domingo, 26 de fevereiro de 2012

ESPERTEZA SANTA


Quem é fiel nas coisas pequenas
também será nas grandes;
e quem é desonesto nas coisas pequenas
também será nas grandes.

Lucas 16.10 (leia 16.1-13) – BLH

Para entender esta parábola é necessário conhecermos o sistema financeiro daquela época. Os administradores não tinham salários fixos, mas eram compensados por comissões que eles mesmos fixavam e cobravam. Quanto mais movimento, mais lucro! Uma parte do saldo devedor de cada conta pertencia ao patrão e a outra, ao quem administrasse. O administrador da parábola foi acusado de “impropriedade” e correu risco de ser demitido. Sua estratégia de não passar fome era fazer amizades com os devedores. Chamou cada um e perdoou a comissão dele do saldo devedor. O patrão ficou contente em receber a parte dele e apreciou a astúcia do administrador. O patrão não achou ruim porque não foi lesado. O administrador ganhou novos amigos e a apreciação do patrão. Ele fez as pazes com os dois lados!

Não houve desonestidade. Jesus louvou o bom senso do administrador. Nesta parábola todos lucraram!... O patrão recebeu o que era dele. Os devedores foram perdoados da taxa de juros. O administrador conquistou amigos que poderiam ser solidários em caso de necessidade.

A esperteza santa não é nada mais do que uma boa dose de bom senso. O administrador foi astuto em abrir mão da sua comissão, pensando no seu bem estar a longo prazo. Melhor ganhar amigos do que tentar ganhar a comissão! Usou o que era dele por direito para conquistar a boa vontade dos devedores.

Colocar dinheiro como meta principal é ser desonesto com as riquezas deste mundo. As riquezas materiais não são nossas e devem ser administradas para o bem comum. Ganância é desonestidade. As verdadeiras riquezas são as pessoas que conseguimos beneficiar, usando os recursos que temos em mãos.

A esperteza santa é abrir mão das vantagens imediatas e investir no bem estar comum. Ao sermos solidários aos outros, estamos, também, investindo em nós mesmos. Ao sermos escravos do dinheiro nós nos tornamos inimigos da humanidade. A esperteza é um mal quando usado para levar vantagem às custas dos outros. Os corruptos políticos e os empresários exploradores são inimigos do povo como também os golpistas e assaltantes. Servir dinheiro em qualquer nível é desprezar o próximo.

A religião entra no mesmo jogo quando apela para as “vantagens” de ser crente. Visar somente a salvação pessoal e trabalhar para acumular “méritos” espirituais é outra forma de ganância. Ser fiel nas pequenas coisas é abrir mão de direitos e agir para o bem dos outros. Servir os outros é servir a Deus. Nisto consiste a “esperteza santa”.

domingo, 19 de fevereiro de 2012

A IRONIA DAS 99 E DAS 9


Haverá mais alegria no céu por um pecador
que se arrepende dos seus pecados
do que por noventa e nove pessoas boas
que não precisam se arrepender.

Lucas 15.7 (leia 15.1-10) – BLH

Jesus tinha pouco interesse nas pessoas que professavam ser religiosas e piedosas. Ficar com elas era perda de tempo. Era inútil lidar com pessoas convencidas de serem as escolhidas de Deus e que se separavam dos demais por considerá-los pecadores. Os “outros pecadores” tinham mais possibilidade de serem salvos do que “as noventa e nove pessoas boas que não precisam se arrepender” (ironia). Quem se julgava “salvo” estava mais perdido do que os pecadores assumidos!...

Nesta parábola, a ovelha perdida e a moeda perdida eram as pessoas que os fariseus consideravam “pecadores”. Jesus usou ironia em identificar as noventa e nove ovelhas e as nove moedas com os fariseus hipócritas que se achavam já salvos. Quando o pastor, cheio de alegria, voltou para casa com a ovelha perdida nos ombros ele chamou os amigos e vizinhos para a celebração. As noventa e nove ovelhas eram incapazes de celebrar o retorno da ovelha perdida. A dona das moedas fez festa com as amigas e vizinhas pelo mesmo motivo.

Ironicamente a nossa tendência é nos identificarmos com as noventa e nove ovelhas e as nove moedas. Ao nos identificarmos com elas, inconscientemente somos iguais aos fariseus, ficando na segurança do curral ou do cofre, nos alegrando com a nossa “salvação”.

Os heróis da parábola são o pastor e a mulher, não as noventa e nove ovelhas e nove moedas. Nosso lugar não é o aprisco ou caixa forte. É estarmos juntos, misturando com os pecadores, sendo iguais ao sal e fermento. O sal, enquanto no saleiro, é inútil. O pastor da história estava junto com a ovelha perdida, não com as que estavam no curral.

Onde estaria Jesus hoje se voltasse na carne? Duvido que ele estaria perdendo seu tempo batendo palmas nos “louvorzões” nas casas de culto ou promovendo grandes concentrações de crentes para fazer “oba oba”. Ele estaria junto com aqueles dos quais os “bons” se separam. Jesus não seria encontrado nos templos. Estaria próximo aos favelados, famintos, doentes, sem terra, sem teto, sem família, desempregados, explorados e manipulados.

A parábola é um julgamento contra qualquer tipo de elitismo espiritual e social. Jesus introduziu uma nova espiritualidade que até hoje não é compreendida. A espiritualidade de Jesus nos desafia a repensar as nossas prioridades e valores. A igreja de Jesus não tem paredes que a separa da massa da humanidade. A sua identidade não consiste em ser “diferente” ou “melhor” dos outros, mas em ser solidária, transmissora de esperança. Ela vai ao encontro dos necessitados, participando das suas lutas. Não se protege dentro de “apriscos” ou “cofres”.

domingo, 12 de fevereiro de 2012

SEGUIR JESUS HOJE


Quem quiser me acompanhar não pode ser meu seguidor
se não me amar mais do que ama
o seu pai,
a sua mãe,
a sua esposa,
os seus filhos,
os seus irmãos,
as suas irmãs
e até a si mesmo.

Lucas 14.26 (leia 14.25-33) – BLH

Duras são estas palavras de Jesus!!!! Parece que Ele está contra laços familiais fortes e que seguí-Lo significa repudiar o lar. Mas, antes de tentar entender estes dizeres, devemos, primeiro, definir o que é “seguir Jesus”.

No conceito popular dos cristãos (católicos e protestantes), seguir Jesus é aceitar os dogmas da igreja, ser batizado em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo e ser fiel aos ensinamentos aprovados por ela. Seguir Jesus é agir dentro das doutrinas e normais que as igrejas estabelecem.

Quando Jesus falou estas palavras ainda não existia “esta igreja”, com corpo de doutrinas, práticas e leis de conduta, que conhecemos hoje. Seguir Jesus hoje é algo muito mais profundo do que a aceitação incondicional de um sistema de crenças sobre a pessoa de Jesus e normas de comportamento determinado pelo cristianismo. Na linha da história do mundo cristão, “fieis” chegaram a perseguições, torturas, guerras, discriminações, escravidões, atentados, assassinatos e outras violências como “formas” de seguir Jesus. Os praticantes destes atos se julgavam pessoas piedosas e seus seguidores. A liderança dos Estados Unidos promove o imperialismo com o raciocino de levar os princípios democráticos cristãos ao mundo no combate ao mal.

Seguir Jesus independe de laços formais ou informais com o que chamamos de “igreja”. Ser seguidor de Jesus significa adotarmos um estilo de vida compatível com o seu espírito, fundamentado em amor, cujo fruto é compaixão e misericórdia! Amar Jesus mais do que pai, mãe, cônjuge, filhos, irmãos ou a si mesmo, significa ter amor não possuidor, não egoísta. É amá-los como eles são, sem impormos a nossa vontade. É não fazermos o papel de Deus e agirmos como se fossemos “seu dono”. Ninguém é dono de ninguém. Amar como Jesus amou é abrirmos mão de privilégios e reconhecermos que tudo ao nosso redor é dádiva e não nos pertence.

Jesus disse que devemos calcular quanto vai custar o discipulado. Praticando o amor de Jesus pode nos levar ao confronto com os valores sociais, institucionais e interesses econômicos. Pode nos fazer objeto de discriminação e perseguição, nos custando a vida física. Isto aconteceu com Jesus e pode acontecer com seus seguidores.

Não somos donos da criação. Nada nos pertence. Fomos criados para pertencer ao Reino e não o contrário. Não temos nenhum controle sobre ele e nem o direito de julgarmos as outras criaturas de Deus! Nossa única meta é tentar amar como Jesus amou.

domingo, 5 de fevereiro de 2012

COISAS BOAS


Vocês, mesmo sendo maus, sabem dar coisas boas aos seus filhos.
Quanto mais o Pai, que está no céu,
dará o Espírito Santo aos que lhe pedirem!

Lucas 11.13 (leia 11.1-13) – BLH

Quem usa esta passagem como apoio ao conceito que Deus quer a prosperidade para seu povo, destorce as palavras de Jesus. Jesus não era adepto da teologia da prosperidade. Nunca prometeu “mundos e fundos” para seus seguidores. Ao contrário, seu caminho era da simplicidade, não da suntuosidade...

A oração Pai Nosso nada pede além do “pão de cada dia”. Na parábola que seguiu a oração, a pessoa que bateu na porta do vizinho a meia noite estava pedindo pão para servir para outra que acabara de chegar de viagem. As promessas no fim da história devem ser interpretadas à luz da oração Pai Nosso e da parábola do amigo inoportuno.

As coisas boas não negadas são as essenciais para a vida diária e os meios para ajudar os outros. O acúmulo de bens se torna veneno, não bênção! As coisas boas não são bens que se estragam ou podem ser roubadas. São qualidades que ninguém pode tirar de nós. Ao morrermos, deixaremos os bens materiais para trás, mas as qualidades são nossas para sempre.

O Espírito Santo representa as coisas boas: o amor ao próximo, a solidariedade com a humanidade e cuidados por toda a criação.

Não precisamos ser ricos de bens materiais e ocupar lugares de prestígio na sociedade para termos amor para com os outros, sermos solidários com os que sofrem e zelarmos pelo meio ambiente. Estas “coisas boas” são disponíveis a todos que as desejam e buscam. É só querer e procurar.

Quando pedimos coisas só para nosso bem estar, estamos, na realidade, pedindo “cobras” e “escorpiões” para nos morder e envenenar. A prosperidade pode ser sinal da desgraça, não da graça. Pode ser o fruto do materialismo e ganância. A tendência da riqueza material é a separação das pessoas, não a sua aproximação. O rico precisa levantar barreiras para proteger o fruto das suas conquistas. Precisa afastar o perigo para não perdê-lo para os outros.

Jesus estava livre para circular no meio da multidão sem perigo de ser roubado do seu tesouro mais precioso. As suas riquezas estavam fora do alcance dos ladrões. Elas pode-riam ser livremente compartilhadas com os outros, sem ele sofrer prejuízo. Amor a Deus, ao próximo e à criação são as coisas boas que podemos pedir ao Pai sem serem negadas. Pela graça, Deus recusa nos dar as “cobras” e “escorpiões” venenosos do materialismo. Deus deseja para nós as riquezas verdadeiras. A finalidade da oração é abrirmos as portas do nosso coração para recebermos as coisas boas da vida. Quanto mais estas coisas são compartilhadas, quanto mais são multiplicadas e. seremos verdadeiramente ricos.

domingo, 29 de janeiro de 2012

COMEÇANDO POR BAIXO


Quem se engrandece será humilhado,
mas quem se humilha será engrandecido.

Lucas 14.11 (leia 14.7-14) – BLH

Ser promovido é melhor do que se promover. O sonho de muitos é ter fama, não importa como. Ser reconhecido é muito agradável. Na cultura consumista o apelo é ser reconhecido pela grife das roupas que a pessoa usa. Chique é usar tal marca, disto ou daquilo!... Nos meios mais alienados a pichação é um meio de ganhar reconhecimento entre amigos. Cada pichador tem sua “assinatura” para identificar sua “arte”. Quem tem mais fama é aquele que consegue colocar a sua marca no lugar de acesso mais difícil. Arriscam a vida para ganhar este momento de glória. O programa Big Brother Brasil capitaliza este desejo no recrutamento de jovens dispostos a se submeterem a um período de futilidade para ganhar seu momento de fama e “uma boa grana”. A futilidade de status está presente em todas as camadas da sociedade.

As instituições religiosas e filantrópicas são altruístas por natureza, com finalidade de serviço à humanidade. Seus estatutos promovem a ética elevada e o bem social. Muitas vezes a natureza humana coloca em cheque este ideal. Uma das ironias em relação a elas é que estas mesmas instituições se tornam campos férteis para a autopromoção. Pessoas neuróticas têm a oportunidade de se impor e estabelecer uma estrutura patológica de poder e manipulação. Muitas igrejas (especialmente evangélicas) têm seus “donos” e movimentos de suas “estrelas”. Dominam e não cedem sua posição de autoridade ou ascendência para os outros. Os cargos hierárquicos são disputados criando conflitos e rivalidades, não pelo anseio de servir, mas pelo desejo de mandar. Não foram poucas as vezes que eu como pastor, tive que administrar “estas jogadas” em igrejas locais e observar as lutas pelo poder em concílios regionais.

Jesus observava este jogo na ocasião da chegada dos convidados ao banquete. Cada qual procurava ocupar os lugares de honra. Jesus chamou a atenção para o que estava acontecendo. Ele questionou a autopromoção, especialmente quando feita sem visar o bem estar geral. A verdadeira promoção é dada pelos outros em reconhecimento de méritos. O desejo e o esforço de contribuir para que o mundo melhore é bem diferente do que a luta para apenas “subir na vida”.

Graças à inversão dos valores de Jesus no mundo atual, os ricos se enriquecem cada vez mais e os pobres ficam cada vez mais miseráveis. Há recursos suficientes para todos, mas a natureza humana visa o futuro a curto prazo e em termos individualistas. Procurarmos os primeiros lugares e fazermos somente o que dá retorno está tendo um alto preço!

domingo, 22 de janeiro de 2012

A GRANDE GALINHA


Quantas vezes eu quis abraçar todo o seu povo,
assim como a galinha ajunta os seus pintinhos
debaixo das suas asas,
mas vocês não quiseram!

Lucas 13.34b (leia 13.31-35) – BLH

Jesus se comparou a uma galinha. A galinha tem instinto materno: bota ovos, choca-os, protege os pintinhos do frio, dos perigos e ajuda-os a achar comida. Eles precisam da mãe enquanto não desenvolvem suas próprias penas. Sabem se identificar com a mãe.

O povo de Jerusalém não tinha inteligência nem de um pintinho... Muitos ignoravam a “mãe” que poderia ter lhes dado vida e condições de enfrentar as dificuldades. Alguns até se rebelavam contra ela, matando-a, destinando-se a autodestruição!... Mas o instinto materno de Jesus era tão forte que insistiu em chamá-los até o fim.

O que aconteceu em Jerusalém há quase dois milênios repetiu-se constantemente na história humana e continua hoje em escala ainda maior. Muitos agem contra a fonte da vida, caminhando para a autodestruição. Ainda pior, levam outros juntos.

Podemos aprender das tribos primitivas, não contaminadas pela “civilização”. Os primitivos consideravam todas as criaturas como uma irmandade, cada espécie com poderes e características próprias. Buscavam imitá-las e apropriar-se de suas qualidades. Matavam apenas para obter comida. A própria terra era tratada respeitosamente como mãe, fonte da vida! Eram conscientes da sua fragilidade diante da natureza e da sua interdependência com a criação. O seu bem estar dependia da integração, não do domínio.

O ser humano é a única espécie dos animais que pensa que não é animal!... Engana-se. Seu DNA difere pouco com o do porco! Acha o homem que esta pouca diferença lhe dá o direito de agir como se fosse um deus, manipulando tudo e todos a seu redor para promover os seus próprios interesses. Com esta atitude, o ser humano está criando um “mundo de fantasia”, destruindo a natureza e esgotando os recursos do globo, sem pensar nas conseqüências a longo prazo. Com a globalização, a humanidade está matando a “Galinha” que lhe dá vida, sustento e proteção. O mundo está se tornando uma grande Jerusalém, matando os profetas e caminhando para a destruição.

Jesus não tratou só da salvação (saúde) da alma. O sinal do seu Reino era corpos curados e libertados!... Jesus não estava interessado em salvar somente a alma de Jerusalém, mas toda a sua integridade. A espiritualidade de um cristianismo sadio deve abraçar o mundo e incluir tudo o que tem algo a ver com o bem estar geral. A Jerusalém de hoje é global e está em perigo de extinção.

Somos representantes da “Grande Galinha” que chama a humanidade para se abrigar debaixo de suas asas.

“Ajuntar-se debaixo das asas da galinha” simboliza a aceitação dos valores de Jesus. A compaixão substitui a ambição pessoal. O amor ao próximo chega a ser igual ao amor próprio. A solidariedade toma lugar da competitividade! É viver já o Reino de amor num mundo de ambição, preconceito, ódio e violência.

domingo, 15 de janeiro de 2012

REINO = COMPAIXÃO


Está aqui uma descendente de Abraão
que Satanás prendeu durante dezoito anos.
Por que é que no sábado
ela não devia ficar livre dessa doença?

Lucas 13.16 (leia 13.10-17) – BLH

O chefe da sinagoga ficou zangado quando Jesus ignorou as regras do dia do sábado e curou uma mulher sofredora, vítima há dezoito anos duma doença que entortava seu corpo. Jesus vivia o Reino, o chefe, a instituição. Jesus visava o bem estar dos seres humanos, independente do seu status social ou condição “moral”. O chefe defendia a integridade do sistema de leis e valores da instituição religiosa. Jesus ignorou as limitações impostas pela lei e atendeu a mulher. O chefe ignorou a mulher, preservando a letra da lei. Jesus colocava a prática acima da ideologia, o chefe, o sistema de idéias a custa da prática.

A religião tem a tendência de se organizar colocando ordem na vida. Isto é positivo até certo ponto. O perigo é estabelecermos uma ordem rígida e fechada em torno de si mesma. Faz que a vida se torne pior do que o caos que ela pretende corrigir.

No cenário global, as três grandes religiões monoteístas: judaísmo, cristianismo e islamismo, têm estruturas internas de auto preservação e promoção que muitas vezes esmagam mais do que curam os seres humanos. As injustiças praticadas têm a fachada da democracia contra o terrorismo ou dos injustiçados contra o imperialismo. Mas na realidade, estas “democracias” praticam o terrorismo e os “injustiçados” lutam para estabelecer outro império, todos apelando para seu Deus.

O Reino é viver a justiça, não fazê-la. Viver a justiça é a prática do bem quando e onde as oportunidades se apresentam, sem colocarmos condições ou fazermos restrições.

O lugar do Reino é sempre aqui, onde cada um esteja e não lá em outro lugar. O dia do Reino é sempre hoje, nem ontem ou amanhã. O momento do Reino é sempre agora, nem antes ou depois. O Reino é aqui, agora rompendo todas as barreiras do tempo e do espaço.

A nossa tendência é limitar o Reino a certas condições e épocas, fazendo a separação entre o sagrado e o secular. Colocamos Deus dentro do sagrado e O ausentamos das “coisas mundanas”.

O judaísmo estabeleceu o dia de sábado como dia sagrado, dedicado ao “nada fazer”. Jesus foi criticado por fazer o bem no dia sagrado. Para Jesus todos os dias eram sagrados. Jesus viveu o Reino todos os momentos em todos os lugares; bastava a mulher doente (há 18 anos) chegar perto de Jesus! Ele a viu, chamou e curou, sem precondições.

Erramos quando achamos que viver o Reino é moldar os outros de acordo com a nossa visão do certo ou errado e colocarmos a nossa ordem no caos reinante. Não compete a nós estabelecermos ou construirmos o Reino. Ele já está ao nosso redor e dentro de nós. Somos apenas participantes. Compete a nós semearmos o bem e deixarmos os resultados com Deus.