terça-feira, 30 de setembro de 2008

CRIANÇAS E IDOSOS

Mais uma vez
os velhinhos e as velhinhas, com as suas bengalas na mão,
vão se sentar nas praças de Jerusalém.
E as praças ficarão cheias de meninos e meninas brincando.

Zacarias 8.4-5 (leia 8.1-8) – BLH

Uma visão da utopia inclue os idosos e as crianças! A injustiça e a opressão atingem mais os velhos e os novos do que as idades intermediárias. Quem mais sofre hoje em dia são os idosos que perderam as suas forças, a sua resistência e não têm quem cuide deles. Também as crianças precisam de todo apoio de uma estrutura social e familiar para sobreviver e se desenvolver. Uma visão de uma praça cheia de velhos e crianças é uma visão de justiça que produz a verdadeira paz.

Esta paisagem é cada vez mais rara com a violência crescente contra o ser humano e o meio ambiente. Hoje, os velhinhos e as velhinhas estão nas praças, não para passear, mas para achar onde dormir. Os meninos e as meninas estão nas poucas praças que existem, não para brincar, mas para ganhar um pouquinho de pão por meio de serviços de pequeno rendimento, ou de furto. Suas brincadeiras são as de adultos: cheirar cola, fumar maconha, e usar outros tóxicos, prostituir-se; brincadeiras que levam as crianças à morte prematura ou à condenação a uma vida sub-humana.

segunda-feira, 29 de setembro de 2008

O CLAMOR DO TRABALHADOR

....e não têm pago os salários dos homens

que trabalham nos seus campos.

Escutem as reclamações deles!

Os gritos dos que trabalham nas colheitas

chegaram até os ouvidos de Deus,

o Senhor Todo-poderoso.

Tiago 5.4 (leia 5.1-6) – BLH

Quem toma o nome de Cristo, toma também o nome de toda a humanidade. A justiça social não é para ser aplicada apenas aos "irmãos". A antiga lei de Moisés lembrava dos estrangeiros que habitavam entre o povo de Israel. Independentemente de sua raça, sexo, religião ou ideologia, cada pessoa tem o direito divino de receber pelo seu trabalho. Parece que Tiago estava vendo a injustiça salarial e a exploração injusta de mão de obra entre os irmãos da igreja, justamente onde não deveria existir.

Qualquer ofensa contra o ser humano é também uma ofensa contra Deus. E por extensão, a agressão contra o meio ambiente seria incluída, porque não é possível agredir o meio ambiente sem agredir o ser humano. Ao prejudicar o próximo, o agressor está prejudicando a si mesmo. A vida é uma unidade inseparável. Uma ofensa contra uma parte, automaticamente, atinge o total. Fazemos parte de um organismo; quando uma parte sofre, todos os outros sofrem também.

domingo, 28 de setembro de 2008

MUITOS POVOS COM DEUS

Naquele dia muitos povos se juntarão ao Deus Eterno
e serão o seu povo, e ele morará com eles.
Aí o povo de Israel saberá que o Deus Todo-poderoso
me enviou para falar com eles.

Zacarias 2.11 (leia 2.5-9,14-15) – BLH

Qualquer religião que é exclusivista é falsa, não representa a proposta de Deus. A proposta de Deus é a paz para todos. Por "paz" quero dizer "bem estar pleno". O conceito bíblico de salvação é justamente um bem estar que começa no "aqui" e no "agora". Não é uma salvação "espiritual", lá nas nuvens, ou no céu, depois da morte. Deus é o Deus das nações e se preocupa com elas. Deus quer que todas as nações se juntem a Ele.

Foi justamente esta chegada dos povos a Deus que confirmava as palavras do profeta. Um dos sinais da verdadeira fé em Deus é a "inclusão dos outros" e não a exclusão. Uma religião alienante não é de Deus. A fé de Jesus o levou junto ao povo, especialmente junto àqueles que os exclusivistas estavam rejeitando. O sinal de que o Reino de Deus havia chegado era a própria presença de Jesus junto aos perdidos e aos pecadores. Uma igreja que se coloca contra tudo e contra todos e que acha que só ela é salva, é anti-reino de Deus. O Reino de Deus é de todos os povos.

sábado, 27 de setembro de 2008

O NOVO MAIS BELO DO QUE O PRIMEIRO

Toda a prata e todo o ouro do mundo são meus.
Então o novo Templo será ainda mais belo do que o primeiro,
e dali eu darei prosperidade e paz ao meu povo.
Eu, o Deus Todo-poderoso, falei.

Ageu 2.8-9 (leia 1.15-2,9) – BLH

O novo templo será mais belo do que o primeiro. O primeiro foi destruído e a sua destruição deu lugar ao novo. Não era para o povo desistir só porque o primeiro templo foi destruído. Era para voltar e construir algo que seria melhor ainda! O Templo representava a identidade do povo. O cativeiro havia arrasado a sua identidade, e, agora, que conseguiram voltar, era a hora de não somente reconstruir um novo templo, mas formar uma nova identidade, uma identidade mais de acordo com a realidade das coisas.

O conceito da ressurreição está englobado aqui. Jesus, numa ocasião quando estava no templo e falando do templo e do seu corpo, disse que, se destruísse o templo do seu corpo, em três dias ele levantaria outro. Poderiam até matá-lo, mas isto não acabaria com ele...

É um princípio da vida (e da Bíblia) que a destruição do velho abre o caminho para a construção de algo novo e mais belo. Mas o medo nos faz agarrar as coisas velhas: estilo de vida, hábitos, crenças, preconceitos, etc. Temos dificuldade de abrir mão do velho e tentar novas realizações.

Para esta reconstrução, todos os recursos do mundo estão à nossa disposição, porque nós, também, fazemos parte deste mundo. Temos recursos sem limite para isso.

sexta-feira, 26 de setembro de 2008

PRIMEIRAS DORES DE PARTO

Uma nação vai guerrear contra outra,

e um país atacará outro.

Em vários lugares haverá tremores de terra

e falta de alimentos.

Essas coisas serão como

as primeiras dores de parto.

Marcos 13.8 (leia 13.1-8) – BLH

Há sempre sensacionalistas pregando que estamos no fim dos tempos! Desde a primeira geração dos cristãos, até hoje, há pessoas insistindo, com “revelações” alarmantes, que o fim está próximo. Todos usam os mesmos textos bíblicos, recorrendo a argumentos que citam como sinais: a violência das guerras, terremotos e fome, sempre presentes na história da nossa “civilização”. Mesmo, depois de dois mil anos de “profecias” falsas e não cumpridas, não desconfiam que estão pegando “barcos furados”.

Jesus advertiu contra este tipo de pregação, dizendo que é falsa. A história comprova a sua falsidade. Esta passagem é uma advertência para não corrermos aos modismos dos últimos tempos, sempre presentes na igreja. Modismos são passageiros e não levam a nada.

A discussão começou com a admiração dos discípulos da suntuosidade do templo e dos prédios vizinhos. Jesus respondeu que todos serão destruídos, sem deixar vestígio. Espantados, eles perguntaram: “Quando?” A pergunta foi errada, e Jesus respondeu como deveriam ter feito a pergunta!. Não falou do “Quando” mas do “Que”.

Ele descreveu a violência das guerras, terremotos e fome como sendo as “primeiras dores do parto”. As dores serão, na realidade, dores do nascimento do algo novo. O templo representava poder, opressão, orgulho e auto engrandecimento humano que são destinados à destruição para, no lugar deles, nascer algo novo.

O parto humano é doloroso, mas a dor tem finalidade: lançar vida nova na terra. Quando usamos estas palavras de Jesus para apoiar especulações inúteis sobre o fim da história, perdemos completamente a mensagem do evangelho. Não são palavras de amedrontamento, mas de conforto. Na economia divina, tragédia não é o fim, mas abertura para algo novo e melhor. As lágrimas podem lavar o rosto, preparando para o sorriso! Isto é difícil acreditar, especialmente na hora da dor, quando estamos agonizados, sem podermos enxergar mais adiante. É uma mensagem para nos ajudar a não cair no desespero.

A violência e a destruição são fatores sempre presentes na história humana. Tudo aquilo que construímos e realizamos é destinado a desaparecer, sem deixar vestígios. Seremos esquecidos, iguais aos bilhões de seres humanos que já nasceram e morreram.

Os discípulos estavam iludidos com os edifícios enormes. Podemos, também, nos iludir pelas nossas realizações, esquecendo que tudo é transitório na vida. Mas, a dor da sua destruição pode ser compensada pela esperança do nascimento de algo melhor no seu lugar.

Derrotas podem ser vitórias disfarçadas. Na economia divina não existe tragédia absoluta. A longo prazo tudo contribui para o bem. A mensagem do evangelho é que, pela graça, a vida pode nascer da morte.

quinta-feira, 25 de setembro de 2008

PAGÃOS COMO INSTRUMENTOS DE DEUS

Éramos escravos, porém não nos deixaste na escravidão.
Tu fizeste os reis da Pérsia terem boa vontade para conosco,
e eles deixaram que reconstruíssemos o teu Templo,
que estava arrasado,
e que achássemos segurança
aqui em Judá e em Jerusalém.

Esdras 9.9 (leia 9.5-9) – BLH

Com o cativeiro, o povo de Israel chegou a perceber que o seu Deus não era somente o Deus da terra de Palestina, mas que agia fora daquele lugar e com pessoas que não eram da sua raça. Foi um passo em direção à universalização da sua percepção de Deus.

O grande defeito das religiões que têm a sua origem no Levante (oriente médio) e que têm o conceito de "Povo de Deus" ou "Povo Escolhido" (Judaísmo, Cristianismo, Islamismo e as suas respectivas seitas) é o de achar que eles são os privilegiados e prediletos de Deus. A salvação e todo o plano de Deus estão em torno deles, e o resto do mundo, em todos os tempos, e em todos os lugares, está fora da salvação, a não ser por intermédio deles! Aqui estamos vendo que a salvação do Povo de Israel está vindo justamente por alguém que não é do "grupo elite". Com esta experiência o povo de Israel começara a ter senso de identidade sem o orgulho de ser o melhor.

A nossa tendência é reduzir Deus ao nosso tamanho, não aceitando a sua atuação fora dos nossos conceitos do bem e do mal. A nossa tendência é entregar o mundo ao poder do maligno e aprisionar Deus dentro dos nossos templos e sistemas religiosos. Na medida em que conseguimos ver a sua mão agindo para abençoar toda a humanidade poderemos ver a sua glória e tornarmos colaboradores com Ele.

quarta-feira, 24 de setembro de 2008

TEMPLOS E A GLÓRIA DE DEUS

Então o povo de Israel,
isto é, os sacerdotes, os levitas
e todos os outros que haviam voltado da Babilônia,
fizeram a inauguração do Templo,
dedicando-o com alegria à adoração a Deus.

Esdras 6.16 (leia 6.7-8,12,14-20) – BLH

A função do Templo, para o povo de Israel, era mais no sentido de dar "senso de identidade". A tendência das religiões é criar lugares, atos e objetos sagrados. Isto tem o seu lado positivo no sentido de estabelecer pontos de referência. A tendência negativa é atribuir poderes mágicos a estas coisas achando que Deus está mais presente nestas coisas do que nas outras; ou que estas coisas têm poder em si mesmas.

Até que ponto os templos são construídos para a glória de Deus? No Antigo Testamento, o primeiro lugar de adoração era a tenda, carregada de um lugar para outro. Depois de tomar posse da Palestina, os Israelitas queriam ser iguais aos outros povos, tendo um rei! Por sua vez, aquele rei queria construir um grande templo. O senso de identidade do povo era o seu rei e o templo. Eu questiono: até que ponto o templo servia para adoração de Deus, até que ponto era apenas uma auto-afirmação de um povo sofrido que precisava uma auto-imagem positiva?

Este universo majestoso é o verdadeiro templo do Deus vivo! Nenhuma estrutura feita pelas mãos humanas chega perto desta glória. O Deus que habita nesta criação infinita não pode ser aprisionado dentro de paredes construídas por nós. Mas, nós, sendo “templos de Deus”, podemos revelar a Sua glória convivendo em amor com o nosso próximo e cuidando bem do nosso canto.

terça-feira, 23 de setembro de 2008

RELIGIÃO DO TEMPLO

Que Deus esteja com todos vocês que são o seu povo.
Vão a Jerusalém para construir de novo o Templo do Eterno,
o Deus de Israel,
o Deus que é adorado em Jerusalém.

Esdras 1.3 (leia 1.1-6) – BLH

Em termos teológicos, o livro de Esdras representa a ala sacerdotal da religião que dá ênfase à estrutura religiosa da vida. Esdras dá ênfase às formas litúrgicas, templos, pureza de doutrina e práticas religiosas. Para Esdras e seus seguidores, o que era importante era a conservação da identidade religiosa por meio de formas aprovadas, locais consagrados e povo santificado.

Este livro diz pouco para mim. Faz-me lembrar do lado negativo da religião, o lado alienante. Este lado tende para a exclusividade e isolamento, pois separa os adeptos do resto da humanidade. Esta tendência é muito forte nas igrejas protestantes (muitos católicos pensantes diriam que esta tendência também, existe na igreja católica), estabelecendo uma sub-cultura protestante que não tem nada de positivo para acrescentar ao mundo em que vive. O grande crescimento do número de evangélicos no Brasil está acompanhado com o grande aumento de violência, crime e corrupção.

Jesus nos ensina que a verdadeira religião é a do Espírito (não do lugar) e nos aproxima com compaixão às pessoas carentes que nos cercam e nos transforma em sal da terra e luz do mundo.

segunda-feira, 22 de setembro de 2008

SABEDORIA DO ALTO

A sabedoria que vem do alto é antes de tudo pura;
e é também pacífica, bondosa e amigável.
Ela é cheia de misericórdia,
produz uma colheita de boas ações
e é livre de preconceito e de fingimento.

Tiago 3.17 (leia 3.16-4.3) – BLH

Dificilmente as igrejas dão ênfase a estes aspectos da vida. Muitas igrejas estão mais interessadas em promover certos tipos de manifestações religiosas como: dons espirituais e milagres – do que promover a produção do fruto do Espírito que é o amor e as suas manifestações: paz, bondade, misericórdia e simples amizade.

Outras igrejas são mais interessadas em projetos de adquirir adeptos e construir prédios, do que ajudar os seus membros a alcançar a sabedoria de uma vida de bom senso.

Outras igrejas, ainda, são mais interessadas em promover um sistema doutrinário e de costumes, dividindo a humanidade em duas categorias: os salvos e os perdidos, do que cultivar as qualidades desta passagem bíblica, promovendo a reconciliação dos seres humanos uns com os outros e com toda a criação de Deus.

Muitas vezes nas igrejas há redutos de pessoas com preconceitos e fingidas, professando uma espiritualidade que na realidade não possuem.

domingo, 21 de setembro de 2008

A ESPIRITUALIDADE DE JESUS

Desse modo todos chegaremos à unidade na nossa fé
e no nosso conhecimento do Filho de Deus.
E assim seremos pessoas maduras,
pois cresceremos até alcançar
a altura espiritual de Cristo.

Efésios 4.13 (leia 4.1-7,11-13) – BLH

A altura espiritual de Jesus seria a qualidade da sua espiritualidade. Espiritualidade se refere ao conjunto de valores e atitudes em relação ao todo o nosso redor. Não se trata somente de religiosidade, trata-se também da área econômica, social, de lazer, afeto, atitudes, etc. Nada fica fora da espiritualidade: o chupar de um sorvete é tão espiritual como fazer uma oração; passear, como prestar culto; fazer amor, como ler a Bíblia e dormir, como fazer um culto de vigília.

A espiritualidade de Jesus não se refere somente à sua comunhão com Deus, mas também à sua comunhão com o próximo, à sua perfeita integração com tudo e o seu equilíbrio. Jesus não fez a falsa distinção entre "espiritual" e "material"; não desprezou um a favor do outro (não SÓ do pão viverá o homem). O PÃO e a PALAVRA são de igual importância, cada um tem o seu lugar e a sua hora. Um não é superior ao outro. A altura espiritual de Jesus é justamente o equilíbrio e aceitação da vida como ela é, vivendo-a ao máximo.

sábado, 20 de setembro de 2008

OS MAIORES VALORES

Mas você,
homem de Deus,
fuja de tudo isso.
Viva uma vida de honestidade,
de dedicação a Deus,
de fé,
de amor,
de perseverança e de humildade.
Combata o bom combate da fé e ganhe a vida eterna.
Pois foi para essa vida que Deus o chamou
quando você fez a sua boa declaração de fé
na presença de muitas testemunhas.

1 Timóteo 6.11-12 (leia 6.2-12) – BLH

Um dos nossos grandes problemas é distinguir entre os valores: o que vale a pena e o que não vale, o que é realmente importante e o que não é. Muitas vezes as aparências enganam. Nem sempre aquilo que mais parece é o que mais vale. Os valores básicos nesta lista são: honestidade, dedicação a Deus, fé, amor, perseverança e humildade.

Quem mais ganha em termos de dinheiro e fama não são as pessoas que mais contribuem para o bem estar da humanidade como donas de casa, lavradores, operários, professores, e outros servidores. Muitas vezes quem mais ganha são aqueles que menos produzem para o bem comum; atletas, artistas de cinema e televisão, políticos corruptos e mafiosos. A fé cristã nos deve dar os verdadeiros valores e nos ajudar a escolher o melhor caminho para a nossa felicidade e a dos outros: a fugir da ilusão e se apegar com aquilo que é básico e sólido...

sexta-feira, 19 de setembro de 2008

APARÊNCIAS E REALIDADE

Ele dizia ao povo: -Cuidado com os professores da Lei! Eles gostam de andar para lá e para cá,

usando capas compridas,

e gostam de ser cumprimentados com respeito nas praças;

preferem os lugares de honra nas sinagogas

e os melhores lugares nos banquetes.

Exploram as viúvas e roubam os seus bens;

e, para disfarçarem,

fazem orações compridas.

Marcos 12.38-40a (leia 12.38-44) – BLH

A religião representa o melhor e o pior do que está no espírito humano. Liturgias e cerimônias públicas podem ser expressões da beleza e do mistério da vida e de comunhão com o Criador e a sua criação. Ou podem ser disfarces para esconder as feiúras do egoísmo e autopromoção. É provável que, na maioria das vezes, há mistura do melhor e do pior. As instituições eclesiásticas e benéficas podem fornecer oportunidades para pessoas de boa vontade prestarem serviços ao próximo. Podem, também, servir de palcos para pessoas projetarem suas neuroses e ganhar poder e prestígio. O aspecto negativo se manifesta na ostentação, projetando uma fachada de grandeza e autopromoção, dando a ilusão de triunfo e poder. Fica registrado na história e evidente na publicidade. O positivo, muitas vezes, passa desapercebido, por fugir dos padrões de grandiosidade e prestígio.

A passagem do Novo Testamento, Marcos 12.38-44, é uma ilustração deste princípio. Jesus faz uma advertência para não sermos enganados com aparências. O poder é conquistado às custas dos desprotegidos e humildes. Estes são os verdadeiros cidadãos do Reino. A sua contribuição não pesa na balança da elite, e é ignorada e desprezada por ser insignificante. A sua grandeza é oculta, mas é valiosa por que representa sacrifício, auto doação e humildade. Eles não chegam a ocupar lugares de destaque na hierarquia de poder e prestígio. Motivados pela gratidão, são prestativos, sem ambições de engrandecimento pessoal.

Aquela viúva, explorada e empobrecida pela elite, com as últimas duas moedas que lhe sobraram, deu a maior oferta do dia.

A história, escrita por seres humanos, é baseada nas aparências. A história verdadeira é outra!... A realidade é que a marginalização pode ser virtude. Estes marginalizados não se vendem. Não têm preço. Não podem ser comprados.

Desconfio de “oba oba”, de ostentação! É desvio do Reino. O Reino chega “quietinho”, despercebido. Está presente, sem ser notado. Não faz alarde. Não chama atenção para si. Somente os sensíveis o percebem e dão valor.

Jesus nunca foi enganado pelas aparências. Somente Ele percebeu a verdadeira manifestação do Reino aquele dia! Percebeu, também, a futilidade da grandeza aparente e seu fim trágico...

O nosso desafio é adquirir a sensitividade e a sabedoria de enxergar além das aparências, ver as manifestações do Reino, reconhecidas por poucos, e valorizá-las, participando e apoiando-as, mesmo sabendo que isto pode nos levar a sermos, também, marginalizados.

Não conseguir subir a escada socioeconômica não é desgraça. Desgraça é usar a fé como meio de subir, não apenas servir. Não é desgraça ser ignorado e desprezado quando se faz o bem. Desgraça é fazermos o bem em troca de reconhecimento e elogios. As aparências de santidade podem ser fantasias, escondendo uma realidade egoísta. A realidade do Reino foge das aparências.

O Reino é criado do nada! É graça! Como sal e fermento, o Reino é invisível, mas vital!...

quinta-feira, 18 de setembro de 2008

O GRANDE MISTÉRIO

Ninguém pode negar que
o mistério da nossa religião é muito grande.
Esse mistério é o seguinte:
"Ele apareceu como ser humano,
foi declarado justo pelo Espírito de Deus
e visto pelos anjos.
Ele foi anunciado entre as nações;
o mundo acreditou nele,
e ele foi levado ao céu.”

1 Timóteo 3.16 (leia 3.14-16) – BLH

Na teoria, a fé cristã está ligada a todas as áreas da existência. A descrição acima inclui todos os aspectos da realidade como era entendida pela cultura daquela época: o mundo humano e o mundo angélico; o céu e as nações; o mundo e o Espírito de Deus; apresentam um Cristo cósmico que abrange tudo e todos. Cristo passou por todos os mundos e foi exposto a todas as criaturas.

Cristo é humilde e, ao mesmo tempo, exaltado! É humano e, ao mesmo tempo, divino. Cristo é meu e, ao mesmo tempo, de todos, no mundo; é do meu mundo e de todos os mundos. Não posso reduzir Cristo a um credo ou tentar aprisioná-lo dentro de um sistema teológico, nem dentro de uma igreja ou dentro de todas as igrejas. Cristo é maior do que o templo. O universo é seu templo.

quarta-feira, 17 de setembro de 2008

CORAGEM

Os que fazem um bom trabalho
conseguem posição importante
para si mesmos e
são capazes de falar com coragem
a respeito da sua fé em Cristo Jesus.

1 Timóteo 3.13 (leia 3.1-13) – BLH

"Falar com coragem" não quer dizer falar com confiança, nem com firmeza, nem sem medo. "Falar com coragem" quer dizer "Falar do coração". A fala corajosa é a fala sincera, a fala aberta, a fala sem fingimento, a fala que vem do coração. É somente a fala que vem do nosso coração que pode atingir o coração dos outros.

O nosso falar deve refletir a realidade. Se o evangelho não é uma realidade na prática da nossa vida, o nosso falar vai cair num vazio. Falar com coragem exige uma vida que corresponde ao que está sendo dito. O que convence não são as palavras em si mesmas, mas a vida atrás das palavras é que fala mais alto e dá autoridade à mensagem.

Temos que construir uma base sólida de integridade para podermos ter credibilidade. Somente por meio de trabalharmos bem e sermos constantes é que seremos confiáveis e poderemos exercer uma influência positiva na vida dos outros. A sinceridade e a integridade são a base de uma vida útil. Assim teremos uma posição importante na vida alheia.

terça-feira, 16 de setembro de 2008

EVANGELHO UNIVERSAL

Isso é bom,
e Deus,
nosso Salvador,
gosta disso.
Ele quer que todos sejam salvos
e venham conhecer a verdade.

1 Timóteo 2.3-4 (leia 2.1-8) – BLH

Não há nada e ninguém que fique fora do plano salvífico de Deus. A teologia que diz que Deus escolheu um povo para ser salvo, com a exclusão de todos os outros povos é completamente fora da realidade bíblica. A doutrina bíblica do Povo de Deus não é uma escolha para ser salvo, mas uma escolha para ser bênção (em Abraão todos as nações seriam abençoadas). O Povo de Deus é portador da verdade que abençoa. O compromisso do Povo de Deus não é de ser salvo, nem de buscar a salvação, mas agir a favor da bem-aventurança de todas as nações. Ser Povo de Deus não é receber favores, ou privilégios, mas, receber uma missão de anunciar a realidade do Reino de Deus e agir dentro da sociedade, de tal modo que, a justiça do Reino seja manifestada.

A teologia de muitos é a “teologia de Jonas”. Jonas pregou a mensagem da destruição eminente provocada pela ira de Deus na expectativa de ver a cidade destruída. O prazer de Jonas estava na expectativa de ver a cidade em chamas. Ficou com raiva quando viu a cidade poupada da ira de Deus.

segunda-feira, 15 de setembro de 2008

DUAS FACES DA MOEDA

Mas alguém poderá dizer:
"Você tem fé,
e eu tenho boas ações."
E eu respondo:
"Então me mostre como é possível ter fé
sem ter boas ações.
Eu vou lhe mostrar a minha fé
por meio das minhas ações”.

Tiago 2.18 (leia 2.14-18) – BLH

Fé e ação são duas faces da mesma moeda. Não é possível ter uma moeda de uma face só. As duas faces podem ser iguais, mas são duas faces diferentes. Na vida não há ação sem motivação e toda a motivação leva a uma determinada ação. A falta de ação é uma ação. Não é caso de escolher entre a fé e ação, entre a fé e obras. As nossas ações e obras sempre são de acordo com a nossa fé e a nossa fé sempre se manifesta pelas ações e obras.

O valor de uma ação depende da sua motivação ou da qualidade de fé que a impulsiona. Não é puramente questão de fazer ou não. Uma ação pode ser motivada pelo amor ou compaixão ou pode ser pelo motivo de não fazer feio, de ganhar alguma outra vantagem. De qualquer maneira, fé e motivação positiva não podem se omitir. O ato em si mesmo pode não provar nada, mas fé, sem a correspondente manifestação, não é possível. Onde não há compaixão não há amor cristão. Onde há amor cristão há compaixão.

domingo, 14 de setembro de 2008

COBRA QUE MATA E COBRA QUE CURA

Então Moisés fez uma cobra de bronze
e pregou num poste.
Quando alguém era mordido por uma cobra,
olhava para a cobra de bronze
e ficava curado.

Números 21.9 (leia 21.4-9) – BLH

Qual é o sentido simbólico desta passagem? Nesta história, o mal da mordida da cobra veio como resultado da desconfiança e rebeldia. Em contrapartida, a cura era o resultado de olhar com fé para a imagem de uma cobra. O que representa a imagem e o olhar?

Será que a imagem da cobra representa quem realmente somos e que o olhar representa o reconhecimento da nossa “verdade”? Será que a cura vem por meio de um exame do nosso ser e da aceitação da nossa realidade? Em termos de hoje, esta cura tem muito a ver com a psicologia. Muitos dos nossos males vêm das nossas atitudes, e daí a nossa cura depende muito do nosso estado de espírito. O estado negativo do povo israelita produziu muito transtorno na vida da sua comunidade. O olhar com confiança para a imagem da cobra, restaurou o equilíbrio. Naquela época, a interpretação da praga da mordida das cobras foi como castigo de Deus e a cura, como um milagre da misericórdia divina. Hoje, a praga seria vista como um resultado natural de uma maneira negativa de agir e a cura, como resultado de coragem de ir até às raízes da causa.

sábado, 13 de setembro de 2008

CRAQUES DA SELEÇÃO DE DEUS

Agradeço a Cristo Jesus,
o nosso Senhor,
que me deu forças para cumprir a minha missão.
Eu lhe agradeço porque me considero merecedor
e porque me escolheu para serví-lo.

1 Timóteo 1.12 (leia 1.1-2,12-14) – BLH

Há algo na vida que está muito além de nós. Paulo se sentiu impulsionado por uma força que não era dele e tinha recebido muito mais do que achava que merecia.

Nós nos encontramos no meio de um jogo que chamamos vida. Nós não escolhemos o jogo, muito menos se queríamos entrar ou não. As regras do jogo já vêm definidas, mas temos que descobri-las por conta própria. Às vezes é difícil saber qual é o nosso gol e qual é o do adversário. Não sabemos o placar e quanto tempo vamos ainda jogar.

Somos colocados para jogar numa determinada posição e podemos nos sentir despreparados para tanto. Começamos a sentir que há alguém que nos dá forças que não são nossas forças. Sentimos que aquele que nos colocou neste jogo tem muito interesse em nós e no resultado do jogo! Sentimos que, embora não sendo consultados quanto a nossa participação, somos bem valorizados. Achamos que fomos escolhidos para sermos craques da seleção de Deus.

sexta-feira, 12 de setembro de 2008

ÉTICA DO AMOR

Devemos amar a Deus
com todo o nosso coração,
com toda a nossa mente
e com todas as nossas forças
e também devemos amar os outros
como amamos a nós mesmos.

Marcos 12.33a (leia 12.28-34) – BLH

A nossa ética e prática são muito mais importantes do que as nossas crenças. A história do cristianismo é marcada por conflitos de doutrina. Julga-se superior às outras religiões porque acha que tem as doutrinas corretas sobre Deus e o plano de salvação. As igrejas defendem “com unhas e dentes” a doutrina da trindade, embora esta palavra nem apareça na Bíblia! Colocam como essenciais e básicas muitas crenças que não têm comprovação nenhuma. Jesus não tinha preocupação com credos. Nunca submeteu ninguém a sabatinas doutrinais.

Jesus estava interessado no fruto da fé! O fruto era o essencial, não importando a espécie da árvore. Se o fruto fosse bom, a árvore era boa. A árvore era julgada pelo fruto que produzia, não o fruto pela espécie da árvore que o produzia. O fruto fala por si, independente da árvore. O cristianismo, junto com todas as religiões, será julgado pelo fruto que produz, não pela sua conjuntura de crenças e práticas litúrgicas.

Jesus colocou o amor como o valor supremo e o definiu pela sua manifestação na vivência diária: “Ame os outros como você ama a você mesmo”. Na prática, significa “tratar os outros como você quer ser tratado”.

Este ideal de Jesus não é diferente do que o de muitas das grandes religiões mundiais. Alguns exemplos:

· Hinduísmo: Eis a súmula do dever: não faças aos outros aquilo que, se a ti fosse feito, te causaria dor. (Séc. XV a.C.)

· Judaísmo: O que é odioso para ti não o faças ao teu próximo. (Séc. X a.C.)

· Zoroastrismo: Uma natureza é boa somente quando se abstém de fazer ao outro o que não é bom para ela mesma. (Séc. VI a.C.)

· Taoísmo: Considera o ganho do teu próximo como teu próprio ganho, e a perda do teu próximo como tua própria perda. (Séc. VI a.C.)

· Budismo: Não ofendas os outros de maneiras que julgarias ofensivas a ti mesmo. (Séc. VI a.C.)

· Confucionismo: Não faças aos outros o que não desejarias que fizessem a ti. (Séc. VI a.C.)

· Jainismo: Na felicidade e no sofrimento, na alegria e na tristeza, devemos considerar todas as criaturas como consideramos a nós mesmos. (Séc. VI a.C.)

· Cristianismo: Tudo o que quereis que os homens vos façam, fazei-o também vós a eles. (Séc. I d.C.)

· Islã: Nenhum de vós será crente enquanto não desejar para o seu irmão o que ele deseja para si mesmo. (Séc. VII d.C.)

· Sikhismo: Julga aos outros como a ti mesmo. (Séc. XV d.C.)

Se cada um conseguisse viver a ética do amor que a sua fé professa, todos nós estaríamos pertos do Reino de Deus. A libertação verdadeira é a do ódio para o amor. O amor é uma maneira de viver, não apenas crer. Até os demônios crêem e tremem!...

quinta-feira, 11 de setembro de 2008

COISAS DO CÉU E DA TERRA

Vocês ressuscitaram com Cristo,
passando da morte para a vida.
Portanto, ponham o seu interesse nas coisas que estão no céu, onde Cristo está sentado no seu trono,
do lado direito de Deus.
Pensam nas coisas lá do alto
e não na que são aqui da terra.

Colossenses 3.1-2 (leia 3.1-11) – BLH

O céu onde Cristo está sentado ao lado de Deus não é um literal ponto no espaço. É linguagem poética, simbólica e mística. É a linguagem do espírito e não da ciência, da alma e não da cabeça. As coisas "que são aqui da terra" também não se referem aos objetos que se localizam fisicamente. Ambas, "as coisas lá do alto" e as coisas "aqui da terra", são valores e não objetos.

Ao ressuscitar com Cristo, o nosso interesse passa a ser dirigido por outro sistema de valores não imediatos (aqui na terra), mas visando o bem estar de todos a longo prazo (lá do alto). "Aqui na terra" representa a gratificação imediata. "Lá do alto" representa a gratificação adiada, visando o bem maior. Em Jesus deixamos de pensar somente em nossos interesses imediatas, e passamos a pensar no bem estar geral a longo prazo. Nascemos para sermos cidadãos deste vasto mundo incluído no Reino de Deus e não egoístas cuidando somente de si mesmo.

quarta-feira, 10 de setembro de 2008

JESUS: RETRATO DE DEUS

Já que vocês aceitaram Cristo Jesus como Senhor,
vivam unidos com ele.
Estejam enraizados nele,
construam as suas vidas nele e se tornem mais fortes na fé, como foram ensinados.
E também sejam muito agradecidos a ele.

Colossenses 2.6-7 (leia 2.6-15) – BLH

Jesus é o mais perfeito retrato (máscara) de Deus que conheço, a razão; - Jesus é um dos melhores retratos bíblicos da "pessoa equilibrada". A idéia de Deus ser retratado pelo ser humano se encontra em Gênesis, com a criação da humanidade, na imagem de Deus com o poder sobre os animais domésticos e selvagens (Gênesis 1,26-27). Jesus é o aperfeiçoamento deste retrato (máscara) de Deus.

A meta do cristão é a de se tornar semelhante à pessoa de Jesus, não é de se conformar com algum sistema de ética ou de viver de acordo com um determinado jogo de regras e leis. A meta do cristão não é adotar um determinado credo ortodoxo ou sistema teológico, nem pertencer a nenhum grupo de "escolhidos".

Enraizar-se em Jesus continua ser o maior desafio das pessoas que se chamam de Cristãos, poucos têm conseguido fazê-lo. Os desvios são muitos. Um dos maiores obstáculos tem sido as próprias igrejas que alienam as pessoas da cultura e da natureza em vez de ajudá-las a se integrar.

terça-feira, 9 de setembro de 2008

COMPLETANDO O SOFRIMENTO DE JESUS

Agora eu me alegro pelo que tenho sofrido por vocês.
Porque, por meio dos meus sofrimentos físicos,
eu ajudo a completar o que ainda falta
dos sofrimentos de Cristo
em favor da Igreja,
que é o seu corpo.

Colossenses 1.24 (leia 1.24-2.3) – BLH

Jesus não sofreu e morreu para nos salvar do sofrimento e da morte, no sentido de eliminar o sofrimento e a morte da nossa vida. Ele não sofreu e morreu em nosso lugar. Não é por Jesus ter sofrido e morrido que nós vamos escapar do sofrimento e da morte.

Foi pelo seu sofrimento e morte que Jesus revelou o verdadeiro significado do sofrimento e da morte. O sofrimento e a morte fazem parte do processo que gera a vida! Dando a vida pelos outros, a pessoa verdadeiramente vive... Jesus morreu por nós no mesmo sentido que nós deveríamos morrer pelos outros. Neste sentido, o sofrimento e a morte de Jesus não eram completos. Paulo escreveu que ele estava completando os sofrimentos de Cristo em relação aos colossenses. Foi pelos sofrimentos de Paulo em favor dos colossenses, que estes foram beneficiados. Jesus levou a sua cruz e Ele nos convida a tomarmos a nossa cruz! Sem tomarmos a nossa cruz é impossível seguirmos Jesus...

segunda-feira, 8 de setembro de 2008

EMBRULHO E CONTEÚDO

Meus irmãos,
vocês que crêem no nosso glorioso Senhor Jesus Cristo
nunca tratem as pessoas de modo diferente
por causa da aparência delas.

Tiago 2.1 (leia 2.1-5) – BLH

O valor da pessoa não está na aparência, mas na "essência". As aparências enganam. O embrulho, muitas vezes, pouco tem a ver com o conteúdo. A nossa aparência é apenas um embrulho. A nossa tendência é dar muito valor àquilo que é secundário e deixar o principal no segundo plano.

O nosso relacionamento com Jesus deve aprofundar o nosso relacionamento com as pessoas. Deve nos dar a capacidade de olhar além da superfície e ver os valores mais profundos das pessoas e das coisas. Não são as riquezas que fazem as pessoas terem mais valor (o hábito não faz o monge).

A riqueza simboliza o poder e a pobreza a fraqueza. A nossa tendência é valorizar o poder e nos associarmos a ele. O pobre é desprezado porque representa a fraqueza e a nossa tendência é desprezarmos a fraqueza. Jesus viu claramente que o caráter das pessoas não está ligado com o que elas tem de cultura nem de riquezas. O mau caráter pode levar as pessoas a ficarem ricas à custa dos outros.

domingo, 7 de setembro de 2008

INIMIGOS TRANSFORMADOS EM AMIGOS

Mas agora, por meio da morte do seu Filho,
Deus fez de vocês seus amigos
para trazê-los à sua presença dedicados a ele,
sem mancha e sem culpa.

Colossenses 1.22 (leia 1.21-23) – BLH

A transformação de inimigos em amigos é o propósito de Deus em Jesus Cristo. Os cristãos têm o problema de assimilar o fato de que ser amigo de Deus é ser amigo dos outros, inclusive dos próprios inimigos. Muitos têm a tendência de achar que a amizade com Deus os coloca em posição de superioridade em relação àqueles que são vistos como pagãos ou pecadores. Por se acharem “sem mancha e sem culpa” perdem a humildade e a capacidade de ter compaixão pelo mundo sofredor.

A dedicação a Deus “sem mancha e sem culpa” é muito mais do que uma vida de piedade, de bons costumes morais e sociais e de práticas religiosas. A dedicação a Deus é uma postura e um estilo de vida que vai além de si mesmo e que se envolve no processo de reconciliação com toda a humanidade e toda a criação. Esta criação, que inclui a própria humanidade, está sendo violada pelos seres humanos, inclusive por muitos que se identificam como cristãos. Nossa cultura e nossa "civilização" estão num processo de auto-destruição. Os seguidores de Jesus têm a missão de ser amigos de seus inimigos e transformá-los em amigos.

sábado, 6 de setembro de 2008

O GRANDE RECONCILIADOR

Porque é pela própria vontade de Deus
que o Filho tem em si mesmo a natureza completa do Pai.
Portanto,
por meio do Filho,
Deus resolveu trazer o universo de volta para si mesmo.
Ele fez a paz por meio da morte do seu Filho na cruz
e assim trouxe de volta para si mesmo todas as coisas,
tanto na terra como no céu.

Colossenses 1.19-20 (leia 1.15-20) – BLH

Jesus simboliza muitas coisas: Deus Papai, a humanidade, e o universo. É por isso que Jesus se tornou uma figura abrangente: - representa a realidade total. Representa o propósito salvífico de Deus para toda a humanidade e toda a natureza. Em Jesus, tudo e todos pertencem a Deus.

O problema está nos próprios cristãos em aceitar Jesus com tudo que ele representa. Muitas vezes os cristãos estão entre os maiores inimigos dos propósitos de Deus. Por exemplo, a radicalização de grupos religiosos cristãos chega a rejeitar e atacar outros cristãos que têm pontos de vista diferentes. Algumas das maiores guerras da história tem sido travadas entre nações chamadas de "culturas cristãs". Os católicos e os protestantes destruíram as culturas e as raças indígenas nas Américas. As ciências e a tecnologia desenvolvidas nas nações de maioria cristã estão sendo usadas para poluir o planeta terra e destruir a vida.

sexta-feira, 5 de setembro de 2008

O SABOR DO SAL

O sal é uma coisa útil;
mas,
se perder o gosto,
como é que vocês poderão lhe dar gosto de novo?
Tenham sal em vocês mesmos
e vivam em paz uns com os outros.

Marcos 9.50 (leia 9.38-50) – BLH

Os discípulos queriam proibir pessoas que não eram do seu grupo de agirem em nome de Jesus. Agiam como juízes, achando que a salvação estava somente com eles. Mais uma vez, Jesus lhes chamou a atenção. Fazer papel de juizes ou salvadores não era a sua missão. Deveriam ser tempero, sal.

Agir como juizes e salvadores cria problemas. Os nossos julgamentos são limitados e imperfeitos. Acabamos condenando erradamente o bem que nos parece o mal e abraçando o mal que se disfarça como retidão... Agir como salvadores é igualmente perigoso. Os que tentam abaixar o Céu para a Terra acabam administrando o Inferno que eles mesmos criam. O bem que fazemos pode produzir efeitos colaterais negativos, ofendendo os fracos. Nossos atos, mesmo motivados pelas melhores intenções, podem se tornar ofensa para outras pessoas, também, bem intencionadas.

Tradicionalmente, interpretamos “pecar” como hábitos nocivos da vida particular como: fumar, beber, xingar e ferir convenções sociais.

Mas, não foi isso que Jesus queria dizer. Ao usar a figura, sal, Jesus foi muito além de recomendar uma vida piedosa. A natureza do sal implica numa vida de participação positiva na sociedade! Sal é útil somente na medida que penetra a massa e lhe transmite seu sabor. Agir como sal é fundamental para a vida de fé. O sal é inútil enquanto fica dentro do saleiro. A sua utilidade consiste em sair do saleiro e se perder na massa. Nunca mais volta ao saleiro.

Pecar é omitir viver uma vida de compaixão dentro da sociedade. Para nós, o “dar um copo de água” pouco significa. A água é abundante e jorra de qualquer torneira. Para Jesus, numa terra seca onde a água era uma preciosidade rara e de difícil acesso, água representava sacrifício e generosidade. Cada gota era preciosa. Lavar calçada, nem pensar!...

Vivemos num mundo que carece de “sal”. Jesus relacionou sal com paz. A falta de “sal” leva o mundo à violência. Viver como sal é viver a paz. Nossa missão é ser sal no mundo. O maior pecado seria tentar conservar a nossa identidade de “sal” ficando dentro do saleiro. A verdadeira identidade do sal é perder a sua identidade como algo separado do mundo e dar sabor à massa, sem aparecer.

O Cristão que procura preservar sua identidade cristã, se isolando do mundo, está pecando contra os fracos e necessitados. Igrejas que se esforçam para conservar sua identidade de católica, protestante, carismática ou conservadora, etc. estão se isolando de um mundo, já cheio de barreiras, onde há milhões de vítimas de violência de todos os tipos. Com a nossa presença como sal, muitos, que estão a caminho de se perder, poderiam ser fortalecidos para uma vida de esperança e fé. Como “sal”, poderemos realçar o sabor da massa e torná-la gostosa. Havendo sal, muitos podem viver a paz.

quinta-feira, 4 de setembro de 2008

PROVA DE FÉ

Sempre que oramos por vocês,
damos graças a Deus,
o Pai do nosso Senhor Jesus Cristo.
Porque soubemos da fé
que vocês têm em Cristo Jesus
e também do amor que têm
por todo o povo de Deus.

Colossenses 1.3-4 (leia 1.1-8) – BLH

O fruto básico da fé em Jesus é o amor. Paulo foi convencido da fé dos colossenses pelo amor que manifestaram por ele e pelo amor que manifestaram aos outros. Se não tivessem manifestado este amor, Paulo não teria confirmado sua fé em Jesus.

Milagres e proezas não têm o mesmo poder e o mesmo valor do amor. Eles podem impressionar, mas só o amor comove! Um dos grandes pecados da igreja hoje em dia é o seu desejo de impressionar os outros: seu número de membros, pelas manifestações espirituais, pelos costumes, pelo tamanho e beleza do templo ou pelas doutrinas. Em vez de cultivarem o amor cristão e o exercerem nos diversos aspectos da vida nacional e do dia a dia do povo, muitas lideranças se preocupam em projetar imagens que impressionam e conseguir vantagens políticas e econômicas.

quarta-feira, 3 de setembro de 2008

CRIATURAS DO DIA

Mas vocês, irmãos,
não estão na escuridão,
e o Dia do Senhor não deve pegá-los de surpresa
como um ladrão.
Todos vocês são da luz e do dia.
Nós não somos da noite
nem da escuridão.

Tessalonicenses 5.4-5 (leia 5.1-6,9-11) – BLH

Independentemente do que uma pessoa pode crer ou não crer a respeito da vinda de Jesus, a declaração desta passagem é válida. O futuro é incerto. Não sabemos o que vai acontecer daqui a um segundo! Diante disto, devemos estar sempre em dia com tudo.

Nesta passagem o "dia" e a "noite" são usados como metáforas, para representar a verdade (dia) e a falsidade (noite).

É importante ser da luz e do dia. Quem é da luz e do dia é aberto à verdade e a verdade é libertadora. Quem opta pela luz e pelo dia tem a mente aberta para aprender coisas novas e crescer; não se fecha e está sempre em processo de transformação. Ao contrário, os que são da escuridão, da noite, resistem às mudanças por acharem que já sabem tudo e têm um sistema fechado de crenças.

O Dia do Senhor é o dia da verdade. Se somos abertos à verdade, não há nenhuma verdade que possa nos pegar de surpresa e nos derrubar. É bom ser da luz e do dia!...

terça-feira, 2 de setembro de 2008

ESPERANÇA DE VIDA APÓS VIDA

Nós cremos que Jesus morreu e foi ressuscitado.
Assim cremos que Deus vai trazer,
com Jesus,
os que morreram crendo nele.

1 Tessalonicenses 4.14 (leia 4.13-18) – BLH

Paulo aponta Jesus como a primícia dos cristãos, aquele que conquistou a morte e levará seus seguidores pelo mesmo caminho. Paulo usa a figura de Adão para ser a primícia do contrário, como aquele que levou todos à morte. São artigos de fé sem provas concretas. Paulo declara que Jesus ressuscitou e já ressuscitamos com Ele. Estas afirmações são fruto do nosso desejo pela imortalidade e amor à vida.

Talvez a maior prova da imortalidade seja o nosso desejo pela imortalidade. O argumento usado é que o desejo comprova a existência do desejado, como a fome e a sede comprovam a existência da comida e água. Se a comida e a água não existissem não existiria o corpo para desejar-lhes. Assim é a ressurreição. Eu amo a vida e desejo viver para sempre, mas, a morte é também uma realidade. Jesus simboliza a esperança.

segunda-feira, 1 de setembro de 2008

CÉU

Tudo de bom que recebemos
e tudo o que é perfeito vêm do céu.
Tudo isso vem de Deus
o criador das luzes do céu.
Ele não muda,
e não há nele
nem sombra de mudança.

Tiago 1.17 (leia 1.17-18,21-22,27) – BLH

Deus é o constante. Continua sendo. .Será para sempre o doador de tudo que é perfeito vindo do céu. Deus é o "Eterno Agora". Nisto não há mudança, nem sombra de mudança. Nunca nos deixará.

O "céu" é uma metáfora e não um lugar lá em cima localizado em algum ponto no espaço entre as estrelas como acreditavam os homens na época em que foi escrita esta passagem. Não cremos mais num universo de três níveis: o céu em cima, a terra no meio e o inferno em baixo. O "céu" agora é uma realidade interna que, ao mesmo tempo, está muito além de nós. Se a nossa vida fosse uma casa, a porta de entrada usada por Deus não seria a porta que leva à rua porque Deus não chegaria da rua; seria uma porta interna da casa.

É a presença de Deus que cria o céu. Deus, estando presente, o céu também, está presente. Estar com Deus é estar no céu. O "céu" é uma maneira metafórica de entender a presença de Deus e este "céu" já está dentro de nós.