domingo, 22 de fevereiro de 2015

VIDA NA MORTE


— O nosso amigo Lázaro está dormindo,
mas eu vou lá acordá-lo.

João 11.11 (leia 11.1-45) NTLH

A morte é uma das grandes preocupações do ser humano – o maior desafio e mais profundo mistério. A natureza mostra que é inevitável e irreversível, sempre seguida pelo caos e decomposição. Resistimos esta fatalidade da nossa existência. Não podendo vencê-la fisicamente, lançamos mão da fé. Pela fé os cristãos afirmam a ressurreição.

A história de Lázaro não traz uma resposta definitiva diante do mistério e da certeza da morte. Sua ressurreição era temporária, apenas adiando a morte definitiva. As curas e milagres de Jesus eram apenas o adiamento da morte física, não a libertação dela. Sem dúvida, Lázaro morreu outra vez.

Não é por isso que este episódio descrito no Evangelho de João não tem valor. O valor está na afirmação de que a morte não elimina a vida. Mesmo com a morte, a vida continua e se manifesta. As dimensões da vida e da morte são muito além da nossa compreensão. A vida e a morte são regidas por um Poder maior. O mesmo poder que criou a vida, também, criou a morte. Ambos fazem parte da ordem da existência.

Jesus simboliza esta realidade criadora e sustentadora que dá base para a vida e a morte. A morte não deve ser temida. É apenas a face obscura da vida. A vitória sobre a morte não consiste na sua eliminação. É a compreensão de que ela, também, está sujeita a um poder maior. Jesus é apresentado como o Senhor de tudo, inclusive da morte.

Sem esta visão encaramos a morte como um mal trágico e a vida como uma luta contra a morte. A morte é tida como inimiga a ser afastada enquanto temos forças para combatê-la.

Jesus injetou outro fator na polaridade vida/morte, o amor. O amor está acima da vida e da morte. Por amor, Ele se entregou à morte, demonstrando que a morte pode fazer parte da vida plena. O nosso medo da morte nos faz recuar numa vida egoísta de autodefesa e autopromoção. Valorizamos a nossa vida acima da dos outros. O medo afasta o amor completo, contrário a 1 João 4.18 que diz “No amor não há medo; o amor que é totalmente verdadeiro afasta o medo.” Nosso medo da morte tira a nossa capacidade de amar. O amor pode ser “perigoso” e cortejar a morte. Amar de verdade exige coragem porque a morte está embutida.

Vivemos numa cultura que nega a morte. Esta negação da morte leva à busca frênica de preservar a vida própria, deixando de lado o amor. Abre as portas para a injustiça, corrupção e violência. Cada um defende o seu pedaço, ignorando o bem estar coletivo. Até a religião se torna a busca de salvação pessoal e prosperidade individual. A ironia é que esta negação promove o caos e a degeneração moral que promove a morte que pretende evitar. A busca egoísta da vida promove a morte prematura e pouca redentora.

A história da ressurreição de Jesus é uma afirmação de que a morte não elimina a vida e que o amor engloba ambas. A morte faz parte da vida e a vida inclui a morte.

 

João 11:1-45 – Nova Traduҫão na Linguagem de Hoje 2000 (NTLH)

A MORTE DE LÁZARO

Um homem chamado Lázaro estava doente. Ele era do povoado de Betânia, onde Maria e a sua irmã Marta moravam. (Esta Maria era a mesma que pôs perfume nos pés do Senhor Jesus e os enxugou com os seus cabelos. Era o irmão dela, Lázaro, que estava doente.) As duas irmãs mandaram dizer a Jesus:

— Senhor, o seu querido amigo Lázaro está doente!

Quando Jesus recebeu a notícia, disse:

— O resultado final dessa doença não será a morte de Lázaro. Isso está acontecendo para que Deus revele o seu poder glorioso; e assim, por causa dessa doença, a natureza divina do Filho de Deus será revelada.

Jesus amava muito Marta, e a sua irmã, e também Lázaro. Porém quando soube que Lázaro estava doente, ainda ficou dois dias onde estava. Então disse aos seus discípulos:

— Vamos voltar para a Judeia.

Mas eles disseram:

— Mestre, faz tão pouco tempo que o povo de lá queria matá-lo a pedradas, e o senhor quer voltar?

Jesus respondeu:

— Por acaso o dia não tem doze horas? Se alguém anda de dia não tropeça porque vê a luz deste mundo.  Mas, se anda de noite, tropeça porque nele não existe luz.

Jesus disse isso e depois continuou:

— O nosso amigo Lázaro está dormindo, mas eu vou lá acordá-lo.

— Senhor, se ele está dormindo, isso quer dizer que vai ficar bom! — disseram eles.

Mas o que Jesus queria dizer era que Lázaro estava morto. Porém eles pensavam que ele estivesse falando do sono natural. Então Jesus disse claramente:

— Lázaro morreu, mas eu estou alegre por não ter estado lá com ele, pois assim vocês vão crer. Vamos até a casa dele.

Então Tomé, chamado “o Gêmeo”, disse aos outros discípulos:

— Vamos nós também a fim de morrer com o Mestre!

JESUS É A RESSURREIÇÃO E A VIDA

Quando Jesus chegou, já fazia quatro dias que Lázaro havia sido sepultado. Betânia ficava a menos de três quilômetros de Jerusalém,  19 e muitas pessoas tinham vindo visitar Marta e Maria para as consolarem por causa da morte do irmão. Quando Marta soube que Jesus estava chegando, foi encontrar-se com ele. Porém Maria ficou sentada em casa. Então Marta disse a Jesus:

— Se o senhor estivesse aqui, o meu irmão não teria morrido! Mas eu sei que, mesmo assim, Deus lhe dará tudo o que o senhor pedir a ele.

— O seu irmão vai ressuscitar! — disse Jesus.

Marta respondeu:

— Eu sei que ele vai ressuscitar no último dia!

Então Jesus afirmou:

— Eu sou a ressurreição e a vida. Quem crê em mim, ainda que morra, viverá; e quem vive e crê em mim nunca morrerá. Você acredita nisso?

— Sim, senhor! — disse ela. — Eu creio que o senhor é o Messias, o Filho de Deus, que devia vir ao mundo.

Jesus chora

Depois de dizer isso, Marta foi, chamou Maria, a sua irmã, e lhe disse em particular:

— O Mestre chegou e está chamando você.

Quando Maria ouviu isso, levantou-se depressa e foi encontrar-se com Jesus. Pois ele não tinha chegado ao povoado, mas ainda estava no lugar onde Marta o havia encontrado. As pessoas que estavam na casa com Maria, consolando-a, viram que ela se levantou e saiu depressa. Então foram atrás dela, pois pensavam que ela ia ao túmulo para chorar ali.

Maria chegou ao lugar onde Jesus estava e logo que o viu caiu aos pés dele e disse:

— Se o senhor tivesse estado aqui, o meu irmão não teria morrido!

Jesus viu Maria chorando e viu as pessoas que estavam com ela chorando também. Então ficou muito comovido e aflito  34 e perguntou:

— Onde foi que vocês o sepultaram?

— Venha ver, senhor! — responderam.

Jesus chorou.

Então as pessoas disseram:

— Vejam como ele amava Lázaro!

Mas algumas delas disseram:

— Ele curou o cego. Será que não poderia ter feito alguma coisa para que Lázaro não morresse?

A RESSURREIÇÃO DE LÁZARO

Jesus ficou outra vez muito comovido. Ele foi até o túmulo, que era uma gruta com uma pedra colocada na entrada, e ordenou:

— Tirem a pedra!

Marta, a irmã do morto, disse:

— Senhor, ele está cheirando mal, pois já faz quatro dias que foi sepultado!

Jesus respondeu:

— Eu não lhe disse que, se você crer, você verá a revelação do poder glorioso de Deus?

Então tiraram a pedra. Jesus olhou para o céu e disse:

— Pai, eu te agradeço porque me ouviste. Eu sei que sempre me ouves; mas eu estou dizendo isso por causa de toda esta gente que está aqui, para que eles creiam que tu me enviaste.

Depois de dizer isso, gritou:

— Lázaro, venha para fora!

E o morto saiu. Os seus pés e as suas mãos estavam enfaixados com tiras de pano, e o seu rosto estava enrolado com um pano. Então Jesus disse:

— Desenrolem as faixas e deixem que ele vá.

O PLANO PARA MATAR JESUS

Muitas pessoas que tinham ido visitar Maria viram o que Jesus tinha feito e creram nele.

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