O Jesus de Lucas diz que a riqueza, prazer e a popularidade são ilusões. São temporários, podem ser tirados de uma hora para outra. As riquezas podem ceder, dando lugar a falência, o prazer pode se transformar em lamento e elogios podem ser maldições.
A felicidade é ilusória quando motivada apenas por circunstâncias passageiras da vida. A felicidade verdadeira independe da prosperidade material e posição social. A felicidade da pessoa próspera e poderosa pode ser, na realidade, o início de desgraça. A ilusória se apóia naquilo que pode ser tirado com a mudança das circunstâncias. A verdadeira não pode ser tirada.
Jesus foi feliz? Sim? Mas como? Era pobre, de paternidade duvidosa, sem teto, sem terra, sem título, desempregado. Seus amigos eram instáveis, sempre brigando entre si, não compreendendo os valores que ele estava querendo lhes passar. A liderança religiosa não perdia oportunidade de desafiá-lo. Pesava sobre ele o perigo de uma morte violenta pelos inimigos poderosos. Jesus tinha tudo para ser infeliz. Não tinha nada que a nossa cultura julga essencial para a felicidade. Mas ninguém foi mais feliz do que Jesus!... Por quê? Era um bobo alegre, desligado do mundo real? Isto não! Ao contrário, era realista. Sua realidade englobava toda a criação.
Acima das circunstâncias caóticas do momento, existe a ordem superior que incorpora a desordem para o bem geral. Uma folha cai duma árvore, mas é incorporada pela floresta para produzir folhas novas. Os elementos químicos do nosso corpo já fizeram parte de um sol que morreu e explodiu. Jesus identificou esta ordem como o Deus “Papai” que cria e sustenta. Esta identificação faz que possamos incorporar a pobreza como riqueza e transcender qualquer contra tempo.
Sobremaneira admirável e digna de abençoada memória
foi a mãe,
a qual, vendo morrer seus sete filhos no espaço de um só dia,
soube portar-se animosamente
por causa das esperanças
que o Senhor depositava.
2 Macabeus 7.20 (leia 7.1-20) – BJ
Este espírito é estranho à nossa sociedade onde reina egoísmo e corrupção. A tendência, hoje em dia, é da mãe sacrificar a sociedade em favor dos seus filhos e de si mesma. Em vez de se identificar com a sociedade, o nosso individualismo, levado ao extremo egoísmo leva cada um contra todos a favor de si mesmo. O resultado é a corrupção na vida pública, desde pequenos furtos a rombos multimilionários, a colocação de lucro como o valor supremo da indústria e do comércio, a marginalização das massas mais fracas com o resultado de violência generalizada contra todos os cidadãos e bens coletivos, criando um clima de insegurança para todos, inclusive para os próprios exploradores!
Aquela mãe, embora sentindo a dor e a angústia da perda dos filhos martirizados, sentia-se confortada pelo motivo do sacrifício. Deveria ter sido o mesmo sentimento de Maria diante da morte de Jesus, mas este sentimento falta hoje...
Na verdade não é condizente com a nossa idade o fingimento.
Isto levaria muitos jovens a se desviarem,
persuadidos de que Eleazar aos noventa anos
teria passado para os costumes estrangeiros.
Seria uma nódoa infamante para a minha velhice.
2 Macabeus 6.24-25 (leia 6.18-31) – BJ
Eleazar morreu como mártir porque recusou comer carne de porco. Ele poderia ter comido a carne para satisfazer seus atormentadores, sem mudar as suas convicções e preservado a sua vida. Mas o que estava em jogo não era apenas um pedaço de carne... O que estava em jogo era toda a estrutura de um povo e um estilo de vida coletiva.
Sem entrar na questão da validade daquela cultura, segundo meu ponto de vista, reconheço o princípio de que viver não é só existir! Aquele pedaço de carne representava uma ameaça para uma coletividade. Eleazar resistiu à violação contra sua coletividade. Certo ou errado, ele não pensava em si. Entregou a sua vida em defesa do seu povo, da melhor maneira que entendia. A sobrevivência e o bem estar do seu povo valia mais do que a sua própria vida! É este espírito está faltando em nossa sociedade hoje.
Viver é muito mais do que meramente existir! Há circunstâncias em que é melhor morrer do que viver. Neste texto, as pessoas que morreram se achavam diante da escolha de viver à custa de princípios que elas achavam que eram básicos, ou morrer. Elas achavam que estes princípios valiam mais do que a própria vida... Preferiam morrer do que ceder e agir contra estes princípios básicos. Sem eles não valia a pena viver.
Novamente, esbarramos no princípio do sacrifício da vida por valores maiores. A vida, em si mesma, não é o supremo valor! A vida é voltada para valores além de si mesma... Somente existir não é o suficiente. A vida tem valor somente na medida em que ela é vinculada a algo que está fora de si.
Estes valores são vinculados à coletividade. Somente à medida que vivemos pela coletividade, a vida individual tem valor. É justamente o amor ao próximo que afirma o valor à vida individual. Sem o amor ao próximo, a vida individual fica sem valor.
A essência da fé cristã não é passar toda a vida cuidando do problema do pecado, promovendo a purificação espiritual de si mesmo. Jesus, além de ser apresentado como Salvador, é o modelo de como devemos ser! A melhor maneira de cuidar do problema do pecado e promover a pureza da vida é sentar-se ao lado de Deus.
"Sentar-se ao lado de Deus" tem um sentido rico, muito além de um dia lá na glória estar sentado num trono ao lado de Deus! O trono de Deus também está aqui na terra e, ao viver a justiça e o amor, estamos já reinando com Ele. A mensagem do evangelho de Jesus é diferente do evangelho do mundo. Para o mundo, "reinar é mandar"; para Jesus, "reinar é servir".
Jesus será sempre fiel à sua natureza. Mesmo no trono ele está amando e servindo. Nós, como seguidores dele, não podemos ser diferentes de nosso Mestre. A nossa preocupação não é mais o perdão dos nossos pecados, mas glorificá-lo pelo serviço ao próximo!
Quando um silêncio profundo envolvia todas as coisas
e a noite mediava o seu rápido percurso,
tua Palavra onipotente lançou-se,
guerreiro inexorável,
do trono real dos céus
para o meio de uma terra de extermínio.
Sabedoria 18.14-15 (leia 18.14-15, 19.6-9) – BJ
Esta passagem se refere à noite de morte no Egito, antes da saída do povo de Israel para o deserto. O faraó quis segurar o povo como escravo por motivos econômicos, para poder continuar a explorar a mão de obra barata. Quanto mais os segurava, maiores eram as pragas que atingiam o povo, até chegar, finalmente, à praga da morte do primogênito de cada família, sendo gente ou animal.
O resultado de uma sociedade escravista é a auto destruição. Uma cultura que se fundamenta na exploração opressora do próximo e da natureza é condenada à extinção. Um sistema social que promove desigualdades sociais e econômicas está caminhando para o caos. Um povo onde a diferença entre pobre e rico é muito grande não pode durar muito tempo.
O papel do seguidor de Jesus é praticar a justiça, ser um contrapeso. Assim sendo, o seguidor de Jesus será o sal da terra, um raio de luz na noite de destruição e morte...
Naturalmente vãos foram todos os homens
que ignoraram a Deus
e que, partindo dos bens visíveis,
não foram capazes de conhecer Aquele que é,
nem, considerando as obras,
de reconhecer o Artífice.
Sabedoria 13.1 (leia 13.1-9) – BJ
Deus é o Grande Artista, o pai de todos os artistas e de toda a arte. Como na maioria dos artistas, as suas obras não são reconhecidas. O mal humano é a cegueira. As pessoas são capazes de enxergar a obra, mas não o Artista.
Por não reconhecer o Artista, as pessoas não terão capacidade de reconhecer o valor da obra, nem ver na obra, a imagem do Criador! A tendência humana é idolatrar as coisas e, ao mesmo tempo, destruir aquilo que está sendo idolatrado... Por falta de reconhecer o Artista, o ser humano cria deuses menores que não têm o poder criativo do Criador. Estes deuses, em vez de levar o seus adeptos à criatividade e vida, conduzem-nos à destruição e morte!
Ao vermos o universo como a obra de arte de Deus teremos uma atitude de reverência diante dele, respeitando todas as suas facetas: terra, água, ar, plantas, animais e pessoas.
(Jesus) foi levado pelo Espírito ao deserto.
Ali ele foi tentado pelo Diabo durante quarenta dias.
Lucas 4.1-2a (leia 4.1-13) – BLH
Antes de começar seu ministério, Jesus passou 40 dias no deserto em meditação. Na Bíblia o número quarenta é usado para simbolizar “período de preparo” e deserto simboliza “lugar de encontro.” O Antigo Testamento emprega muito estes dois símbolos na sua narrativa.
O preparo sério é necessário para qualquer empreendimento. Todas as grandes personagens na história das religiões passaram por grandes períodos de preparação: Abraão e Moisés em nossa tradição, Buda no budismo e Maomé no islã. Jesus se preparou durante muitos anos e o último estágio foram os quarenta dias no deserto em oração.
Nesta “reta final”, Jesus lidou com três tentações para desviá-lo do caminho. Todas tinham algo em comum.
A primeira tentação foi uma pedra, parecida com pão. Por quê não suavizar o jejum com um pedacinho de pão? Ninguém ia saber! A primeira tentação era suave: colocar o conforto acima da disciplina da missão. Seria atender primeiro um desejo físico, e depois, a espiritual. Seria abrir caminho para sujeitar o espiritual ao material.
Nossa cultura materialista é o exemplo extremo desta inversão. O econômico tem precedência sobre o social. O lucro está acima do bem social. Traficantes matam, corruptos roubam, empresas demitem, igrejas capitalizam e nações fazem guerra – tudo por causa do valor do material. Mas Jesus disse “Não, o outro pão é o mais importante”.
A segunda foi um monte. Ao ser levado ao lugar mais alto, Jesus viu todos os reinos e foi oferecido poder e riqueza. Estaria em condições de impor a salvação. Mas Jesus viu que a imposição é satânica, é um deus falso. Salvação não pode ser imposta. O Reino de Deus não é regime de ordem imposta. É uma família, sendo Deus o Papai e os habitantes da terra seus filhos e filhas numa grande irmandade. É perigoso ser elevado até lugares altos na vida. Dá a ilusão que o poder permite impor soluções. Jesus disse: “Não”.
A terceira foi a torre do templo. Jesus pulando da torre e não se machucando poderia demonstrar seus poderes sobrenaturais e ganhar a admiração da multidão. Seria fácil levá-la à salvação. Jesus não se enganou. Usar Deus para manipular os outros não faz parte do Reino. Ele veio para mostrar o caminho do amor e não fazer espetáculos! Deus não precisa de auto afirmação para ganhar admiração e simpatia. Jesus disse: “Não”.
A pedra, o monte e a torre tinham algo em comum. Foram tentações para fazer Jesus evitar a cruz. São tentações perenes, que se colocam no caminho de todos. No nosso deserto podemos, também, dizer o nosso: “NÃO”.
Pois o Senhor do universo a ninguém teme,
não se deixa impressionar pela grandeza;
pequenos e grandes,
foi ele quem os fez:
com todos se preocupa por igual.
Sabedoria 6.7 (leia 6.1-11) – BJ
A idéia de "quanto mais, tanto melhor" nem sempre é a verdade. Nossa tendência é sermos impressionados com a grandeza. Os gigantes nos impressionam e muitas pessoas lutam para se tornarem gigantes em alguma coisa: riqueza, poder, fama, porque acham que isto é o máximo!
Somos muito semelhantes aos números. Nem todos os números podem ser o nº "9". O nº "0" é o menor de todos os números e talvez seja um dos mais importantes! Quando ele é colocado depois de qualquer outro número ele aumenta o valor, dez vezes mais!... Ao contrário, quando o zero fica no início de qualquer número, o valor daquele número passa a ser decimal! O zero sozinho não é nada, somente quando ele se coloca atrás de outro número, ele cresce em valor; o seu valor é maior se ele se coloca depois do outro número e não antes.
Como todos os números são importantes, todos nós também somos importantes aos olhos de Deus. O Criador se preocupa com todos de forma igual; ninguém vale mais do que o outro.
Os que confiam no Senhor compreenderão a verdade
e os que são fiéis permanecerão junto a ele no amor,
pois graça e misericórdia são para os santos.
Sabedoria 3.9 (leia 2.23-3.9) – BJ
Ficar perto de Deus no amor leva à compreensão da verdade. A verdade é muito mais do que um pequeno conjunto de dogmas a respeito da "salvação da alma". A verdade abrange tudo quanto é realidade. A razão disto é que Deus é a fonte da realidade e da verdade. Quem fecha os olhos para a verdade está fechando os olhos para Deus.
A falta de estar junto de Deus em amor produz um cristianismo de negativismo. O "crente" negativo está sempre combatendo alguma coisa e está sempre achando defeitos para criticar. O "crente" negativo acha que a destruição das coisas erradas (queimar livros e discos, quebrar objetos, etc.) vai trazer o Reino de Deus. Gasta as suas energias em coisas negativas porque não vê que o evangelho de Cristo não é a destruição, mas a transformação.
A verdade leva à mudança e à transformação. A verdade abre os olhos e dá uma visão e nos ajuda a ver cada vez mais como Deus está agindo no mundo. Ajuda a ver como este mundo é realmente do Senhor.
Toquem as cornetas no monte Sião,
dêem um grito de alarme no monte de Deus!
Trema de medo, povo de Judá,
pois está chegando o dia do Deus Eterno.
Será um dia de escuridão e trevas,
um dia de nuvens negras.
Os gafanhotos avançam
como um exército enorme e poderoso,
como uma nuvem escura que cobre as montanhas.
Nunca houve uma coisa assim no passado
e no futuro nunca mais haverá.
Joel 2.1-2 (leia 1.13-15, 2.1-2) – BLH
Embora os seres humanos agora dominem o mundo, eles não terão a última palavra. O ser humano não é a força mais poderosa no mundo, embora seja ele que se encontre em maior evidência! O poder do homem não é tanto quanto parece e não durará para sempre. A força maior é a força básica da criação, Deus tem a última palavra e tudo que não está de acordo com esta força, cairá.
No fim, a vida e a criatividade vão ter o domínio; as forças menores simplesmente agirão para promover a finalidade delas. A curto prazo, parece que as forças da destruição e do caos dominam, porque são elas que estão mais em evidência. Na verdade, elas são forças secundárias, agindo de acordo com a força maior, numa maneira que nós não conseguimos entender...
O Espírito do Senhor enche o universo,
dá consistência a todas as coisas,
não ignora nenhum som.
Sabedoria 1.7 (leia 1.1-7) – BJ
Deus está em tudo e faz parte de tudo. Esta afirmação não chega ao panteísmo que diz que tudo é Deus! A idéia desta passagem é chamada por um nome semelhante: "panenteísmo", Deus está em tudo e tudo está em Deus. O Espírito do Senhor está em todas as formas de existência, aquilo que chamamos de "material", "ondas", e até “som”. O Espírito “não ignora nenhum som" quer dizer que há consciência de tudo que se passa.
Mensagem do texto citado: não podemos fugir da presença de Deus, somos importantes, sendo conhecidos por Ele/Ela. Não estamos longe de Deus, nem ignorados ou desvalorizados. Somos importantes no conjunto das coisas e não podemos fugir da nossa responsabilidade.
Fazemos parte de um universo vivo com a presença do Espírito de Deus. Não somos meras peças duma máquina cósmica. A diferença entre “fazer parte de” e “ser uma peça de” é muito grande. Ao fazer parte compartilhamos a vida (Espírito) com toda a criação. Em contraste, uma peça é um componente duma máquina sem vida. O universo é um organismo saturado com a vida do Espírito e fazemos parte dele.
Assim também Cristo foi oferecido uma só vez
em sacrifício para tirar os pecados de muitas pessoas.
Depois ele aparecerá pela segunda vez,
não para tirar pecados,
mas para salvar
os que estão esperando por ele.
Hebreus 9.28 (leia 9.24-28) – BLH
Esta passagem retrata uma realidade cultural muito diferente do que a nossa. Nosso mundo religioso não é de ofertas de sacrifícios de animais para satisfazer um Deus caprichoso e exigente.
Para muitas pessoas, Deus ainda é caprichoso e exigente e a tendência, muitas vezes, é usar a Bíblia para montar um ambiente religioso em que Deus é um "velho rabugento", legalista e sadista que quer acabar com todos os prazeres da vida. São teologias de pessoas desajustadas que fazem uso de "terrorismo espiritual" para controlar os outros.
As "realidades celestiais" deste texto retratam a nossa vida íntima. Jesus demonstrou como Deus está presente em nós, vencendo as barreiras dos nossos relacionamentos e sarando as feridas dos nossos fracassos. O "Santo Lugar" é onde Deus se faz presente em nossa vida. Não há espaço para “terrorismo espiritual”!...
Escuta as minhas orações e as orações do teu povo
quando orarem com o rosto virado para cá.
Sim, da tua casa no céu,
ouve-nos e perdoa-nos.
1 Reis 8.30 (leia 8.22-23,27-30) – BLH
Esta oração foi feita por Salomão na ocasião da inauguração do novo templo em Jerusalém. Salomão entendia que Deus era tão grande que o céu não teria a capacidade de contê-lo, muito menos o templo. O templo não era a morada de Deus, mas servia para a lembrança de que Deus também residia entre as criaturas humanas na terra, ajudando-as a sentir a presença divina. Tornou-se o lugar de adoração e culto, e, o povo, mesmo estando em outros lugares, orava com o rosto virado para o templo em Jerusalém.
O templo falhou e hoje os templos das religiões parecem não mais representar uma esperança para a maioria da humanidade. Ficam fechados e vazios a maior parte do tempo. Ainda precisamos de pontos de referência que nos façam sentir a presença divina, algo que representa a vida e a esperança. Será que existe este algo?
Acredito que o novo ponto de referência seria as pessoas que encarnam o Reino de Deus, pessoas que enfrentam com amor, fé, e dedicação, os grandes problemas que afligem a humanidade: injustiça social, devastação do meio ambiente e opressão dos vulneráveis (minorias, pessoas discriminadas, crianças, mulheres, pobres).
O Apóstolo Paulo afirma: “nós somos o templo do Deus vivo” (2Cor 6.16). Podemos ser referências que trazem esperança se conduzirmos a nossa vida na presença daquele que é o Criador da vida...
Porém nesta carta me atrevi a escrever
com toda a franqueza
sobre certos assuntos
que eu quero lembrar a vocês.
Tenho sido atrevido por causa da honra
que Deus me deu.
Romanos 15.15-16 (leia 15.14-21) – BLH
O contexto deste texto indica claramente quais são "certos assuntos" que foram tratados pelo autor deste documento. Paulo estava tratando de um assunto revolucionário, Deus queria salvar o mundo e não uma pequena minoria: o povo judaico.
Paulo foi criado na crença de que o povo judaico era "escolhido de Deus". Os outros povos não passavam de "cães", imundos e desprezados. Este apóstolo zelava pela pureza da religião judaica a ponto de levar à morte aqueles que ele julgava serem "contaminadores da fé verdadeira".
Um Deus que quer salvar o mundo assusta muitos cristãos ainda hoje em dia. Eles não reconhecem a presença e a atuação de Jesus fora da igreja. Não reconhecem as ações salvíficas de Deus no "mundo". Acham que Deus é somente o Deus da igreja e não o Deus do mundo inteiro. Para eles, o Reino de Deus está dentro da igreja e Jesus é o salvador da igreja e não do mundo.
João anunciava de muitas maneiras diferentes a boa notícia ao povo e apelava a eles para que mudassem de vida.
Lucas 3.18 (leia 3.7-18) – BLH
Através da história, pessoas proféticas, religiosas e seculares, enxergaram as conseqüências de atos inconseqüentes dos seres humanos. Muitos destes profetas apresentaram, também, meios de evitar as catástrofes resultantes destes feitos. O mundo pré-científico visava tragédias como atos diretos de Deus(es) irado(os). Para aplacar a sua ira, as pessoas tinham que fazer algo para agradá-lo(s).
A profecia judaica era ética, visando os efeitos morais do comportamento. João Batista, seguindo esta tradição, era portador de uma mensagem de alerta de uma catástrofe resultante dos atos humanos. Na ótica dele, a tragédia vindoura seria o castigo de Deus sobre os praticantes dos males sociais. A saída seria mudança de vida (arrependimento). Sua pregação nos faz lembrar a mensagem do profeta Jonas para os moradores da cidade de Nínive: “Nínive será destruída!” – Mas, o povo se arrependeu e evitou a tragédia.
A maneira de evitar o “terrível castigo que Deus vai mandar” seria a mudança de vida: compartilhar os bens, não explorar os outros e não ser ganancioso. Assim, o povo evitaria o desastre e prepararia o caminho para a chegada de uma nova ordem com o reinado de um Cristo sobre um mundo novo de justiça e paz.
Passados quase dois milênios, a mensagem profética é mais urgente do que nunca. A ganância humana, aliada à alta tecnologia, prejudica não somente a ordem social, mas, também o equilibro do Planeta Terra. Está em jogo o nosso relacionamento com toda a criação: a fauna, a flora, o ar, a água e o solo. Não bastam apenas mudanças éticas e socais, embora estas, também, sejam urgentes!...
O que temos em comum com João Batista é a urgência da mudança do estilo de vida. O tempo está se esgotando. Os analistas sociais e ecológicos, com base em pesquisas, estão prevendo que a humanidade arma desastres sociais e ambientais sem precedentes! Nosso sistema sócio econômico está destruindo o equilíbrio da natureza e provocará mudanças climáticas, inundação das cidades litorais e caos biológico, criando mutações mortificas de novos vírus.
A mensagem profética dos nossos dias fala da urgência de mudança de rumo em relação à espiritualidade egoísta e práticas que ferem a natureza. Alguns dizem que, se as tendências atuais continuarem por mais uma geração, as mudanças chegariam tarde demais para evitar um desastre devastador!...
O Reino de Deus é terrestre e depende da nossa participação para que possa se concretizar. Somos os instrumentos proféticos do Salvador para advertir contra os perigos e anunciar o convite de mudar o rumo da vida. O Evangelho começa conosco quando deixarmos Jesus nascer dentro de nós e nos dirigir na preparação do caminho da paz.
Não devem nada a ninguém.
A única dívida que vocês devem ter é a de amar uns aos outros.
Quem ama os outros obedece a lei.
Quem tem amor não faz mal aos outros.
Portanto, amar é obedecer toda a lei.
Romanos 13.8,10 (leia 13.8-10) – BLH
Prejudicar os outros (fazer mal aos outros) não faz parte da ética cristã. Subir na vida à custa dos outros está fora das normas do sistema social. Os evangelhos, ao apontarem o amor a Deus, ao próximo e a si mesmo como o valor supremo da vida, descartam a filosofia do ladrão (o que é teu é meu) e do egoísta (o que é meu é meu mesmo). Seguindo o evangelho um outro princípio entra em vigor (o que é meu é teu também)!
Nada disto é novidade. Até agora a igreja, como instituição, não conseguiu pôr em prática o princípio fundamental da vivência e da convivência. As instituições, inclusive a igreja, se promovem e se perpetuam à custa do ser humano. Muitas vezes aqueles que trabalham na igreja fazem manipulações em causa própria!...
Nossa esperança está naqueles que são devedores de amor e que conseguem praticar este amor entre nós na vida diária, inclusive dentro das estruturas eclesiásticas.
Peçam que Deus abençoe os que perseguem vocês.
Sim, peçam que ele abençoe e não que amaldiçoe.
Alegrem-se com os que alegram e chorem com os que choram.
Vivam em harmonia uns com os outros.
Não sejam orgulhosos,
mas aceitem serviços humildes.
Não se julguem sábios.
Romanos 12.14-16 (leia 12.5-16) – BLH
A perseguição é sempre fruto da ignorância e da insegurança. Em outras palavras, os perseguidores são sempre uns coitados com algum poder na mão; são ignorantes e inseguros. A perseguição é a única arma que eles têm para se defender. São dignos de dó, embora façam muito mal à sociedade. Jesus orou pelos seus perseguidores: "Pai perdoa-lhes porque não sabem o que fazem." O perseguidor não sabe o que faz, é um perdido que precisa chegar à verdade para ser liberto das suas mentiras. Ele está no caminho errado e precisa se encontrar... Necessita das nossas orações e da nossa compaixão para ser salvo do poço da morte em que se encontra.
Se somos da verdade e temos segurança nisto, temos condições de orar por aqueles que nos maltratam e desejar a sua libertação. Temos condições de chorar com os tristes e nos alegrar com os felizes.
Pois Deus fez todos se tornarem
prisioneiros da desobediência
a fim de mostrar misericórdia a todos.
Como são as riquezas de Deus.
Como são profundos o seu conhecimento
e a sua sabedoria!
Quem pode explicar as suas decisões?
Quem pode entender os seus planos?
Romanos 11.32-33 (leia 11.30-36) – BLH
As duas verdades principais que vejo neste texto são: todos os seres humanos são iguais e, para nós, a vida é um mistério que não dá para entender.
Basicamente todos os seres humanos têm a mesma carga genética. O caminho para uma vida plena é por meio do conhecimento da verdade, mas é nossa tendência fugirmos das verdades ameaçadoras. Escondemos os traumas na subconsciência ou na inconsciência. Ao escondermos as verdades ameaçadoras de nós mesmos, negamos certos aspectos da nossa realidade. O pecado é a negação da verdade. Viver a mentira evita que a verdade atue plenamente em nossa vida. A aceitação da verdade abre caminho para mudanças e muitas vezes mudanças são assustadoras. O medo pode nos roubar de uma vida plena, libertada da mentira. Muitas vezes, a religião, em vez de ser um meio para chegarmos à verdade, se torna um meio de vivermos a mentira. Temos que nos libertar da religião falsa.
Meus queridos amigos,
agora nós somos filhos de Deus,
mas ainda não sabemos o que vamos ser.
Porém sabemos isto: quando Cristo aparecer,
ficaremos parecidos com ele,
pois o veremos como ele realmente é.
1 João 3.2 (leia 3.1-3) – BLH
Não temos uma visão exata da "floresta" desta existência, nem a visão exata do nosso destino. Nas épocas bíblicas, a visão do universo era de uma terra plana, cercada por água, com um abismo embaixo onde residiam os demônios, os mortos e as almas condenadas ao fogo do inferno... Em cima ficava o firmamento do céu e, acima do firmamento, moravam: Deus, seus anjos e as almas salvas. O céu e o inferno eram ocupados por seres espirituais. A terra era o mundo material, e nós, seres com um corpo material e duas partes espirituais: alma e espírito.
Hoje, as pessoas informadas sabem que nada disto é verdade. Em vez de ocupar o ponto central do universo, a terra é um ponto pequeno cercado por um número quase infinito de outros objetos no espaço. O céu e o inferno não são pontos geográficos e não há separação entre o material e o espiritual. O material é, na realidade, uma forma de energia e o espiritual, a consciência. Pouco sabemos do presente e nada do futuro.
Éramos inimigos de Deus,
mas ele nos fez seus amigos
por meio da morte do seu Filho.
Agora que somos amigos de Deus,
com muito mais razão
seremos salvos
pela vida de Cristo.
Romanos 5.10 (leia 5.5-11) – BLH
Paulo está escrevendo do ponto de vista da cultura e tradição dele. A cultura e tradição eram alienantes, o mito da queda de Adão e Eva retratava a sua experiência cultural e, conseqüentemente, a experiência pessoal.
Somos da mesma tradição alienante. A nossa cultura é desequilibrada a auto-destrutiva. Não vivemos em harmonia com a natureza. Em vez de convivermos com a natureza, nós tentamos controlá-la e dominá-la: o resultado é a sua devastação... Nosso deus é um deus ausente, não encontrado no dia a dia da vida. Ele tem que ser procurado em lugares sagrados, em épocas sagradas, no templo ou em outro lugar especial, num dia especial: sexta, sábado ou domingo... O culto tem jeito certo. Para uns, com muita agitação e orações gritadas para Deus poder ouvir. Para outros, com serenidade para Deus poder ser ouvido.
Priorizamos a nossa própria salvação. Achamos que somos os "escolhidos" e os outros "que se danem"... Somos solidários apenas com os “irmãos na fé” e nos afastamos dos que mais precisam da nossa solidariedade. Jesus veio para mostrar que tudo isto é engano e sinalizou o verdadeiro caminho para a vida.
Para o bem dele eu mesmo poderia desejar
estar debaixo da maldição de Deus
e separado de Cristo.
É o povo escolhido por Deus,
e Deus fez dele seus filhos
e repartiu a sua glória com eles.
Fez os acordos com eles e lhes deu a Lei.
Eles têm a adoração verdadeira
e receberam as promessas de Deus.
Romanos 9.3-4 (leia 9.1-5) – BLH
Conforme Paulo, o Povo de Israel estava debaixo da maldição de Deus. Paulo gostaria de poder tomar sobre si a maldição do povo, para que fosse salvo, dando muitos argumentos dentro do raciocínio dele, que, a meu ver, não faz sentido às culturas não-judaicas. Para a nossa cultura e época a tradução do seu argumento seria assim:
O Povo de Israel foi escolhido, não tanto para ser salvo, mas um instrumento da salvação de todas as nações. O povo acabou entendendo a eleição como um privilégio exclusivo e se isolou das demais nações. Esta atitude anulou a eleição porque a finalidade, "a salvação das nações", não estava sendo atingida. Jesus mostrou que não é pelo nascimento, mas, pela atitude de compaixão que uma pessoa é filho ou filha de Deus e a faça parte do povo de Deus!
A igreja segue o mesmo caminho do Israel antigo quando toma a atitude de ser o “novo povo eleito” e despreza as outras manifestações de fé. Um cristianismo intolerante, orgulhoso e exclusivo é tão abominável quanto o legalismo que crucificou Jesus. Se Jesus voltasse de novo na forma humana com as mesmas aberturas reveladas nos Evangelhos seria rejeitado pela mesma igreja que invoca seu nome?