domingo, 24 de maio de 2015

REPENSANDO PENTECOSTES


...todos ficaram muito admirados
porque cada um podia entender
na sua própria língua.

ATOS 2.6 (LEIA 2.1-11) – NTLH

 

Pentecostes sempre cativou a imaginação da Igreja. Apesar de o acontecimento ser mencionado na Bíblia apenas uma vez por Dr. Lucas, o Dia de Pentecostes ganhou lugar de destaque no calendário cristão. Tornou-se também, o ponto central dos grandes “avivamentos” dos séculos XVIII e XIX, culminando com os movimentos pentecostal e carismático dos séculos XX e XXI.

Com certeza, Lucas nunca imaginou que sua narração modesta dos eventos do Dia de Pentecostes serviria para transmitir conceitos contrários a sua mensagem central.

A mensagem central de Pentecostes é a universalização do Evangelho e a igualdade de todos diante de Deus. Foi um fenômeno que rompeu todas as barreiras: de nacionalismo porque estavam presentes pessoas de “todas as nações do mundo” e de linguagem porque todos ouviram na sua própria língua. Juntos receberam o mesmo dom de Deus. Em um só momento o Evangelho se tornou mundial. Esta mensagem é tão contrária à natureza humana que a Igreja não conseguiu sustentá-la.

Desde o início começaram a aparecer deturpações e distorções. Logo nasceu o elitismo espiritual e a fragmentação dentro da própria Igreja. A linguagem unificadora, entendida por todos, se transformou em “línguas estranhas”, entendidas somente por uma minoria de privilegiados. O que era uma solução por derrubar barreiras entre culturas e línguas diferentes se transformou em “problema” que separava pessoas que antes falavam a mesma língua! Paulo foi forçado a dedicar grandes trechos de suas cartas para combater as divisões criadas pelos desvios do pentecostismo de sua época. O pentecostismo anti-pentecostal continua a afligir a Igreja hoje.

O Pentecostes de Lucas é um convite para repensarmos a nossa postura e prática. A essência de Pentecostes é derrubar barreiras de todos os tipos que separam as pessoas. Podemos trabalhar as nossas próprias barreiras internas. Se a nossa religião nos dá motivo para nos afastarmos dos outros por eles serem diferentes na sua cultura religiosa, devemos repensar a nossa fé. Será que Deus está falando com eles numa linguagem que nós não conseguimos entender? Ao desrespeitarmos a religiosidade alheia, podemos estar desprezando as outras linguagens que Deus usa para falar conosco. O Pentecostes é deixar Deus falar para que cada um possa ouvir na sua própria língua.

 

ATOS 2:1-11 – NOVA TRADUҪÃO NA LINGUAGEM DE HOJE 2000 (NTLH)

A VINDA DO ESPÍRITO SANTO

Quando chegou o dia de Pentecostes, todos os seguidores de Jesus estavam reunidos no mesmo lugar. De repente, veio do céu um barulho que parecia o de um vento soprando muito forte e esse barulho encheu toda a casa onde estavam sentados. Então todos viram umas coisas parecidas com chamas, que se espalharam como línguas de fogo; e cada pessoa foi tocada por uma dessas línguas. Todos ficaram cheios do Espírito Santo e começaram a falar em outras línguas, de acordo com o poder que o Espírito dava a cada pessoa.

Estavam morando ali em Jerusalém judeus religiosos vindos de todas as nações do mundo. Quando ouviram aquele barulho, uma multidão deles se ajuntou, e todos ficaram muito admirados porque cada um podia entender na sua própria língua o que os seguidores de Jesus estavam dizendo. A multidão ficou admirada e espantada e comentava:

— Estas pessoas que estão falando assim são da Galileia! Como é que cada um de nós as ouvimos falar na nossa própria língua? Nós somos da Pártia, da Média, do Elão, da Mesopotâmia, da Judeia, da Capadócia, do Ponto, da província da Ásia, da Frígia, da Panfília, do Egito e das regiões da Líbia que ficam perto de Cirene. Alguns de nós são de Roma. Uns são judeus, e outros, convertidos ao Judaísmo. Alguns são de Creta, e outros, da Arábia. E como é que todos estamos ouvindo essa gente falar em nossa própria língua a respeito das grandes coisas que Deus tem feito?

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