Buscamos inspiração na pessoa de Jesus para fazermos a nossa jardinagem do espírito. Ele foi o jardineiro por excelência. Soube cultivar as sementes da fé para produzirem plantas que fornecem abrigo e sustento. Este blog é um esforço para fazer a nossa jardinagem das passagens bíblicas à luz de Jesus que é digno de servir como nosso modelo.
Convidamos os leitores a aprenderem com ELE e fazerem a sua própria jardinagem.
...e dirão assim: "Vamos subir o monte do Deus Eterno, vamos ao Templo do Deus de Israel. Ele nos ensinará o que devemos fazer, e nós andaremos nos seus caminhos. Pois os ensinamentos do Eterno vêm de Jerusalém; do monte Sião ele fala com o seu povo."
Isaías 2.3 (leia 2.1-5) – BLH
A fé não deve ser provinciana. Não podemos esperar todo o mundo "dançar conforme a nossa música" ou “falar a nossa linguagem”. As outras músicas, danças e linguagens também são de Deus, que as criou. O nosso Deus não é só nosso. Deus é o Deus de todas as nações, tribos, culturas e línguas. O fato de encontrar o templo de Deus em Jerusalém não queria dizer que ele era somente o Deus de Israel e que eles ocupavam uma posição privilegiada em relação às outras nações. O templo de Jerusalém queria dizer que o Deus das nações era também o Deus de Israel e que ele tem um templo também em Jerusalém; os seus ensinamentos vinham de Jerusalém...
Deus tem templos na minha cidade e ensina aqui! Aqui posso ficar sabendo o que devo saber. Não preciso mudar de cidade, nem de religião para ouvir a voz de Deus! Ele fala a minha linguagem e aqui posso aprender o seu caminho...
O Deus Eterno diz: "Venham cá, vamos discutir este assunto. Os seus pecados os deixaram manchados de vermelho, manchados de vermelho escuro; mas eu os lavarei, e vocês ficarão brancos como a neve, brancos como lã.
Isaías 1.18 (leia 1.10,16-20) – BLH
Há a promessa e a esperança de mudança. Não estamos condenados a ficar como estamos. Fomos criados para a mudança e esta mudança pode ser para melhor! Às vezes nós achamos que antigamente éramos melhores do que somos agora, infelizmente mudando para o pior! - Não é necessariamente a direção obrigatória da vida. Com Deus pode haver pontos de mutação! O “inevitável” pode ser evitado. O vermelho da culpa pode ser transformado no branco de luz...
Deus está aberto ao diálogo sobre o nosso futuro. Ele quer discutir o assunto da nossa vida, como estamos e para onde vamos. No mundo de Deus nada está fechado ou encerrado. As portas estão abertas para dar entrada às novas oportunidades e possibilidades. Não há lugar ao fatalismo. O futuro pode ser melhor que o passado e o presente.
Jesus fez esse seu primeiro milagre em Caná da Galiléia.
Assim ele revelou a sua natureza divina,
e os seus discípulos creram nele.
João 2.11 (leia 2.1-11) – BLH
Jesus não era um puritano austero como a igreja normalmente o retrata. O Jesus festeiro, alegre, sorridente, com copo de vinho na mão, bebendo com os amigos, incluindo os pecadores, raramente recebe atenção. Este foi o primeiro retrato que o Evangelho de João fez de Jesus. O primeiro milagre que João retratou foi salvar uma festa de casamento em Caná da Galiléia!... Transformou água em vinho para alegrar os corações dos participantes. O noivo estava passando vergonha porque o vinho havia acabado. Jesus salvou e alegrou a festa com a “fabricação” de uma quantidade grande de vinho (entre 480 e 760 litros)! A cidade ficou conhecida como o lugar onde Jesus havia transformado água em vinho (4,46). O ministério de Jesus no Evangelho de João começou e terminou com vinho. O último ato de Jesus, antes de morrer foi tomar vinho barato (19.29-30).
Os outros Evangelhos, também, retratam Jesus usando vinho, tomando-o socialmente com os “pecadores” e com os discípulos. Foi usado como símbolo do Reino do Papai e para representar o seu próprio sangue.
Jesus foi muito mais alegre e festivo do que as igrejas geralmente o retratam. Para chegar até nós, a história de Jesus passou por duas traduções lingüísticas: do aramaico para o grego e do grego para o português. Perdemos “as jogadas” de palavras da língua original. O texto chega até nós, estéril do conteúdo humorístico. Os eruditos de lingüística conseguem captar lances de humor que deveriam ter deixado os ouvintes dando belas gargalhadas!...
Temos muita dificuldade em associar humor com a santidade e conceber um Deus brincalhão. Talvez uma das indicações que Deus tem um agudo senso de humor é a criação do ser humano. Ao ver as nossas “palhaçadas”, Ele (ou Ela) deveria estar “morrendo de rir”. Fazemos muitas coisas absurdas, dignas de provocar risadas. Ouvi dizer: “Não se brinca com coisas de Deus”.--Será que Deus não brinca? Não tem humor?
Associamos a piedade com solenidade e falta de humor. Ser brincalhão é considerado leviandade. É “mais santo” ser sério, fechado e exigente do que simpático, aberto e liberal! É usar Coca Cola e Guaraná em festas de igreja e proibir vinho. Mas, para Jesus, o convite ao Reino é convite à festa! Jesus foi criticado por curtir a vida até com pecadores. Mas, ao fazê-lo, Ele estava já vivendo o Reino.
João Wesley afirmou que a religião triste é religião do diabo. A medicina reconhece que o riso, a alegria e o espírito festivo fazem bem ao espírito e ao corpo. A alegria é milagre de Deus e Jesus passou esta alegria para os que o cercavam e estavam dispostos a recebê-la.
Minha alma lutou para a possuir, observei atentamente a lei, estendi minhas mãos para o céu e deplorei minhas ignorâncias.
Eclesiástico 51.19 (leia 51.12-20) BJ
A Sabedoria é igual a uma amada. Vale a pena possuí-la, pois faz bem para o espírito. Vale a pena lutar por ela, pois é capaz de dar novas dimensões à vida.
Em diversos lugares da Bíblia, a Sabedoria é apresentada como se fosse uma pessoa, uma deusa junto com o Eterno. Acho que aqueles que procuram a Sofia como parte da divindade não estão longe da verdade. Desde o primeiro capítulo do Gênesis, Deus é apresentado como múltiplo, "FAREMOS o ser humano". O cristianismo usa a doutrina da trindade para tentar entender esta multiplicidade, mas os teólogos dizem que a doutrina da trindade é o mínimo, não o máximo, das facetas do Eterno. É pelo menos trino! Pode ser mais. Pode ter mil, ou milhões de facetas. A teologia cristã ortodoxa identifica pelo menos três.
A Sabedoria provém do Eterno e quem a tem, possui algo divino. Ela precisa ser conquistada. É a resposta de busca. Somente aqueles que aspiram a ela, conseguem possuí-la. Quem a alcança conquista a maior riqueza da vida, pois a sabedoria nos leva à vida abundante.
para reconduzir o coração dos pais aos filhos e restabelecer as tribos de Jacó.
Eclesiástico 48.10 (leia 48.1-4,9-11) – BJ
O papel do profeta é apaziguar, reconduzir e restabelecer a nossa relação com o cosmos. As palavras do profeta podem ser violentas e ameaçadoras, mas a finalidade delas é evitar a violência e a destruição desnecessárias. O profeta não está interessado na instituição em si mesma, mas, na justiça dela! A justiça está acima da instituição e não o contrário. Os interesses da instituição não justificam a violência... O critério da justificação é a justiça e não a instituição. Nunca se justifica a injustiça. Mesmo estando no meio da violência, profetizando e sendo vítima de agressões, o profeta lutava por paz e justiça.
Perdemos o nosso papel profético hoje, à medida que promovemos uma instituição e não a justiça. A evangelização deve ser a promoção do Reino de Deus e a sua justiça e não a promoção do crescimento da igreja. Prefiro a frase: "ação comunitária", em vez de "evangelização", porque esta última, a palavra "evangelização" está ficando muito desgastada. A evangelização precisa ser restaurada à sua função profética da justiça do Reino de Deus.
Tem piedade de nós, Mestre, Deus do universo, e olha, derrama o teu temor sobre todas as nações.
Eclesiástico 36.1 (leia 36.1,4-5,10-17) – BJ
Temor = respeito. Falta de temor = anarquia. O temor a Deus nos levaria a respeitar tudo o que se relaciona com Deus. Sendo Deus o Criador de todas as coisas, não deixa nada fora: nem culturas humanas, nem a própria natureza... Respeito e piedade (misericórdia) andam juntos. Ao exercermos piedade para com o próximo e com o meio ambiente, seriamos automaticamente temidos, respeitados e objetos de misericórdia!...
A falta de temor leva à opressão do próximo e à devastação do meio ambiente. Produz anarquia e todos perdem...
A humanidade está na realidade sem perceber, cometendo suicídio coletivo! Toda a opressão humana e desrespeito ao meio ambiente é auto-destrutivo! Com a multiplicação da raça humana a situação do ser humano está cada vez mais crítica. É cada vez mais urgente as nações temerem a Deus! Disto depende a sobrevivência de cada um de nós e de toda a humanidade.
Em todas as tuas oferendas mostra um semblante alegre, consagra o dízimo com alegria.
Eclesiástico 35.8 (leia 35.1-12) – BJ
A nossa vida religiosa não pode ser isolada das outras facetas da nossa vida. A nossa atitude diante da vida, em geral, passa pela faceta religiosa também. Esta passagem liga a generosidade e a justiça à religião. Ser generoso é fazer uma oferta a Deus (v.2). Afastar-se da injustiça é um sacrifício expiatório (v.3). O sacrifício do justo é agradável (v.6)!
A religiosidade não pode servir como substituto de justiça e bondade, nem como compensação de falta de compaixão e generosidade. A religiosidade não é um meio de justificar uma vida de desamor. Uma prática religiosa não pode trazer perdão por uma vida desligada do bem estar do próximo. Não é por sermos religiosos que os nossos pecados serão perdoados. Sem uma vida de acordo com o princípio de amor, os nossos atos religiosos não terão validade...
Ao vivermos vida de alegria, generosidade e justiça, o aspecto religioso vai ser válido e ter sentido.
Mas aos que se arrependem ele concede o retorno, reconforta os que perderam a esperança.
Eclesiástico 17.24 (leia 17.24-32) – BJ
Arrependimento é mudança de rumo. O arrependimento deve ser uma atitude constante em nossa vida, porque estamos sempre precisando de pequenos reajustes de direção. Os aviões que são guiados por computadores e GPS têm correções constantes de percurso para poderem chegar ao seu destino. A aeronave sofre incessantes efeitos de correntes de ar que tendem tirá-la do percurso e, por isso, precisa de pequenos e constantes reajustes.
O espírito de arrependimento é um espírito aberto à mudança, e não um espírito de contrição... Contrição não é arrependimento, mas pode acompanhá-lo em casos mais extremos! Nós sofremos influências constantes em nossa vida, tendo em vista nos tirar do rumo, e, às vezes, o nosso destino fica móvel. Por isso, uma atitude de abertura e de flexibilidade é importante ao nosso bem estar. Perigoso é perder a capacidade de mudança ou achar que já chegamos e temos toda a verdade. Enquanto há possibilidade de mudança, há esperança de acertar.
Os seus caminhos estão sempre diante dele, não podem ficar ocultos aos seus olhos.
Eclesiástico 17.15 (leia 17.1-15) – BJ
Deus nos vê? Deus está presente conosco? Deus sabe o que se passa conosco? Deus é a Consciência Cósmica que comunga conosco e nos acompanha e se interessa por nós junto com toda a sua criação? Ou vivemos num universo regido por princípios e leis que são tão dinâmicos que parecem ter personalidade? A própria oração não é mais do que o poder da mente operando no universo? O que nós temos como a presença de Deus é a nossa sintonia com as leis que nos cercam?
Não sei a resposta destas perguntas!
A própria existência é um grande mistério... A vida, o "eu", o universo - são todos mistérios que vão além da nossa compreensão. Deus, Jesus, o Espírito Santo, calor, frio, amor, eros, ódio, pai, mãe, o pôr-do-sol são "meios" através dos quais experimentamos a vida? São realidades em si? São metáforas que servem de ponto de apoio para vivermos a nossa vida, ou têm alguma realidade em si? Acho que a resposta não é nem uma, nem outra. É muito além do que somos capazes de imaginar. Permanecerá mistério!
Concluindo: tudo é mistura de realidade em si e como nós a experimentamos...
A Palavra era a fonte da vida,
e essa vida trouxe a luz para todas as pessoas.
João 1.4 (leia 1.1-18) – BLH
João afirma que Jesus é a Palavra de Deus. Por meio da Palavra, Deus criou todas as coisas e nada foi feito sem Ele. Esta mesma Palavra dissipa as trevas e “ilumina todas as pessoas” que vêm ao mundo. A Palavra de Deus é viva, atuante e presente, cumprindo os desígnios divinos em toda a criação.
A Bíblia é testemunha da Palavra, não a Palavra em si. Dizer que a Bíblia é a Palavra de Deus é negar o que ela própria diz. A Bíblia, feita de papel e tinta por mãos humanas, é sujeita a manipulação. Ela é usada como pretexto para apoiar uma infinidade de dogmas e doutrinas, estabelecimento de normas e regas, formação de uma grande variedade de igrejas rivais e manipulação de homens e mulheres. Mas sua finalidade é outra: falar da Palavra que ilumina a humanidade.
Os seres humanos têm a tendência de criar ídolos e adorá-los como se fossem divinos. Muitos cristãos fazem o mesmo. Atribuem como sagradas à Bíblia, à Igreja, à estruturas eclesiais (episcopado), etc., sem perceber que todas estas coisas um dia deixarão de existir.
Jesus, a Palavra viva e eterna, não é manipulável. Há tentativas de manipulá-lo e limitá-lo a grupos exclusivistas. Mas Jesus é maior do que qualquer afirmação que podemos fazer a seu respeito.
O Evangelho de João dá testemunho a Jesus cósmico, acima de qualquer tribo, nação, raça, ideologia ou religião. Os outros três Evangelhos fazem mais ligação de Jesus com as tradições judaicas, com algumas aberturas para o mundo gentio. O Evangelho de João, escrito por último, apresenta Jesus muito ligado a toda a humanidade. Não é necessário conhecer os costumes judaicos para entendê-lo.
Existe uma Palavra só, mas ela não é necessariamente soletrada J-E-S-U-S, senão, seria impossível iluminar todas as pessoas. Como luz, a verdadeira Palavra chega a toda humanidade, independente da língua, cultura ou religião.
Mas muitas pessoas rejeitam a Luz. É possível soletrar corretamente J-E-S-U-S e rejeitar a luz da Palavra. Na atualidade, as pessoas que mais promovem guerra, preconceito e ódio, também soletram corretamente J-E-S-U-S e professam a fé cristã. Estas pessoas usam a Bíblia para promover a sua agenda de atitudes e atos contrários a luz da Palavra.
A luz da Palavra é amor!... Quem ama de verdade tem a luz e a Palavra habita neles / nelas. Os cristãos concordam, pelo menos de cabeça, que o coração do Evangelho é amor. A frase: “Deus amou ao mundo” é o Evangelho em miniatura.
Jesus não veio para estabelecer uma nova religião, nem reformar a velha. Isto seria limitar a Palavra a um grupo de privilegiados. A Palavra do Evangelho abre-se para o mundo todo. Pelo contraio, no decorrer da história, as igrejas levantam barreiras, barrando e separando as pessoas em categorias: salvas e perdidas, crentes e não crentes, eleitas e não eleitas, perdoadas e não perdoadas, boas e más, cristãs e pagãs, etc.
Pelo nosso agir solidário e o nosso falar sincero, temos o privilégio de apontar Jesus, como a Palavra que possa iluminar o caminho de todas as pessoas.
Aquele que teme ao Senhor faz amigos verdadeiros, pois tal como ele é, assim é o seu amigo.
Eclesiástico 6.17 (leia 6.5-17) – BJ
Parece que a lei que diz que opostos atraem opostos, não se aplica à amizades, pelo menos na parte de caráter! O temor do Senhor implica ter padrões altos de respeito humano e da ética. Funciona como vacina contra amizades prejudiciais. Acho que não quer dizer que os tementes a Deus não são amigos das pessoas que têm outros valores, mas que os que têm outros valores não têm interesse em fazer amizades com pessoas cuja espiritualidade está voltada para o respeito ao próximo e a ética.
Quando estamos ligados à fonte da existência estamos bem ligados à melhor parte dos melhores elementos da criação e isto inclui "amigos". Ao sermos solidários ao próximo, de modo geral, o caminho se abre para amizades valiosas. Ao sermos amigos, teremos amigos. Se reclamarmos do fato de não termos amigos, seria bom perguntar a nós mesmos se estamos sendo amigos...
Temos a tendência de ajuntar ao nosso redor pessoas semelhantes a nós. Boas qualidades geram boas qualidades. Bons amigos fazem bons amigos.
Não demores para voltar para o Senhor, e não adies de um dia para o outro, porque, de repente, a cólera do Senhor virá e no dia do castigo perecerás.
Eclesiástico 5.7 (leia 5.1-8) – BJ
Não se pode confiar no tempo. O próximo momento não é nosso. Por isso, o dia da oportunidade é sempre o dia de hoje! Nunca é cedo demais para fazermos as pazes conosco e com toda a existência: o meio ambiente (do qual o nosso próximo faz parte) e o Criador (a fonte de toda a existência).
Se estamos vivendo a nossa vida na contramão da existência, aliados com as forças contrárias a vida, o fim do nosso tempo e a morte do nosso corpo seriam os nossos maior inimigos e representariam a cólera de Deus. A nossa harmonia com a “Fonte da Vida” faz o fim do nosso tempo aqui na terra e a morte do nosso corpo representam bênção!
A salvação é um processo e não um fato consumado. A salvação é estar no caminho, em direção à vida; enquanto a perdição seria estar no caminho em direção à morte...
Aqueles que a [sabedoria] servem prestam um culto ao Santo, e o Senhor ama os que a amam.
Eclesiástico 4.14 (leia 4.11-19) – BJ
Quem serve à sabedoria presta culto a Deus. Deus ama quem ama a sabedoria! Parece heresia à primeira vista, mas será heresia mesmo?
Algumas escrituras tratam da sabedoria como se fosse um ser vivo, quase como se fosse "uma deusa" que participava na criação do universo (Provérbios 8-9).
Embora ficando fora do cânone hebraico do antigo testamento, Tiago busca nele muitas expressões e Mateus se refere a ele diversas vezes. É interessante que o manuscrito do Eclesiástico é assinado por "Sabedoria de Jesus". "Jesus" quer dizer "Salvador" ou "salvação". A salvação é também uma expressão da sabedoria de Deus. Amar a sabedoria é também amar a Deus. A sabedoria vem de Deus e nos leva a Deus.
Jesus é a encarnação da sabedoria de Deus e do amor de Deus. Jesus agia com muita sabedoria e confundia os mais sábios da sua época, mesmo quando ainda era criança.
Deus não nos criou para sermos burros e egoístas. Fomos criados para sermos sábios e amorosos. Em Jesus encontramos o modelo perfeito de sabedoria e amor, o ser humano ideal!
Confia no Senhor, ele te ajudará, endireita teus caminhos e espera nele.
Eclesiástico 2.6 (leia 2.1-11) – BJ
O universo é favorável a nós. Em primeiro lugar, este universo é uma expressão da força criadora que chamamos Deus e é o meio que nos trouxe a existir. Em segundo lugar, ao descobrirmos os seus segredos, o universo nos ajuda a vivermos melhor. A sabedoria não é nada mais do que o conhecimento dos segredos do universo que contribuem para o nosso bem estar.
A sabedoria nos faz confiar em Deus como nosso amigo e nos ajuda a aproveitarmos as correntes que fluem no universo para o nosso bem. Usando outra figura, a do texto acima, o universo tem muitos caminhos que nos levam à felicidade. A sabedoria nos ajuda a descobrirmos e a seguirmos estes caminhos. Ao sairmos destes caminhos nós podemos chegar a lugares sem saída, nos enroscar em espinheiros ou cairmos num abismo...
A proposta de Deus para nós é andarmos nos caminhos indicados pela sabedoria, com a finalidade de nos levar ao Reino que Jesus descreveu.
Toda sabedoria vem do Senhor, ela está junto dele desde sempre.
Eclesiástico 1.1 (leia 1.1-10) – BJ
A sabedoria vem do conhecimento da verdade e toda verdade vem da revelação de Deus. Se não fosse a revelação de Deus não teríamos conhecimento nenhum. Esta dicotomia entre verdades reveladas e verdades que não são da revelação, é falsa. Todas as verdades, sejam verdades religiosas, verdades científicas, verdades sociais, verdades econômicas ou qualquer tipo de verdade, vêm de Deus. A sabedoria consiste em sermos abertos à verdade e incorporá-la no nosso viver.
Toda a verdade, independentemente do instrumento usado para revelá-la, vem de Deus. É divina e digna de ser respeitada e colocada em prática. Sabedoria é a habilidade de viver a verdade. Deus é sabedoria e, por isso, a sabedoria é destacada nas escrituras sagradas: sejam as escrituras judaicas, católicas ou protestantes.
Tudo foi feito com sabedoria, embora tenhamos dificuldade em entendê-la. A falta de percepção da verdade é preconceito, o grande inimigo da sabedoria. Quando fechamos a mente e o coração para a grande verdade do amor como foi revelado por Jesus, rejeitamos a sabedoria. A sabedoria divina é viver o amor como Jesus o viveu. O sábio confia na ação de Deus e deixa Deus ser o juiz. Erramos quando achamos que devemos corrigir os erros da criação, mexemos com a natureza e com a vida das pessoas, achando que estamos fazendo grandes coisas, quando na realidade, estamos colocando tudo em desequilíbrio. Precisamos de sabedoria para não danificar o que Deus criou.
Quando um silêncio profundo envolvia todas as coisas e a noite mediava o seu rápido percurso, tua Palavra onipotente lançou-se, guerreiro inexorável, do trono real dos céus para o meio de uma terra de extermínio.
Sabedoria 18.14-15 (leia 18.14-15, 19.6-9) – BJ
Esta passagem se refere à noite de morte no Egito, antes da saída do povo de Israel para o deserto. O faraó quis segurar o povo como escravo por motivos econômicos, para poder continuar a explorar a mão de obra barata. Quanto mais os segurava, maiores eram as pragas que atingiam o povo, até chegar, finalmente, à praga da morte do primogênito de cada família, sendo gente ou animal.
O resultado de uma sociedade escravista é a auto destruição. Uma cultura que se fundamenta na exploração opressora do próximo e da natureza é condenada à extinção. Um sistema social que promove desigualdades sociais e econômicas está caminhando para o caos. Um povo onde a diferença entre pobre e rico é muito grande não pode durar muito tempo.
O papel do seguidor de Jesus é praticar a justiça, ser um contrapeso. Assim sendo, o seguidor de Jesus será o sal da terra, um raio de luz na noite de destruição e morte...
Eles o adoraram e voltaram para Jerusalém
cheios de alegria.
E passavam o tempo todo no pátio do Templo,
louvando a Deus.
Lucas 24.53 (leia 24.44-53) – BLH
Lucas é o único escritor bíblico que faz menção da descida do poder do Espírito Santo no dia do Pentecostes. Nenhum outro toma conhecimento do acontecimento. Toda a mística de Pentecostes está construída em torno da narração de Lucas no Evangelho de Lucas e nos Atos dos Apóstolos. Ele traça uma linha de continuidade, fazendo Jesus o elo entre judaísmo e cristianismo, entre Israel e todas as nações. Jesus não veio somente para os judeus, mas, através de seus seguidores a sua mensagem foi destinada a alcançar o mundo inteiro.
A mensagem é a boa notícia da oferta de novos caminhos (arrependimento) e graça (perdão) para todas as nações. Para Deus, não existem elites privilegiadas. Mas, para esta mensagem ser transmitida era necessário o “poder de cima”. Enquanto não chegava este poder, a fé dos discípulos era a “fé do templo”. Ficavam no templo louvando a Deus. A fé sem poder fica limitada ao louvor no templo.
Com a vinda do Espírito Santo, desceu o poder de dar testemunho da nova mensagem. Com as perseguições resultantes, os seguidores de Jesus foram espalhados pelo mundo. Saíram do templo e seu campo de ação se tornou o mundo inteiro. A finalidade da vinda do poder do alto era tirá-los do templo, não conservá-los dentro.
Passando os séculos de perseguição, com a legalização do cristianismo, a igreja começou a construir templos. Pouco a pouco, o templo cristão tomou o lugar de importância da sinagoga judaica. A grande manifestação de fé voltou a ser o louvor nos templos.
Hoje a igreja faz sua auto-avaliação pela multiplicidade e grandiosidade de seus templos e casas de culto, pelo número de adeptos que consegue reunir e pelas manifestações de ardor nos seus cultos. O mundo é visto como território do inimigo e os cristãos devem se isolar dele. O alvo é salvar os mundanos do mundo e levá-los para dentro do templo. A fé predominante do cristianismo é centralizada no templo. A maior parte dos dízimos e ofertas é destinada a manutenção do templo com sua estrutura eclesiástica. No decorrer da história, em vez de penetrar as nações, o cristianismo substituiu a sinagoga pela catedral.
O “poder de cima” é dado para levar os cristãos a viver sua fé em prol do mundo, não da igreja. O evangelho não se limita às práticas religiosas e morais. Envolve a participação plena na vida “secular”. A palavra “arrependimento” significa mudar de direção e seguir novos caminhos. No caso do evangelho, é seguir os caminhos da compaixão e justiça social na vida diária em todos os lugares. A boa nova do evangelho é que o perdão (graça) dá poder para fazer mudança de vida em direção à vida. É um caminho difícil a seguir, mas o poder de cima é justamente para possibilitá-lo.
Naturalmente vãos foram todos os homens que ignoraram a Deus e que, partindo dos bens visíveis, não foram capazes de conhecer Aquele que é, nem, considerando as obras, de reconhecer o Artífice.
Sabedoria 13.1 (leia 13.1-9) – BJ
Deus é o Grande Artista, o pai de todos os artistas e de toda a arte. Como na maioria dos artistas, as suas obras não são reconhecidas. O mal humano é a cegueira. As pessoas são capazes de enxergar a obra, mas não o Artista.
Por não reconhecer o Artista, as pessoas não terão capacidade de reconhecer o valor da obra, nem ver na obra, a imagem do Criador! A tendência humana é idolatrar as coisas e, ao mesmo tempo, destruir aquilo que está sendo idolatrado... Por falta de reconhecer o Artista, o ser humano cria deuses menores que não têm o poder criativo do Criador. Estes deuses, em vez de levar o seus adeptos à criatividade e vida, conduzem-nos à destruição e morte!
Ao vermos o universo como a obra de arte de Deus teremos uma atitude de reverência diante dele, respeitando todas as suas facetas: terra, água, ar, plantas, animais e pessoas.
Pois o Senhor do universo a ninguém teme, não se deixa impressionar pela grandeza; pequenos e grandes, foi ele quem os fez: com todos se preocupa por igual.
Sabedoria 6.7 (leia 6.1-11) – BJ
A idéia de "quanto mais, tanto melhor" nem sempre é a verdade. Nossa tendência é sermos impressionados com a grandeza. Os gigantes nos impressionam e muitas pessoas lutam para se tornarem gigantes em alguma coisa: riqueza, poder, fama, porque acham que isto é o máximo!
Somos muito semelhantes aos números. Nem todos os números podem ser o nº "9". O nº "0" é o menor de todos os números e talvez seja um dos mais importantes! Quando ele é colocado depois de qualquer outro número ele aumenta o valor, dez vezes mais!... Ao contrário, quando o zero fica no início de qualquer número, o valor daquele número passa a ser decimal! O zero sozinho não é nada, somente quando ele se coloca atrás de outro número, ele cresce em valor; o seu valor é maior se ele se coloca depois do outro número e não antes.
Como todos os números são importantes, todos nós também somos importantes aos olhos de Deus. O Criador se preocupa com todos de forma igual; ninguém vale mais do que o outro.
A Sabedoria é um reflexo da luz eterna, um espelho nítido da atividade de Deus e uma imagem de sua bondade.
Sabedoria 7.26 (leia 7.22-8.1) – BJ
A sabedoria tem sido colocada em plano secundário quanto aos valores teológicos nos últimos milênios. As teorias de salvação têm chamado mais atenção do que a parte prática ou funcional. É muito mais fácil "falar em teorias" do que praticar o amor.
O antigo testamento em hebraico tem poucos (2) livros de sabedoria, o grego um pouco mais e o novo testamento, nenhum, a não ser a carta de Tiago, escrita tão forte que Lutero a rejeitou dizendo que era o "Evangelho de Palha", e que não deveria ser incluída na Bíblia.
Por falta de sabedoria o cristianismo tem sido "tolo" em muitos dos seus aspectos. As maiores guerras tem sido entre nações "cristãs". Foi um cristão (batista) que jogou a primeira bomba atômica matando centenas de milhares de civis num segundo e outro cristão (metodista) que, lançando mão de mentiras, deflagrou guerra contra o Iraque! A igreja ainda reprime a mulher em nome do apóstolo Paulo e vive pacificamente com todas as espécies de repressão. O Brasil está passando seus piores momentos de desagregação social com o caos da corrupção e violência justamente quando dentre seus habitantes, há o maior número de "crentes".
Os que confiam no Senhor compreenderão a verdade e os que são fiéis permanecerão junto a ele no amor, pois graça e misericórdia são para os santos.
Sabedoria 3.9 (leia 2.23-3.9) – BJ
Ficar perto de Deus no amor leva à compreensão da verdade. A verdade é muito mais do que um pequeno conjunto de dogmas a respeito da "salvação da alma". A verdade abrange tudo quanto é realidade. A razão disto é que Deus é a fonte da realidade e da verdade. Quem fecha os olhos para a verdade está fechando os olhos para Deus.
A falta de estar junto de Deus em amor produz um cristianismo de negativismo. O "crente" negativo está sempre combatendo alguma coisa e está sempre achando defeitos para criticar. O "crente" negativo acha que a destruição das coisas erradas (queimar livros e discos, quebrar objetos, etc.) vai trazer o Reino de Deus. Gasta as suas energias em coisas negativas porque não vê que o evangelho de Cristo não é a destruição, mas a transformação.
A verdade leva à mudança e à transformação. A verdade abre os olhos e dá uma visão e nos ajuda a ver cada vez mais como Deus está agindo no mundo. Ajuda a ver como este mundo é realmente do Senhor.
Eles ignoram os segredos de Deus, não esperam o prêmio pela santidade, não crêem na recompensa das vidas puras.
Sabedoria 2.22 (leia 2.1,12-22) – BJ
Ao apoiar o mal, os ímpios apostam num mundo virado, avesso da realidade. Ignoram que o bem tem a sua própria recompensa. Acham que o caminho do mal dá mais lucro e que levam vantagem sobre os que praticam o bem. Além de ignorar que, a longo prazo o bem traz uma recompensa muito maior, desconhecem também, mesmo a curto prazo, que o mal é o caminho pior.
A recompensa do bem não é apenas o objetivo que se quer alcançar. O fato de seguir o caminho em si é a maior recompensa! O objetivo é secundário. O próprio caminho é o valor supremo da vida! Por exemplo: é melhor amar e perder, do que passar a vida sem nunca ter amado. Uma vida de amor frustrado é melhor que uma vida de ódio bem sucedido! Morrer cedo não seria tragédia se a vida foi dedicada ao bem estar dos outros. A maior tragédia seria viver uma vida longa, em torno de si mesmo, ignorando aqueles ao seu redor. A recompensa do bem é o próprio bem e não o que o bem pretende realizar...
O Espírito do Senhor enche o universo, dá consistência a todas as coisas, não ignora nenhum som.
Sabedoria 1,7 (leia 1.1-7) – BJ
Deus está em tudo e faz parte de tudo. Esta afirmação não chega ao panteísmo que diz que tudo é Deus! A idéia desta passagem é chamada por um nome semelhante: "panenteísmo", Deus está em tudo e tudo está em Deus. O Espírito do Senhor está em todas as formas de existência, aquilo que chamamos de "material", "ondas", e até “som”. O Espírito “não ignora nenhum som" quer dizer que há consciência de tudo que se passa.
Mensagem do texto citado: não podemos fugir da presença de Deus, somos importantes, sendo conhecidos por ele. Não estamos longe de Deus, nem ignorados ou desvalorizados. Somos importantes no conjunto das coisas e não podemos fugir da nossa responsabilidade.
Fazemos parte de um universo vivo com a presença do Espírito de Deus. Não somos meras peças duma máquina cósmica. A diferença entre “fazer parte de” e “ser uma peça de” é muito grande. Ao fazer parte compartilhamos a vida (Espírito) com toda a criação. Em contraste, uma peça é um componente duma máquina sem vida. O universo é um organismo saturado com a vida do Espírito e fazemos parte dele.
Olhem para as minhas mãos e para os meus pés
e vejam que sou eu mesmo.
Toquem em mim
e vocês vão crer...
Lucas 24.39 (leia 24.36b-48) – BLH
Lucas relata que os companheiros de Jesus estavam arrasados, de luto pela morte de Jesus em quem eles haviam colocado a esperança! O mundo havia desmoronado, os sonhos evaporados... Restou catar os pedaços que sobraram e refazer a vida! Mas, de repente, a vida apareceu, como fantasma, diante de seus olhos. Jesus morto se transformou em vivo! Era inacreditável! Para tirar as dúvidas deles, Jesus convidou-os a olhar as suas feridas e tocá-las. Jesus vivo se tornou uma experiência concreta, espantosa! Eles participaram como testemunhas oculares da vitória da vida sobre a morte.
No decorrer do tempo, a experiência com a pessoa de Jesus vivo se tornou dogma, artigo de crença. No lugar da experiência veio o credo. Jesus se tornou doutrina, sistema de pensamento, teologia. Com a institucionalização do movimento cristão a “crença certa” (ortodoxia) se confundia com a experiência. No decorrer dos séculos as igrejas se dividiam cada vez mais em questões de doutrina e práticas religiosas. Somos fruto deste fenômeno que continua até hoje. É difícil se identificar com Jesus sem se declarar afiliado a uma denominação ou tendência religiosa. Um cristão julga o outro pela crença, filiação religiosa ou práticas de culto. Somos pressionados a nos conformar com um determinado jogo de normas e ter lealdade institucional.
Lucas chega à essência da fé: ver e sentir, pessoalmente, o poder da vida e falar por experiência própria, nada de teorias e normas pré-estabelecidas.
O livro “Atos dos Apóstolos”, na realidade, relata os atos contínuos de Jesus através daqueles que o viram e tocaram. Muitas pessoas conseguiram ver e sentir a ressurreição: o aleijado olhando para Pedro e João (3.12-19) e Paulo assistindo a morte de Estêvão e vendo uma luz e ouvindo uma voz na estrada de Damasco (9.1-6). São histórias de encontros transformadores que geravam vida nova.
A ressurreição continua, sendo uma realidade constante. Jesus prossegue a se manifestar em situações de desespero e sofrimento. Ele nunca aparece na hora, lugar ou maneira esperados. Não é programável. Jesus foge das limitações que as igrejas tentam impor. Basta estarmos atentos para vê-lo e tocá-lo na hora de necessidade.
Não estamos acostumados a ver Jesus na rua em pessoas que saem fora das nossas normas. A ressurreição pode se manifestar no sorriso de uma criança, num gesto de solidariedade de um estranho, numa música sagrada ou profana ou na inspiração na calada da madrugada. Foi numa crise com a instituição em 1985 que Jesus me apareceu por meio de um padre e uma freira (um casal). Morreram muitos preconceitos e ressuscitei para uma nova vida mais plena e aberta para as manifestações do Divino.
..e as flores aparecem nos campos. É tempo de cantar: ouve-se nos campos o canto das rolinhas.
Cântico 2.12 (leia 2.8-14) – BLH
As flores e o canto das rolinhas fazem parte do processo da fecundação. As flores são os órgãos sexuais das plantas, o canto das rolinhas evidenciam as "cantadas" entre machos e fêmeas. A época de fecundação é a mais bela da existência, época de otimismo e alegria! É tempo de cantar!...
Jesus representa a fecundação. Ele veio para semear o Reino de Deus. A maioria das pessoas na época de Jesus não entendia a missão nem a alegria dele. O Reino de Deus retrata a primavera da história! O mundo vive o inverno e as brisas mornas da primavera custam a derreter o gelo das forças da morte... Jesus reflete a primavera em plena época de inverno. O inverno o crucificou, mas a primavera o ressuscitou!
O evangelho deve nos libertar das limitações do inverno, liberando a nossa fecundidade, abrindo as portas para a nova criatividade! A maioria das igrejas tem medo da fecundidade da primavera, tentando bitolar seus membros dentro de um sistema de doutrinas para evitar que eles criem novidades não ortodoxas. Jesus não era ortodoxo.
Sobremaneira admirável e digna de abençoada memória foi a mãe, a qual, vendo morrer seus sete filhos no espaço de um só dia, soube portar-se animosamente por causa das esperanças que o Senhor depositava.
2 Macabeus 7.20 (leia 7.1-20) – BJ
Este espírito é estranho à nossa sociedade onde reina egoísmo e corrupção. A tendência, hoje em dia, é da mãe sacrificar a sociedade em favor dos seus filhos e de si mesma. Em vez de se identificar com a sociedade, o nosso individualismo, levado ao extremo egoísmo leva cada um contra todos a favor de si mesmo. O resultado é a corrupção na vida pública, desde pequenos furtos a rombos multimilionários, a colocação de lucro como o valor supremo da indústria e do comércio, a marginalização das massas mais fracas com o resultado de violência generalizada contra todos os cidadãos e bens coletivos, criando um clima de insegurança para todos, inclusive para os próprios exploradores!
Aquela mãe, embora sentindo a dor e a angústia da perda dos filhos martirizados, sentia-se confortada pelo motivo do sacrifício. Deveria ter sido o mesmo sentimento de Maria diante da morte de Jesus, mas este sentimento falta hoje...
Na verdade não é condizente com a nossa idade o fingimento. Isto levaria muitos jovens a se desviarem, persuadidos de que Eleazar aos noventa anos teria passado para os costumes estrangeiros. Seria uma nódoa infamante para a minha velhice.
2 Macabeus 6.24-25 (leia 6.18-31) – BJ
Eleazar morreu como mártir porque recusou comer carne de porco. Ele poderia ter comido a carne para satisfazer seus atormentadores, sem mudar as suas convicções e preservado a sua vida. Mas o que estava em jogo não era apenas um pedaço de carne... O que estava em jogo era toda a estrutura de um povo e um estilo de vida coletiva.
Sem entrar na questão da validade daquela cultura, segundo meu ponto de vista, reconheço o princípio de que viver não é só existir! Aquele pedaço de carne representava uma ameaça para uma coletividade. Eleazar resistiu à violação contra sua coletividade. Certo ou errado, ele não pensava em si. Entregou a sua vida em defesa do seu povo, da melhor maneira que entendia. A sobrevivência e o bem estar do seu povo valia mais do que a sua própria vida! É este espírito está faltando em nossa sociedade hoje.
Eu, que era tão bondoso e amado nos tempos do meu poder! Agora, porém, assalta-me a lembrança dos males que cometi em Jerusalém, quando me apoderei de todos os objetos de prata e de ouro e mandei exterminar os habitantes de Judá sem motivo. É por isso que esses males se abateram sobre mim.
1 Macabeus 6.11b,12,13ª (leia 6.1-13) – BJ
Aqui temos o depoimento de um agressor no fim da sua vida, que, ao cair em desgraça, analisou o seu passado com honestidade. Ele reconheceu que, muito daquilo que fazia contra os outros, era também contra si mesmo! Esta é uma lição difícil de aprender! É impossível conseguir qualquer coisa, às custas dos outros, sem nos prejudicar também... O ladrão, por mais rico que seja, é uma figura trágica, uma pessoa infeliz e vazia.
O rei do nosso texto morreu triste e sozinho porque a sua vida se concentrava em adquirir poder e coisas. Para fazer isto ele tinha que se colocar contra os demais. Ao se colocar contra os demais, o rei se alienou da vida e morreu por dentro... Esta morte por dentro levou-o à enfermidade física. Em contraste, Jesus veio como pobre, em forma de servo e, pelo amor ao próximo se realizou! A sua morte se transformou em vida...
No mês em que os gentios o tinham profanado, foi o altar novamente consagrado com cânticos e ao som de citaras, harpas e címbalos. O povo inteiro se prostrou, elevando louvores ao Céu que os tinha conduzido até ali.
1 Macabeus 4.54-55 (leia 4.36-37,52-59) – BJ
O tema principal de Macabeus é a preservação da identidade e o meio de vida diante de fortes pressões externas. Houve uma minoria que conseguia, apesar de tudo, manter a sua identidade por achar que era preferível morrer do que perder a identidade e os costumes que apoiavam.
Isto tem o seu lado positivo em termos de formação de caráter e de integridade. Indica uma "encarnação" de um conjunto de valores que vai além da mera sobrevivência individual e uma integração da vida a um cosmos maior do que o indivíduo. O valor supremo da pessoa não é ela mesma, pois o centro de sua vida está fora de si mesma.
O extremo individualismo de hoje perdeu esta dimensão da vida e cria uma geração de "Maria-vai-com-as-outras", em que a sobrevivência individual é o valor supremo: - cada um por si e os outros se danem... Daí, o desmoronamento da nossa sociedade...
Eu, meus filhos e meus irmãos continuaremos a seguir a Aliança dos nosso pais. Deus nos livre de abandonar a lei as tradições.
1 Macabeus 2.20-21 (leia 2.15-29) – BJ
O admirável deste texto é a resistência de uma minoria para poder manter a sua identidade diante de grandes pressões externas. Sem entrar no mérito das convicções das pessoas envolvidas, há uma grande lição a ser aprendida nesta parte. Aqui temos um caso de grande solidariedade familiar contra agressões de fora. Com esta solidariedade, o grupo conseguiu manter a sua identidade e sobreviver! Eles eram vítimas de uma evangelização pelo povo dominante que vinha de fora para impor a sua filosofia de vida e destruir a dos outros. Sem este forte senso de identidade, o grupo teria se perdido nas correntezas da história.
O caos da nossa realidade social não fornece à maioria das pessoas da nossa sociedade esta base de solidariedade grupal para poder resistir às pressões que vêm de fora. A maioria cai vítima das pressões do consumismo, drogas, corrupção e perde a sua verdadeira identidade! As pessoas soltas no mundo não têm onde se agarrar para se segurar diante das pressões do poder da morte.
Por que é que vocês estão procurando
entre os mortos quem está vivo?
Ele não está aqui,
mas ressuscitou.
Lucas 24.5b-6a (leia 24.1-12) – BLH
De acordo com Lucas, cedo, no dia da ressurreição, algumas mulheres foram ao túmulo para cuidar do corpo de Jesus. Todas ficaram cheias de espanto ao encontrar o túmulo vazio! Lucas relata que, dentro do túmulo, dois homens apareceram à Maria Madalena, Joana e Maria, mãe de Tiago e perguntaram: “-Por que é que vocês estão procurando entre os mortos quem está vivo?” e acrescentaram, “Ele não está aqui, mas ressuscitou”.
Independente da nossa interpretação da ressurreição, estas palavras têm um sentido muito profundo. O ser humano tem a tendência de buscar a vida em lugares e coisas “mortas”.
Há uma frase latina, “rigor mortis”, que descreve a característica de um cadáver: rigidez (a rigidez da morte). A flexibilidade é característica da vida, rigidez, da morte. O corpo de uma criancinha é incrivelmente flexível. No curso da vida o corpo, lentamente, perde a flexibilidade. O idoso é menos ágil do que o jovem. Na morte, a rigidez se torna absoluta. A finalidade do túmulo é guardar corpos. A rigidez é norma.
Jesus não é encontrado nos túmulos. Existem muitos túmulos fora dos cemitérios. A religiosidade pode se tornar “túmulo” do espírito humano. Uma vez que ela promova a rigidez de dogmas, doutrinas e normas de conduta, tentando padronizar o ser humano, ela se torna “sepultura espiritual”. Qualquer grupo que se julga dono da verdade, que acha que todos os outros estão errados ou inferiores e que tenta moldar seus membros dentro de um padrão se torna um “jazigo espiritual”. Existem jazigos de tradicionais, conservadores, liberais, pentecostais, avivados, carismáticos, renovados, santificados, etc. Eles podem usar o nome de Jesus, chamando-o de Senhor, expulsando demônios e fazendo milagres, mas Jesus não está no meio deles e nem os conhece (Mateus 7.21-23). Qualquer rigidez é sinal da morte. Quem é vivo, sai. Os defuntos ficam.
A ressurreição é mais do que uma esperança de viver depois da morte. É uma realidade já, no presente!... É a libertação da rigidez da morte. Dá poder de transpor barreiras, agir espontaneamente, motivado pelo amor. É a libertação de ser escravo, cumprindo deveres diante de um deus exigente, para ser filho ou filha, curtindo o Papai (com coração de Mamãe) e trilhando novos caminhos. É o privilégio de aceitar todos como irmãs e irmãos, convivendo em solidariedade. É o privilégio de ser cidadão do Reino que inclui toda a criação como obra de Deus.