Vocês, mesmo sendo maus, sabem dar coisas boas aos seus filhos.
Quanto mais o Pai, que está no céu,
dará o Espírito Santo aos que lhe pedirem!
Lucas 11.13 (leia 11.1-13) – BLH
Quem usa esta passagem como apoio ao conceito que Deus quer a prosperidade para seu povo, destorce as palavras de Jesus. Jesus não era adepto da teologia da prosperidade. Nunca prometeu “mundos e fundos” para seus seguidores. Ao contrário, seu caminho era da simplicidade, não da suntuosidade...
A oração Pai Nosso nada pede além do “pão de cada dia”. Na parábola que seguiu a oração, a pessoa que bateu na porta do vizinho a meia noite estava pedindo pão para servir para outra que acabara de chegar de viagem. As promessas no fim da história devem ser interpretadas à luz da oração Pai Nosso e da parábola do amigo inoportuno.
As coisas boas não negadas são as essenciais para a vida diária e os meios para ajudar os outros. O acúmulo de bens se torna veneno, não bênção! As coisas boas não são bens que se estragam ou podem ser roubadas. São qualidades que ninguém pode tirar de nós. Ao morrermos, deixaremos os bens materiais para trás, mas as qualidades são nossas para sempre.
O Espírito Santo representa as coisas boas: o amor ao próximo, a solidariedade com a humanidade e cuidados por toda a criação.
Não precisamos ser ricos de bens materiais e ocupar lugares de prestígio na sociedade para termos amor para com os outros, sermos solidários com os que sofrem e zelarmos pelo meio ambiente. Estas “coisas boas” são disponíveis a todos que as desejam e buscam. É só querer e procurar.
Quando pedimos coisas só para nosso bem estar, estamos, na realidade, pedindo “cobras” e “escorpiões” para nos morder e envenenar. A prosperidade pode ser sinal da desgraça, não da graça. Pode ser o fruto do materialismo e ganância. A tendência da riqueza material é a separação das pessoas, não a sua aproximação. O rico precisa levantar barreiras para proteger o fruto das suas conquistas. Precisa afastar o perigo para não perdê-lo para os outros.
Jesus estava livre para circular no meio da multidão sem perigo de ser roubado do seu tesouro mais precioso. As suas riquezas estavam fora do alcance dos ladrões. Elas pode-riam ser livremente compartilhadas com os outros, sem ele sofrer prejuízo. Amor a Deus, ao próximo e à criação são as coisas boas que podemos pedir ao Pai sem serem negadas. Pela graça, Deus recusa nos dar as “cobras” e “escorpiões” venenosos do materialismo. Deus deseja para nós as riquezas verdadeiras. A finalidade da oração é abrirmos as portas do nosso coração para recebermos as coisas boas da vida. Quanto mais estas coisas são compartilhadas, quanto mais são multiplicadas e. seremos verdadeiramente ricos.
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