domingo, 22 de janeiro de 2012

A GRANDE GALINHA


Quantas vezes eu quis abraçar todo o seu povo,
assim como a galinha ajunta os seus pintinhos
debaixo das suas asas,
mas vocês não quiseram!

Lucas 13.34b (leia 13.31-35) – BLH

Jesus se comparou a uma galinha. A galinha tem instinto materno: bota ovos, choca-os, protege os pintinhos do frio, dos perigos e ajuda-os a achar comida. Eles precisam da mãe enquanto não desenvolvem suas próprias penas. Sabem se identificar com a mãe.

O povo de Jerusalém não tinha inteligência nem de um pintinho... Muitos ignoravam a “mãe” que poderia ter lhes dado vida e condições de enfrentar as dificuldades. Alguns até se rebelavam contra ela, matando-a, destinando-se a autodestruição!... Mas o instinto materno de Jesus era tão forte que insistiu em chamá-los até o fim.

O que aconteceu em Jerusalém há quase dois milênios repetiu-se constantemente na história humana e continua hoje em escala ainda maior. Muitos agem contra a fonte da vida, caminhando para a autodestruição. Ainda pior, levam outros juntos.

Podemos aprender das tribos primitivas, não contaminadas pela “civilização”. Os primitivos consideravam todas as criaturas como uma irmandade, cada espécie com poderes e características próprias. Buscavam imitá-las e apropriar-se de suas qualidades. Matavam apenas para obter comida. A própria terra era tratada respeitosamente como mãe, fonte da vida! Eram conscientes da sua fragilidade diante da natureza e da sua interdependência com a criação. O seu bem estar dependia da integração, não do domínio.

O ser humano é a única espécie dos animais que pensa que não é animal!... Engana-se. Seu DNA difere pouco com o do porco! Acha o homem que esta pouca diferença lhe dá o direito de agir como se fosse um deus, manipulando tudo e todos a seu redor para promover os seus próprios interesses. Com esta atitude, o ser humano está criando um “mundo de fantasia”, destruindo a natureza e esgotando os recursos do globo, sem pensar nas conseqüências a longo prazo. Com a globalização, a humanidade está matando a “Galinha” que lhe dá vida, sustento e proteção. O mundo está se tornando uma grande Jerusalém, matando os profetas e caminhando para a destruição.

Jesus não tratou só da salvação (saúde) da alma. O sinal do seu Reino era corpos curados e libertados!... Jesus não estava interessado em salvar somente a alma de Jerusalém, mas toda a sua integridade. A espiritualidade de um cristianismo sadio deve abraçar o mundo e incluir tudo o que tem algo a ver com o bem estar geral. A Jerusalém de hoje é global e está em perigo de extinção.

Somos representantes da “Grande Galinha” que chama a humanidade para se abrigar debaixo de suas asas.

“Ajuntar-se debaixo das asas da galinha” simboliza a aceitação dos valores de Jesus. A compaixão substitui a ambição pessoal. O amor ao próximo chega a ser igual ao amor próprio. A solidariedade toma lugar da competitividade! É viver já o Reino de amor num mundo de ambição, preconceito, ódio e violência.

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