sexta-feira, 29 de fevereiro de 2008

TITANIC? OU NÍNIVE?

Deus viu o que eles fizeram e

como abandonaram os seus maus caminhos.

Então mudou de idéia e não castigou a cidade

como tinha dito que faria.

Jonas 3.10 (leia 3.1-5,10) – BLH

Na madrugada de 15 de abril de 1912 o HMS Titanic navegava a todo vapor na sua viagem de inauguração de Londres a Nova Iorque. Apesar dos avisos de perigo dos “icebergs” na frente, ele não diminuiu a sua velocidade ou mudou sua rota. A colisão resultante foi conhecida como um dos piores desastres marítimos da história! A tragédia ainda maior foi que o evitável não foi evitado.

O texto bíblico conta uma história semelhante, mas com desfecho contrário. A cidade de Nínive estava caminhando para um desastre devido a sua vida perversa. O profeta, Jonas, apareceu e começou anunciar o desastre eminente!... O povo “deu ouvidos”, mudou seu estilo de vida e o “inevitável” foi superado.

No livro, *Do Iceberg à Arca de Noé”, Leonardo Boff faz uma abordagem idêntica. Ele contrasta o Titanic com a Arca de Noé. O Titanic representa a nossa “civilização” que segue, a todo vapor, uma rota de choque com o sistema ecológico que nos sustenta. A Arca de Noé, em contraste, representa a salvação e uma nova chance para a humanidade.

Estou tomando emprestada a figura do Titanic para fazer uma comparação com a cidade de Nínive. A salvação exige mudança de rota. Destinos podem ser mudados. Desastres e tragédias podem ser evitados. Nós mesmos somos responsáveis por muitos dos males que afligem a nossa vida.

Acostumamos a pensar em salvação em termos da alma, em termos pessoais e individuais. Nosso individualismo ignora a dimensão maior da redenção! Com a globalização da economia e da tecnologia o indivíduo está cada vez menos isolado fisicamente. O seu destino se encontra cada vez mais ligado aos outros. Não se salva sozinho...

A salvação precisa incluir o mundo inteiro. Pela primeira vez o ser humano está chegando a poder desequilibrar o mundo que o Criador formou e entregou aos seus cuidados. Com a super população do mundo, o ser humano está cada vez mais predatório. Em vez de viver em harmonia, vive a custa da natureza. Boff escreve “a cada dia desaparecem definitivamente dez espécies de seres vivos, por causa da intervenção irresponsável do homem” (p. 67). A diversidade de vida está diminuindo e o planeta morre aos poucos, o assassino é a humanidade. Boff ainda nos adverte: “Desta vez não há uma Arca de Noé que salvará alguns deixando perecer os demais. Queremos nos salvar todos juntos” (p. 92).

Nínive nos fornece um modelo esperançoso. A cidade estava condenada. Apareceu um profeta, apontando o desastre a frente. A população levou a sério a advertência, e todos, desde o maior até o menor tomaram providências, mudaram de vida, e a cidade foi poupada.

Nossa esperança: seguir o caminho da mudança radical. Profetas não faltam. Depende de nós ouvi-los e agirmos com urgência! Titanic? Nínive? Depende de nós.

*Editora Garamound Ltda., 2002

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2008

O CLAMOR DO TRABALHADOR

....e não têm pago os salários dos homens

que trabalham nos seus campos.

Escutem as reclamações deles!

Os gritos dos que trabalham nas colheitas

chegaram até os ouvidos de Deus,

o Senhor Todo-poderoso.

Tiago 5.4 (leia 5.1-6) – BLH

Quem toma o nome de Cristo, toma também o nome de toda a humanidade. A justiça social não é para ser aplicada apenas aos "irmãos". A antiga lei de Moisés lembrava dos estrangeiros que habitavam entre o povo de Israel. Independentemente de sua raça, sexo, religião ou ideologia, cada pessoa tem o direito divino de receber pelo seu trabalho. Parece que Tiago estava vendo a injustiça salarial e a exploração injusta de mão de obra entre os irmãos da igreja, justamente onde não deveria existir.

Qualquer ofensa contra o ser humano é também uma ofensa contra Deus. E por extensão, a agressão contra o meio ambiente seria incluída, porque não é possível agredir o meio ambiente sem agredir o ser humano. Ao prejudicar o próximo, o agressor está prejudicando a si mesmo. A vida é uma unidade inseparável. Uma ofensa contra uma parte, automaticamente, atinge o total. Fazemos parte de um organismo; quando uma parte sofre, todos os outros sofrem também.

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2008

SABEDORIA DO ALTO

A sabedoria que vem do alto é antes de tudo pura;

e é também pacífica, bondosa e amigável.

Ela é cheia de misericórdia,

produz uma colheita de boas ações e

é livre de preconceito e de fingimento.

Tiago 3.17 (leia 3.16-4.3) – BLH

Dificilmente as igrejas dão ênfase a estes aspectos da vida. Muitas igrejas estão mais interessadas em promover certos tipos de manifestações religiosas como: dons espirituais e milagres - do que promover a produção do fruto do Espírito que é o amor e as suas manifestações: paz, bondade, misericórdia e simples amizade.

Outras igrejas são mais interessadas em projetos de adquirir adeptos e construir prédios, do que ajudar os seus membros a alcançar a sabedoria de uma vida de bom senso.

Outras igrejas, ainda, são mais interessadas em promover um sistema doutrinário e de costumes, dividindo a humanidade em duas categorias: os salvos e os perdidos, do que cultivar as qualidades desta passagem bíblica, promovendo a reconciliação dos seres humanos uns com os outros e com toda a criação de Deus.

Muitas vezes nas igrejas há redutos de pessoas com preconceitos e fingidas, professando uma espiritualidade que na realidade não possuem.

terça-feira, 26 de fevereiro de 2008

DUAS FACES DA MOEDA

Mas alguém poderá dizer:

"Você tem fé,

e eu tenho boas ações."

E eu respondo:

"Então me mostre como é possível ter fé

sem ter boas ações.

Eu vou lhe mostrar a minha fé

por meio das minhas ações”.

Tiago 2.18 (leia 2.14-18) – BLH

Fé e ação são duas faces da mesma moeda. Não é possível ter uma moeda de uma face só. As duas faces podem ser iguais, mas são duas faces diferentes. Na vida não há ação sem motivação e toda a motivação leva a uma determinada ação. A falta de ação é uma ação. Não é caso de escolher entre a fé e ação, entre a fé e obras. As nossas ações e obras sempre são de acordo com a nossa fé e a nossa fé sempre se manifesta pelas ações e obras.

O valor de uma ação depende da sua motivação ou da qualidade de fé que a impulsiona. Não é puramente questão de fazer ou não. Uma ação pode ser motivada pelo amor ou compaixão ou pode ser pelo motivo de não fazer feio, de ganhar alguma outra vantagem. De qualquer maneira, fé e motivação positiva não podem se omitir. O ato em si mesmo pode não provar nada mas, fé, sem a correspondente manifestação, não é possível. Onde não há compaixão não há amor cristão. Onde há amor cristão há compaixão.

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2008

EMBRULHO E CONTEÚDO

Meus irmãos,

vocês que crêem no nosso glorioso Senhor Jesus Cristo

nunca tratem as pessoas de modo diferente

por causa da aparência delas.

Tiago 2.1 (leia 2.1-5) – BLH

O valor da pessoa não está na aparência mas na "essência". As aparências enganam. O embrulho, muitas vezes, pouco tem a ver com o conteúdo. A nossa aparência é apenas um embrulho. A nossa tendência é dar muito valor àquilo que é secundário e deixar o principal no segundo plano.

O nosso relacionamento com Jesus deve aprofundar o nosso relacionamento com as pessoas. Deve nos dar a capacidade de olhar além da superfície e ver os valores mais profundos das pessoas e das coisas. Não são as riquezas que fazem as pessoas terem mais valor (o hábito não faz o monge).

A riqueza simboliza o poder e a pobreza a fraqueza. A nossa tendência é valorizar o poder e nos associarmos a ele. O pobre é desprezado porque representa a fraqueza e a nossa tendência é desprezarmos a fraqueza. Jesus viu claramente que o caráter das pessoas não está ligado com o que elas tem de cultura nem de riquezas. O mau caráter pode levar as pessoas a ficarem ricas à custa dos outros.

domingo, 24 de fevereiro de 2008

CÉU

Tudo de bom que recebemos e

tudo o que é perfeito vêm do céu.

Tudo isso vem de Deus

o criador das luzes do céu.

Ele não muda,

e não há nele

nem sombra de mudança.

Tiago 1.17 (leia 1.17-18,21-22,27) – BLH

Deus é o constante. Continua sendo. .Será para sempre o doador de tudo que é perfeito vindo do céu. Deus é o "Eterno Agora". Nisto não há mudança, nem sombra de mudança. Nunca nos deixará.

O "céu" é uma metáfora e não um lugar lá em cima localizado em algum ponto no espaço entre as estrelas como acreditavam os homens na época em que foi escrita esta passagem. Não cremos mais num universo de três níveis: o céu em cima, a terra no meio e o inferno em baixo. O "céu" agora é uma realidade interna que, ao mesmo tempo, está muito além de nós. Se a nossa vida fosse uma casa, a porta de entrada usada por Deus não seria a porta que leva à rua porque Deus não chegaria da rua; seria uma porta interna da casa.

É a presença de Deus que cria o céu. Deus, estando presente, o céu também, está presente. Estar com Deus é estar no céu. O "céu" é uma maneira metafórica de entender a presença de Deus e este "céu" já está dentro de nós.

sábado, 23 de fevereiro de 2008

O QUE DEUS QUER DE MIM?

Que o Deus de paz lhes dê tudo de bom

que vocês precisam

para fazerem a sua vontade.

E que ele,

por meio de Jesus Cristo,

faça em nós tudo que lhe agrada.

E a Cristo seja dada a glória para todo o sempre!

Amém.

Hebreus 13.21 (leia 13.15-17,20-21) – BLH

Qual é a vontade de Deus para mim? É de eu "ficar numa boa"? Acho que "ficar numa boa" pode fazer parte desta vontade, mas como uma conseqüência e não como objetivo principal. A vontade principal de Deus para mim é de eu fazer o bem para os outros. Agora vem a pergunta: - Qual é este bem que eu posso lhes fazer? - O meu dom é ajudar os outros descobrirem qual é a "sua". É ajudar os outros a se descobrirem e se libertarem para poderem viver vidas produtivas e felizes.

A melhor coisa que posso fazer é parar e dar tempo e atenção às pessoas. Talvez, uma das coisas mais difíceis para uma pessoa é se conhecer, descobrir um rumo na vida que possa ir além de sobrevivência ou de auto promoção! Outro tipo de ajuda pode até empurrá-lo ainda mais numa direção errada. Um mero socorro imediatista pode não ser o que a pessoa mais precisa. Qualquer socorro deve visar atendimento mais profundo. Que Deus me dê a sensibilidade e sabedoria de ir além das aparências...

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2008

PAREM COM O BARULHO

Parem com o barulho das suas canções religiosas;

não quero mais ouvir a música de harpas.

Em vez disso,

quero que haja tanta justiça como as águas de uma enchente e

que a honestidade seja como um rio que não pára de correr.

Amós 5.23-24(leia 5.18-24) – BLH

Este texto levanta a pergunta: Qual é o verdadeiro culto a Deus? Muitas pessoas têm a imagem do Deus exaltado, sentado no trono e se deliciando com expressões de adoração e louvor de seus adoradores em reuniões de culto. Está na moda o “louvorzão” em que este conceito é levado ao extremo. Seria culto a um Deus egoísta e vaidoso que se sente bem com seus “fãs” entrando em delírio na sua presença.

O povo vivia uma ilusão! Achava que Deus tinha prazer em reuniões de culto com celebrações, ofertas, cânticos de louvor e instrumentos musicais. Mas, o profeta, Amós, fez um pronunciamento radical: Deus rejeitava tais manifestações. Falando em nome de Deus, ele usou palavras fortes como: “odeio”, “detesto”, “não tolero”, “não aceito” e “parem com o barulho”. Amós desafiou a espiritualidade predominante do seu país.

A pregação de Amós revela outra visão do divino e outro estilo de culto. O culto de Amós seria a conscientização do povo quanto a sua vivência diante do Deus criador. O culto seria meio de edificação: sentir a presença divina e se fortalecer para enfrentar os desafios da vida. Ouvir é mais importante do que falar. Temos dois ouvidos, mas uma só boca. Imagine se fosso o contrário!… Parece que Mt.18.20 “onde dois ou três estão juntos em meu nome, eu estou ali com eles” passou a ser: “onde dois ou três estão juntos em meu nome, há um sistema de som e três microfones”. Há igrejas que fazem tanto barulho que perturbam a vizinhança. Será que a mania barulhenta é um meio de abafar a voz do Espírito?

O culto pagão tinha por finalidade impressionar e influenciar os deuses e ganhar sua simpatia e seus favores. As divindades tinham de ser conquistadas, ou pelo menos “compradas”. Em contraste, a liturgia do culto cristão não tem esta finalidade. Sabemos que Deus já nos ama e que se agrada quando produzimos os frutos do amor no lar, lazer e trabalho. A liturgia é para nossa edificação, para fazer-nos mais conscientes do mistério da graça divina e renovar as nossas forças espirituais.

A nação judaica estava gozando um período de tranqüilidade e prosperidade. Mas, também, havia muita injustiça e desonestidade. Uma minoria explorava os demais e tinham mais recursos de ser suntuosa nas manifestações religiosas. A desonestidade e a corrupção faziam parte do dia-a-dia. O povo se isolava dentro do templo com atos de culto. Fora, o mundo era bem diferente.

Atos religiosos no meio de injustiça e desonestidade eram afrontas para Deus. Deus não é um egoísta querendo elogios e badalação. Seu desejo é ver seus filhos e suas filhas viver o amor exercendo justiça e integridade. O verdadeiro louvor não consiste em atos religiosos dentro do templo, mas na vivência do amor em todos os lugares.

O profeta usa as imagens de “águas de enchente” e de “rio que não pára de correr”. São figuras de abundância e constância. A marca do cristão deve ser seu esforço de agir com justiça no meio de ambiente de materialismo e ganância, de colocar “ser justo” acima de “ter vantagens”. O amor cristão, também, produz o fruto da honestidade. O bom caráter é resultado de integridade constante. O culto que agrada a Deus é aquele que se expressa em uma vida de retidão e justiça. Certamente, há muitas pessoas que agradam a Deus mas não agüentam assistir os cultos por não encontrar ambiente de poder ouvir a voz do Espírito.

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2008

AMOR AO PRÓXIMO

Continuem a amar uns aos outros

como irmãos em Cristo.

Hebreus 13.1 (leia 13.1-8) – BLH

O supremo valor da vida diária do ser humano é o amor ao próximo. Nossa meta deveria ser amar pessoas e usar as coisas para o bem das pessoas! Mas, existe a prática contrária que é amar as coisas e usar as pessoas para adquirir mais coisas. São duas filosofias opostas de vida, humanismo e materialismo.

Não pode ser cristão sem ser humanista também. Jesus coloca o próximo à nossa frente como representante dele. Jesus está dentro de nós, mas a única maneira que podemos manifestar o nosso amor a ele é projetá-lo no próximo. O que fazemos ao próximo é feito a Jesus.

O que agrava a situação é que Jesus não qualifica este próximo. Não é para fazer o bem só para aqueles que são bons para conosco, mas, também, para aqueles que nos odeiam e nos maltratam... Deus faz a chuva cair sobre os injustos e justos. Esta é a parte do evangelho que é a mais difícil de seguir. Por isso, os cristãos de modo geral são anti-humanistas. Ser humanista de verdade exige muito amor!

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2008

CORRENDO ATRÁS DE JESUS

Ao contrário,

vocês chegaram ao monte Sião e

à cidade do Deus vivo,

a Jerusalém celestial com os seus milhares de anjos.

Vocês chegaram até Jesus,

que faz o novo acordo e

que espalhou o sangue

que fala de coisas muito melhores

do que o sangue de Abel.

Hebreus 12.22,24 (leia 12.18-19,21-24) – BLH

Sem Jesus, Deus é um "bicho papão" de difícil acesso! Deus no Monte Sinai foi de assustar... Nem gente, nem animais poderiam chegar perto do monte! Só tocar o monte era uma sentença de morte! O Deus Iahweh era um Deus distante e caprichoso! Era perigoso chegar perto dele e ninguém queria ficar na sua presença...

Com Jesus, a coisa muda de figura... Jesus espalha um espírito de aceitação e de alegria! Jesus atrai! Multidões corriam atrás dele e não lhe davam sossego!

Qual é o Deus que eu transmito? O Deus distante e terrível? Ou o Deus que atrai e que transmite alegria e esperança? Eu preciso ir correndo atrás das pessoas ou elas vêm a mim? Jesus disse que veio buscar o perdido e o pecador, mas foram eles que O procuraram.

terça-feira, 19 de fevereiro de 2008

MEDO DO SOFRIMENTO

Suportem o sofrimento como se fosse o castigo

dado por um pai,

pois o sofrimento de vocês

mostra que Deus os está tratando

como seus filhos.

Será que existe algum filho

que nunca foi corrigido pelo pai?

Hebreus 12.7 (leia 12.4-7,11-15) – BLH

Não gosto de sofrer, faço tudo para evitar o sofrimento! Esta passagem me fala daquilo que não gosto e com o que não me conformo. Pela cabeça entendo que sofrimento faz parte da vida e que é natural... O sofrimento não é uma tragédia que deve ser evitada a todo custo, mas encarado com toda a naturalidade! De cabeça sei que o sofrimento pode até fazer o bem para a pessoa, mas mesmo assim, tenho medo do sofrimento e o detesto.

Considero que não tenho sofrido muito nesta vida; ou sofri e me esqueci da dor! Pensando bem, já passei por muita agonia mas no fim, tudo saiu bem... Dos males também nascem coisas boas. E pode ser que a recompensa tenha sido tão boa que esqueci o sofrimento que veio antes! Talvez o meu sofrimento não tenha sido em vão e por isso não acho que sofri... Para mim, o pior sofrimento seria "sofrer em vão". Este seria sofrimento dobrado!

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2008

FONTE DE CORAGEM

Corramos sem desanimar a corrida que está à nossa frente.

Continuemos com os nossos olhos fixos em Jesus.

Hebreus 12.1b-2a (leia 12.1-4) – BLH

Jesus suportou o ódio dos pecadores. Quem eram estes pecadores? Eram os que não guardavam a lei corretamente? Eram os romanos pagãos que dominavam a região? Eram os inimigos da sociedade e da religião?

Os pecadores que dirigiam o seu ódio para Jesus eram os guardiões da fé e da ordem, principalmente os que zelavam pela religião, pela moral e pelos bons costumes: eram a nata da sociedade!

Para "correr sem desanimar" é preciso estar ciente de que haverá oposições para serem enfrentadas e obstáculos a serem vencidos. Possivelmente os maiores problemas encontrados em nossa corrida nascerão "dentro de casa", se não, dentro de nós mesmos!...

É importante termos nossos "olhos fixos em Jesus" justamente para não nos assustarmos com as dificuldades que podem surgir no caminho, justamente onde não esperamos. Jesus, além de ser a fonte da nossa inspiração, é também a fonte da nossa coragem. Se Jesus venceu, mesmo morrendo, há esperança para nós também!

domingo, 17 de fevereiro de 2008

ORTODOXIA E VERDADE

Andaram pelos desertos e montes,

vivendo em cavernas e em buracos na terra.

O mundo não era digno deles!

Hebreus 11.38 (leia 11.32-40) –BLH

Os perseguidos são os dignos. Muitas vezes os "hereges" perseguidos estão mais perto da verdade do que os "ortodoxos" perseguidores. A ortodoxia é baseada no poder. Os vencedores são os ortodoxos. A ortodoxia se impõe pela força do poder, muito mais do que pela força da verdade! Uma vez que a ortodoxia se impõe, ela persegue tudo que não está de acordo. Muitas vezes a ortodoxia tem sido a grande "besta" da história humana, tentando devorar as verdades recém nascidas.

Uma vez que a ortodoxia começa a se impor, ela já perdeu a essência da verdade, que é o amor. O amor não se impõe, se conquista pelo servir e não pelo obrigar! A ortodoxia de verdade não é um sistema correto de crenças sobre Deus e o mundo, mas é uma atitude de amor para com o próximo.

A dignidade verdadeira é ter uma visão de um Reino de Amor e de Justiça e vivê-la diante do desamor e injustiça. A dignidade pode levar ao sofrimento, perseguição, e até à morte.

sábado, 16 de fevereiro de 2008

PROMESSAS E PROCESSOS

Tenham paciência

para poderem fazer a vontade de Deus

e receber o que ele promete.

Hebreus 10.36 (leia 10.32-39) – BLH

Tudo leva tempo. Tudo tem a sua época. Vivemos num mundo de processos. Há tempo de fazer, tempo de esperar e tempo de ver o resultado do que foi feito. O resultado será de acordo com o que foi investido. A planta brotará de acordo com a semente. Essa é a ordem da nossa existência...

As promessas estão vinculadas a processos. Para podermos receber o prometido, é necessário nos submetermos a uma seqüência de condições. A paciência é a nossa submissão a estas condições; é a nossa espera até que se concretize os frutos dos nossos feitos!

As respostas de Deus não são "passes de mágica", nem substitutos de processos, às vezes dolorosos, de crescimento interno e mudanças profundas. Podem vir por caminhos demorados de sofrimento, sem percebermos que o processo está em andamento. Pode até parecer que Deus não está agindo... A resposta pode ser muito diferente do que esperamos e, quando ela chega, pode ser que não seja reconhecida como vinda de Deus!

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2008

O GRANDE SEDUTOR

Vou seduzir a minha amada e levá-la de novo para o deserto,

onde lhe falarei do meu amor.

Oséias 2.14 (leia 2.14-20) – BLH

Oséias queria uma mulher que o amasse. Casou-se com Gomar, uma prostituta de templo pagão. Pelo jeito que contou a história, só levava “chifradas”. Os nomes dados aos filhos, nascidos da união matrimonial, indicavam que Oséias desconfiava não ser o pai. Houve rompimento. Voltou e comprou uma prostituta (será Gomar de novo?)! Oséias investia para fazer a mulher feliz. Não sabemos se a história teve um fim feliz ou não...

O profeta comparou seu relacionamento conjugal com o de Deus e o povo de Israel. O povo estava sempre correndo atrás de outros deuses, deixando o monoteísmo de lado.

Oséias inverteu a ordem religiosa. O povo achava que precisava fazer tudo para agradar as divindades e ganhar seus favores. Não queria desprezar nenhum deus e tinha medo de deixar fora alguma divindade. Mas o profeta afirmou que é o contrário: O Deus Eterno está fazendo tudo para ganhar o afeto da humanidade que ele mesmo criou. Ele é como aquele que faz tudo para conquistar sua amada.

O mundo está cheio de manifestações do amor e cuidado do Criador. A ciência moderna demonstra que a combinação das condições astronômicas, a distância do Sol e da Lua, da Terra e seus respectivos tamanhos, são perfeitos para a sustentação da vida no planeta. Uma pequena modificação destas coordenadas seria desastrosa para o nosso sistema ecológico. A Terra tem abundância de água potável, ar puro, temperatura média perfeita e a biodiversidade riquíssima. Estamos aqui para desfrutar de tudo isto.

Mas o ser humano é o único de todas as criaturas do mundo que agride a criação. Além de agredir o seu semelhante, viola seu ambiente.

A religião verdadeira, digna de louvor, é aquela que é uma resposta de amor à sedução divina. A sua prova é o amor ao semelhante e a criação.

Oséias fala da harmonia entre os animais selvagens, as aves, os répteis e o povo. Fala da destruição de armas de guerra e a eliminação de conflitos armados. Uma religião que cria barreiras, promove divisões, discrimina os outros, não perdoa e até mata em nome de Deus é indigna e deve ser evitada. Jesus declarou que os humildes herdarão a terra e que os pacificadores serão chamados “filhos de Deus”.

A essência da religião é a auto-entrega ao GRANDE SEDUTOR, uma lua-de-mel entre o criador e a criatura. É um relacionamento que supera todas as leis, espontâneo, sem cobranças.

A nossa dedicação ao Amado seria agir como pessoas amadas e apaixonadas. A apaixonada acha prazer em curtir a presença do seu amado e ama tudo que ele ama. Cuida dos seus interesses. Neste caso, Deus, nosso Amante, ama toda a sua criação com todas as criaturas. Deseja a justiça e a paz para todos. A nossa resposta à “cantada” divina seria devolver este amor para tudo que nos cerca. Não pode ser contido dentro de templos e restrito às reuniões religiosas. A paixão pela vida é a melhor resposta ao GRANDE SEDUTOR.

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2008

UM JOGO LIMPO

Portanto,

cheguemos perto de Deus

com um coração sincero e

uma fé firme,

com a consciência limpa das nossas culpas e

com os corpos lavados

com água pura.

Hebreus 10.22 (leia 10.19-25) – BLH

Com a consciência limpa tudo se purifica: o relacionamento com Deus se torna aberto e natural. Somos libertados da necessidade de estarmos sempre fazendo algo para "merecer" as bênçãos de Deus, ou evitar seus castigos! Não precisamos fazer "ginásticas" para orar! A oração se torna um ato tão natural como a própria respiração... Passamos a participar do culto público sem alterar o nosso modo de ser, nem o nosso jeito, nem a voz ou a linguagem que usamos. Somos libertados para sermos nós mesmos com toda a naturalidade...

O nosso mundo se torna limpo a começar com o nosso próprio corpo. Paramos de sentir culpa pelo corpo e as suas funções, reconhecendo que foi criado por Deus para funcionar deste jeito. A natureza passa a ser vista como uma manifestação de Deus e também é o seu templo! Violar o corpo, é violar a natureza, violando o templo de Deus...

A libertação nos permite um relacionamento aberto com o nosso próximo, nos libertando do jogo das aparências!... Toda a vida se torna um jogo limpo.

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2008

AO LADO DE DEUS

Porém Jesus Cristo ofereceu só um sacrifício,

uma oferta que vale para sempre,

e depois sentou-se

do lado direito de Deus.

Hebreus 10.12 (leia 10.11-14,18) – BLH

A essência da fé cristã não é passar toda a vida cuidando do problema do pecado, promovendo a purificação espiritual de si mesmo. Jesus, além de ser apresentado como Salvador, é o modelo de como devemos ser! A melhor maneira de cuidar do problema do pecado e promover a pureza da vida é sentar-se ao lado de Deus.

"Sentar-se ao lado de Deus" tem um sentido rico, muito além de um dia lá na glória estar sentado num trono ao lado de Deus! O trono de Deus também está aqui na terra e, ao viver a justiça e o amor, estamos já reinando com Ele. A mensagem do evangelho de Jesus é diferente do evangelho do mundo. Para o mundo, "reinar é mandar"; para Jesus, "reinar é servir".

Jesus será sempre fiel à sua natureza. Mesmo no trono ele está amando e servindo. Nós, como seguidores dele, não podemos ser diferentes de nosso Mestre. A nossa preocupação não é mais o perdão dos nossos pecados, mas glorificá-lo pelo serviço ao próximo!

terça-feira, 12 de fevereiro de 2008

RELIGIÃO NÃO TIRA PECADO

Todo o sacerdote judeu

se apresenta todos os dias para cumprir

os seus deveres religiosos e

oferecer muitas vezes os mesmos sacrifícios,

mas estes nunca poderão tirar os pecados.

Hebreus 10.11 (leia 10.11-18) – BLH

O cumprimento dos deveres religiosos não tira o pecado: nem os deveres religiosos dos judeus, nem dos católicos, nem dos protestantes, nem longas as reuniões dos renovados, nem os cultos milagrosos dos pentecostais, nem os pronunciamentos teológicos e éticos dos ortodoxos.

O sacrifício de Jesus não foi um ato religioso. O palco era qualquer um dos lugares por onde Jesus andava. A afirmação "uma só vez" abrange todos os anos de sua vida terrestre. O sacrifício de Jesus aconteceu durante toda a sua vida nas ruas, nas casas e não somente no templo.

Aceitar o sacrifício de Jesus leva os cristãos a agirem pela mesma motivação que impulsionava Jesus. Os cristãos de verdade são os que têm o amor de Jesus escrito no coração, seus desejos inspirados pela mente de Jesus! O palco onde é vivida a fé é o lar, a rua, a praça e também o templo.

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2008

PURIFICAÇÃO: FAZER O QUE DEUS QUER

E, porque Jesus Cristo fez o que Deus quis,

nós somos purificados do pecado

pela oferta que ele fez,

uma vez por todas,

do seu próprio corpo.

Hebreus 10.10 (leia 10.1-10) – BLH

A purificação do pecado é muito mais do que a eliminação do erro. É a habilitação de fazer o bem e não apenas deixar de fazer o mal. Sacrifícios não são suficientes para compensar o mal e podem dar uma falsa sensação de retidão. Fazer o bem com amor e humildade é o resultado da nossa purificação.

Jesus ofereceu a si mesmo pela bem-aventurança da humanidade e se tornou o nosso modelo. Ele encarnou o amor incondicional, mostrando para todos o caminho à bem-aventurança. Mesmo assim, Ele foi crucificado pelas pessoas que foram o objeto do seu amor.

A nossa purificação não é uma repetição de ritos religiosos para neutralizar os nossos pecados mas um ato constante de dedicação a bem-aventurança da humanidade movida pelo amor de Jesus.

domingo, 10 de fevereiro de 2008

O MELHOR SACRIFÍCIO A DEUS

Depois disse ainda:

"Estou aqui, ó Deus,

para fazer o que tu queres."

Assim Deus acabou com todos os antigos sacrifícios

e pôs no lugar deles o sacrifício de Cristo.

E, porque Jesus Cristo fez o que Deus quis,

nós somos purificados do pecado pela oferta que ele fez,

uma vez por todas

no seu próprio corpo.

Hebreus 10.9-10 (leia 10.5-10) – BLH

O melhor sacrifício que podemos fazer a Deus é fazer a sua vontade. Um sistema de rituais e sacrifícios não é uma solução para o problema humano. Estes sistemas tentam empurrar a solução para fora do ser humano. Um sistema de sacrifícios joga tudo numa vítima que nada tem a ver com o problema. Um sistema de rituais descarrega o sentimento de culpa, mas não chega à causa, são soluções temporárias.

A solução final é chegarmos à origem do problema e lidarmos com ele. Jesus é apontado como a Luz do Mundo. A luz revela e purifica. Ao chegar a Jesus, podemos ver com clareza onde e como estamos, ver com igual clareza qual é o caminho a seguir! Jesus fez a vontade de Deus e nos ajuda a fazermos o mesmo. Nisto Jesus é a nossa Luz e salvação! Não há mais necessidade de sacrifícios e liturgias sem fim.

sábado, 9 de fevereiro de 2008

NOSSO PRIMEIRO PRESENTE

Por isso Cristo,

ao entrar no mundo disse:

"Tu, ó Deus,

não queres sacrifícios e ofertas de animais,

mas preparaste um corpo para mim...

E, porque Jesus Cristo fez o que Deus quis,

nós somos purificados do pecado pela oferta que ele fez,

uma vez por todas,

do seu próprio corpo.

Hebreus 10.5,10 (leia 10.4-10) – BLH

Das "coisas" que temos, a mais importante é o nosso próprio corpo. Foi a primeira coisa que ganhamos, mesmo antes de nascer, e sem ele nós não seriamos nós, deste jeito que somos. Será a última coisa tirada de nós e, ao perdê-lo, não seremos mais nós, deste jeito que somos. A última provação que Jó sofreu foi a perda da sua saúde e o sofrimento causado por ela.

A entrega máxima de Jesus a Deus foi a do seu próprio corpo! A entrega máxima de amor entre duas pessoas, também, é do próprio corpo... A nossa entrega a Deus e ao Seu Reino, também, é do nosso próprio corpo!

Na Bíblia, a "alma" não é algo à parte, mas é o conjunto do espírito com o corpo. A bem-aventurança da alma inclui o corpo.

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2008

MONSTROS E ESPERANÇA

No sonho que tive naquela noite,

eu vi os ventos soprando de todas as direções e

agitando as águas do mar imenso.

De repente,

saíram do mar quatro monstros enormes,

diferentes uns dos outros.

Daniel 7.2b-3 (leia 7.1-3,15-18) – BLH

Israel nunca foi uma potência mundial. Mesmo no auge do seu desenvolvimento político econômico, ela era apenas um “peixinho” no mar de “tubarões”. A arqueologia moderna está descobrindo que a glória e o poder dos reis Davi e Salomão eram mitos criados para fundamentar uma identidade nacional depois dos exilos nos séculos VI e V a.C.* Daniel teve seu sonho quando Judá estava aparentemente aniquilada, engolida pelos monstros da época. Tentar interpretar o Livro de Daniel como “adivinhação” dos eventos históricos é exercício de futilidade. Cada geração de interpretes durante mais de dois milênios chega a conclusões diferentes. Os “quatro monstros” enormes estão presentes em todas as épocas. Representam as espiritualidades de domínio na religião, economia, política e ciência. Cada área tem seus “reis” que procuram dominar os demais.

Esta visão é mais atual do que nunca. Nunca na história da humanidade houve tanto “sopro de ventos”, “agitação das águas do mar” e “monstros” emergentes. Eles representam forças fora do nosso controle e provocam terror e desespero. Ventos e ondas são forças cegas e monstros conscientes com as estratégias de destruição! Todos são temidos.

Mas, também, na história da humanidade sempre havia pessoas que não foram levadas pelos ventos e ondas ou se submeteram ao domínio dos monstros. Enxergavam “outro Reino”. Ventos se esgotam, ondas se acalmam, monstros morrem, mas a ordem da criação é constante.

Está sempre diante de nós a opção entre sermos coniventes com as forças de domínio e destruição ou integrarmos na ordem da criação. O Reino de Deus é a ordem cósmica. O grande problema é que é fácil confundir uma com a outra. Os “monstros” se disfarçam como benignos, colocando-se como salvadores e oferecendo soluções para os males existentes. Atraem multidões. Mas o método é o uso de poder para manipular, dominar, massificar e violentar. No seu esquema poucos são favorecidos e a grande maioria sacrificada. Criam hierarquias sociais, políticas, econômicas e religiosas.

Na política, os “monstros” poderosos existem em todos os escalões dos governos, empregando violência, coesão e corrupção para alcançarem seus fins. Na economia a globalização é dominada por um número relativamente pequeno, deixando bilhões de pessoas empobrecidas, vivendo em condições subumanas. O abismo que separa os ricos dos pobres fica cada vez maior. As religiões criam o elitismo espiritual e preconceito. São arenas de lutas internas pelo poder. Muitas encaram os de fora como convertidos em potencial ou como maus. Lutam para destruir o “mal” chegando lançar mão a “guerras santas” e terrorismo. Os “monstros” são onipresentes no cenário humano.

O “povo do altíssimo” são aqueles que não entram no jogo, mas seguem o caminho que Jesus apontou, encarnando o amor! Não fazem vítimas, deixam esperança e um exemplo a ser seguido.

*A Bíblia não Tinha Razão, Israel Finkelstein e Neil Ascher Silberman, A Girafa Editora Ltda., 2003, 515 páginas. Tem base nas mais recentes descobertas arqueológicas.

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2008

ANTÍDOTO CONTRA TERRORISMO ESPIRITUAL

Assim também Cristo foi oferecido uma só vez

em sacrifício para tirar os pecados de muitas pessoas.

Depois ele aparecerá pela segunda vez,

não para tirar pecados,

mas para salvar

os que estão esperando por ele.

Hebreus 9.28 (leia 9.24-28) – BLH

Esta passagem retrata uma realidade cultural muito diferente do que é a nossa. Nosso mundo religioso não é de ofertas de sacrifícios de animais para satisfazer um Deus caprichoso e exigente.

Para muitas pessoas, Deus ainda é caprichoso e exigente e a tendência, muitas vezes, é usar a Bíblia para montar um ambiente religioso em que Deus é um "velho rabugento", legalista e sadista que quer acabar com todos os prazeres da vida. São teologias de pessoas desajustadas que fazem uso de "terrorismo espiritual" para controlar os outros.

As "realidades celestiais" deste texto retratam a nossa vida íntima. Jesus demonstrou como Deus está presente em nós, vencendo as barreiras dos nossos relacionamentos e sarando as feridas dos nossos fracassos. O "Santo Lugar" é onde Deus se faz presente em nossa vida. Não há espaço para “terrorismo espiritual”!...

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2008

O PRIMEIRO PASSO

Cada pessoa tem de morrer uma vez só e

depois ser julgado por Deus.

Assim também Cristo foi oferecido uma só vez

em sacrifício para tirar os pecados de muitas pessoas.

Depois ele aparecerá pela segunda vez,

não para tirar pecados,

mas para salvar

os que estão esperando por ele.

Hebreus 9.27-28 (leia 9.15,24-28) – BLH

Jesus acabou com a nossa culpa. Por causa de Jesus não precisamos ficar repetindo as mesmas confissões diante de Deus. Uma vez perdoados, podemos levar a nossa vida com confiança de que os mesmos pecados não vão voltar a nos atormentar, jamais!...

Jesus aparece em nossa vida pela primeira vez para trazer as Boas Novas de perdão de pecados e aceitação da parte de Deus! Depois, Jesus aparece para nos ajudar a vivermos a nossa fé. A salvação não é só ter os pecados perdoados, mas também, alcançar o desenvolvimento da nossa vida diante de Deus e dos outros. O perdão dos pecados é só o primeiro passo. As nossas energias estão liberadas para uma vida de crescimento e atuação criativa e plena!

terça-feira, 5 de fevereiro de 2008

OFERTA DE SANGUE

Quando Cristo veio e entrou,

uma vez por todas,

no Santíssimo Lugar,

ele não levou sangue de bodes ou de bezerros

para oferecer como sacrifício.

Ao contrário,

ofereceu o seu próprio sangue e

conseguiu para nós

a salvação eterna.

Hebreus 9.12 (leia 9.11-15) – BLH

Na teologia do autor de Hebreus, Jesus fez o gesto máximo para externar o amor que tinha (e tem) para todos os seres humanos. Não sacrificou uma outra criatura, mas se entregou a si mesmo como sacrifício...

Esta passagem está dentro de um contexto cultural/religioso bem diferente do nosso, e dificulta a nossa compreensão do que quer transmitir. A Santa Ceia e a Missa são as nossas expressões religiosas para substituir o sistema sacrifical dos judeus.

A crucificação de Jesus eliminou a necessidade de continuarmos com o dever de oferecermos sacrifícios para conseguirmos o perdão. - Já estamos perdoados, não precisamos passar por ritos para conseguirmos perdão! A Santa Ceia deveria ser uma mera celebração da salvação já alcançada, sem precisarmos fazer algo a mais para merecê-la...

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2008

O CUMPRIMENTO PERFEITO

Mas Cristo veio como o Grande Sacerdote

das coisas boas que já estão aqui.

A Tenda em que ele serve é melhor e mais perfeita e

não foi construída por seres humanos,

isto é, não é deste mundo.

Hebreus 9.11 (leia 9.2-3,11-14) – BLH

De acordo com o autor de Hebreus, Jesus veio para completar uma obra que foi iniciada na própria criação. Vestígios desta obra se encontram na história da vida religiosa de Israel. O exemplo clássico no sistema sacrificial judaico, constado no Antigo Testamento.

Ampliando a visão de Hebreus podemos dizer que os impulsos religiosos humanos são manifestações da resposta humana à iluminação do Espírito de Jesus acompanhando à todas as pessoas que vêm ao mundo. Jesus é o cumprimento perfeito de todas as religiões:- é o "deus desconhecido" de todas as religiões, de todos os tempos!

Nossos sistemas religiosos não passam de respostas daquilo que Deus já está fazendo desde a fundação do mundo, através de Jesus. Estas respostas são influenciadas pela grande diversidade das culturas existentes e distorcidas pelas neuroses coletivas da humanidade: todas nascem das múltiplas respostas humanas à graça divina.

domingo, 3 de fevereiro de 2008

SÍMBOLO DA REALIDADE

Mas de fato Jesus foi encarregado de um serviço sacerdotal que é superior ao dos sacerdotes.

E o acordo que ele conseguiu entre Deus e seu povo

é também superior,

pois se baseia em promessas de coisas superiores.

Hebreus 8,6 (leia 7.25-8.6) – BLH

O autor de Hebreus interpreta o sistema sacerdotal do Antigo Testamento como modelo duma dupla realidade maior. Os sacerdotes simbolicamente representavam o povo diante de Deus no templo e o templo por sua vez era um símbolo da presença de Deus diante do povo. Portanto temos um símbolo diante de um outro símbolo. Jesus conseguiu relacionar diretamente a vida humana com a sua fonte divina. Ele estava sintonizado com o Pai, a fonte de toda a existência.

Jesus é interpretado com a própria presença de Deus e, ao mesmo tempo, é totalmente humano. Jesus representa reconciliação humana com Deus, Ele vai além de mero simbolismo, para ser uma realidade da união com o Criador.

sábado, 2 de fevereiro de 2008

REI DA JUSTIÇA

Não se conhece o pai nem a mãe

nem qualquer antepassado de Melquisedeque.

Não se sabe nada sobre o seu nascimento ou a sua morte.

Ele é como o Filho de Deus:

continua sacerdote para sempre.

Hebreus 7,3 (leia 7.1-3,15-17) – BLH

O nome Melquisedeque significa Rei da Justiça. Aparece na história sem estar ligado a qualquer instituição religiosa, representando Deus num sentido imediato. Jesus também foge das normas estabelecidas. Em contraste com Jesus, os sistemas do cristianismo organizado tendem a existir e funcionar em torno de si. Suas normas visam a promoção da própria instituição, colocando as carências do povo num plano secundário. O Reino de Deus é identificado com o bem estar da igreja. A igreja esquece que o Reino de Deus é secular. Jesus visou a promoção do Reino e não da igreja!

Melquisedeque era rei da justiça! Ao nosso entender, o Reino de Deus se manifesta através da justiça. A justiça de Jesus é baseada no amor, amor atuante que traz eqüidade, permitindo-nos a paz... Jesus se dirige às pessoas nas suas carências e necessidades independente de raça, credos ou religião. Deus ama ao mundo e Jesus é o nosso Rei Melquisedeque: Rei da Justiça!

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2008

CAPIM PISADO E ÁGUA SUJA

Será que vocês não ficam satisfeitos com o melhor pasto?

Por que precisam pisar o resto do capim?

Vocês bebem a água limpa e

sujam com os pés a água que não bebem.

As minhas outras ovelhas

têm de comer o capim que vocês pisaram e

beber a água que vocês sujaram.

Ezequiel 34.18-19 (leia 34.11-24) – BLH

Freqüentemente os escritores bíblicos empregam a palavra “ovelha” para descrever o ser humano. Quase sempre passam a imagem de um animal indefeso e dependente que precisa de pastor para sobreviver. A sua natureza deixa-a incapaz de vencer os perigos. São dependentes de liderança e fáceis de serem conduzidas. A igreja tira proveito desta imagem para segurar seus adeptos dentro da segurança do “aprisco” e não incentivá-los a irem além dos limites estabelecidos! Quem sair dos limites se torna “ovelha negra”. O pastor é a figura forte para conduzir ovelhas fracas.

O profeta Ezequiel, retrata outro lado da personalidade da ovelhada: a falta de solidariedade entre si. A ovelha pode ser maldosa e desrespeitosa para com seus semelhantes. Ezequiel trata o aprisco como “mundo em miniatura”, algumas engordam, pisando no capim e sujando a água das demais. Outras são condenadas a emagrecer com a dieta de capim pisado e água suja… As fracas e doentes são maltratadas, chifradas e empurradas fora do rebanho.

Esta simbologia é simples e profunda, retrato fiel da história da humanidade! Hoje vale ainda mais para descrever a situação social do planeta Terra do que na época em que foi escrito. Com a super população do mundo, o ser humano está se tornando um “vírus” e/ou uma “praga”. O vírus destrói seu hospedeiro e a praga consome os recursos até se destruir. O mundo atual está dividido entre as “ovelhas gordas” e “ovelhas magras”. Mas está aparecendo mais uma agravante: capim bom e água limpa não sobrarão, nem para as “ovelhas gordas”. Todas serão atingidas pelos abusos do capim e da água.

O profeta tinha razão: o julgamento virá. Não sabemos como. Pode ser por transtornos sociais ou ecológicos provocados pelo próprio Homo sapiens numa forma apocalíptica, por uma tomada de uma posição nova pela humanidade ou de ambas maneiras.

A profecia representa um anseio profundo do ser humano por justiça e paz. Queremos ver as coisas colocadas em ordem, a derrota do mal, a vitória do bem e a felicidade ao alcance de todos. Desde o profeta, Isaías, há 2.750 anos, há profecias dum sucessor de Davi que virá para colocar ordem no “pasto”. Mas a cada ano, a solução parece cada vez mais remota. Os judeus ainda esperam o Messias e os cristãos, a volta de Cristo. Será que vem uma intervenção do alto? Ou a solução está conosco com cidadãos do Reino? Restam mistério e esperança!...

Jesus está entre nós, mas nem sempre percebemos a sua presença. Jesus falou que o Reino de Deus está dentro de nós. Já fazemos parte. Independente de qualquer evento catastrófico no futuro podemos compartilhar o “pasto” e viver sem “pisar o capim”, “sujar a água”, “empurrar os doentes” e “chifrá-los fora do rebanho”. Independente de um “rei” futuro, o Eterno já nos fala e nos guia.