
Então direi a mim mesmo:
“Homem feliz!
Você tem tudo de bom que precisa para muitos anos
Agora descanse, coma, beba e alegre-se!”
Mas Deus lhe disse:
“Seu tolo!
Esta noite você vai morrer,
e quem ficará com tudo o que você ajuntou?”
Jesus concluiu:
“Isso é o que acontece com aqueles que juntam riquezas
para si mesmos, mas para Deus não são ricos.
Lucas 12.19-21 (leia 12.13-21) – BLH
Nosso sentimento de insegurança e de finidade nos leva a agarrarmos em algo fora de nós como proteção contra as incertezas do futuro. A falta de recursos, a doença e a violência parecem ser os perigos mais ameaçadores e plausíveis. São preocupações legítimas, mas representam apenas uma parte da nossa existência. Somos mais do que um mecanismo físico. O conforto e segurança não são suficientes para nos levar à riqueza verdadeira: a felicidade.
A cultura ocidental é materialista e nos faz crer que a felicidade consiste em ter bens em abundância para uma vida longa. Este foi o pensamento do homem rico desta parábola. É o sonho de muitos. As filas diante das casas de loteria para a Mega-Sena acumulada atestam o sonho de alcançar a felicidade através da grande sorte! Nossa escala de valores coloca a fonte de alegria na posse de bens de consumo. As páginas de revistas e jornais, cartazes gigantes ao ar livre e as imagens na tela da TV retratam pessoas esbeltas, jovens e sorridentes, usando roupas de grife, abrindo contas bancárias, curtindo o som de aparelhos sofisticados, dirigindo o carro do ano e comprando a crédito. A nossa cultura liga a felicidade ao “ter”!...
Jesus afirmou que a vida é muito mais do que “repartir heranças” e “acumular bens”. A felicidade fundamentada em “possuir coisas” é precária. Podem alimentar a ilusão de prosperidade e serem retiradas a qualquer instante. A essência da vida está no “ser”, não no “ter”!... A busca do ter não satisfaz, mas nos leva a querer possuir mais ainda. Alimenta a ganância que produz a injustiça prejudicando o bem estar dos outros. A vida se torna competitiva, fazendo uns viverem à custa dos outros! Gera infelicidade e sofrimento...
De acordo com os ensinamentos de Jesus, a riqueza verdadeira é a felicidade proveniente de “ser”, ser solidário com os outros, não só pegar o “nosso pedaço do bolo”. Está no compartilhar, não no acumular. A felicidade verdadeira e duradoura consiste em se abrir para o mundo e para os outros, não em se fechar dentro de si. A vida brota da interação e não do isolamento.
A espiritualidade que visa a prosperidade como sinal da graça de Deus corre o risco de repetir os erros do homem rico da parábola. O individualismo mesmo em nome de Deus é egoísta. Até a busca da salvação, sem levar em conta o bem estar dos outros é uma tentativa de acumular riquezas para si e não para Deus. Podemos ser gananciosos até nas coisas espirituais. A religiosidade em si pode ser tão egoísta, tanto quanto o materialismo assumido. A nossa grande riqueza consiste naquilo que conseguimos passar aos outros, não naquilo que ajuntamos para nós mesmos!
0 comentários:
Postar um comentário