domingo, 15 de fevereiro de 2015

IGREJA COMO BOM PASTOR


Eu sou o bom pastor;
o bom pastor dá a vida pelas ovelhas.

João 10.11 (leia 10.11-18) – NTLH

Romantizamos a Bíblia. Muitas vezes passamos por cima do lado prosaico das imagens usadas. Esta passagem fala da figura do pastor. Pastorear era (e ainda é) uma atividade econômica. As ovelhas eram meio de sustento do dono. Elas forneciam vestimenta e comida (lã e carne). Em troca, o pastor lhes dava proteção e abrigo. Os lobos eram inimigos do proprietário do rebanho porque ameaçavam seu meio de sustento. O pastor ia à luta contra os lobos. O dono rico poderia contratar um empregado para cuidar do seu rebanho, mas este não teria o mesmo cuidado do dono. Em ambos os casos, as ovelhas eram “objeto de produção”, visando o bem estar do proprietário.

João apresenta Jesus como Pastor “Amigo” (O Bom Pastor), contrastando com o pastor “comerciário”. Em termos comerciais o Pastor Amigo seria fracasso. Dar a vida pelas ovelhas seria loucura!... Ao contrário, a ovelha sempre dava sua vida pelo pastor! A figura do Pastor Amigo fura o esquema econômico.

O pastor comerciário (seja dono ou empregado) representava a estrutura religiosa que colocava valores econômicos acima dos valores humanos. Podemos chamar isto o espírito “templo”. O templo era sagrado, sendo o povo o meio de sustentá-lo. O povo tinha valor na medida em que fizesse sacrifício em benefício do templo. Em contraste, o Bom Pastor tem o espírito “Amigo” colocando o bem estar das ovelhas em primeiro plano, acima do seu próprio bem.

Nosso tratamento de Jesus como o “Bom Pastor que dá sua vida pelas ovelhas” é acadêmico e abstrato. É dogma, não prática. Na prática, o templo foi substituído pela Igreja, com “I” maiúsculo. Dizemos que somos a Igreja que Jesus fundou. Como “Igreja”, nós nos afastamos do mundo sofredor e formamos apriscos fechados. Precisamos preservar a nossa identidade. Somos mais interessados em mostrar como somos diferentes dos demais do que identificarmos com os “perdidos” da nossa sociedade. Procuramos demonstrar a nossa espiritualidade com sinais externos: construções faraônicas, habilidade de manipular as massas com grandes concentrações e ganhar eleições. A maior parte das ofertas dos fiéis vai para manter a estrutura. Alimentar os famintos e abrigar os desamparados não é prioridade. Os lobos atacam e nós nos refugiamos dentro dos nossos apriscos! Temos medo de nos perder...

O grande desafio para a Igreja é cumprir o papel de Bom Pastor (Igreja Amiga), lembrando que o aprisco é o mundo. João Wesley captou este espírito quando declarou: “O mundo é a minha paróquia”. Ser a continuação de Jesus no mundo exige muita fé. A Igreja Amiga não teria medo de morrer pelo mundo porque teria a confiança no Pai e que a morte não é o fim. A ressurreição é a resposta divina.

 

João 10:11-18 – Nova Tradução na Linguagem de Hoje 2000 (NTLH)

JESUS, O BOM PASTOR

— Eu sou o bom pastor; o bom pastor dá a vida pelas ovelhas. Um empregado trabalha somente por dinheiro; ele não é pastor, e as ovelhas não são dele. Por isso, quando vê um lobo chegando, ele abandona as ovelhas e foge. Então o lobo ataca e espalha as ovelhas. O empregado foge porque trabalha somente por dinheiro e não se importa com as ovelhas. Eu sou o bom pastor. Assim como o Pai me conhece, e eu conheço o Pai, assim também conheço as minhas ovelhas, e elas me conhecem. E estou pronto para morrer por elas. Tenho outras ovelhas que não estão neste curral. Eu preciso trazer essas também, e elas ouvirão a minha voz. Então elas se tornarão um só rebanho com um só pastor.

— O Pai me ama porque eu dou a minha vida para recebê-la outra vez. Ninguém tira a minha vida de mim, mas eu a dou por minha própria vontade. Tenho o direito de dá-la e de tornar a recebê-la, pois foi isso o que o meu Pai me mandou fazer.

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