
Quem é fiel nas coisas pequenas
também será nas grandes;
e quem é desonesto nas coisas pequenas
também será nas grandes.
Lucas 16.10 (leia 16.1-13) – BLH
Para entender esta parábola é necessário conhecermos o sistema financeiro daquela época. Os administradores não tinham salários fixos, mas eram compensados por comissões que eles mesmos fixavam e cobravam. Quanto mais movimento, mais lucro! Uma parte do saldo devedor de cada conta pertencia ao patrão e a outra, ao quem administrasse. O administrador da parábola foi acusado de “impropriedade” e correu risco de ser demitido. Sua estratégia de não passar fome era fazer amizades com os devedores. Chamou cada um e perdoou a comissão dele do saldo devedor. O patrão ficou contente em receber a parte dele e apreciou a astúcia do administrador. O patrão não achou ruim porque não foi lesado. O administrador ganhou novos amigos e a apreciação do patrão. Ele fez as pazes com os dois lados!
Não houve desonestidade. Jesus louvou o bom senso do administrador. Nesta parábola todos lucraram!... O patrão recebeu o que era dele. Os devedores foram perdoados da taxa de juros. O administrador conquistou amigos que poderiam ser solidários em caso de necessidade.
A esperteza santa não é nada mais do que uma boa dose de bom senso. O administrador foi astuto em abrir mão da sua comissão, pensando no seu bem estar a longo prazo. Melhor ganhar amigos do que tentar ganhar a comissão! Usou o que era dele por direito para conquistar a boa vontade dos devedores.
Colocar dinheiro como meta principal é ser desonesto com as riquezas deste mundo. As riquezas materiais não são nossas e devem ser administradas para o bem comum. Ganância é desonestidade. As verdadeiras riquezas são as pessoas que conseguimos beneficiar, usando os recursos que temos em mãos.
A esperteza santa é abrir mão das vantagens imediatas e investir no bem estar comum. Ao sermos solidários aos outros, estamos, também, investindo em nós mesmos. Ao sermos escravos do dinheiro nós nos tornamos inimigos da humanidade. A esperteza é um mal quando usado para levar vantagem às custas dos outros. Os corruptos políticos e os empresários exploradores são inimigos do povo como também os golpistas e assaltantes. Servir dinheiro em qualquer nível é desprezar o próximo.
A religião entra no mesmo jogo quando apela para as “vantagens” de ser crente. Visar somente a salvação pessoal e trabalhar para acumular “méritos” espirituais é outra forma de ganância. Ser fiel nas pequenas coisas é abrir mão de direitos e agir para o bem dos outros. Servir os outros é servir a Deus. Nisto consiste a “esperteza santa”.




