domingo, 8 de janeiro de 2012

BOLSAS QUE NÃO SE ESTRAGAM


Arranjem bolsas que não se estragam
e guardem as suas riquezas no céu,
onde elas nunca se acabarão;
porque lá os ladrões não podem roubá-las,
e as traças não podem destruí-las.

Lucas 12.33 (leia12.32-40) – BLH

A linguagem da Bíblia é alegórica e simbólica. Fala por parábolas e comparações. O céu representa o espírito humano quando é consciente da presença de Deus, trazendo paz e alegria. O Reino de Deus é a prática da compaixão na vida diária aqui na terra. As bolsas que não se estragam simbolizam os valores do Reino: fé, esperança e amor. O ficar preparado significa estar alerto para abrir portas para novas oportunidades, praticando o amor e participando nas manifestações do Reino de Deus quando elas aparecem.

É errado interpretarmos esta passagem como a previsão de um único acontecimento que se cumprirá num momento imprevisto, nos advertindo ficarmos em dia com o nosso estado espiritual, orando e jejuando para não sermos pegos desprevenidos. O Reino de Deus já está aqui entre nós e cabe a nós reconhecermos e participarmos dele.

Muitas pessoas mesmo das igrejas estão “em outra”, cuidando da vida diária como se não fizessem parte do Reino! Fazem uma divisão entre o secular e o sagrado, sem perceber que esta separação é artificial. Banalizam a vida diária. No seu pensamento, Deus fica isolado, limitado dentro da vida “espiritual”. Deus é visto somente como o Deus da nossa fé.

O preconceito de muitos cristãos pretendendo ter exclusividade em relação a Deus cega os seus olhos à Sua atuação salvadora fora do cristianismo. Negam que Ele, por seu grande amor à toda a humanidade, revela os princípios do Reino a todos que têm a sensitividade para valores espirituais. A seguinte ponderação poderia ser de um cristão:

(*)“Nossas distrações com atividades triviais, mundanas nos levam a desperdiçar nossa vida humana preciosa. Em vez de usá-la para alcançar (...) grandes metas, (...) nós a usamos apenas para obter comida, roupas e abrigo, para adquirir posses materiais, para nos entregar ao sexo e outros prazeres superficiais, e para obter promoção e status social. Neste particular não nos diferenciamos dos animais que lutam por comida, fazem abrigos, produzem filhotes, protegem seus territórios, e vivem pela supremacia dentro do rebanho ou da manada”.

Nosso verdadeiro tesouro não consiste em que acumulamos, mas naquilo que compartilhamos com os outros. As riquezas do céu são as pessoas alcançadas pela nossa participação para o bem estar da humanidade, incluindo os cuidados para com a criação. Ganância e egoísmo são auto destrutivos, mas o amor gera vida!...

(*)Introdução ao Budismo, pp 9-10, Geshe Kelsang Gyatso.

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