domingo, 3 de maio de 2015

ESTÊVÃO, ONDE ESTÁS?


Enquanto eles atiravam as pedras,
Estêvão chamava Jesus, dizendo:
“Senhor Jesus, recebe o meu espírito!”
Depois, ajoelhou-se e gritou com voz bem forte:
“Senhor, não condenes esta gente
por causa deste pecado!”

Atos 7.69-70 – (leia 7.55-8.1) – NTLH

 

Os membros da Sinagoga dos Homens Livres provocaram a morte de Estêvão. Estêvão foi acusado de falar contra Moisés e contra Deus porque falou de Deus de maneira diferente da tradição da sinagoga. A fé dos membros da Sinagoga dos Homens Livres era baseada em uma estrutura de práticas religiosas e um sistema de crenças fixado há séculos. Qualquer mudança seria uma ameaça. Achavam que Jesus era uma ameaça aos costumes que eles idolatravam. Qualquer perigo deveria ser afastado. Era melhor destruir o herege, Estêvão, do que examinar seus valores. Não eram tão “livres” como professavam. Tinham medo de mudanças. O medo arrastou-os ao caminho da perseguição.

Estêvão não tinha medo de mudança, nem da morte. Sua vida havia sido radicalmente transformada e Jesus era a sua vida. Por isso ele representava perigo.

Perseguição é fruto de ameaça, imaginada ou verdadeira. O Rei Saul sentia-se ameaçado pelo jovem Davi e o perseguiu. Herodes, apos o nascimento de um novo rei anunciado pelos magos, mandou matar as crianças com idade abaixo de dois anos. O Império Romano perseguia os cristãos porque não reconheciam o César como Senhor.

Depois de três séculos, os cristãos não eram mais uma minoria perseguida. O Cristianismo se tornou a religião oficial do Império Romano. Virou moda. Os não cristãos passaram a ser perseguidos pelos cristãos. Tornou-se vantagem ser cristão!...

Vivemos hoje numa sociedade que a maioria professa a fé cristã, de uma forma ou outra. Ser cristão não é um ato de coragem. Mesmo assim, continuamos a admirar Estêvão. Ele é um dos heróis da nossa tradição cristã. Teve coragem de ser diferente, enfrentar perigo, de viver suas convicções sem medir o custo. Será que temos a mesma admiração pelos “Estêvãos” de hoje?

Condenamos os perseguidores de Estêvão. Mas, na prática, até que ponto somos semelhantes a eles? Até que ponto nós nos fechamos para com aqueles que representam uma ameaça para o nosso sistema de valores? Como é o nosso tratamento das minorias menos favorecidas? Qual a nossa atitude para com aqueles que são diferentes de nós na sua orientação sexual, os que praticam as religiões africanas, orientais, espiritualistas ou outras formas de cristianismo?

Saulo é outra figura na morte de Estêvão. Saulo não atirou nenhuma pedra, mas tomou conta das capas dos perseguidores. Concordou com os atos e teve uma participação passiva. Semelhante a Saulo, até que ponto participamos de um sistema de injustiça social que prejudica grandes segmentos da sociedade? Talvez uma grande maioria segure as capas dos exploradores políticos. Votamos em pessoas corruptas e não exigimos uma atuação digna dos nossos representantes. Ficamos passivos. Deixamos tudo ficar como está.

Pensamos na plenitude do Espírito Santo numa maneira exótica com sinais e maravilhas. Estêvão é um exemplo da plenitude no sentido bíblico, mas um exemplo que evitamos imitar. Estêvão faz falta hoje. Os “Estêvãos” da história são raros. Se um aparecesse hoje, já sabemos qual seria seu destino!

Estêvão, onde estás? Precisamos de ti hoje!!!

 

ATOS 7.55-8:1 – NOVA TRADUҪÃO NA LINGUAGEM DE HOJE 2000 (NTLH)

Mas Estêvão, cheio do Espírito Santo, olhou firmemente para o céu e viu a glória de Deus. E viu também Jesus em pé, ao lado direito de Deus. Então disse:

— Olhem! Eu estou vendo o céu aberto e o Filho do Homem em pé, ao lado direito de Deus.

Mas eles taparam os ouvidos e, gritando bem alto, avançaram todos juntos contra Estêvão. Depois o jogaram para fora da cidade e o apedrejaram. E as testemunhas deixaram um moço chamado Saulo tomando conta das suas capas. Enquanto eles atiravam as pedras, Estêvão chamava Jesus, dizendo:

— Senhor Jesus, recebe o meu espírito!

Depois, ajoelhou-se e gritou com voz bem forte:

— Senhor, não condenes esta gente por causa deste pecado!

E, depois que disse isso, ele morreu.

E Saulo aprovou a morte de Estêvão.

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