Eles o adoraram e voltaram para Jerusalém
cheios de alegria.
E passavam o tempo todo no pátio do Templo,
louvando a Deus.
Lucas 24.53 (leia 24.44-53) – BLH
Lucas é o único escritor bíblico que faz menção da descida do poder do Espírito Santo no dia do Pentecostes. Nenhum outro toma conhecimento do acontecimento. Toda a mística de Pentecostes está construída em torno da narração de Lucas no Evangelho de Lucas e nos Atos dos Apóstolos. Ele traça uma linha de continuidade, fazendo Jesus o elo entre judaísmo e cristianismo, entre Israel e todas as nações. Jesus não veio somente para os judeus, mas, através de seus seguidores a sua mensagem foi destinada a alcançar o mundo inteiro.
A mensagem é a boa notícia da oferta de novos caminhos (arrependimento) e graça (perdão) para todas as nações. Para Deus, não existem elites privilegiadas. Mas, para esta mensagem ser transmitida era necessário o “poder de cima”. Enquanto não chegava este poder, a fé dos discípulos era a “fé do templo”. Ficavam no templo louvando a Deus. A fé sem poder fica limitada ao louvor no templo.
Com a vinda do Espírito Santo, desceu o poder de dar testemunho da nova mensagem. Com as perseguições resultantes, os seguidores de Jesus foram espalhados pelo mundo. Saíram do templo e seu campo de ação se tornou o mundo inteiro. A finalidade da vinda do poder do alto era tirá-los do templo, não conservá-los dentro.
Passando os séculos de perseguição, com a legalização do cristianismo, a igreja começou a construir templos. Pouco a pouco, o templo cristão tomou o lugar de importância da sinagoga judaica. A grande manifestação de fé voltou a ser o louvor nos templos.
Hoje a igreja faz sua auto-avaliação pela multiplicidade e grandiosidade de seus templos e casas de culto, pelo número de adeptos que consegue reunir e pelas manifestações de ardor nos seus cultos. O mundo é visto como território do inimigo e os cristãos devem se isolar dele. O alvo é salvar os mundanos do mundo e levá-los para dentro do templo. A fé predominante do cristianismo é centralizada no templo. A maior parte dos dízimos e ofertas é destinada a manutenção do templo com sua estrutura eclesiástica. No decorrer da história, em vez de penetrar as nações, o cristianismo substituiu a sinagoga pela catedral.
O “poder de cima” é dado para levar os cristãos a viver sua fé em prol do mundo, não da igreja. O evangelho não se limita às práticas religiosas e morais. Envolve a participação plena na vida “secular”. A palavra “arrependimento” significa mudar de direção e seguir novos caminhos. No caso do evangelho, é seguir os caminhos da compaixão e justiça social na vida diária em todos os lugares. A boa nova do evangelho é que o perdão (graça) dá poder para fazer mudança de vida em direção à vida. É um caminho difícil a seguir, mas o poder de cima é justamente para possibilitá-lo.
0 comentários:
Postar um comentário