quinta-feira, 30 de abril de 2009

VIVER OU MERAMENTE EXISTIR

Muitos em Israel aceitaram antes morrer que contaminar-se com os alimentos e profanar a aliança sagrada, como de fato morreram.

1 Macabeus 1.63 (leia 1.10-15,41-42,54-57,62-64) – BJ

Viver é muito mais do que meramente existir! Há circunstâncias em que é melhor morrer do que viver. Neste texto, as pessoas que morreram se achavam diante da escolha de viver à custa de princípios que elas achavam que eram básicos, ou morrer. Elas achavam que estes princípios valiam mais do que a própria vida... Preferiam morrer do que ceder e agir contra estes princípios básicos. Sem eles não valia a pena viver.

Novamente, esbarramos no princípio do sacrifício da vida por valores maiores. A vida, em si mesma, não é o supremo valor! A vida é voltada para valores além de si mesma... Somente existir não é o suficiente. A vida tem valor somente na medida em que ela é vinculada a algo que está fora de si.

Estes valores são vinculados à coletividade. Somente à medida que vivemos pela coletividade, a vida individual tem valor. É justamente o amor ao próximo que afirma o valor à vida individual. Sem o amor ao próximo, a vida individual fica sem valor.

quarta-feira, 29 de abril de 2009

MISSÃO IMPOSSÍVEL

"Já a dei a sete maridos dentre nossos irmãos, e todos morreram na mesma noite em que entraram no seu quarto. Todavia, moço, agora come e bebe, e o Senhor vos dará sua graça e sua paz." Tobias respondeu: "Não comerei nem beberei até que resolvas a minha situação." Ragüel lhe disse: "Está bem! É a ti que ela deve ser dada segundo a sentença da Lei de Moisés, e o Céu decreta que ela te seja dada. Recebe a tua irmã. Ela te é dada a partir de hoje e para sempre. Que o Senhor do Céu vos faça felizes esta noite, filho, e vos dê sua graça e sua paz."

Tobias 7.11 (leia 6.10-11,7.1,9-17,8.4-10) – BJ

"Missão Impossível" seria um bom título para esta história. Tobias estava enfrentando uma situação difícil a ser resolvida: “quebrar a tradição, ou morrer pela tradição”. Aqui, de novo, Deus é retratado como salvador. Pela fé, o azar foi anulado. Tobias se casou com Sara e não morreu como os sete maridos anteriores. A sorte de Tobias foi diferente. Pela lógica, ele deveria ter fugido da situação; mas, nem sempre a lógica opera na vida. Tobias se arriscou e venceu. Sara devia ter sido uma beleza de mulher para um homem arriscar tanto para ficar com ela. Lições desta história: "grandes oportunidades são acompanhadas de grandes perigos" e “grandes perigos oferecem grades oportunidades”...

terça-feira, 28 de abril de 2009

ORAÇÃO DE UMA AZARADA

E naquele momento, estendendo as mãos para a janela, orou assim: "Bendito sejas tu, Deus de misericórdia! Bendito seja teu nome pelos séculos, e que todas as tuas obras te bendigam para sempre! Volto agora meu rosto e levanto meus olhos para ti.

Tobias 3.11-12 (leia 3.1-12,24-25) – BJ

Esta oração é de Sara, uma pessoa azarada, viúva sete vezes que havia contemplado o suicídio. A sua viuvez era especialmente marcante; cada marido havia morrido na noite de núpcias sem haver tocado nela, mortos por Asmodeu, o pior dos demônios. Sara ainda era virgem e temida como matadora de maridos, bastante desprezada por estar ficando velha sem ter filhos.

Na sua angústia ela pede a morte, mas, em vez da morte, veio a libertação! Mesmo com a adoção da crença de demônios pelo autor deste livro, Deus é retratado como o Deus da salvação nesta vida agora, no nível prático. A salvação no caso de Tobit foi a cura da cegueira, causada pelo excremento de um pardal. No caso de Sara, em arrumar um marido que não morresse antes de engravidá-la, deixando-a com um herdeiro. A salvação começa agora, na vida diária.

segunda-feira, 27 de abril de 2009

VALE A PENA SER BOM?

Não reparei que havia pardais acima de mim, no muro. Caiu-me nos olhos excremento quente, produzindo neles manchas brancas. Fui aos médicos para me tratar; quanto mais me aplicavam pomadas, mais me cegavam as manchas, até que fiquei completamente cego. Fiquei cego durante quatro anos e todos os meus irmãos se afligiam por minha causa; e Aicar cuidou do meu sustento por dois anos, até que partiu para Elimaida.

Tobias 2.10 (leia 2.10-23) – BJ

O narrador havia prestado socorro ao próximo, mas isto não era garantia de sua imunidade contra sofrimento e contratempos. Foi vítima de um estranho acidente, necessitando de alguém para cuidar dele. Como resultado desta cegueira, cresceram brigas de família e muita confusão, acusações e contra acusações. Questão principal: "Vale a pena ser bom?" - a mesma questão do Livro de Jó.

Se a resposta fosse clara todo o mundo seria bonzinho. Parece que a bondade não leva vantagem alguma. Os bons sofrem junto com os ruins e às vezes até mais. Muitas vezes parece que a maldade dá melhores resultados. Acho que a recompensa da bondade é o caráter do praticante, atingindo uma integridade que vence as circunstâncias.

domingo, 26 de abril de 2009

COMPARTILHANDO A VIDA

Quando puseram a mesa, com numerosos pratos, disse a meu filho Tobias: "Filho, vai procurar, entre nossos irmãos deportados em Nínive, algum pobre de coração fiel, e traze-o aqui para comer conosco. Esperar-te-ei até que voltes, meu filho."

Tobias 2.2 (leia 2.1-9) – BJ

A abundância é para ser compartilhada com o próximo, não de maneira aleatória, mas com critério, com aqueles que realmente necessitam e da maneira que necessitam. Neste relato o filho não trouxe um faminto mas enterrou uma vítima de violência contra seu povo. O que começou como uma festa terminou como luto.

O compartilhar não é somente compartilhar com a abundância mas, também, estar sensível ao sofrimento do próximo e se identificar com ele. Oferecer solidariedade de uma maneira concreta é rir com os que estão felizes e chorar com os que estão em luto, ajudando-os a enterrar seus mortos.

O narrador também era vítima, um co-exilado. Era um sofredor sendo solidário com outro na mesma situação. A identificação não era fingida, era real. Quando um é vítima de um sistema, os outros também são vitimados junto com ele. Sendo solidário com os outros, estamos sendo conosco também.

sábado, 25 de abril de 2009

POR QUE CELEBRAR?

Vão agora para casa e façam uma festa. Repartam a sua comida e o seu vinho com quem não tiver nada preparado. Este dia é sagrado para o nosso Deus; portanto, não fiquem tristes. A alegria que o Deus Eterno dá fará que vocês fiquem fortes.

Neemias 8.10 (leia 8.1-12) – BLH

A celebração traz o seu próprio benefício, pode ser mais uma expressão de esperança do que uma comemoração de algo alcançado. A celebração pode nascer do sofrimento: o carnaval é um exemplo. Quem mais celebra o carnaval são os que menos têm para comemorar. Os favelados celebram muito mais do que os que têm recursos, e, quanto mais forte forem as crises econômicas, mais expressivo é o carnaval. Outros países têm tido suas revoluções, mas o Brasil respira carnaval. A própria celebração dá força ao celebrante!

As celebrações dão oportunidades aos participantes; de se extravasam além de si, galgando barreiras invencíveis! A celebração não muda as circunstâncias externas, mas muda a atitude das pessoas em relação a elas; tira o desespero e a revolta. A comemoração pode ser uma fuga, mas, pode ser também, uma maneira de conviver com aquilo que não podemos remover ou modificar.

sexta-feira, 24 de abril de 2009

O MAIOR MILAGRE

Todos os que viram isso começaram a resmungar:
“Este homem foi se hospedar na casa de um pecador!”

Lucas 19.7 (leia 19.1-10) – BLH

Jesus não procurava popularidade ou fama, mas sempre foi seguido pela multidão de admiradores. Naquela ocasião os “fãs” atrapalhavam o seu ministério, impedindo um carente espiritual a chegar perto dele. Jesus precisou contrariar a multidão para atendê-lo. Jesus foi contra a vontade do povo quando parou para atender Zaqueu, o odiado chefe dos cobradores de impostos. Para a multidão, Zaqueu era um malvado que merecia desprezo e ser ignorado. Para Jesus, Zaqueu era uma pessoa carente que precisava de atenção. Jesus dava mais valor em demonstrar amor a Zaqueu do que projetar uma boa imagem para o público. Todos começaram a resmungar diante da amizade que Jesus fez com Zaqueu. A prioridade de Jesus era buscar os perdidos, não ganhar aplausos.

A multidão aguardava milagres e discursos. Para os “fãs”, Jesus fez tudo errado. O que Zaqueu merecia era ouvir um “bom sermão de advertência para parar com sua sem-vergonhice. Precisava alguém para botá-lo no seu lugar. A atitude de Jesus chocou o público. Esperava coisa mais energética de Jesus. Em vez de confronto, abraços! Que decepção!...

Contrário a multidão, Jesus fez o milagre do amor e pregou a mensagem de aceitação incondicional. Amar os outros como eles são e aceitá-los sem impor condições foi o ministério de Jesus. Deixa um modelo para ser seguido. É mais difícil do que pregar sermões e fazer “milagres”!...

Zaqueu não tinha amigos. Ninguém gostava dele. Vivia num vácuo espiritual e social. Tentava encher o vazio com bens materiais, mas continuava infeliz. Ouvia falar de Jesus. Despertou nele uma esperança. Foi atrás. Mas a multidão hostil impediu sua passagem. Diante dos obstáculos Zaqueu engoliu seu orgulho e dignidade. Correu na frente da multidão e subiu numa árvore como se fosse moleque, só para ver Jesus passar por perto. Mas, para a surpresa de todos, Jesus parou debaixo da árvore, chamou Zaqueu pelo nome e convidou-o para descer e recebê-lo na sua casa. Que contraste: a hostilidade da multidão e a amizade de Jesus!

O milagre do amor incondicional de Jesus desencadeou outro milagre, a transformação de Zaqueu. De repente, Zaqueu descobriu a maior riqueza do mundo: o amor do amigo. O dinheiro perdeu o trono! Ao conhecer o amor, Zaqueu começou a compartilhar com os outros.

O sinal da salvação é a generosidade. No momento em que Zaqueu anunciou a sua decisão de distribuir seus bens em vez de recolher os dos outros, Jesus exclamou: “Hoje a salvação entrou nesta casa!”

A diferença entre a salvação e a perdição está no distribuir e no recolher. O egoísmo da perdição nos leva a ajuntar as coisas: materiais e espirituais. O amor da salvação nos leva a compartilharmos. A perdição quer mandar, a salvação: servir.

O milagre do amor incondicional abre o coração para ser amigo dos “pecadores”, e levá-los a praticar a justiça. Parar e falar com Zaqueu foi um dos maiores milagres que Jesus realizou.

quinta-feira, 23 de abril de 2009

CARREGANDO A TRISTEZA DOS OUTROS

Que o rei viva para sempre! Como posso deixar de parecer triste, quando a cidade onde os meus antepassados estão enterrados está em ruínas, e os seus portões estão queimados?

Neemias 2.3 (leia 2.1-8) – BLH

Mais uma vez aparece na Bíblia o tema da interdependência das coisas. A felicidade de uma pessoa depende da felicidade da outra. Por "felicidade" não estou me referindo apenas aos sentimentos e emoções de alegria, mas ao bem estar geral das pessoas! A minha felicidade está ligada à felicidade dos outros. O profeta era infeliz por causa da infelicidade do seu povo. A felicidade isolada é felicidade inexpressiva, egoísta. Se o profeta fosse feliz por estar num lugar privilegiado enquanto o seu povo estava sofrendo ele seria um ser sub-humano.

São poucos os que têm o espírito deste profeta. A maioria se julga feliz se conseguir escapar da infelicidade dos outros. O espírito da nossa época é "salvar-se quem puder". Este espírito leva à indiferença social e à corrupção. Muitos procuram alcançar a sua felicidade às custas da felicidade dos outros, achando que é possível ser feliz enquanto os outros são infelizes! Ledo engano: mais cedo ou mais tarde a infelicidade dos outros vem habitar nossa casa...

quarta-feira, 22 de abril de 2009

PAGÃOS COMO INSTRUMENTOS DE DEUS

Éramos escravos, porém não nos deixaste na escravidão. Tu fizeste os reis da Pérsia terem boa vontade para conosco, e eles deixaram que reconstruíssemos o teu Templo, que estava arrasado, e que achássemos segurança aqui em Judá e em Jerusalém.

Esdras 9.9 (leia 9.5-9) – BLH

Com o cativeiro, o povo de Israel chegou a perceber que o seu Deus não era somente o Deus da terra de Palestina, mas que agia fora daquele lugar e com pessoas que não eram da sua raça. Foi um passo em direção à universalização da sua percepção de Deus.

O grande defeito das religiões que têm a sua origem no Levante (oriente médio) e que têm o conceito de "Povo de Deus" ou "Povo Escolhido" (Judaísmo, Cristianismo, Islamismo e as suas respectivas seitas) é o de achar que eles são os privilegiados e prediletos de Deus. A salvação e todo o plano de Deus estão em torno deles, e o resto do mundo, em todos os tempos, e em todos os lugares, está fora da salvação, a não ser por intermédio deles! Aqui estamos vendo que a salvação do Povo de Israel está vindo justamente por alguém que não é do "grupo elite". Com esta experiência o povo de Israel começara a ter senso de identidade sem o orgulho de ser o melhor.

A nossa tendência é reduzir Deus ao nosso tamanho, não aceitando a sua atuação fora dos nossos conceitos do bem e do mal. A nossa tendência é entregar o mundo ao poder do maligno e aprisionar Deus dentro dos nossos templos e sistemas religiosos. Na medida em que conseguimos ver a sua mão agindo para abençoar toda a humanidade poderemos ver a sua glória e tornarmos colaboradores com Ele.

terça-feira, 21 de abril de 2009

TEMPLOS E A GLÓRIA DE DEUS

Então o povo de Israel, isto é, os sacerdotes, os levitas e todos os outros que haviam voltado da Babilônia, fizeram a inauguração do Templo, dedicando-o com alegria à adoração a Deus.

Esdras 6.16 (leia 6.7-8,12,14-20) – BLH

A função do Templo, para o povo de Israel, era mais no sentido de dar "senso de identidade". A tendência das religiões é criar lugares, atos e objetos sagrados. Isto tem o seu lado positivo no sentido de estabelecer pontos de referência. A tendência negativa é atribuir poderes mágicos a estas coisas achando que Deus está mais presente nestas coisas do que nas outras; ou que estas coisas têm poder em si mesmas.

Até que ponto os templos são construídos para a glória de Deus? No Antigo Testamento, o primeiro lugar de adoração era a tenda, carregada de um lugar para outro. Depois de tomar posse da Palestina, os Israelitas queriam ser iguais aos outros povos, tendo um rei! Por sua vez, aquele rei queria construir um grande templo. O senso de identidade do povo era o seu rei e o templo. Eu questiono: até que ponto o templo servia para adoração de Deus, até que ponto era apenas uma auto-afirmação de um povo sofrido que precisava uma auto-imagem positiva?

Este universo majestoso é o verdadeiro templo do Deus vivo! Nenhuma estrutura feita pelas mãos humanas chega perto desta glória. O Deus que habita nesta criação infinita não pode ser aprisionado dentro de paredes construídas por nós. Mas, nós, sendo “templos de Deus”, podemos revelar a Sua glória convivendo em amor com o nosso próximo e cuidando bem do nosso canto.

segunda-feira, 20 de abril de 2009

RELIGIÃO DO TEMPLO

Que Deus esteja com todos vocês que são o seu povo. Vão a Jerusalém para construir de novo o Templo do Eterno, o Deus de Israel, o Deus que é adorado em Jerusalém.

Esdras 1.3 (leia 1.1-6) – BLH

Em termos teológicos, o livro de Esdras representa a ala sacerdotal da religião que dá ênfase à estrutura religiosa da vida. Esdras dá ênfase às formas litúrgicas, templos, pureza de doutrina e práticas religiosas. Para Esdras e seus seguidores, o que era importante era a conservação da identidade religiosa por meio de formas aprovadas, locais consagrados e povo santificado.

Este livro diz pouco para mim. Faz-me lembrar do lado negativo da religião, o lado alienante. Este lado tende para a exclusividade e isolamento, pois separa os adeptos do resto da humanidade. Esta tendência é muito forte nas igrejas protestantes (muitos católicos pensantes diriam que esta tendência também, existe na igreja católica), estabelecendo uma sub-cultura protestante que não tem nada de positivo para acrescentar ao mundo em que vive. O grande crescimento do número de evangélicos no Brasil está acompanhado com o grande aumento de violência, crime e corrupção.

Jesus nos ensina que a verdadeira religião é a do Espírito (não do lugar) e nos aproxima com compaixão às pessoas carentes que nos cercam e nos transforma em sal da terra e luz do mundo.

domingo, 19 de abril de 2009

A MORTE VENCIDA

Eliseu levantou-se e andou de um lado para outro do quarto. Depois voltou e deitou-se de novo sobre o menino. Aí o menino espirrou sete vezes e abriu os olhos.

2 Reis 4.35 (leia 4.18-21,32-37) – BLH

Na Bíblia a ressurreição é retratada como manifestação do poder renovador do Criador. Processos podem ser revertidos e destinos mudados. Deus é retratado como mutável e misericordioso... A ressurreição foi uma afirmação da permanência da vida diante da morte. O menino morreu, mas voltou a viver após o contato com Eliseu. Morreu mas não deixou de existir. Voltou a respirar e viver.

A ressurreição é tema constante na Bíblia. Está também presente em mitologias que retratam deuses que morrem e voltam a viver. É um tema quase universal. A vida e a morte estão muito ligadas e uma faz parte da outra. A morte não é final e não tem a última palavra. A morte marca a transição entre estágios. A planta morre, mas deixa a semente para a reprodução da espécie, da qual faz parte. A planta se torna adubo que alimenta novas sementes que brotam. Sem a morte não pode haver a continuação da vida. Uma é dependente da outra!

Do ponto de vista humano a morte é semelhante ao horizonte: parece o fim do nosso mundo. Mas sabemos que o horizonte não é o fim, mas o começo do resto de um mundo muito maior. Pela fé acreditamos que para lá do horizonte desta vida existe uma infinidade de vida além da nossa imaginação.

sábado, 18 de abril de 2009

PONTO DE REFERÊNCIA

Escuta as minhas orações e as orações do teu povo quando orarem com o rosto virado para cá. Sim, da tua casa no céu, ouve-nos e perdoa-nos.

1 Reis 8.30 (leia 8.22-23,27-30) – BLH

Esta oração foi feita por Salomão na ocasião da inauguração do novo templo em Jerusalém. Salomão entendia que Deus era tão grande que o céu não teria a capacidade de contê-lo, muito menos o templo. O templo não era a morada de Deus, mas servia para a lembrança de que Deus também residia entre as criaturas humanas na terra, ajudando-as a sentir a presença divina. Tornou-se o lugar de adoração e culto, e, o povo, mesmo estando em outros lugares, orava com o rosto virado para o templo em Jerusalém.

O templo falhou e hoje os templos das religiões parecem não mais representar uma esperança para a maioria da humanidade. Ficam fechados e vazios a maior parte do tempo. Ainda precisamos de pontos de referência que nos façam sentir a presença divina, algo que representa a vida e a esperança. Será que existe este algo?

Acredito que o novo ponto de referência seria as pessoas que encarnam o Reino de Deus, pessoas que enfrentam com amor, fé, e dedicação, os grandes problemas que afligem a humanidade: injustiça social, devastação do meio ambiente e opressão dos vulneráveis (minorias, pessoas discriminadas, crianças, mulheres, pobres).

O Apóstolo Paulo afirma: “nós somos o templo do Deus vivo” (2Cor 6.16). Podemos ser referências que trazem esperança se conduzirmos a nossa vida na presença daquele que é o Criador da vida...

sexta-feira, 17 de abril de 2009

O ACUSADOR E O REU

...quem se engrandece será humilhado,
e quem se humilha será engrandecido.

Lucas 18.14 (leia 18.9-14) – BLH

Esta parábola é um retrato da Sinagoga e da Igreja de todas as épocas. A religião institucionalizada não mudou. Continua existir as “elites espirituais” e os “pecadores”. Este padrão é enganoso. A natureza do Reino é outra. A igreja institucional tem orgulho do seu “status” de “exclusividade” em relação ao Divino e vive uma ilusória “paz com Deus”. A igreja de Jesus simplesmente ora: “tem pena de mim, pois sou pecador”.

Jesus sempre batia na tecla da futilidade, do orgulho e arrogância. Muitas das suas parábolas estão em torno deste tema. Ironicamente, a religião oferece um campo fértil para as manifestações do sentimento de superioridade e auto-retidão. Dificilmente líderes religiosos admitem seus erros. Julgam-se acima dos demais. Tornam “réus” aqueles que têm a coragem de desagradá-los. Apontam para os erros dos outros como parte da sua auto-justificação.

A parábola, conhecida como “A Parábola do Fariseu e o Publicano”, é exemplo perfeito deste fenômeno. Esta história não nega as afirmações do fariseu, nem a culpa do cobrador de impostos. Mesmo estando cheio de razão, o fariseu errou fatalmente por tomar sobre si o papel de acusador e juiz. Ele se engrandeceu e se condenou. Voltou para casa com um falso senso de “paz com Deus”, sentindo-se superior ao “réu”. O pecador humilde estava mais perto do Reino do que o justo arrogante que se colocou no lugar de superioridade.

Na igreja de Jesus, não há hierarquia. Não há quem comanda e quem obedeça. Sua igreja é uma família aberta de irmãos e irmãs. Ninguém é melhor do que o outro. Todos são iguais.

O que conhecemos como “igreja” hoje se afasta de tudo que Jesus viveu e ensinou. Tornou-se “sociedade fechada dos salvos”. Ergue templos de separação e cobra ingresso, em forma de submissão às normas que ela estabelece e de dinheiro. A maior parte dos “dízimos” é destinada para o sustento da instituição. Somente uma pequena parte sobra para ajudar os necessitados. As obras sociais estão à parte, pois a instituição consome os dízimos para sua própria manutenção.

Como os fariseus, ela cria um mundo de “atividades sagradas” para comprovar sua superioridade espiritual e classifica tudo mais como “secular” ou “profano”. Ela agradece a Deus por achar-se melhor do que o “mundo da perdição” que ela rejeita e despreza.

A igreja de Jesus continua a ser dos rejeitados e os que se identificam com eles. Nos evangelhos os discípulos e discípulas eram os “João Ninguém” e as “Joanas” da vida. Estavam perdidos no meio da multidão. Foi a igreja posteriormente quem colocou Pedro como chefe e inventou uma estrutura hierárquica de poder para seus sucessores. Na igreja de Jesus não havia chefe. Todos eram irmãos.

As instituições, inclusive as igrejas, refletem a alma humana. Valorizam as aparências mais que o conteúdo. Jesus nos ajuda a enxergar além da “fachada” e ver o interior para fazermos a nossa autocrítica. Só enxergando a nossa verdade podemos ser libertados das nossas ilusões e alcançarmos a verdadeira “paz com Deus”.

quinta-feira, 16 de abril de 2009

DESCENDÊNCIA SEM FIM

Você sempre terá descendentes, e eu farei que o seu reino dure para sempre. E a sua descendência real nunca terminará.

2 Samuel 7.16 (leia 7.1-5,8-11,16) – BLH


O segundo livro de Samuel relata que esta promessa foi feita ao rei Davi por intermédio do profeta Natã. O reino de Davi duraria para sempre e a sua descendência real nunca teria fim. Os fatos históricos contradizem esta profecia, pois o reinado da casa de Davi durou somente mais uma geração. A nação desabou para ser reconstruída em outras bases sob o domínio estrangeiro.

Muitos judeus aguardam ainda a restauração da nação nas bases originais e muitos cristãos adotaram uma interpretação do reinado universal pós histórico de Cristo como descendente de Davi.

Esta profecia é como a estrela que não pode ser alcançada, mas serve de ponto de referência e guia. Qualquer profecia pode ser perigosa, desviando a nossa atenção dos desafios do agora. Muitos esperam um reino que um dia cairá do céu! Ignoram o mundo de hoje. Mas, visando Jesus como sucessor de Davi, este reino já existe na medida que cada um siga Jesus na prática do amor ao próximo. O Reino é vivido agora entre os outros reinos e serve como fermento, sal e luz.

quarta-feira, 15 de abril de 2009

A FORÇA MAIOR

Porém Rute respondeu: -- Não me proíba de ir com a senhora nem me peça para abandoná-la! Onde a senhora for, eu irei; e onde morar, eu também morarei. O seu povo será o meu povo, e o seu Deus será o meu Deus.

Rute 1.16 (leia 1.1,3-8,14-16,22) – BLH


A vida de Noemi falou bem alto, tão alto que a sua nora chegou a abandonar o seu povo e a sua religião para poder acompanhá-la! Se o episódio de Jafté e a sua filha foi um dos mais feios na Bíblia, a história de Noemi e Rute foi das mais bonitas! As duas mulheres eram de caráter e carinho fora de comum... A força do amor é uma das mais poderosas na experiência do ser humano.

O amor inspira sacrifícios e mudanças. Pelo amor as pessoas ficam abertas. Mudam o seu estilo de vida e adotam outros hábitos e costumes! Sacrificam-se a si mesmas em prol do outro sem sentir o peso, fazendo tudo com prazer e sem desgastes. Talvez o amor seja a mola mestra de muitas das grandes realizações positivas em favor da humanidade!...

O que é feito com amor produz mais do que aquilo feito por obrigação, ou por dever. A obrigação pesa, o amor renova as forças!

Grandes paixões na vida deixam-na leve e gostosa, mesmo em tempos difíceis...

terça-feira, 14 de abril de 2009

PROFETA MALANDRO

A mulher de Manoá deu à luz um filho e pôs o nome de Sansão. O menino cresceu, e o Deus Eterno o abençoou. Sansão estava no campo de Dã, entre Zora e Estaol, quando começou a sentir que o Espírito do Deus Eterno o dirigia.

Juízes 13.24-25 (leia 13.2-7,24-25) – BLH

Faço algumas observações que vão contra a prática das igrejas hoje em dia. Primeiro: A vida de Sansão, Abraão, Jacó, Davi e outros, dá para analisar que Deus não é moralista. Nenhum deles, analisando seu comportamento sexual, poderia ser membro da maioria das nossas igrejas, se vivessem hoje, e se não mudassem o seu estilo de vida. Segundo: A direção do Espírito de Deus é por iniciativa de Deus e não de nós; acontece sem a gente procurar. Terceiro: As atividades da maioria dos heróis do Antigo Testamento eram o que chamamos de "seculares".

Não há explicação lógica por que Sansão foi escolhido para ser um libertador na sua época. Não era pessoa exemplar em nada, mas, namorador e gozador! Curtia a vida e se divertia com os inimigos. Confiava demais nos outros, especialmente nas pessoas erradas. Entretanto, apesar de todas as suas "irregularidades", Sansão é citado entre os profetas da sua época e acaba fazendo parte da história sagrada.

segunda-feira, 13 de abril de 2009

RELIGIÃO, PECADO DISFARÇADO?

Ela respondeu: -- Se o senhor fez uma promessa ao Deus Eterno, faça de mim o que prometeu. Pois o Eterno deixou que o senhor se vingasse dos nossos inimigos, os amonitas.

Juízes 11.36 (leia 11.29-39) – BLH

Estas são as palavras da filha de Jefté ao descobrir que seria sacrificada por causa de um juramento de seu pai.

A meu ver, essa passagem está na mesma categoria da filosofia que diz que, "a palavra do rei não pode voltar atrás". O comportamento humano está cheio de coisas estúpidas, sem razão de ser. As pessoas "fazem besteira" e depois tentam se justificar... Não vejo nada de edificante nesta passagem! Ela é mais um "retrato" das loucuras que os seres humanos podem fazer em nome da religião. A Bíblia retrata bem o ser humano sem tentar negar nenhum aspecto da sua personalidade; relata as "loucuras" e as "virtudes"...

Quais são as loucuras que acabo de fazer em nome da minha fé em Deus? Será que já cheguei a prejudicar os outros ao cumprir um dever religioso? A fuga das coisas do mundo não passa, muitas vezes, de uma fuga da responsabilidade para com o próximo? A condenação dos erros dos outros não passa de uma manifestação de desamor para com o próximo?

A religiosidade muitas vezes pode ser apenas o pecado disfarçado.

domingo, 12 de abril de 2009

A SOMBRA DO REI

E o espinheiro respondeu: "Se vocês querem mesmo me fazer o seu rei, venham e fiquem debaixo da minha sombra. Se vocês não fizerem isso, sairá fogo do espinheiro e queimará os cedros do Líbano."

Juízes 9.15 (leia 9.6-15) – BLH

Temos que ficar sob a sombra do nosso rei! Se escolhermos um rei pequeno, nos diminuiremos e não alcançaremos o nosso potencial...

As árvores nobres estavam escolhendo um espinheiro para ser rei. Assim agindo, condenavam-se a serem sufocadas ou queimadas. Optavam por uma escolha que seria a sua própria destruição!

Não poderemos passar, nem alcançar o tamanho do nosso "rei"! Os valores que escolhemos determinam até que ponto nós podemos nos desenvolver. Há um ditado que diz: - "os povos têm os governos que merecem". Há um pouco de verdade nisso... O povo tende a escolher um governo de acordo com a sua altura!

É importante a boa escolha de valores e prioridades! Nossos valores devem ser maiores do que nós e nos desafiar sempre. O nosso "rei" sendo nobre e elevado nos dá espaço para crescermos. O Reino que Jesus descreveu é a nossa melhor opção. Nos desafia a crescermos e ultrapassarmos o nosso pequeno mundo, participando de um projeto que nos dá oportunidades sem limites...

sábado, 11 de abril de 2009

EMPURRO DE ANJO

Aí Gideão compreendeu que era mesmo o Anjo de Deus Eterno que ele tinha visto. E disse, apavorado: -- Meu Deus! Eu vi o Anjo do Eterno face a face!

Mas o Eterno respondeu: -- Não fique com medo. Tudo está bem. Você não morrerá.

Gideão construiu ali um altar para o Deus Eterno e o chamou de "O Deus Eterno é paz".

Juízes 6.22-24ª (leia 6.11-24) – BLH


A nação ia mal, mas Gideão estava na sua... A "sua" era cuidar de sua vida, da sua lavoura... Gideão era pobre, de família humilde. Não sentia responsabilidade com os acontecimentos nacionais, nem tribais. De repente, um anjo aparece para tirar a sua tranqüilidade... Gideão foi chamado para se envolver com algo fora das suas atividades habituais; foi chamado para ser o "salvador da pátria".

Um encontro com Deus ou com um anjo de Deus implica num envolvimento com o sofrimento humano, além do nosso próprio sofrimento e os nossos próprios interesses. Depois do encontro, Gideão não podia mais ficar cuidando de sua própria vida. Um encontro verdadeiro com o Eterno nos empurra para fora do nosso pequeno mundo, para vivermos no mundo dos outros.

sexta-feira, 10 de abril de 2009

BLÁBLÁBLÁ E A ORAÇÃO DE VERDADE

...Ele julgará a favor do seu povo
e fará isso bem depressa.

Lucas 18.8 (leia 18.1-8) – BLH

Na Parábola da Viúva e o Juiz, o juiz atendeu a mulher só para que ela parasse de “encher o saco”. Ele não tinha compaixão, respeito, dedicação à justiça e aos direitos humanos. Julgou o caso da viúva a favor dela para que ela parasse de aborrecê-lo com sua insistência! Ela se tornou inconveniente. Venceu o juiz “pelo cansaço”.

Muitas vezes os cristãos agem como se Deus fosse igual ao juiz desonesto. Acham que podem vencê-Lo pelas orações. Montam vigílias de oração como se Ele fosse influenciado pela insistência em orar a noite toda. Organizam clamores, achando que por gritos bem altos Deus seria movido a atendê-los. Acham que oração tem poder e longas orações mais ainda... Crêem que por muito orar serão ouvidos. Acham que a oração poderosa é aquela que é gritada, às vezes amplificada por um sistema de som com alto-falantes possantes.

Para muitos, a oração é instrumento de manipulação para pressionar Deus a fazer a vontade humana, confundindo-a com a vontade divina. Este tipo de fé é depositado no poder das suas orações bem feitas, não na compaixão incondicional de Deus.

Jesus deixou bem claro que seu Pai é o oposto do juiz desonesto. Ele não precisa de vigias, clamores e gritaria para atender seus filhos e filhas. Já sabe das suas necessidades, mesmo antes deles chorarem a sua dor. Deus não demora. Não precisa ser pressionado, nem informado. Deus atende porque Ele é amor, não porque nós oramos.

Para que serve a recomendação de “orar sempre e não desanimar”? Para Jesus, a oração começa com o ouvir, não o falar. A base da oração está na atitude de “seja feita a Tua vontade (não a minha)”. Para saber a vontade de Deus precisamos, primeiro, ouvir a voz do Seu Espírito. Jesus orava (ouvia) intensamente, sozinho, na calada das noites. Criticava orações feitas em público. A oração verdadeira é a comunhão do Seu Espírito com o nosso espírito. Nosso falar vem, depois de ouvir, com palavras de gratidão, somente para os “ouvidos” de Deus como um sussurro no ouvido de amante.

Deus não é surdo, ignorante ou desinteressado. O mundo não precisa ser mudado. Deus o fez com perfeição. Somos nós que precisamos mudar. O nosso estilo de vida cria diretamente ou indiretamente, as condições que causam desequilibro, injustiça e sofrimento. Não adianta clamar a Deus por aquilo que nós causamos.

A oração “sempre e sem desanimar” é viver em sintonia constante em todas as atividades. Oração não é uma atividade à parte das outras, é uma atitude permanente, sem cessar. Acompanha tudo que fazemos. Vai além de meras palavras.

Jesus falou em encontrar “fé na terra”. Fé é viver em harmonia com Deus, o próximo e a criação. Transforma seu portador em instrumento de construção de um mundo melhor, mais amável, mais solidário. A oração de fé não é blábláblá!

quinta-feira, 9 de abril de 2009

UM POVO AINDA ESCRAVO

O Deus Eterno lhes dava um líder e o ajudava. Enquanto esse líder vivia, o Eterno salvava o povo dos seus inimigos. Ele tinha pena dos israelitas porque eles sofriam na escravidão.

Juízes 2.18 (leia 2.11-19) – BLH

Nesta passagem, temos o retrato de um povo regido por valores que não eram interiorizados, um retrato de um povo dirigido (manipulado) e não um povo conscientizado por valores internos! Os hebreus foram libertados da escravidão do Egito, agora estavam numa terra própria e livres de opressões externas. A libertação era uma ilusão, Eles continuavam escravos, pois precisavam ser dirigidos. Ainda não aceitavam a plena libertação que exigia responsabilidade e decisões próprias.

A política e a religião não mudaram em nada. O povo corre atrás de líderes ainda hoje, ele quer ser dirigido e manipulado. É a forma moderna de idolatria. Muitas vezes o pastor e a pastora bem sucedidos são aqueles que manipulam as multidões. As multidões ainda correm atrás dos manipuladores (ídolos).

quarta-feira, 8 de abril de 2009

NÃO FOMOS NÓS

Foi o Eterno, o nosso Deus, quem nos tirou a nós e aos nossos pais da escravidão na terra do Egito. E vimos as grandes coisas que ele fez. Ele nos guardou pelos caminhos por onde andamos e no meio dos países por onde passamos.

Josué 24.17 (leia 24.14-29) – BLH

Nossa dependência e interdependência não são apenas culturais, sociais econômicas, mas, também "cósmicas". Uso a palavra "cósmica" para evitar a palavra "espiritual", "material" e "natural". Fazemos parte de um universo que vai muito além da parte humana e daquilo que percebemos. Há algo que nos produziu (criou) e está nos dirigindo. Este "algo" está muito além da nossa compreensão e longe do nosso controle.

Aqui entra o mistério e o misterioso, aquilo que não tem explicação, a não ser em linguagem simbólica. Esta realidade nos coloca admirados diante do universo! Sentimos a realidade das nossas limitações e nossa dependência de forças e poderes que não controlamos, nem compreendemos.

A maioria chama isto de “Deus” que toma forma de personalidade, que cuida de nós de maneira extraordinária e zela pelo nosso bem estar. Podemos ver a sua mão nos acontecimentos, sentindo que Ele tem um plano e um destino bom para nós.

terça-feira, 7 de abril de 2009

GRATIDÃO E INTERDEPENDÊNCIA

Eu dei a vocês uma terra em que vocês nunca haviam trabalhado e cidades que não haviam construído. E vocês estão vivendo nessas cidades e comendo uvas e azeitonas de parreiras e oliveiras que não plantaram.

Josué 24.13 (leia 24.1-13) – BLH

Quase tudo que temos em nossa vida é nos dado, e recebemos pelos esforços dos outros; coisas boas e coisas ruins a nosso ver. Deveriam ser motivos de gratidão e não de orgulho, pois não recebemos pelos nossos méritos, mas vem de graça e pela graça.

Um bom exercício seria imaginarmos: - como seria a vida se não tivesse mais ninguém na terra a não ser você? Toda estrutura de sua vida mudaria radicalmente, se tornando cada vez mais primitiva. Todos os confortos e todas as conveniências que temos na vida dependem de outras pessoas. Não somos independentes. Somos dependentes muito mais do que imaginamos…

Nossa atitude deveria ser de reconhecimento da nossa interdependência e integração. A gratidão nos leva a contribuirmos com a nossa parte para o bem estar de todos e de tudo.

segunda-feira, 6 de abril de 2009

LIDERANÇA LIBERTADORA

Aí o Deus Eterno disse a Josué: -- Por causa daquilo que vou fazer hoje, todo o povo de Israel vai saber que você é um grande homem. Eles saberão que assim como estive com Moisés, também estarei com você.

Josué 3.7 (leia 3.7-11,13-17) – BLH

Josué ficou no lugar de Moisés para continuar o processo da libertação da escravidão do Egito e alcançar autonomia na Terra da Promessa. Como o povo de Israel, sob a liderança de Moisés, atravessou o Mar Vermelho pisando em terra seca, Josué ia liderar o povo na travessia do Rio Jordão, em fase de enchente, também pisando em terra seca.

Há muitos paralelismos na Bíblia. A liderança de Josué seguiu o modelo da de Moisés, modelo da busca da autonomia! Em grande parte, todas as lideranças boas da Bíblia seguiam este mesmo modelo, da opressão à libertação. Os bons políticos, os bons profetas e os bons sacerdotes eram todos libertadores! Os maus levavam o povo para escravidão, dependência e opressão.

Ainda hoje, uma liderança vinda de Deus é uma liderança de libertação da opressão e conquista da autonomia. A tendência da liderança, inclusive da igreja, é de manipular o povo e criar dependência. Será que estou ajudando as pessoas a se libertarem ou estou ajudando-as a sair de uma dependência para entrar em outra?

domingo, 5 de abril de 2009

VISÃO NÃO ALCANÇADA

E Deus disse a Moisés: -- Eu jurei a Abraão, a Isaque e a Jacó que daria esta terra aos descendentes deles. Estou deixando que você a veja com os seus próprios olhos, mas você não vai entrar nela.

Deuteronômio 34.4 (leia 34.1-12) – BLH

Nem sempre a nossa visão é só para nós mesmos. Moisés viu a terra prometida e lutou para entrar nela. Outros entraram enquanto Moisés ficou no deserto. Não foi derrota ou fracasso... Uma visão de algo só para nós seria uma visão egoísta. Moisés estava vendo um futuro glorioso para o seu povo. Mesmo morrendo no deserto, antes de passar pelo Rio Jordão, Moisés, de certa forma, entrou na terra da promessa.

A melhor recompensa de uma visão ou de um ideal, é a própria visão e o próprio ideal! A realização nunca está de acordo com a expectativa. A terra da promessa poderia ter sido uma grande decepção para Moisés. O povo não desfrutou da terra, nunca chegou a possuí-la plenamente! Às vezes, o ideal alcançado se torna motivo de tristeza ao descobrirmos que o ser humano tem capacidade de estragar uma coisa que poderia ser bonita e benéfica.

Nossas visões são como estrelas – servem para nos inspirar e dar direção, mas nunca chegaremos lá. O importante não é chegar, mas caminhar em direção de… O caminhar vale mais do que a chegada.

sábado, 4 de abril de 2009

AMOR E MEDO

Sejam firmes e corajosos; não se assustem nem tenham medo deles, pois é o Eterno, o nosso Deus, quem irá com vocês. Ele não os deixará nem abandonará.

Deuteronômio 31.6 (leia 31.1-8) – BLH

Um relacionamento de amor gera confiança e coragem. A ausência de amor cria medo. João declara que o perfeito amor lança fora o medo. Um Deus que nos ama não nos abandona. Os atos corajosos geralmente são motivados por amor.

Os nossos piores inimigos não são os perigos e as dificuldades encontrados em nossos caminhos. O pior inimigo é o medo dos perigos e dificuldades. Perigos e dificuldades são vencíveis, pois muitas vezes oferecem oportunidades.

Se estamos realmente ao lado do bem e agirmos motivados pelo amor, não temeremos: nem a morte nem o fracasso. Se o nosso relacionamento com o Eterno é na base do amor estamos na posição mais segura possível. A morte e o fracasso se tornam relativos, não mais tendo poder sobre nós! A morte não tem a palavra final e por isso deixa de ser uma grande inimiga. O maior fracasso é ter medo e desistir de lutar. Lutar e perder não é fracasso. Quem não luta já fracassou. Quem luta, nunca fracassa.

sexta-feira, 3 de abril de 2009

A BÊNÇÃO SACERDOTAL E A FÉ

Por que somente este estrangeiro voltou
para louvar a Deus?
E Jesus disse a ele:
“Levante-se e vá.
Você está curado porque teve fé.”

Lucas 17.18b-19 (leia 17.11-19) – BLH

Mais uma vez, Jesus “furou” o esquema de valores sociais. Elogiou a fé dum homem desprezado pelo preconceito popular. Os nove homens menos “desprivilegiados” não voltaram para agradecer. Todos eram leprosos, mas um, além de ser portador desta doença, era samaritano; considerado de raça inferior: duplamente prejudicado. A lepra era a doença mais temida porque tinha conotações espirituais. Uma pessoa com mancha na pele era considerada impura espiritualmente. A pele refletia a alma. Os leprosos eram privados de contatos sociais e banidos do templo por causa de manchas na pele. Simples infecções de pele, alergias ou outras irritações poderiam transtornar a vida de uma pessoa! Somente os sacerdotes tinham poder de declará-los curados e puros.

Coitado do samaritano! Não tinha vez! Nenhum sacerdote, sabendo que ele era samaritano, o declararia curado e puro. O fato dele ser samaritano já era maldição aos olhos dos judeus. Mas, para Jesus, não existia maldição. Todos eram iguais diante do Pai. Foi justamente o “pior” da turma dos dez que voltou à Fonte da Vida, Jesus, com gratidão. Os outros ficaram satisfeitos com a bênção do sacerdote e nem lembraram a verdadeira fonte da sua restauração. Para eles, o mais importante era ter a aprovação do sacerdote e recuperar seu lugar na sociedade.

O samaritano sarou da sua lepra, mas continuou samaritano, objeto de preconceito e discriminação. A sua grande descoberta foi que, entre os milhares de judeus, tinha um amigo, Jesus. Jesus era o único judeu que lhe demonstrou amor e respeito.

Mais uma vez, Jesus rompeu as barreiras religiosas da sua época. Jesus demonstrou que a fé não era o monopólio de poucos “escolhidos por Deus”. O samaritano desprezado tinha mais fé do que os nove que pertenciam a “raça eleita”. Não era por pertencer à religião certa ou abraçar crenças corretas que foi curado. A sua fé o curou! A fé não era propriedade privada dos judeus.

É fácil confundir a bênção sacerdotal com a fé. A fé verdadeira gera gratidão. Ter fé é ser grato. A fé levou o samaritano a demonstrar sua gratidão diante da graça concedida, independente da bênção sacerdotal. Foi a fé, não a bênção que o curou.

A ortodoxia, o fundamentalismo e outras formas de radicalismo definem a fé dentro de seus parâmetros. Não reconhecem a fé daqueles que não se encaixam dentro dos seus padrões... Para eles, ter fé exigia conformidade com seu esquema de crenças, padrões de conduta e práticas de culto. Jesus incentivava a fé, sem colocar fardos!

Até hoje o cristianismo tem dificuldade em aceitar as “inclusões” de Deus. Despreza a fé dos demais e acha que somente sua forma de fé é verdadeira.

Nos evangelhos Jesus está sempre “cutucando” os orgulhosos. Orgulho é defeito moral. Não perdia oportunidades de mostrar que seu Pai não dava valor a nenhuma pretensão de superioridade. Os verdadeiros eleitos não percebem a sua eleição. Os que se acham eleitos são enganados. O samaritano se achava o mais perdido de todos os dez. A falta da bênção sacerdotal ajudou o samaritano a perceber a verdadeira fonte da vida. Ser desprezado pelos outros se tornou bênção!

quinta-feira, 2 de abril de 2009

ESCOLHAM A VIDA

Neste dia chamo o céu e a terra como testemunhas contra vocês. Eu lhes dou a oportunidade de escolherem entre a vida e a morte, entre a bênção e a maldição. Escolham a vida, para que vocês e os seus descendentes vivam muitos anos.

Deuteronômio 30.19 (leia 30.15-20) – A Bíblia na Linguagem de Hoje

Aparentemente o ser humano é a única criatura que tem o poder de dirigir a sua vida contra a sua própria natureza e se destruir por querer fazê-lo. Todos os outros seres vivem em função da sua própria sobrevivência ou da sua espécie. O ser humano foge desta norma, podendo escolher a morte e rejeitar a vida.

Na biologia temos este mesmo fenômeno nas células cancerosas... As células agem contra o organismo da qual fazem parte e acabam destruindo o organismo sustentador junto com a si mesmas. Diante do meio ambiente os seres humanos estão se comportando como se fossem células cancerosas ou pragas de gafanhotos.

Na Bíblia encontramos vários retratos de auto-destruição e de escolha da vida no lugar da morte. Na pessoa de Jesus encontramos o caminho da vida, pois ele vivia em contato com a fonte da vida, vencendo a morte! Em Jesus podemos passar de uma vida "cancerosa", que nos leva à morte, para uma vida sadia, que nos leva à vida abundante! Nosso destino está em nossas mãos. Podemos escolher.

quarta-feira, 1 de abril de 2009

A VIDA DEFINIDA

Hoje vocês afirmaram que o Eterno é o seu Deus e prometeram andar sempre nos caminhos dele, obedecendo as suas leis e aos seus mandamentos e fazendo tudo o que ele mandar.

Deuteronômio 26.17 (leia 26.16-19) – A Bíblia na Linguagem de Hoje

A definição é muito importante na vida. Uma pessoa indefinida é uma pessoa dividida, não sabe o que quer, nem para onde vai, fica sem objetivo definido e sem destino certo. Ela anda em todas as direções, mas não vai a lugar nenhum. Por isso, o nosso "sim" deve ser sim e o nosso "não," não!

Para mim, a frase "caminhos de Deus" significa os princípios existentes na própria natureza da criação. Entendo que a criação é obra de Deus, uma expressão da sua vontade, da sua natureza e que é boa! É o “livro” verdadeiramente escrito pela mão de Deus. Outro aspecto dos "caminhos de Deus" é o princípio do amor como a essência de toda a lei.

Estando em harmonia com estes princípios e comprometidos com eles estamos abertos para caminharmos juntos com Deus. Perseguimos um caminho que nos leva a uma vida produtiva, trazendo benefícios e satisfações a nós e aos outros. Deus representa estes princípios e estes representam o caminho de Deus.