sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

MONSTROS E ESPERANÇA

Obras - Salvador Dali

No sonho que tive naquela noite,

eu vi os ventos soprando de todas as direções e

agitando as águas do mar imenso.

De repente,

saíram do mar quatro monstros enormes,

diferentes uns dos outros.

Daniel 7.2b-3 (leia 7.1-3,15-18) – BLH

Israel nunca foi uma potência mundial. Mesmo no auge do seu desenvolvimento político econômico, ela era apenas um “peixinho” no mar de “tubarões”. A arqueologia moderna está descobrindo que a glória e o poder dos reis Davi e Salomão eram mitos criados para fundamentar uma identidade nacional depois dos exilos nos séculos VI e V a.C.* Daniel teve seu sonho quando Judá estava aparentemente aniquilada, engolida pelos monstros da época. Tentar interpretar o Livro de Daniel como “adivinhação” dos eventos históricos é exercício de futilidade. Cada geração de interpretes durante mais de dois milênios chega a conclusões diferentes. Os “quatro monstros” enormes estão presentes em todas as épocas. Representam as espiritualidades de domínio na religião, economia, política e ciência. Cada área tem seus “reis” que procuram dominar os demais.

Esta visão é mais atual do que nunca. Nunca na história da humanidade houve tanto “sopro de ventos”, “agitação das águas do mar” e “monstros” emergentes. Eles representam forças fora do nosso controle e provocam terror e desespero. Ventos e ondas são forças cegas e monstros conscientes com as estratégias de destruição! Todos são temidos.

Mas, também, na história da humanidade sempre havia pessoas que não foram levadas pelos ventos e ondas ou se submeteram ao domínio dos monstros. Enxergavam “outro Reino”. Ventos se esgotam, ondas se acalmam, monstros morrem, mas a ordem da criação é constante.

Está sempre diante de nós a opção entre sermos coniventes com as forças de domínio e destruição ou integrarmos na ordem da criação. O Reino de Deus é a ordem cósmica. O grande problema é que é fácil confundir uma com a outra. Os “monstros” se disfarçam como benignos, colocando-se como salvadores e oferecendo soluções para os males existentes. Atraem multidões. Mas o método é o uso de poder para manipular, dominar, massificar e violentar. No seu esquema poucos são favorecidos e a grande maioria sacrificada. Criam hierarquias sociais, políticas, econômicas e religiosas.

Na política, os “monstros” poderosos existem em todos os escalões dos governos, empregando violência, coesão e corrupção para alcançarem seus fins. Na economia a globalização é dominada por um número relativamente pequeno, deixando bilhões de pessoas empobrecidas, vivendo em condições subumanas. O abismo que separa os ricos dos pobres fica cada vez maior. As religiões criam o elitismo espiritual e preconceito. São arenas de lutas internas pelo poder. Muitas encaram os de fora como convertidos em potencial ou como maus. Lutam para destruir o “mal” chegando lançar mão a “guerras santas” e terrorismo. Os “monstros” são onipresentes no cenário humano.

O “povo do altíssimo” são aqueles que não entram no jogo, mas seguem o caminho que Jesus apontou, encarnando o amor! Não fazem vítimas, deixam esperança e um exemplo a ser seguido.

*A Bíblia não Tinha Razão, Israel Finkelstein e Neil Ascher Silberman, A Girafa Editora Ltda., 2003, 515 páginas. Tem base nas mais recentes descobertas arqueológicas.

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