domingo, 8 de março de 2015

MOMENTOS DE CURTIÇÃO


Deixe Maria em paz!
Que ela guarde isso para o dia do meu sepultamento.
Os pobres estarão sempre com vocês,
mas eu não estarei sempre com vocês.

João 12.7-8 (leia 12.1-8) – NTLH

 

Maria e Marta eram irmãs. Ambas amavam Jesus. A diferença entre as duas era a maneira de manifestar o amor. Marta, sempre prática, ativa, trabalhando na cozinha e servindo a mesa. Maria, sonhadora, simplesmente deleitando-se na presença do amado amigo Jesus. Servir e deleitar-se são duas expressões de amor.

Judas era calculista, politicamente correto. Para ele, Maria não deveria desperdiçar o perfume caro, aplicando-o aos pés de Jesus. Melhor seria vendê-lo e dar o dinheiro aos pobres.

Jesus colocou tudo em perspectiva: servir, curtir, doar – tudo têm sua hora. Esta era a hora para Maria deleitar-se com a presença de Jesus, manifestando carinho e gratidão. Não faltariam oportunidades para atender os pobres.

No seu ativismo, Marta reclamava de Maria. Na sua ortodoxia, Judas a criticava. Mas na sua devoção e carinho, Maria não exigia nada em troca. Simplesmente se colocava aos pés de Jesus e os acariciava com perfume precioso e seus próprios cabelos.

A religião cheia de doutrinas a serem aceitas e regras a serem obedecidas corre o risco de perder o essencial, a dinâmica do amor espontâneo, sem exigências. Pode haver mais espírito de fraternidade e espontaneidade numa mesa de bar do que em reunião de igreja. Regulamentos podem prejudicar relacionamentos. Estruturas, com papeis a serem cumpridos, podem tirar a espontaneidade do relacionamento. A igreja, ao tornar-se sistema de cobrança, pode prejudicar a convivência da fé. Da mesma forma, o casamento, ao transformar-se em instrumento de exigências, pode prejudicar o amor, transformando o paraíso em inferno.

Com a nossa mentalidade e prática utilitárias, podemos perder a dimensão de curtição e carinho. Há pais que dão tudo para seus filhos, menos a sua presença física e carinho. Esquecem que abrigo, roupa e brinquedos não são tudo. Brincar, passear e participar diretamente na vida dos filhos alimenta a alma! O corpo bem cuidado, mas a alma faminta, é uma deformidade. Há pastores que dedicam tanto tempo aos cuidados dos membros da igreja que não sobra tempo para a “congregação” da sua própria casa. Não é de admirar que muitos filhos de pastores, depois de adultos, não querem saber da igreja. Ela lhes roubou o pai! Alimentam mágoas, com razão...

Com a brevidade da vida, momentos de “curtição” são importantes. Parar para estes momentos não é desperdício de tempo. Pode ser o melhor proveito.

Jesus aceitou o carinho de Maria. Fez-lhe bem porque ele estava precisando deste momento! Com isso, Jesus deixou Maria nos ensinar que a vida não é só uma corrida para “fazer bem”. Os momentos parados para simplesmente deleitar-se da presença de alguém, também, são essenciais para uma vida plena.

 

JOÃO 12:1-8 – NOVA TRADUҪÃO NA LINGUAGEM DE HOJE 2000 (NTLH)

JESUS EM BETÂNIA

Seis dias antes da Páscoa, Jesus foi ao povoado de Betânia, onde morava Lázaro, a quem ele tinha ressuscitado. Prepararam ali um jantar para Jesus. Marta ajudava a servir, e Lázaro era um dos que estavam à mesa com ele. Então Maria pegou um frasco cheio de um perfume muito caro, feito de nardo puro. Ela derramou o perfume nos pés de Jesus e os enxugou com os seus cabelos; e toda a casa ficou perfumada. Mas Judas Iscariotes, o discípulo que ia trair Jesus, disse:

— Este perfume vale mais de trezentas moedas de prata. Por que não foi vendido, e o dinheiro, dado aos pobres?

Judas disse isso, não porque tivesse pena dos pobres, mas porque era ladrão. Ele tomava conta da bolsa de dinheiro e costumava tirar do que punham nela.

Então Jesus respondeu:

— Deixe Maria em paz! Que ela guarde isso para o dia do meu sepultamento. Os pobres estarão sempre com vocês, mas eu não estarei sempre com vocês.

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