domingo, 10 de abril de 2011

PAREM COM O BARULHO


Parem com o barulho das suas canções religiosas;

não quero mais ouvir a música de harpas.

Em vez disso,

quero que haja tanta justiça como as águas de uma enchente e

que a honestidade seja como um rio que não pára de correr.

Amós 5.23-24(leia 5.18-24) – BLH

Este texto levanta a pergunta: Qual é o verdadeiro culto a Deus? Muitas pessoas têm a imagem do Deus exaltado, sentado no trono e se deliciando com expressões de adoração e louvor de seus adoradores em reuniões de culto. Está na moda o “louvorzão” em que este conceito é levado ao extremo. Seria culto a um Deus egoísta e vaidoso que se sente bem com seus “fãs” entrando em delírio na sua presença.

O povo vivia uma ilusão! Achava que Deus tinha prazer em reuniões de culto com celebrações, ofertas, cânticos de louvor e instrumentos musicais. Mas, o profeta, Amós, fez um pronunciamento radical: Deus rejeitava tais manifestações. Falando em nome de Deus, ele usou palavras fortes como: “odeio”, “detesto”, “não tolero”, “não aceito” e “parem com o barulho”. Amós desafiou a espiritualidade predominante do seu país.

A pregação de Amós revela outra visão do divino e outro estilo de culto. O culto de Amós seria a conscientização do povo quanto a sua vivência diante do Deus criador. O culto seria meio de edificação: sentir a presença divina e se fortalecer para enfrentar os desafios da vida. Ouvir é mais importante do que falar. Temos dois ouvidos, mas uma só boca. Imagine se fosso o contrário!… Parece que Mt.18.20 “onde dois ou três estão juntos em meu nome, eu estou ali com eles” passou a ser: “onde dois ou três estão juntos em meu nome, há um sistema de som e três microfones”. Há igrejas que fazem tanto barulho que perturbam a vizinhança. Será que a mania barulhenta é um meio de abafar a voz do Espírito?

O culto pagão tinha por finalidade impressionar e influenciar os deuses e ganhar sua simpatia e seus favores. As divindades tinham de ser conquistadas, ou pelo menos “compradas”. Em contraste, a liturgia do culto cristão não tem esta finalidade. Sabemos que Deus já nos ama e que se agrada quando produzimos os frutos do amor no lar, lazer e trabalho. A liturgia é para nossa edificação, para fazer-nos mais conscientes do mistério da graça divina e renovar as nossas forças espirituais.

A nação judaica estava gozando um período de tranqüilidade e prosperidade. Mas, também, havia muita injustiça e desonestidade. Uma minoria explorava os demais e tinham mais recursos de ser suntuosa nas manifestações religiosas. A desonestidade e a corrupção faziam parte do dia-a-dia. O povo se isolava dentro do templo com atos de culto. Fora, o mundo era bem diferente.

Atos religiosos no meio de injustiça e desonestidade eram afrontas para Deus. Deus não é um egoísta querendo elogios e badalação. Seu desejo é ver seus filhos e suas filhas viver o amor exercendo justiça e integridade. O verdadeiro louvor não consiste em atos religiosos dentro do templo, mas na vivência do amor em todos os lugares.

O profeta usa as imagens de “águas de enchente” e de “rio que não pára de correr”. São figuras de abundância e constância. A marca do cristão deve ser seu esforço de agir com justiça no meio de ambiente de materialismo e ganância, de colocar “ser justo” acima de “ter vantagens”. O amor cristão, também, produz o fruto da honestidade. O bom caráter é resultado de integridade constante. O culto que agrada a Deus é aquele que se expressa em uma vida de retidão e justiça. Certamente, há muitas pessoas que agradam a Deus mas não agüentam assistir os cultos por não encontrar ambiente de poder ouvir a voz do Espírito.

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