quarta-feira, 30 de abril de 2008

PALAVRA ANIMADORA

Eles animavam e aconselhavam os cristãos

a ficarem firmes na fé

e também ensinavam

que era preciso passar por muitos sofrimentos

para entrar no Reino de Deus.

Atos 14.22 (leia 14.19-28) – BLH

Uma palavra amiga vale muito nas horas de tribulação. Um grande dom é ser "encorajador". Na Bíblia alguns tradutores usam a palavra "exortador". Mas, o sentido da palavra "exortar" na Bíblia não é "chamar a atenção" mas, encorajar. Em tempos difíceis, as palavras de ânimo valem muito. De modo geral, a vida é difícil e há muitas coisas que tentam nos tirar do Caminho. Se não fossem as pessoas amigas que nos "passam força", ficaríamos à margem da estrada...

Um dos grandes papéis da comunidade cristã hoje em dia é oferecer solidariedade uns aos outros. Às vezes os cristãos têm a idéia de que seu papel é fazer o outro "entrar na linha", corrigir apontando o seus erros. Entretanto, é a pior coisa que podemos fazer. A pessoa corrigida, sente-se fracassada, sem ânimo para continuar... Outro perigo: julgamo-nos superiores, ao corrigirmos o próximo.

terça-feira, 29 de abril de 2008

O PODER DA PALAVRA

Esse Homem ouviu as palavras de Paulo

e Paulo viu que ele acreditava

que podia ser curado.

Então olhou bem firme para ele

e disse em voz alta:

--Levante-se! Fique de pé!

O homem deu um pulo,

ficou de pé

e começou a andar.

Atos 14.9-10 (leia 14.5-18) – BLH

O poder da palavra falada na linguagem humana é maior do que geralmente imaginamos. Palavras bem escolhidas no momento certo, sugerem efeitos milagrosos. Na Bíblia, muita importância é dada à palavra. Por "palavra" não quero dizer, "trechos das escrituras" ou “fazer oração em voz alta”. "Usar a palavra" não quer dizer "manipular a Bíblia". A "Palavra de Deus" é a pessoa de Jesus (Jo.1,1). É também aquilo que alguém fala pelo Espírito de Deus.

Deus disse "Haja luz" e houve luz (Gen. 1.3). Paulo disse "Levante-se! Fique de pé" e o homem deu um pulo. O poder da palavra faz milagres! Pela nossa falta de fé na palavra, tiramos o corpo fora e optamos pelo "fazer uma oração na presença de alguém". Jesus foi claro em dizer que a oração verdadeira é aquela que é feita quando se está sozinho com Deus. Será que faltamos coragem para simplesmente dizer: "seja curado em nome de Jesus"? Será que muitas vezes “fazer oração” diante de uma pessoa necessitada é mais fácil do que confiar no poder da palavra? Temos fé que nossas palavras realmente tenham poder?

segunda-feira, 28 de abril de 2008

CONTEÚDO E FORMA

E o que ele manda é isto:

Que creiamos no nome do seu Filho Jesus Cristo

e que nos amemos uns aos outros,

como Cristo nos mandou.

1 João 3.23 (leia 3.18-24) – BLH

Uma das características da nossa existência é a reprodução. Vida reproduz vida, amor - amor, violência - violência, ódio - ódio e injustiça, mais injustiça ainda...

Nosso estilo de vida serve de "semente" para que sejam reproduzidas outras vidas de estilo igual. Vida orientada por Jesus reproduzirá outras vidas no estilo do amor de Jesus! Uma vida sem o amor é uma vida estéril em termos de fé cristã. Pode ter aparência e forma ética ou estilo cristão, mas, sem o amor, é estéril!

O conteúdo é essencial, a forma secundária. A Bíblia não dá muita atenção às formas e estruturas. Qualquer forma ou estrutura regida pelo amor pode funcionar bem e reproduzir uma vida de amor ao próximo.

O crescimento em número não é o critério de sucesso de uma igreja. - O câncer também cresce depressa. O critério é a "qualidade de vida" e não a sua longevidade.

Existe amor entre irmãos e irmãs? Existe compaixão pelos que não são da comunidade? Eis a questão fundamental.

domingo, 27 de abril de 2008

RIOS VIVOS OU LAGOS MORTOS

Pois esta é a ordem que o Senhor deu

a nós, o seu povo:

"Eu o coloquei como luz para as nações,

para que levasse a salvação ao mundo inteiro.

"Quando os não-judeus ouviram isso,

ficaram muito alegres e começaram a dizer

que a mensagem do Senhor era boa.

E creram todos os que tinham sido escolhidos

para ter a vida eterna.

Atos 13,47-48 (leia 13.44-52) – BLH

Somos "fins" e "meios" ao mesmo tempo. Na mesma hora que somos objetos do amor de Deus, somos também "meios" que Ele quer usar para que este amor chegue aos outros. Nunca somos meros "fins". O amor de Deus nunca deve parar em nós.

Podemos ser comparados ao leito de um rio. A água apenas passa por nós... Não fomos criados para receber e reter as águas da salvação, mas, repassá-las para frente! O leito que recebe as águas e não as passa adiante, não é mais um rio, torna-se um lago. O lago que não passa as águas adiante, se torna um “mar morto”...

O egoísta é aquele que se vê como "fim de todas as coisas", quer receber para acumular. O altruísta é aquele que se vê como "meio", quer receber para compartilhar...

sábado, 26 de abril de 2008

JESUS: A ESPERANÇA DE VIDA

Agora Deus fez para nós

o que havia prometido

aos nossos antepassados:

ele ressuscitou Jesus.

É assim que está escrito no Salmo dois:

"Você é o meu filho,

hoje eu me tornei o seu pai."

Atos 13,33 (leia 13.26-33) - BLH

O Novo Testamento afirma que em Jesus há vida, vida que não termina com a morte clínica do corpo. A ressurreição de Jesus, atestada por muitos escritores bíblicos, faz parte integrante do anúncio das boas novas. O tema "ressurreição" foi constante da pregação da igreja primitiva, o ponto mais combatido pelos inimigos do movimento. Com algumas exceções, o que mais queremos é a continuação da nossa existência...

A mitologia está repleta de divindades que são mortas e depois voltam a viver. Isto demonstra que, nos seres humanos de muitas culturas, isto é uma esperança comum. Para o cristianismo a ressurreição de Jesus é tema central.

Alguns aceitam a esperança da ressurreição como uma esperança a ser realizada em algum ponto futuro. Outros acreditam num acontecimento espiritual, não algo histórico ou alcançável concretamente. Mas, para todos, a ressurreição aponta a esperança de que a vida não termina com a morte do corpo.

sexta-feira, 25 de abril de 2008

A VONTADE DO PAPAI

Não é toda pessoa que me chama de "Senhor, Senhor"

que entrará no Reino do Céu,

mas somente quem faz a vontade do meu Pai,

que está no céu.

Mateus 7.21 (leia 7.21-29) – BLH

Jesus foi ousado em chamar Deus de “Papai”. Nos capítulos cinco a sete de Mateus, ele explica o que o “Papai” Celestial espera dos seus filhos e filhas. Culto, louvor e outras manifestações públicas não fazem parte destas expectativas. Quem confia em evangelização, exorcismo e a realização de milagres como meios de agradar e servir o Papai Celestial está se enganando. Pelo que Jesus falou, o Papai Celestial foge dos nossos “cultos”. Eles não têm nada a ver com seu projeto para a humanidade.

Os ensinamentos de Jesus são colocados como a rocha firme que representa a vontade do Papai. Estes ensinamentos resistem as tempestades da vida.

Incorporam valores básicos. Estes valores incluem: humildade diante das nossas limitações, a busca do bem e da paz e a disposição de sofrer por eles e o espírito de misericórdia (5.3-11). Levam-nos a atuação como sal e luz no mundo em que vivemos (5.13-16).

O amor impera em todos os relacionamentos: legais, comunitários, patrimoniais, matrimoniais, sexuais, e políticos. Lealdade e solidariedade são frutos deste amor. A violência da vingança contra os inimigos é descartada a favor do amor e perdão. Este amor é a marca da perfeição (5.17-48).

A prática da religião é com muita discrição. O auxílio aos necessitados é feito em segredo; somente eles e o Papai Celestial sabem. A oração é assunto do quarto de portas fechadas diante do Papai. O “Pai Nosso” é o modelo que Jesus deixou para esta oração. O jejum também é feito somente diante do Pai. Não há nada de “oba oba” e pompa ou de assembléias, conferências, congressos, concílios, etc. (6.1-18).

A verdadeira riqueza é interna. As incertezas de vida devem ser enfrentadas com fé. Não estamos sozinhos neste mundo. O Papai está conosco e sabe das nossas necessidades (6.9-7.12).

São poucos os que têm a coragem de seguir este caminho (7.13-14).

Cuidado com a religião! Falsos profetas são muitos e prometem muito, enganando muitas pessoas. Eles produzem os frutos descritos por Jesus? São discretos, humildes, compassivos, justos e engajados no bem da humanidade? Ou estão construindo seu próprio reino em nome de Jesus?

Somos condicionados a pensar no Reino de Deus em termos de igreja e o nosso relacionamento com Deus em termos de práticas religiosas. O Reino é muito maior do que a igreja. O nosso relacionamento com Deus está ligado ao nosso dia a dia no mundo e nosso relacionamento com todos que nos cercam. A vontade do Papai é viver o amor em tudo.

quinta-feira, 24 de abril de 2008

UM BRAVO, OUTRO MANSO

Certa vez,

quando eles estavam adorando o Senhor

e jejuando,

o Espírito Santo disse:

--Separem para mim

Barnabé e Saulo

a fim de fazerem o trabalho

para o qual eu os tenho chamado.

Atos 13.2 (leia 12.24-13.5) – BLH

O Espírito separou duas pessoas com características opostas para esta viagem missionária: uma brava, outra mansa. Saulo se realizava ao tomar a frente e fazer as coisas. Barnabé se realizava ao afirmar os outros e vê-los serem bem sucedidos na vida. O Espírito precisava de ambos para a sua obra.

Até aqui, Barnabé se destacava mais do que Saulo. Era ele quem tomava as iniciativas cuja palavra era ouvida e respeitada. Mas, deste ponto em diante, Saulo virou Paulo e começou a ser o mais destacado! Parece que isto não era problema para Barnabé... Ao contrário, Barnabé se alegrava ao ver os seus patrocinados acertarem na vida, e a bondade dele não tinha lugar para ciúmes.

Saulo (Paulo), embora convertido a Cristo, era intolerante. Tinha garra e entusiasmo, mas, não tolerava as fraquezas dos outros. Mesmo assim, Paulo foi grandemente usado por Deus.

Deus nos chama e nos usa apesar dos pontos negativos da nossa vida.

quarta-feira, 23 de abril de 2008

BONDADE: UMA GRANDE VIRTUDE

Quando chegou lá

e viu como Deus tinha abençoado aquela gente,

Barnabé ficou muito alegre.

Aconselhou todos a continuarem,

de todo o coração,

fieis ao Senhor.

Atos 11.23 (leia 11.19-26) – BLH

O que destacava Barnabé era a BONDADE. Barnabé era uma pessoa de coração generoso, que se alegrava com a felicidade dos outros. Barnabé foi um dos dois homens chamados de "bom" pelas escrituras cristãs (v24).

Se não fosse Barnabé, a vida de muitas pessoas teria sido bem diferente! A influência paulina estaria ausente da Bíblia. Pela iniciativa de Barnabé, Paulo foi levado à Antioquia e enviado à sua primeira viagem missionária, entrando em destaque na história da igreja.

Barnabé recuperou Marcos depois do seu fracasso nesta primeira viagem e, mais tarde escreveu o Evangelho de Marcos. Se não fosse a bondade de Barnabé, o Novo Testamento ficaria sem os Evangelhos de Marcos, Lucas, Atos dos Apóstolos e as cartas paulinas. Barnabé é responsável pela metade do Novo Testamento.

A virtude da BONDADE é muito mais poderosa do que se pode imaginar, está ligada à compaixão; ambas produtos do amor: -a maior de todas as virtudes!...

terça-feira, 22 de abril de 2008

A BÊNÇÃO DE ACEITAR OS OUTROS

Então a voz do céu me disse de novo:

"Não chame de impuro aquilo que Deus purificou"...

Aí três homens que me foram mandados de Cesaréia

chegaram à casa onde eu estava hospedado.

E o Espírito de Deus disse

que eu fosse com eles, sem duvidar.

Estes seis irmãos da cidade de Jope

também foram comigo,

e todos nós entramos

na casa de Cornélio.

Atos 11.9,11-12 (leia 11.1-18) – BLH

Muitas vezes nosso maior inimigo somos nós mesmos! Nós nos limitamos pelos nossos preconceitos. Pedro estava cheio de preconceitos religiosos e raciais que o impedia de se aproximar de alguém que não fosse da sua própria religião e raça. Foi preciso Pedro ter uma visão, e alguém que fosse atrás dele para insistir que ele fosse à casa do Cornélio...

A vida está cheia de tabus, de "não pode", que limitam as nossas ações. Muitas vezes estes tabus, ou preconceitos sociais, não têm nada com a realidade e nos roubam as experiências positivas. Pior ainda, muitos usam as escrituras para reforçarem seus preconceitos e barreiras.

Uma visão de que todos são criaturas amadas por Deus e fazem parte da criação pode abrir novas portas de ação e bênção! Ninguém deve ser desprezado ou rejeitado! Aqueles que rejeitamos podem significar uma oportunidade perdida de sermos uma bênção, e também sermos abençoados...

segunda-feira, 21 de abril de 2008

AMOR E DESAMOR

Vejam como é grande o amor do Pai por nós!

O seu amor é tão grande,

que somos chamados filhos de Deus

e somos mesmo seus filhos.

O mundo não nos conhece

porque não tem conhecido a Deus.

1 João 3.1 (leia 3.1-2) – BLH

O amor é uma força transformadora. Pelo amor somos feitos à imagem daquilo que nos formou. Pelo amor somos expressão da nossa origem! O amor nos transforma em algo divino...

O desamor, no mundo em que vivemos, desconhece o amor e as suas manifestações. É algo completamente estranho que não cabe no seu conceito, nem na sua estrutura... Neste sentido, o mundo não conhece Deus, e não conhecendo Deus, não tem como conhecer aqueles que são transformados pelo amor! A vida de amor, para o mundo, é uma loucura sem sentido nenhum.

O amor (compaixão) se preocupa com os fracos, com o "resto" da sociedade. A filosofia do desamor é: usar, abusar e, depois, jogar fora. A filosofia do amor é: respeitar, conservar e recuperar. A ação do amor atropela a ação do desamor. O amor quer respeitar e conservar, mas o desamor quer explorar e destruir. O mundo desconhece os filhos do amor porque seus propósitos são contrários, não são aceitáveis e nem podem ser...

domingo, 20 de abril de 2008

TEMPOS DE BONANÇA

A Igreja estava em paz

em toda a região da Judéia, Galiléia e Samaria.

Ela ficava cada vez mais forte,

crescia em número

com a ajuda do Espírito Santo

e mostrava grande respeito pelo Senhor.

Atos 9.31 (leia 9.31-42) – BLH

Paz e progresso chegaram a ter a sua vez! Viveram épocas de bonança.

As lutas não são constantes e intermináveis. As tréguas dão oportunidades para recuperação e crescimento! As lutas e conflitos são preparações para tempos de paz e progresso...

Quando a luta e os problemas parecem estar dominando a vida, podemos ter a esperança de que virão melhores dias em que o sofrimento será recompensado. - Tudo tem sua época!. O que é necessário é a "paciência para aguardar". O semear há de produzir o seu fruto na estação certa. Tudo tem razão de ser.

Esta paz pode, também, ser uma paz interna. O ponto central desta paz era o Senhor! O crescimento da Igreja, obra do Espírito Santo, unia o povo no Senhor.

Quando o Senhor da Vida é o centro da vida, seja do indivíduo, da Igreja ou da comunidade, há paz e fortalecimento. Ao colocar o centro em lideranças, doutrinas, e costumes, começam aparecer conflitos desgastantes. Conflitos nunca estão em torno do amor.

sábado, 19 de abril de 2008

O FIM DA PICADA

Saulo se levantou do chão e abriu os olhos,

mas não podia ver.

Então o pegaram pela mão e o levaram para Damasco.

Ele ficou três dias sem poder ver

e nesses dias não comeu nem bebeu nada.

Atos 9.8-9 (leia 9.1-20) – BLH

Foi o fim do mundo para Saulo. Ele andava sem destino, guiado pelas mãos dos outros. Todas as suas certezas e convicções evaporaram... Tudo entrou em colapso! Não restou nada... Apagou a sua visão do mundo. Não enxergava mais nada. Não se alimentava, nem bebia. Estava em estado de choque!

Para o novo nascer o velho tem que morrer. Morrer é um processo doloroso. Envolve o "abrir mão" de tudo que temos, a perda de tudo o que é de valor, a chegada ao fim do caminho conhecido... Envolve passarmos do conhecido para o desconhecido!

A nossa transformação só pode acontecer se passarmos dos limites da nossa tolerância, quando chegarmos ao ponto de percebermos que não dá mais. A transformação não é para aqueles que já tem o céu na terra, que ainda confiam naquilo que está sob o seu domínio para salvá-los. É para aqueles que se sentem perdidos e que percebem que as suas forças não são suficientes para vencer na vida. Estes conseguem se abrir para um caminho novo.

sexta-feira, 18 de abril de 2008

REINO DE PARADOXOS

Quando Jesus viu aquelas multidões,

subiu um monte e sentou-se.

Os seus discípulos chegaram perto dele,

e ele começou a ensiná-los. Jesus disse:

-Felizes os que sabem que são espiritualmente pobres,

pois o Reino do Céu é deles.

-Felizes os que choram,

pois Deus os consolará.

-Felizes os humildes,

pois receberão o que Deus tem prometido.

-Felizes os que têm fome e sede de fazer a vontade de Deus,

pois ele os deixará completamente satisfeitos.

-Felizes os que têm misericórdia dos outros,

pois Deus terá misericórdia deles.

-Felizes os que têm o coração puro,

pois eles verão a Deus.

-Felizes os que trabalham pela paz entre as pessoas,

pois Deus os tratará como seus filhos.

-Felizes os que sofrem perseguições por fazerem a vontade de Deus,

pois o Reino do Céu é deles.

-Felizes são vocês quando os insultam, perseguem e dizem todo tipo de calúnia contra vocês por serem meus seguidores.

Fiquem alegres e felizes, pois uma grande recompensa está guardada no céu para vocês. Porque foi assim mesmo que perseguiram os profetas que viveram antes de vocês.

Mateus 5.1-12

Parece um absurdo: a felicidade ligada à pobreza, choro, fome, sede, sofrimento e perseguição. Todos sabem que tudo isto é desgraça e só leva à tristeza. O nosso esforço é para não sermos pobres, nem sofrermos de fome ou sede, mas sermos benquistos por todos. Pregamos a salvação popular que deve nos livrar de tudo que oprime o ser humano, inclusive a libertação dos males que nos cercam. A prosperidade é sinal da bênção divina.

Mas o Reino de Deus não segue as normas da religião popular. Os valores são invertidos. O que parece desgraça é, na realidade, graça. Jesus deu os seguintes exemplos:

Felicidade é reconhecermos nossa pobreza de espírito e as nossas limitações. Ilusões de grandeza podem trazer uma alegria momentânea, mas tais ilusões se transformam em desilusões a longo prazo. Desilusão resulta em infelicidade.

Felicidade é sermos consolados. As lágrimas podem ser de dores de parto para novas possibilidades na vida. O choro da noite se transforma na alegria do nascer dum novo dia.

Felicidade é sermos surpreendidos pela recompensa do bem. Os humildes servem sem visar recompensas. Muitos súditos do Reino nem sabem que pertencem a ele. Muitos dos “bons” que os condenam e se julgam dignos são os verdadeiros infelizes…

Felicidade é a satisfação que vem ao fazermos o bem. O próprio bem é a sua maior recompensa. O reconhecimento dos outros é agradável, mas secundário.

Felicidade é curtirmos a misericórdia de Deus. A consciência da graça divina nos dá força para exercermos a misericórdia para com aqueles que nos desejam mal.

Felicidade é vermos os outros como Deus nos vê e vermos Deus nos outros! A pureza de coração consiste em não projetarmos as nossas falhas nos outros. Quem é puro vê pureza nos outros.

Felicidade é vivermos em paz com os outros. O Reino é de paz e os filhos do Reino são pacíficos. Quem provoca contendas vive o anti-reino.

Felicidade é agirmos ao lado do bem, independente das conseqüências. Os filhos do Reino não são perseguidores, mas, mesmo assim, são perseguidos muitas vezes.

Felicidade é sabermos que as calúnias dos outros não têm fundamento. Antes sermos perseguidos por fazermos o bem do que fazermos o mal.

Felicidade é sabermos que, com Deus, tudo terminará bem. Os obstáculos não podem prevalecer diante do Reino. Se somos do Reino não há o que temermos. A eternidade é nossa!

quinta-feira, 17 de abril de 2008

COMBATE INÚTIL

Porém Saulo procurava acabar com a Igreja.

Ia de casa em casa,

arrastava homens e mulheres

e os jogava nas cadeias.

Atos 8.3 (leia Atos 8.1-8) – BLH

Com água não se apaga um incêndio de gasolina ou de óleo. Quanto mais água jogada, mais o incêndio se espalha. Saulo jogava "águas de perseguição", mas, com isso, os perseguidos foram espalhados e o número dos seguidores do Caminho aumentava cada vez mais! Deste fato nasceu o ditado que, os mártires eram a semente da Igreja.

A lição é dupla:

- Primeiro: não adianta lutar contra a verdade, pois ela não será destruída. Não vale a pena lutar contra a mentira, porque ela se destrói sozinha, sem a nossa ajuda. Lutar contra a verdade ou contra a mentira é perda de tempo!

- Segundo: o importante é descobrirmos qual a verdade e nos aliarmos a ela. Optando pela verdade, nada temeremos. A perseguição não pode destruí-la, nem a morte vencê-la!

A perseguição nunca é o caminho certo, nunca transformou ninguém; somente reforça a convicção dos perseguidos estejam eles certos ou errados!

Estêvão venceu Saulo com a oração: --"Senhor! Não os condenes por causa deste pecado!"

quarta-feira, 16 de abril de 2008

UMA VISÃO DO ALÉM

Então disse:

--Olhem! Eu estou vendo o céu aberto

e o Filho do Homem em pé do lado direito de Deus!

Enquanto atiravam pedras,

Estêvão chamava Jesus, dizendo:

--Senhor Jesus, recebe o meu espírito!

Depois, ajoelhou-se e gritou com voz bem forte:

--Senhor! Não os condenes por causa deste pecado!

E depois de dizer isso, morreu.

Atos 7.56,59-60 (leia 7.51-8.1) – BLH

A visão dos que estão morrendo pode ter algo a nos ensinar. Podemos aprender com os que estão chegando ao fim desta forma de vida que conhecemos. Há algo que indique em muitos casos que a percepção da realidade fica alterada e percebem o que os outros não estão percebendo. Alguns têm visões do paraíso e outros entram em contacto com parentes e amigos já falecidos. Meu pai conversou com o irmão dele já falecido, há anos!...

É provável que esta cena tenha ficado profundamente gravada na mente de Saulo que assistiu a morte de Estêvão. Tempos depois, Saulo ficou cego. Convertido, como resultado de uma visão de Jesus, mudou sua vida.

terça-feira, 15 de abril de 2008

MEDO E MENTIRA

Então arranjaram alguns homens

para dizerem mentiras a respeito dele [Estêvão].

Atos 6.13a (leia 6.8-15) – BLH

Estêvão tinha que morrer porque representava mudança. Mudanças são ameaçadoras, muitas vezes! Esta nova mensagem pregada por Estêvão representava uma mudança. Por isso, era necessário eliminá-la, mesmo lançando mão de mentiras e falsas testemunhas. A ironia era que a mensagem era libertadora não somente para o povo, mas também para a liderança perseguidora.

O maior obstáculo à libertação dos oprimidos não são os opressores, mas, os próprios oprimidos! Os oprimidos encarnam a opressão e o opressor. Têm medo de ficar sem ele. A mudança traz a incerteza. Não sabemos o que vai acontecer com a nova situação, mas, embora com sofrimento, a antiga situação representa terreno conhecido e dá segurança. Os aproveitados, juntos com os aproveitadores, resistem às mudanças.

Um evangelho que representa mudanças profundas vai encontrar resistência por toda parte. Se o nosso evangelho não provoca resistência é porque ele não está sendo visto como algo que ameaça o estado das coisas como são. Será que as igrejas não são perseguidas porque são apáticas à opressão da injustiça e corrupção da nossa sociedade? Os políticos cristãos não são vistos como ameaças ao sistema?

segunda-feira, 14 de abril de 2008

DEFESA CONTRA PECADO

Meus filhinhos,

escrevo isso a vocês

para que não cometam pecado.

Porém,

se alguém pecar,

temos Jesus Cristo,

que não tem nenhuma culpa;

ele nos defende diante do Pai.

1 João 2.1 (leia 2.1-5) – BLH

A vida é tão complexa que as coisas não funcionam perfeitamente. Há sempre correções a serem feitas. O corpo com seus bilhões de variáveis está sempre se corrigindo e se consertando. O processo de cura é uma constante. Com todos os outros aspectos da natureza é a mesma coisa. A cura e a recuperação fazem parte integrante da ordem.

É por isso que a religião faz parte de todas as culturas, nunca atingindo o ideal. O ser humano está sempre aquém das suas aspirações, sentindo-se frustrado e procurando uma maneira de superar as frustrações. A teologia cristã tem o conceito de pecado, cuja interpretação é "errar o alvo". O conceito de pecado original é a tendência universal de errar o alvo. Não é para errar, mas ninguém consegue viver sem o erro. A teologia cristã diz que Jesus conseguiu o que era impossível para os demais: viver sem pecar e poder passar os benefícios de perfeição para os demais! É uma maneira de dizer que errar não é fatal. Podemos ter a confiança que mesmo errando temos vida.

domingo, 13 de abril de 2008

UM TRABALHO HUMILDE E DIGNO

Por isso, irmãos, escolham entre vocês

sete homens de confiança,

cheios do Espírito Santo

e de sabedoria,

e entregaremos esse serviço a eles.

Atos 6.3 (leia Atos 6.1-7) – BLH

A tarefa era apenas fazer a distribuição de mantimentos para as viúvas, mas, as "qualificações" eram altas! A tarefa, embora simples, era de grande importância e por isso deveria ser feita com toda a perfeição e dedicação.

Realmente, não existem serviços sem importância. Tudo que se faz na vida é importante e deve ser feito com dedicação e perfeição. Tudo que se faz na vida reflete na vida dos outros e no meio ambiente. Nada deve ser feito de qualquer jeito.

A cultura tem uma escala de valores. Algumas atividades são valorizadas mais do que outras. Determinadas profissões são melhor remuneradas do que outras. Por não ser valorizado pela cultura, não quer dizer que o trabalho não tenha importância. O lixeiro não é um profissional honrado na cidade. Deixá-lo entrar em greve, por alguns dias, tornará a vida da cidade insuportável e até perigosa para a população!... Num hospital, limpar bem o banheiro, pode ser tão importante quanto fazer uma grande cirurgia.

Estamos longe do evangelho quando damos mais valor ao pastor da igreja do que ao zelador, mais valor ao bispo do que a um entregador de pizza. Glorificamos as aparências de grandeza e desprezamos a humildade de serviço anônimo.

sábado, 12 de abril de 2008

UM CONSELHO SÁBIO

Portanto, não façam nada agora contra estes dois homens. Deixem que vão embora porque,

se este plano ou este trabalho vem de seres humanos, desaparecerá.

Mas, se vem de Deus,

vocês não poderão destruí-lo,

pois neste caso

estariam lutando contra Deus!

Atos 8.38-39 (leia 8.34-42) – BLH

Não adianta se opor aos movimentos que não são de acordo com nossas convicções e costumes. Eles vêm ao encontro das carências humanas e lidam com necessidades básicas da vida humana que devem ser levadas a sério. Até as modas passageiras têm uma função social. Os movimentos e tendências da sociedade e da cultura são respostas às necessidades do ser humano. Podem não ser respostas adequadas, até serem prejudiciais, mas são respostas mesmo assim... Simplesmente fazer oposição, não adianta. Melhor seria oferecer alternativas mais adequadas.

Em vez de criticarmos os movimentos e aqueles que deles fazem parte, melhor seria descobrirmos o que podemos fazer para oferecer uma alternativa melhor e nos arrependermos por não termos feito antes. A busca de novidades religiosas ou sociais vem de carências profundas e de uma procura de soluções. São oportunidades para nós fazermos algo positivo e criativo diante destas carências. Oposição e perseguição são respostas negativas. O positivo seria oferecer algo melhor.

Lembrem-se: Para vender o nosso peixe, não precisamos falar mal do peixes dos outros.

sexta-feira, 11 de abril de 2008

ESCURIDÃO E LUZ

O povo que vive na escuridão verá uma forte luz!

E a luz brilhará sobre os que vivem na região escura da morte!

Mateus 4.16 (leia 4.12-23) – BLH

O início do ministério de Jesus é o tema deste texto. Mateus, diferente dos outros evangelistas, muda a residência de Jesus de Nazaré para Cafarnaum, usando o texto de Isaías 9.1-2 como justificativa. Esta profecia se refere à região de Cafarnaum. Jesus é colocado como cumprimento da profecia.

Se não fosse a existência de problemas graves, não haveria a necessidade de esperança. O tema: escuridão e luz se repete em toda a narração bíblica. Nesta profecia de Isaías, a declaração “O povo que vive na escuridão verá uma forte luz!” é valida, não somente para o povo que morava naquela redondeza na época de Isaías e de Jesus, mas para todos os povos na atualidade que vivem nas “regiões escuras da morte”.

O ministério de Jesus revela a boa notícia da luz na escuridão e estabelece a meta para nossa missão no mundo de hoje.

A meta de Jesus era o povo. Ele atravessou as barreiras socais e religiosas que separavam as pessoas. Era escandaloso: falava em público com mulheres de vida duvidosa, comia a bebia com pessoas discriminadas pelos “bons”, aceitou o afeto de uma mulher pecadora e defendeu outra culpada de adultério que ia ser apedrejada, tocava os intocáveis, profanava as regras religiosas para atender aos necessitados e elogiava a fé de pagãos.

Os sinais do Reino anunciados não eram religiosos e não tinham nada a ver com práticas de culto público. Os sinais do Reino se encontravam no ambiente da vida diária e eram: corpos e espíritos curados, famintos alimentados, presos visitados, forasteiros hospedados, nus vestidos e inimigos perdoados. A oração e a esmola eram práticas discretas sem o conhecimento público. Atos públicos de piedade foram condenados como hipocrisia. A construção de templos suntuosos e a montagem de organizações eclesiásticas não faziam parte do Reino que Jesus anunciou.

O Reino de Deus está perto. Onde há manifestações de compaixão, onde há aceitação do próximo como ele é, onde há perdão, e onde há amor, paz, alegria e fé, aí está o Reino.

O arrependimento é a inversão de valores. O Reino dentro de nós nos faz mudar as nossas prioridades. Antes, a prioridade de Simão, André, Tiago e João era a rede de peixes: depois, passou a ser gente. Fora do Reino amamos as coisas e usamos as pessoas. Dentro do Reino amamos as pessoas e usamos as coisas. O Reino inverte os valores. É assim que a luz brilha na escuridão.

quinta-feira, 10 de abril de 2008

ABRINDO AS PORTAS DA CADEIA

Mas naquela noite um anjo do Senhor

abriu as portas da cadeia,

levou os apóstolos para fora

e disse:

-- Vão ao Templo e contem ao povo tudo

a respeito desta nova vida.

Atos 5.19-20 (leia Atos 5.17-26) – BLH

A essência do evangelho é a libertação - "um anjo do Senhor abriu as portas da cadeia". Muitas pessoas se encontram presas a atitudes negativas, hábitos prejudiciais, conceitos distorcidos, emoções enterradas e valores trocados. Não conseguem se livrar de si mesmas e vivem frustradas e infelizes. As portas desta prisão não abrem sozinhas, são abertas pelos “anjos do Senhor”! Anjo quer dizer mensageiro... Somos objetos desta libertação e, ao mesmo tempo, anjos para levar a mensagem desta libertação a outros presos.

Como anjos, abrimos portas, mas, a missão não termina aí. Acompanhamos as pessoas pelas portas de saída. Não adianta uma porta aberta se não passamos por ela. Os anjos acompanham os presos no seu caminho para alcançar a liberdade.

O que faremos com a liberdade alcançada? - Contar para os outros desta libertação. Os libertados se tornam libertadores. O evangelho nos liberta e nos transforma em instrumentos da libertação.

quarta-feira, 9 de abril de 2008

SOCIALISMO CRISTÃO

Todos os que creram pensavam

e sentiam do mesmo modo.

Ninguém dizia que as coisas que possuía

eram somente suas,

mas todos repartiam uns com os outros

tudo o que tinham.

Atos 4.32 (leia Atos 4.32-37) – BLH

Tudo era de todos. Um dos efeitos do evangelho na vida dos "do Caminho" era uma extrema solidariedade humana! Este tudo era tudo mesmo... A carência de um era a carência de todos e a vitória de um era a de todos. Eles estavam tentando pôr em prática o mandamento: "ame a seu próximo como a si mesmo". O evangelho conseguiu romper o muro de isolamento social que os separava dos demais seres humanos antes do pentecostes. Esta generosidade era também o resultado do rompimento de barreiras internas.

Uma das maiores libertações do evangelho é a libertação interna, a nossa libertação de nós mesmos!... Muitas vezes nós nos tornamos escravos de nós mesmos e nos isolamos dos outros. Isto é auto destrutivo. O nosso bem estar nunca pode existir isolado do bem estar dos outros. Esta foi a descoberta da igreja primitiva.

O lado negativo foi que este ideal foi destinado ao fracasso e durou pouco. As cooperativas eram apenas de consumo sem incluir a produção! As comunidades estavam esperando Jesus voltar logo e não renovavam seus bens comuns. Depois, veio a fome e foram socorridas por outras comunidades. Teveram o mesmo destino do Jardim de Éden. O ser humano é incapaz de manter um paraíso.

terça-feira, 8 de abril de 2008

NOSSO PRIMEIRO PRESENTE

Por isso Cristo,

ao entrar no mundo disse:

"Tu, ó Deus,

não queres sacrifícios e ofertas de animais,

mas preparaste um corpo para mim...

E, porque Jesus Cristo fez o que Deus quis,

nós somos purificados do pecado pela oferta que ele fez,

uma vez por todas,

do seu próprio corpo.

Hebreus 10.5,10 (leia 10.4-10) – BLH

Das "coisas" que temos, a mais importante é o nosso próprio corpo. Foi a primeira coisa que ganhamos, mesmo antes de nascer, e sem ele nós não seriamos nós, deste jeito que somos. Será a última coisa tirada de nós e, ao perdê-lo, não seremos mais nós, deste jeito que somos. A última provação que Jó sofreu foi a perda da sua saúde e o sofrimento causado por ela.

A entrega máxima de Jesus a Deus foi a do seu próprio corpo! A entrega máxima de amor entre duas pessoas, também, é do próprio corpo... A nossa entrega a Deus e ao Seu Reino, também, é do nosso próprio corpo!

Na Bíblia, a "alma" não é algo à parte, mas é o conjunto do espírito com o corpo. A bem-aventurança da alma inclui o corpo.

segunda-feira, 7 de abril de 2008

O IRMÃO CHATO

Todo aquele que crê que Jesus é o Messias

é filho de Deus.

E quem ama um pai

ama também os filhos desse pai.

1 João 5.1 (leia 5.1-6) – BLH

Fé, atitudes e atos, todos fazem parte de uma realidade só. A nossa cultura ainda fragmenta a vida, desvinculando fé, atitudes e atos. Muitos dizem que crêem que Jesus é o filho de Deus, mas julgam outros seguidores de Jesus e falam mal deles somente porque têm costumes e práticas diferentes! Dizem que crêem em Jesus, mas não amam outros cristãos e se julgam superiores. Dizem que amam os irmãos, mas não fazem nada para ajudá-los quando passam necessidade ou quando erram. Em vez de ajudá-los a se levantar, pisam neles, afastando-os da comunhão.

Muitos de nós somos como o filho mais velho da parábola do "Filho Pródigo". O filho mais velho era o maior pródigo dos dois. Ele odiava seu irmão mais novo e nem o aceitava como irmão. Ao reclamar das injustiças que o pai cometia ao receber o filho de volta com festa, o chamava de "seu filho" em vez de "meu irmão". Há muitos "cristãos" hoje que dizem que amam a Deus, mas rejeitam os cristãos de outras igrejas. Carismático rejeita tradicional, tradicional rejeita progressista, protestante rejeita católico...

domingo, 6 de abril de 2008

SILÊNCIO IMPOSSÍVEL

Mas Pedro e João responderam:

-- Os senhores mesmos julguem diante de Deus:

Devemos obedecer aos senhores ou a Deus?

Porque não podemos deixar de falar

daquilo que vimos e ouvimos.

Atos 4.19-20 (leia Atos 4.13-21) – BLH

Uma vez que experimentamos a verdade é impossível vivermos a mentira! Pedro e João haviam experimentado a verdade da ressurreição de Jesus. Agora, não era mais possível viverem como antes, sem a nova esperança que havia nascido no seu peito. Agora, estavam sendo proibidos de falarem desta nova verdade em suas vidas. A escolha era: ou cediam às proibições e ficavam calados com o efeito de negarem a verdade, ou obedeciam a esta nova verdade e compartilhavam-na com os demais.

Ao ignorar proibições, estamos nos expondo à perseguição e perigo. Ao cedermos, estamos "ferindo a nós mesmos". Obedecer a verdade é andar na luz. Negar a verdade, mesmo pela omissão, é caminhar nas trevas.

Pedro e João não tinham dúvida. A verdade da ressurreição e a nova vida em Cristo eram tão fortes que não podiam ficar calados diante de qualquer ameaça.

Será que a minha verdade é tão forte que estou disposto a enfrentar qualquer perigo em vez de ficar calado para me proteger?

sábado, 5 de abril de 2008

TESTEMUNHO PODEROSO

Porém muitas pessoas

que ouviram a mensagem creram,

e o número de homens que creram

chegou a mais ou menos cinco mil.

Atos 4.4 (leia 4.1-12) – BLH

Uma palavra de testemunho é poderosa! Os seguidores de Jesus haviam presenciado a ressurreição dele e falavam daquilo que era a grande realidade na vida deles. Uma palavra de testemunho vem do coração e não da cabeça e, por isso, atinge o íntimo dos ouvintes... Os discípulos não estavam falando do que pensavam ou do que achavam, mas do que tinham visto. Idéias vêm da cabeça e são mais fáceis de serem ignoradas...

De um lado, o testemunho poderoso a respeito da ressurreição de Jesus provocou uma grande aceitação, indo ao encontro das ansiedades de um número muito grande do povo. Do outro lado, provocou uma grande reação negativa. Começou ameaçar um grande sistema de crenças e práticas que serviam como segurança e meio de vida para uma outra faixa da população. A palavra "testemunho" servia de esperança para uns, mas, de ameaça para outros.

Compartilhar uma experiência tem muito mais valor do que defender uma convicção. Argumentos vêm da cabeça e podem criar conflitos. Experiências compartilhadas são assuntos do coração contra os quais não existem argumentos.

sexta-feira, 4 de abril de 2008

A BÊNÇÃO DA TENTAÇÃO

O Espírito Santo levou Jesus ao deserto

para ser tentado pelo Diabo.

Mateus 4.1 (leia 4.1-11) – BLH

A tentação é de Deus. Conforme esta passagem, o Espírito Santo colocou Jesus no caminho da tentação. Isto pode nos chocar, pois o pensamento popular acha que Deus não tem nada a ver com a tentação. Mas, na economia divina, a tentação tem um papel importante em nossa vida. É como o vento que sopra contra a árvore. Ao resistir o vento, ela se fortalece. Se não fosse o sopro do vento a árvore seria frágil e cairia com facilidade. Os tentadores são instrumentos que Deus usa para nos fortalecer. Gênesis relata que foi Deus que colocou a serpente no jardim junto com o primeiro casal.

A tentação faz parte da nossa humanidade. Sem ela, não seriamos humanos. Na sua humanidade, Jesus foi tentado igual a todos nós. Esta passagem nos diz a respeito da natureza das tentações e como foram vencidas. Jesus usou as tentações como pedras duma escada. Ao vencê-las, subiu. Poderia ter tropeçado e caído.

A primeira tentação era Jesus usar seu poder para aliviar a tremenda fome que estava sentindo. Seria perfeitamente legítimo transformar pedra em pão. Mas comer não era sua prioridade no momento. Ele estava se saciando do “outro pão” e ainda não era hora da “merenda”. A tentação seria Jesus se desviar da sua prioridade do momento para atender uma necessidade pessoal. Esta tentação é comum a todos nós. Evitamos sacrifício pelos outros (Reino). Usamos o nosso poder para, primeiro, cuidar dos nossos interesses pessoais e o Reino fica com as sobras que não fazem grande falta. A nossa cruz é pequena e leve.

A segunda tentação era Jesus usar seu poder para fazer uma coisa espetacular, mas inútil. A finalidade do poder não é se exibir. Seria a tentação de convencermos os outros por sinais, milagres e maravilhas. Podemos imaginar o grande impacto de tal façanha diante da multidão em frente do templo naquele dia! Seu “IBOPE” seria instantâneo mas seria um ministério sem cruz. É muito mais fácil buscar o caminho do espetacular do que ser o sal da terra, sem os outros para aplaudir a nossa espiritualidade e liderança.

A terceira tentação era Jesus se vender e trazer o Reino pela força. O mundo segue o caminho do domínio para estabelecer seus “paraísos”. Mas Jesus escolheu o caminho do servo. Nunca comandou um exército, ocupou cargo político ou religioso e não deixou nada escrito. Recusou o cetro do poder e caminhou em direção da cruz! A verdadeira adoração é o serviço humilde ao próximo. Ao servirmos os outros, servimos a Deus.

Ao vencermos as tentações somos fortalecidos para seguirmos o caminho da cruz. As tentações revelam quem somos nós e nos dão oportunidades para crescer.

quinta-feira, 3 de abril de 2008

O QUE TENHO

Então Pedro disse:

-- Não tenho nenhum dinheiro,

mas lhe dou o que tenho:

Em nome de Jesus Cristo, de Nazaré,

levante-se e ande!

Atos 3.6 (leia 3.1-10) – BLH

O significante não é o que não temos, mas sim, aquilo que temos. Muitas vezes deixamos o "não ter" apagar o valor daquilo que temos. Ficamos lamentando o que não temos e nos esquecemos aquilo que temos!

O que não temos não tem valor nenhum. Está fora do nosso alcance e do nosso domínio. Não podemos utilizá-lo. O que podemos fazer é perder o nosso tempo ao lhe darmos muita atenção. Neste sentido, ele pode nos prejudicar, tirando a nossa paz e roubando a nossa energia.

Por outro lado, aquilo que nós temos, por pouco que seja, é de muito valor. Sendo nosso e estando sob o nosso domínio, podemos utilizá-lo para o bem. De qualquer forma, é precioso.

O que é que tenho? Saúde, inteligência, o presente momento, um senso da presença do Eterno com o rosto de Jesus, vários conhecimentos e habilidades, uma situação econômica aparentemente estável e confortável, amizades, influência e muitos sentimentos e propósitos positivos. Puxa!!... Com tudo isto estou fazendo tão pouco!!...

quarta-feira, 2 de abril de 2008

ALÉM DAS APARÊNCIAS

Todo o povo de Israel deve ficar bem certo

de que este Jesus que vocês crucificaram,

Deus o fez Senhor e Messias.

Atos 2.36 (leia 2.36-41) – BLH

"As aparências enganam" é um ditado muito mais profundo do que se pode imaginar! Jesus era insignificante em termos da cultura da sua época. Vivia à margem da sociedade, de origem bem humilde e sem nenhum poder político ou econômico. Tinha somente um grupo pequeno e instável de seguidores de pouca expressão. Dispensável, seria uma vítima perfeita para satisfazer as frustrações das massas.

A humanidade, especialmente na nossa cultura, não mudou em nada. Continua a jogar fora vidas, achando que são "descartáveis". Mas, ao jogarmos fora a vida de alguns, jogamos fora a vida de todos. A rejeição de Jesus resultou em tragédia para o povo todo, a perda da oportunidade de viver a vida na sua plenitude! Em vez da plenitude de vida, o povo caminhou para uma desgraça nacional ao ser destruído como nação.

A globalização dos nossos dias joga fora a vida de milhões de pessoas marginalizadas nas nações pobres e dos grandes centros urbanos. O preço será mais alto, maior que possamos imaginar!

Será que ainda há tempo para nos arrependermos do nosso egoísmo? Pensamos somente em nosso bem estar à custa do bem em dos outros e de toda a criação! Vivemos num mundo que sacrifica os “pequenos e fracos” e exalta os “grandes e poderosos”. A nossa redenção depende da redenção de todos.

terça-feira, 1 de abril de 2008

EXPERIÊNCIA PESSOAL

Pedro continuou:

-- Homens de Israel, escutem estas palavras.

Como vocês sabem muito bem,

Deus mostrou a vocês que

Jesus foi um homem aprovado por ele.

Pois Deus, por meio de Jesus,

fez no meio de vocês milagres,

maravilhas e coisas extraordinárias.

...Deus ressuscitou o mesmo Jesus,

e todos nós somos testemunhas disso.

Atos 2.22,32 (leia 2.14,22-32) – BLH

Devemos falar somente daquilo que temos visto e sentido. A fé cristã, em primeiro lugar, é uma experiência pessoal, não é um conjunto de teorias, sistema de teologia ou uma série de dogmas; embora tentamos explicar esta experiência por estes meios. É um grande erro promover a nossa explicação em vez de testemunhar a nossa experiência.

Muitas vezes, uma teoria toma o lugar de uma experiência. Achamos que, na ausência de uma experiência, uma teologia pode convencer alguém e acabamos só convencendo a nós mesmos! Muitas das divisões dentro do cristianismo são em torno de interpretações, teorias, dogmas e credos. A experiência deve gerar união e solidariedade.

O mundo, hoje, precisa de pessoas que tenham uma experiência para compartilhar e não teorias bonitas! A experiência "brota" do coração e provoca mudanças, enquanto que a teoria "nasce" da cabeça, cria polêmicas e divisões ou apenas desperta curiosidade.