domingo, 19 de julho de 2015

CÉSAR E O CORDEIRO


Então ouvi todas as criaturas que há
no céu, na terra, debaixo da terra e no mar,
isto é, todas as criaturas do Universo,
que cantavam:
"Ao que está sentado no trono e ao Cordeiro
sejam dados o louvor, a honra, a glória
e o poder para todo o sempre!"

Apocalipse 5.13 (leia 5.11-14) – NTLH

O Livro do Apocalipse reflete a visão cósmica da antiguidade. O universo era visto como criado em camadas. A terra ficava no meio. Os níveis abaixo da terra eram das trevas e ocupados pelos mortos, demônios e as forças do mal. Acima da terra ficavam os céus, morada dos deuses e os demais seres celestiais. Para os cristãos, acima das nuvens reinavam Deus: junto com Cristo (O Cordeiro), cercados pela corte celestial dos santos, anjos e outras criaturas celestiais. A simbologia do Apocalipse está apoiada neste modelo.

Com a invenção do telescópio e outros instrumentos de pesquisas, este modelo “caiu por terra”. No conceito atual, não existem “acima” e “abaixo” em relação à terra. A terra é uma esfera se movimentando em volta do sol, girando dentro de uma galáxia de bilhões de outros sistemas solares que está se afastando de bilhões de outras galáxias. Se Jesus tivesse “subido ao céu” no meio do século I, à velocidade da luz, ainda estaria dentro da nossa pequena galáxia!...

Mas a visão cósmica, adotada pelos escritores antigos, agora ultrapassada, nada tira do sentido profundo das escrituras. A Bíblia não é uma coleção de pesquisas da história, da geografia, da astronomia ou da física. Não retrata o mundo físico. Descreve a alma humana e seu relacionamento com seu mundo visível e invisível. Lida com realidades espirituais.

O autor do Apocalipse olhava com os olhos da fé, relatando o que enxergava. Conseguiu ver as tragédias do seu dia a dia no contexto maior.

O aparelho do Império Romano exigia dos cidadãos o reconhecimento que César era uma divindade, merecedor de culto. A recusa dos cristãos de confessá-lo como Senhor era interpretada como ato de rebeldia e ateísmo. O castigo era a morte.

A visão do Apocalipse declarou o inverso: “Jesus é Senhor”. César era o anticristo e os que o apoiavam eram profetas falsos. Era uma chamada para escolher entre dois senhores: César ou Cristo. Jesus, identificado como O Cordeiro, venceu a morte e tinha poder de devolver vida aos que foram martirizados em seu nome. Apesar das aparências ao contrário, todas as forças do universo estavam com O Cordeiro.

César foi engolido pela história. Sumiu! No decorrer da história apareceram muitos sucessores de César que reinaram por algum tempo, e depois, caíram. O sucessor de César, vivo e atuante hoje, chama-se “Lucro”. Seu estado é a “Globalização”, seus catedrais são os suntuosos “Shoppings”, seus profetas, as agências de publicidade, seus evangelistas, os garotos e garotas de propaganda!... A salvação consiste em “ter” prestígio e bens. Quem não dobrar seus joelhos ao materialismo corre o perigo de viver no inferno da marginalização. Quem busca o “deus Lucro” tem maior possibilidade de viver no paraíso de muitos bens de consumo. Chega acreditar que a riqueza é sinal da graça divina! Se tiver fé, prosperará!...

O Apocalipse aponta que acima de todos os poderes visíveis, existe o “Invisível” que é digno do nosso louvor. O paraíso verdadeiro consiste em estar ao lado do “Cordeiro” que representa valores não passageiros.

 

APOCALIPSE 5.11-14 – NOVA TRADUҪÃO NA LINGUAGEM DE HOJE 2000 (NTLH)

Olhei outra vez e ouvi muitos anjos, milhões e milhões deles! Estavam de pé em volta do trono, dos quatro seres vivos e dos líderes e cantavam com voz forte:

“O Cordeiro que foi morto

    é digno de receber poder,

riqueza, sabedoria e força,

    honra, glória e louvor.”

Então ouvi todas as criaturas que há no céu, na terra, debaixo da terra e no mar, isto é, todas as criaturas do Universo, que cantavam:

“Ao que está sentado no trono

    e ao Cordeiro

pertencem o louvor, a honra, a glória

    e o poder para todo o sempre!”

Os quatro seres respondiam: “Amém!” E os líderes caíram de joelhos e o adoraram.

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