domingo, 26 de março de 2017

O SABOR DO SAL

O sal é uma coisa útil;
mas, se perder o gosto,
como é que vocês poderão lhe dar gosto de novo?
Tenham sal em vocês mesmos
e vivam em paz uns com os outros.
Marcos 9.50 (leia 9.38-40,50) – NTLH

Os discípulos queriam proibir pessoas que não eram do seu grupo de agirem em nome de Jesus. Agiam como juízes, achando que a salvação estava somente com eles. Mais uma vez, Jesus lhes chamou a atenção. Fazer papel de juízes ou salvadores não era a sua missão. Deveriam ser tempero, sal.

Agir como juízes e salvadores cria problemas. Os nossos julgamentos são limitados e imperfeitos. Acabamos condenando erradamente o bem que nos parece o mal e abraçando o mal que se disfarça como retidão... Agir como salvadores é igualmente perigoso. Os que tentam abaixar o Céu para a Terra acabam administrando o Inferno que eles mesmos criam. O bem que fazemos pode produzir efeitos colaterais negativos, ofendendo os fracos. Nossos atos, mesmo motivados pelas melhores intenções, podem se tornar ofensa para outras pessoas, também, bem intencionadas.

Tradicionalmente, interpretamos “pecar” como hábitos nocivos da vida particular como: fumar, beber, xingar e ferir convenções sociais.

Mas, não foi isso que Jesus queria dizer. Ao usar a figura, sal, Jesus foi muito além de recomendar uma vida piedosa. A natureza do sal implica numa vida de participação positiva na sociedade! Sal é útil somente na medida em que penetra a massa e lhe transmite seu sabor. Agir como sal é fundamental para a vida de fé. O sal é inútil enquanto fica dentro do saleiro. A sua utilidade consiste em sair do saleiro e se perder na massa. Nunca mais volta ao saleiro.

Pecar é omitir viver uma vida de compaixão dentro da sociedade. Para nós, o “dar um copo de água” pouco significa. A água é abundante e jorra de qualquer torneira. Para Jesus, numa terra seca onde a água era uma preciosidade rara e de difícil acesso, água representava sacrifício e generosidade. Cada gota era preciosa. Lavar calçada, nem pensar!...

Vivemos num mundo que carece de “sal”. Jesus relacionou sal com paz. A falta de “sal” leva o mundo à violência. Viver como sal é viver a paz. Nossa missão é ser sal no mundo. O maior pecado seria tentar conservar a nossa identidade de “sal” ficando dentro do saleiro. A verdadeira identidade do sal é perder a sua identidade como algo separado do mundo e dar sabor à massa, sem aparecer.

O Cristão que procura preservar sua identidade cristã, se isolando do mundo, está pecando contra os fracos e necessitados. Igrejas que se esforçam para conservar sua identidade de católica, protestante, carismática ou conservadora, etc. estão se isolando de um mundo, já cheio de barreiras, onde há milhões de vítimas de violência de todos os tipos. Com a nossa presença como sal, muitos, que estão a caminho de se perder, poderiam ser fortalecidos para uma vida de esperança e fé. Como “sal”, poderemos realçar o sabor da massa e torná-la gostosa. Havendo sal, muitos podem viver a paz.

MARCOS 9.38-40,50 – NOVA TRADUҪÃO NA LINGUAGEM DE HOJE 2000 (NTLH)

João disse:

Mestre, vimos um homem que expulsa demônios pelo poder do nome do senhor, mas nós o proibimos de fazer isso porque ele não é do nosso grupo.

Jesus respondeu:

Não o proíbam, pois não há ninguém que faça milagres pelo poder do meu nome e logo depois seja capaz de falar mal de mim. Porque quem não é contra nós é por nós.
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O sal é uma coisa útil; mas, se perder o gosto, como é que vocês poderão lhe dar gosto de novo? Tenham sal em vocês mesmos e vivam em paz uns com os outros.



sexta-feira, 24 de março de 2017

ON BEING SALTY

Salt is good,
but if it loses its saltiness,
how can you make it salty again?
Have salt among yourselves,
and be at peace with each other.”
Mark 9:50 (read 9:38-40, 50) - NIV

The disciples wanted to prohibit people who were not of their group from acting in the name of Jesus. They appointed themselves as judges, believing that they were the exclusive instruments of God. Once again, Jesus had to call their attention. Their mission was to be neither judges nor saviors, but to act as salt and seasoning the world.

Acting as judges and saviors creates problems. Our judgments are limited and imperfect. We may wrongly condemn that which is good because it appears to be evil to us and embrace evil that masquerades as righteousness.

Acting as saviors is equally dangerous. Those who try to establish Heaven-on-Earth always end up administrating a self-created Hell-on-Earth. The good we do can have negative side effects and be harmful to others. Our actions, even when motivated by the best intentions, can be harmful to other people who are also well-intentioned.

Traditionally, we interpret "sin" as harmful habits of private life such as smoking, drinking, cursing and going against social conventions. Jesus went beyond the realm of only a pious personal life.

The nature of the salt implies a life of positive participation in society! Salt is useful only insofar as it penetrates the ingredients and transmits its flavor. Acting as salt is essential to the life of faith. Salt is useless while staying within the salt shaker. Its usefulness consists in leaving the salt shaker and getting lost in the ingredients. Also, it never returns to the salt shaker.

Real sin is to omit a compassionate life within the society of the world in which we live. Jesus also used the figure of giving a cup of water in his name. For us that means little. Water is abundant and gushes from any tap. But water in that arid land represented sacrifice and generosity, because water was a rare gem and difficult to access. Each drop was precious. Hosing down the sidewalk? Filling the bathtub? No way!!!

We live in a world that lacks "salt". Jesus related salt to peace. The lack of "salt" drives the world to violence. Living as salt is to live peace. Our mission is to be salt in the world. The greatest sin is to try to keep our identity as "salt" by staying inside the salt shaker. The true identity of the salt is to lose its identity as a separate entity from the world and to give flavor to it, without appearing.

The Christian who seeks to preserve her/his Christian identity by isolation from the world is sinning against the weak and needy. Churches who strive to preserve their identity such as Catholic, Protestant, charismatic, conservative, liberal, etc. are promoting divisions in a world already full of barriers, where there are millions of victims of violence of all kinds. With our presence as salt, many who are on a losing track could be strengthened to a life of hope and faith. As "salt", we can enhance the flavor of life and make it delicious. The presence of salt can make a difference.

MARK 9:38-40,50 – NEW INTERNATIONAL VERSION (NIV)

Teacher,” said John, “we saw someone driving out demons in your name and we told him to stop, because he was not one of us.”

Do not stop him,” Jesus said. “For no one who does a miracle in my name can in the next moment say anything bad about me, for whoever is not against us is for us. Truly I tell you, anyone who gives you a cup of water in my name because you belong to the Messiah will certainly not lose their reward.

Salt is good, but if it loses its saltiness, how can you make it salty again? Have salt among yourselves, and be at peace with each other.”




domingo, 19 de março de 2017

O PODER E AS CRIANÇAS

Se alguém quer ser o primeiro,
deve ficar em último lugar e servir a todos.
Aí segurou uma criança e a pôs no meio deles.
E, abraçando-a, disse aos discípulos:
Aquele que, por ser meu seguidor,
receber em meu nome uma criança como esta
estará também me recebendo.
Marcos 9.35b-37a (leia 9.33-37) – NTLH

Os discípulos eram tão problemáticos para Jesus quanto os seus inimigos. Seguir Jesus não era garantia de perfeição ou sabedoria. Os seguidores atrapalhavam e atropelavam, e, na hora do maior perigo, abandonaram-no. Com a crucificação de Jesus, muitos voltaram ao seu caminho antigo. Eram instáveis e egoístas. Cada um procurava domínio sobre os outros, querendo chegar ao topo e ficar no primeiro lugar.

Com o Pentecostes e a formação das igrejas, a situação não mudou. Os velhos problemas: egoísmo, fingimento e atritos entre irmãos reapareceram. Os problemas internos eram tão ameaçadores quanto as perseguições externas. As Epístolas foram escritas em torno de conflitos dentro das comunidades cristãs, escritas para apagar os incêndios da própria casa da fé.

Muitas vezes, no decorrer da história do cristianismo, a teologia da cruz se transformava na prática da violência, o ideal da humildade em arrogância, o propósito de serviço em manipulação. As igrejas, como instituições, têm muita dificuldade em ter a prática coerente com o discurso. O indivíduo é sacrificado para promover a estrutura. As igrejas confundem coletividade com instituição. Ao se promoverem, acham que estão beneficiando a humanidade. As instituições eclesiásticas, como as seculares, muitas vezes se tornam “arenas de competição” em que uns sobem a custa dos outros!...

Jesus enfrentou uma briga pelo poder entre seus discípulos. Ainda não havia uma estrutura formal, mas já estavam lutando pela “pole position da largada”.

Jesus chamou atenção às crianças. Elas representavam o “sem poder”, sem autoridade, zero à esquerda, na estrutura social. Os maiores no Reino são os “sem poder”. O poder de Jesus não era institucional. Nunca ocupou cargo que lhe dava autoridade sobre os outros. O seu poder era moral.

Receber crianças é se identificar com elas. Quem ama crianças não tem ambições de grandeza e de poder. O amor de mãe é amor que se doa, nutre e se sacrifica para o bem do amado.

Nossa “civilização” ignora as crianças. Elas são, ou inconvenientes ou vistas como objetos de exploração. Na África, são raptadas e treinadas para pegar em armas e guerrear a favor dos poderosos. Em nossas cidades os traficantes usam-nas para enriquecimento. Alguns pais as colocam nas esquinas para pedir esmolas. São usadas como mão de obra barata para a produção de artigos de baixo custo na concorrência econômica. São as maiores vítimas de subnutrição e de violência doméstica e social.

É agradável receber os poderosos na política e na economia. É vantajoso identificar-se com aqueles que possuem posições de destaque e são bem sucedidos. Queremos ser reconhecidos pelo alto nível das nossas amizades.

Receber criança é identificar-se com aqueles que não são valorizados pela sociedade, podendo ser vistos como inúteis e inconvenientes, idosos ou outras categorias marginalizadas pelo preconceito e descaso. São aqueles que necessitam da solidariedade para sobreviver! Jesus era sem teto, sem terra, sem emprego e sem dinheiro. Vivia à margem da estrutura social. Quem recebe um destes, recebe Jesus.

MARCOS 9.33-37 – NOVA TRADUҪÃO NA LINGUAGEM DE HOJE 2000 (NTLH)

Jesus e os discípulos chegaram à cidade de Cafarnaum. Quando já estavam em casa, Jesus perguntou aos doze discípulos:

O que é que vocês estavam discutindo no caminho?

Mas eles ficaram calados porque no caminho tinham discutido sobre qual deles era o mais importante.

Jesus sentou-se, chamou os doze e lhes disse:

Se alguém quer ser o primeiro, deve ficar em último lugar e servir a todos.

Aí segurou uma criança e a pôs no meio deles. E, abraçando-a, disse aos discípulos:

Aquele que, por ser meu seguidor, receber uma criança como esta estará também me recebendo. E quem me receber não recebe somente a mim, mas também aquele que me enviou.



sexta-feira, 17 de março de 2017

THE POWERFUL AND THE CHILDREN

Anyone who wants to be first must be the very last,
and the servant of all…
Taking the child in his arms, he said to them,
“Whoever welcomes one of these little children
in my name welcomes me…”
Mark 9:35b-37a (read 9:33-37) - NIV

The disciples were as problematic to Jesus as were his critics and enemies. Following Jesus was no guarantee of perfection or wisdom. The followers fumbled and stumbled, and at the hour of greatest danger, abandoned him. With the crucifixion of Jesus, many returned to their former way of life. They were unstable and selfish. Each sought dominion over the others, wanting to reach the top and be “me first”.

With Pentecost and the formation of the churches, the situation did not change. The old problems: selfishness, deception and friction between the brethren reappeared. The internal problems were as threatening as the external persecutions. The Epistles were written because of the conflicts within Christian communities in order to extinguish fires in their own households of faith.

Often, in the course of Christian history, the theology of taking up the cross morphed into the practice of violence. The ideal of humility gave place to arrogance, and service to others became manipulation of others. The church as an institution has much difficulty in being consistent in matching theory with practice. The individual is often sacrificed to promote the structure. Churches confuse institution with community. In promoting themselves they think they are benefiting mankind. Ecclesiastical institutions follow the same pattern as secular ones in that they, too, often become competitive arenas in which some rise to the top at the expense of others.

Jesus faced a fuss over power among his disciples. There was still no formal church structure, but they were already fighting for the "pole position” at the starting line.

Jesus called their attention to children. Children represented the "powerless" without authority and those who had no standing in the social structure. The greatest persons in the Kingdom are the "powerless". The power of Jesus was not institutional. He never held office which gave him authority over others. His power was moral.

To receive children in a motherly fashion is to identify with them. Those who really love children have no ambitions of grandeur and power. Mother love is love that gives, nurtures and sacrifices itself for the good of the beloved.

Our "civilization" ignores children. They are the biggest victims of malnutrition and all kinds of violence. More attention is given to prevent abortion than to caring for those who are already born. War, with the hypocritical justification of security, has priority over the welfare of the growing number of impoverished people in the USA of which children are a large part. In Africa they are abducted and trained to take up arms and fight in favor of the powerful. In many cities traffickers use them for enrichment. Some parents put them to beg on street corners. Many are used as cheap labor for the production of low cost articles on economic competition.

It is easy to identify with the powerful and favor them. It is advantageous to give value to those who hold prominent positions and are successful. We want to circulate with the elite.

Receiving children is to identify with those who are not valued by society and can be seen as useless and inconvenient. Along with them are the elderly poor, the immigrants, the minorities and other groups marginalized by prejudice and neglect. Those are the people that need solidarity in order to survive! Jesus was homeless, landless, jobless and penniless. He lived on the margins of social structure. Whoever receives one of these, receives Jesus.

We can receive Jesus only as we receive those of the disadvantaged with whom he identified. All else is illusion and self-deception.

MARK 9:33-37 – NEW INTERNATIONAL VERSION (NIV)

They came to Capernaum. When he was in the house, he asked them, “What were you arguing about on the road?” But they kept quiet because on the way they had argued about who was the greatest.

Sitting down, Jesus called the Twelve and said, “Anyone who wants to be first must be the very last, and the servant of all.”

He took a little child whom he placed among them. Taking the child in his arms, he said to them, “Whoever welcomes one of these little children in my name welcomes me; and whoever welcomes me does not welcome me but the one who sent me.”




domingo, 12 de março de 2017

O EVANGELHO DISCRETO

Jesus ordenou a todos
que não contassem para ninguém
o que tinha acontecido;
porém, quanto mais ele ordenava,
mais eles falavam do que havia acontecido.
Marcos 7.36 (leia 7.31-37) – NTLH

Jesus nunca fez o que os outros esperavam dele. As pessoas que trouxeram o surdo mudo para ser curado tentaram dizer para Jesus como ele devia curá-lo, pela imposição das mãos. Eles estavam esperando Jesus fazer uma coisa espetacular diante da multidão. Mas, Jesus agiu do jeito dele e não pela expectativa dos outros. Saiu do meio da multidão com o enfermo e lidou com ele de acordo com as suas necessidades, numa maneira inédita.

Não é possível colocar Jesus dentro de um padrão. Ele supera qualquer estrutura e vai além de qualquer expectativa. Dogmas e definições teológicas tentam reduzir Jesus a dimensão da compreensão humana. Ele supera os limites do cristianismo e age fora dos limites que as igrejas tentam estabelecer.

Jesus respeitava a dignidade humana. Não deixou o surdo mudo se tornar objeto de curiosidade e espetáculo público. Tirou-o do meio da multidão e o atendeu num lugar discreto. O respeito e a discrição sempre foram marcas de Jesus. Não procurava publicidade. Seus contatos eram diretos, pessoa a pessoa. Muitas igrejas estão infectadas pelo espírito comercialista e adotam a filosofia que “a propaganda é a alma do negócio”. Procuram fazer “milagres” em concentrações públicas e, até filmar exorcismo, destruindo a dignidade humana para “vender” seu pacote de espiritualidade. Pelo contrário, Jesus pediu para não contar para ninguém. A própria cura transmitia a mensagem.

Para Jesus, “anunciar as boas novas” não era fazer uma campanha de publicidade. Era viver a solidariedade, sem pretensões de grandeza e sem chamar atenção para si mesmo. Era agir como sal e como fermento, invisível, dentro da massa. Se a nossa vida e os nossos feitos não falam por si, a nossa publicidade é enganosa. A publicidade secular e religiosa é sempre enganosa, contando vantagens e escondendo o negativo. A fama de Jesus cresceu pelo testemunho espontâneo dos beneficiados. Jesus nunca se promoveu.

Cristianismo hoje emprega “mecanismos de promoção”. Projeta uma imagem positiva através de construções suntuosas, publicações vistosas que relatam seus feitos e divulgam suas atividades. Raramente suas obras falam por si. Sabemos dos projetos pela propaganda mais do que pelo testemunho espontâneo de boca a boca dos beneficiados.

Vamos imaginar um cenário: as igrejas decretadas fora de lei, templos religiosos demolidos ou transformados em museus e teatros, todas as publicações religiosas banidas, todos os meios de comunicação social secularizados e concentrações de cunho religioso proibidas. Qual seria a nossa forma de viver e compartilhar a nossa fé? Seria a redescoberta da convivência solidária e o valor do relacionamento compassível. Descobriremos que as coisas banidas são secundárias e que podemos viver a fé sem elas. Seriamos forçados a evangelizar pela qualidade de vida e deixar que seus frutos falassem por si. Voltaríamos a ministrar como Jesus ministrou e “anunciar as boas novas” pelos atos concretos de amor.

MARCOS 7.31-37 – NOVA TRADUҪÃO NA LINGUAGEM DE HOJE 2000 (NTLH)

Jesus saiu da região que fica perto da cidade de Tiro, passou por Sidom e pela região das Dez Cidades e chegou ao lago da Galileia. Algumas pessoas trouxeram um homem que era surdo e quase não podia falar e pediram a Jesus que pusesse a mão sobre ele. Jesus o tirou do meio da multidão e pôs os dedos nos ouvidos dele. Em seguida cuspiu e colocou um pouco da saliva na língua do homem. Depois olhou para o céu, deu um suspiro profundo e disse ao homem:

— “Efatá!” (Isto quer dizer: “Abra-se!”)

E naquele momento os ouvidos do homem se abriram, a sua língua se soltou, e ele começou a falar sem dificuldade. Jesus ordenou a todos que não contassem para ninguém o que tinha acontecido; porém, quanto mais ele ordenava, mais eles falavam do que havia acontecido. E todas as pessoas que o ouviam ficavam muito admiradas e diziam:

Tudo o que faz ele faz bem; ele até mesmo faz com que os surdos ouçam e os mudos falem!


sexta-feira, 10 de março de 2017

FAITH WITHOUT FANFARE

Jesus commanded them not to tell anyone.
But the more he did so,
the more they kept talking about it.
Mark 7:36 (read 7:31-37) – NIV

Jesus never did what others expected of him. Those who brought the deaf mute to be healed tried to tell Jesus how to do the cure, by the laying on of hands. They were expecting Jesus to do something spectacular in front of the crowd. But Jesus did it his own way and not according to popular expectations. He left the crowd and went away with the man and dealt with him in an unprecedented way according to his needs.

They couldn’t mold Jesus into their pattern. He went beyond established structures and frustrated expectations. Today we still use dogmas and theological definitions to try to reduce Jesus to the size of human understanding. In reality he goes way beyond the boundaries of Christianity as churches try to define them.

Jesus respected human dignity. He did not let the deaf mute become an object of curiosity and public spectacle. He took him out of the crowd and dealt with him in a discreet place. Respect and discretion were always the marks of Jesus. He did not seek publicity. His contacts were direct, person to person. Many churches are infected with a commercialist spirit and adopt the philosophy that advertising is the soul of business. They seek to play up the marvelous things by making them publicly known through mega-churches and movements and by selling packaged spirituality. In contrast, Jesus asked not to tell anyone. The healing itself conveyed the message.

For Jesus, "announcing the good news" was not to promote an advertising campaign. It was to live in solidarity, without pretensions of grandeur and without calling attention to oneself. It was to act unseen like salt and yeast, within the dough. If our lives and our deeds do not speak for themselves our advertising is misleading. Advertising, both secular and religious, is always misleading, because it exalts benefits while hiding the negative. The fame of Jesus grew by spontaneous testimony by those who were benefited. Jesus was never a promoter.

Christianity today employs "promotion mechanisms”. It projects a positive image through sumptuous buildings and showy publications that report their deeds and disclose their activities. Rarely do its works speak for themselves. We know of the projects by propaganda rather than by spontaneous testimony from the mouths of the benefited.

Let's imagine this scenario: all churches outlawed with all religious temples demolished or turned into museums and theaters, all religious publications banned, all media secularized and all concentrations of a religious nature prohibited. How would we live and share our faith?

It would help us rediscover the value of fraternal coexistence and compassionate relationships. We would find that the banned things are secondary and that we could live our faith without them. We would be forced to let our quality of life and its fruit speak for themselves. We would go back to basics and minister as Jesus ministered and "proclaim the good news" through concrete acts of love. That is what it means to live the Kingdom.

Thy Kingdom come…….!

MARK 7:31-37 – NEW INTERNATIONAL VERSION (NIV)

Then Jesus left the vicinity of Tyre and went through Sidon, down to the Sea of Galilee and into the region of the Decapolis. There some people brought to him a man who was deaf and could hardly talk, and they begged Jesus to place his hand on him.

After he took him aside, away from the crowd, Jesus put his fingers into the man’s ears. Then he spit and touched the man’s tongue. He looked up to heaven and with a deep sigh said to him, “Ephphatha!” (which means “Be opened!”). At this, the man’s ears were opened, his tongue was loosened and he began to speak plainly.


Jesus commanded them not to tell anyone. But the more he did so, the more they kept talking about it. People were overwhelmed with amazement. “He has done everything well,” they said. “He even makes the deaf hear and the mute speak.”

domingo, 5 de março de 2017

O DESPREZO DO COMUM

De onde é que este homem consegue tudo isso?
De onde vem a sabedoria dele?
Como é que faz esses milagres?
Por acaso ele não é o carpinteiro,
filho de Maria?
Marcos 6.2b-3a (leia 6.1-13) – NTLH

Familiaridade gera desprezo. Jesus era comum demais para merecer respeito. O povo da aldeia de Nazaré desprezou a sabedoria e as palavras de Jesus porque ele era conhecido como simples carpinteiro, filho de Maria, mãe de numerosos filhos e filhas. Rejeitaram-no como profeta e se fecharam contra a verdade que ele representava. A falta de fé do povo limitava a atuação de Jesus no seu meio. Eles esperavam algo mais exótico e impressionante...

A graça divina estava operando fora das estruturas do poder religioso, político e econômico. Jesus era “povão”, agindo nas bases da sociedade. Igual a Jesus, os cristãos dos primeiros quatro séculos eram pessoas sem projeção social e econômica. Eram considerados criminosos, ateus, subversivos e não dignos de respeito. Foi justamente nestas classes desprezadas pela elite que a fé tinha seu poder transformador.

Em nossa cultura, os cristãos estão “por cima”, em posições de poder e prestígio. Será que perdemos de vista a consciência da presença divina e o potencial da fé para fazer transformações pelos humildes, marginalizados e desprezados deste mundo?

O ser humano gosta do espetacular! Temos dificuldade de valorizar o comum. Usamos a palavra “banal” numa maneira derrogatória para expressar a nossa escala de valores. O dicionário Aurélio define o banal como “vulgar, trivial, corrente e corriqueiro”. Banalizamos o comum.

Esperamos a “salvação”, vinda de cima para baixo como intervenção de força superior. Esquecemos que a solução de muitos dos nossos problemas vem da mesma fonte do problema... Bom seria se existisse uma grande vassoura para varrer o nosso mundo e deixar tudo justo e perfeito...

Os “gigantes” e “monstros” que afligem a nossa vida e o mundo em que vivemos não serão vencidos por gigantes ainda maiores e outros monstros mais fortes. A solução está nas coisas pequenas e aparentemente insignificantes.

O materialismo, que domina a nossa cultura, exalta a grandeza superficial. As coisas são julgadas pela aparência. Sucesso e fracasso são determinados pelo IBOPE. “Vender” uma boa imagem é o segredo do sucesso. Assim os “melhores” vencem os mais fracos. As igrejas entram no jogo de usar os meios de comunicação social para criar imagens de grandeza e chamar a atenção do público para si mesma. Mas a fé verdadeira age silenciosamente e discretamente como fazem o sal e o fermento...

Não sabemos valorizar os momentos e eventos comuns da nossa vida diária. Ficamos cegos para o sagrado em cada passo, cada ato, cada encontro e cada respiração. O milagre verdadeiro está na simplicidade e no comum. O maior dos milagres é estarmos vivos. A rotina diária é tão milagrosa quanto um acontecimento inexplicável. A grandeza de Jesus estava na sua simplicidade e humildade.

A falta de fé do povo da aldeia de Nazaré na pessoa tão comum como Jesus criou barreira para a atuação divina. A fé nos ajuda a enxergar a ação divina nas coisas simples de cada dia e a participarmos com atos concretos na construção de um mundo melhor.

MARCOS 6:1-13 – NOVA TRADUÇÃO NA LINGUAGEM DE HOJE 2000 (NTLH)

Jesus voltou com os seus discípulos para a cidade de Nazaré, onde ele tinha morado. No sábado começou a ensinar na sinagoga. Muitos que o estavam escutando ficaram admirados e perguntaram:

— De onde é que este homem consegue tudo isso? De onde vem a sabedoria dele? Como é que faz esses milagres? Por acaso ele não é o carpinteiro, filho de Maria? Não é irmão de Tiago, José, Judas e Simão? As suas irmãs não moram aqui?

Por isso ficaram desiludidos com ele. Mas Jesus disse:

— Um profeta é respeitado em toda parte, menos na sua terra, entre os seus parentes e na sua própria casa.

Ele não pôde fazer milagres em Nazaré, a não ser curar alguns doentes, pondo as mãos sobre eles. E ficou admirado com a falta de fé que havia ali.

Jesus ensinava nos povoados que havia perto dali. Ele chamou os doze discípulos e os enviou dois a dois, dando-lhes autoridade para expulsar espíritos maus. Deu ordem para não levarem nada na viagem, somente uma bengala para se apoiar. Não deviam levar comida, nem sacola, nem dinheiro. Deviam calçar sandálias e não levar nem uma túnica a mais. Disse ainda:

— Quando vocês entrarem numa cidade, fiquem hospedados na casa em que forem recebidos até saírem daquela cidade. Mas, se em algum lugar as pessoas não quiserem recebê-los, nem ouvi-los, vão embora. E na saída sacudam o pó das suas sandálias, como sinal de protesto contra aquela gente.

Então os discípulos foram e anunciaram que todos deviam se arrepender dos seus pecados. Eles expulsavam muitos demônios e curavam muitos doentes, pondo azeite na cabeça deles.