domingo, 10 de maio de 2015

DEUS MÃE - DEUS PAI


Assim Deus criou os seres humanos.
Ele os criou parecidos com Deus.
Ele os criou homem e mulher.

Gênesis 1.27 (leia 1.1-19) – NTLH

Qual é a imagem de Deus? Este versículo indica que a imagem de Deus é a sexualidade. Sendo criados à imagem de Deus, os seres humanos foram criados homem e mulher. Para entendemos melhor esta colocação, preciso definir o que entendo por sexualidade. Sexualidade é muito mais do que o simples “transar”; inclui características femininas e masculinas da personalidade humana, também fora do ato sexual.

As características femininas pesam mais para o lado de, igualdade nutrição, parceria, caridade, inclusão, colaboração, intuição e a aceitação de sentimentos. Em contraste as características masculinas inclinam para a ordem hierárquica, lógica, competição, exclusão e medo de sentimentos. Mas, nesta história do primeiro capítulo de Gênesis, o que se destaca são duas qualidades: trazer o universo à existência (dar à luz – gerar a vida = feminina) e organizar o que foi feito (ordenar – manipular = masculino).

Até seis mil anos atrás o conceito da divindade era feminino. Não existiam deuses, apenas deusas. Misteriosamente a vida brotava da terra e do feminino. A Terra foi personificada como a deusa-mãe que gerava todos os seres e os recebia de volta ao seu ventre. O conceito da paternidade chegou muito depois seguido pelo domínio masculino na estrutura social. O Antigo Testamento reflete a ascendência masculina, mas este texto do primeiro capítulo conserve o lado feminino da divindade.

Mas no segundo capítulo de Gênesis o nome de Deus foi mudado de Elohim (plural) para Javé (masculino singular), e o lado feminino foi excluído. Nos tempos primordiais o feminino foi destacado, mas a religião judaica o desprezou, colocando o feminino como quase sub-humano. O cristianismo continuou a marginalização da mulher e o islamismo ainda mais. Até hoje em nossa cultura a mulher é descriminada e as atividades femininas menos valorizadas do que as masculinas.

Para a maioria da nossa cultura Deus é Ele, não Ela. Para compensar esta discriminação os católicos têm a sabedoria de cultuar a feminidade de Deus na pessoa de Maria e acham que a Mãe de Deus é mais acessiva do que “aquele velho lá em cima no trono”. Os protestantes são órfãos de mãe.

Sendo que a primeira experiência de todos nós foi o corpo feminino: gestação no útero, amamentação no peito e abraços carinhosos, o feminino é muito mais íntimo do que o masculino. O nosso preconceito coloca uma barreira, impedindo o uso do termo “Deusa”. Porque a divindade não poderia ser Deusa e Deus ao mesmo tempo? O nome “Elohim” deixa esta porta aberta.

Qualquer tentativa de dogmatizar o divino erra ao reduzi-lo para caber dentro dos limites da nossa compreensão. Sem tentar fazer definições do divino eu posso experimentá-lo como Deusa/Deus ou Mãe/Pai. Deusa Mãe é tão válido como Deus Pai na experiência religiosa. Qualquer dogma não passa de idolatria. O divino é além de qualquer definição. A nossa primeira experiência da vida é a mãe. O pai vem depois.

GÊNESIS 1:26-27 – NOVA TRADUҪÃO NA LINGUAGEM DE HOJE 2000 (NTLH)

Aí ele disse:

— Agora vamos fazer os seres humanos, que serão como nós, que se parecerão conosco. Eles terão poder sobre os peixes, sobre as aves, sobre os animais domésticos e selvagens e sobre os animais que se arrastam pelo chão.
Assim Deus criou os seres humanos; ele os criou parecidos com Deus. Ele os criou homem e mulher.

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