terça-feira, 31 de março de 2009

A GLÓRIA DE JESUS E A DESTE SÉCULO

A verdadeira vida de vocês é Cristo,
e quando ele aparecer,
então vocês aparecerão com ele
e tomarão parte na sua glória.

Colossenses 3.4 (leia 3.1-4) – BLH

Com Jesus a vida é outra; entra o elemento "glória" e a vida toma outra dimensão. Que dimensão é esta?

Em nossa cultura, os maiores valores são os valores materiais. O material está acima do ser humano. O deus do materialismo se chama "lucro". O ser humano é massacrado para os poderosos poderem acumular mais riqueza material. A "glória" de Jesus é a valorização do ser humano como objeto do amor!

A "glória" de Deus é amar as pessoas e usar as coisas para o seu benefício, enquanto a "glória" do mundo é amar as coisas e usar as pessoas para benefício próprio... A "glória" do mundo exalta prédios suntuosos, grandes monumentos, projetos vistosos, máquinas poderosas de guerra e tudo quanto é sinal de riqueza, poder e status. As igrejas, também, entram na dança do materialismo. Constroem templos grandiosos, disputam estatísticas de grandeza, tentando ser as "melhores" e as "mais perfeitas". Mas, "glória" de Jesus são pessoas libertadas da escravidão do materialismo e do orgulho, servindo ao próximo.

segunda-feira, 30 de março de 2009

DISCIPULADO SIM, RITUALISMO NÃO

Assim, quando fomos batizados,
fomos enterrados com ele
por termos morrido junto com ele.
E isso para que,
como Cristo foi ressuscitado
pelo poder glorioso do Pai,
assim também nós vivamos uma vida nova.

Romanos 6.4 (leia 6.3-11) – BLH

Usar este texto como uma defesa de "batismo nas águas" por imersão é perder completamente o seu sentido e profundidade. Não tem nada a ver com ritualismo e nada a ver com formas. O texto fala de uma profundidade da esperança cristã que vai muito além de um mero uso da água.

O batismo significa uma postura de vida, de quem se identifica com Jesus, nega-se a si mesmo e toma a cruz junto com Jesus. Devemos ser leais a Jesus a ponto de estarmos decididos até a morrer, antes de nos curvarmos diante dos ídolos deste século, inclusive dos "ídolos religiosos" das nossas igrejas. Quando Jesus perguntou a Tiago e João: - "Podem ser batizados como eu vou ser batizado? " (Mc 10,38), Ele estava falando de discipulado e não de ritualismo.

A nossa identificação com Jesus na sua vida e morte nos dá esperança de vida eterna! Como Jesus foi ressuscitado, seremos nós, também, participantes desta ressurreição! Em Jesus morremos para viver.

domingo, 29 de março de 2009

O LADO POSITIVO DO SOFRIMENTO

Embora fosse o Filho de Deus,
ele aprendeu,
por meio dos seus sofrimentos,
a ser obediente.

Hebreus 5.8 (leia 4.14-16, 5.7-9) – BLH

Por ser Filho de Deus, Jesus não foi isento de sofrimentos. O sofrimento não é necessariamente negativo, pois, faz parte da criação. A dor tem a função de preservar a vida. Um dos valores do sofrimento é a aprendizagem. O sofrimento, entre outras coisas, nos ensina. Por meio do sofrimento aprendemos o que é ruim e o que deve ser evitado.

O texto declara que Jesus aprendeu através do sofrimento. Teve uma vida de sacrifício mesmo bem antes da cruz. É provável que Jesus se penalizava com a situação sócio-econômica da sua família e com as injustiças praticadas contra seu povo. Aprendeu que o caminho do bem leva a sofrer a ingratidão e a crítica injusta dos outros. A obediência à visão celestial leva ao sofrimento e este nos leva a procurarmos vida melhor. A tomada diária da cruz fazia parte de sua vida e deveria fazer parte da nossa.

O sofrimento é a "dor de parto" de uma nova vida. Não há vida sem sofrimento e este é um sinal de que a vida está nos oferecendo um espaço para crescermos.

sábado, 28 de março de 2009

JESUS: O SELO DA ALIANÇA

Assim também, depois do jantar, pegou o cálice e disse:
Este cálice é o novo acordo feito por Deus com o seu povo,
acordo que é selado com o meu sangue.
Cada vez que vocês beberem deste cálice,
façam isso em memória de mim.

1 Coríntios 11.25 (leia 11.23-26) – BLH

Paulo citou a frase: "Selado com o meu sangue”,usado por Jesus durante a última ceia com os discípulos. Isto quer dizer: quando Jesus estava pendurado na cruz, Ele não estava lá como vítima sacrifical e como representante da humanidade, tomando sobre si a ira de Deus em nosso lugar, mas, como Deus selando um acordo de sangue, em pé de igualdade com o ser humano. A vítima sacrifical não se entrega por vontade própria, não está em condições de selar acordos. Quem "sela acordos" são pessoas autônomas, agindo por vontade própria. Jesus foi à cruz por iniciativa própria e não como vítima inocente de circunstâncias.

O cálice representa, não a ira de Deus, descarregada contra alguma vítima inocente, mas o fato do perdão ter o seu preço. O preço do perdão é o compromisso. O sangue representa compromisso de ambas as partes, de ir até às últimas conseqüências, até o fim. O cálice simboliza a completa lealdade de ambas as partes.

sexta-feira, 27 de março de 2009

MANDAR? OU SERVIR?

Depois de fazerem tudo o que foi mandado,
digam:
"Somos empregados que não valem nada
porque fizemos somente o nosso dever."

Lucas 17.10 (leia 17.5-10) – BLH

Os apóstolos, impressionados com o poder de Jesus, queriam a “fé grande” para também, fazerem “grandes obras”. Jesus dividiu a resposta do pedido em duas partes: primeiro, usando as figuras, semente pequena / árvore grande e, segundo, a de relacionamento patrão / empregado.

A fé é semelhante à semente. Não importa o tamanho. O importante é que seja plantada. Mesmo sendo pequena, tem muito poder, até comandar uma figueira brava bem enraizada a arrancar pelas raízes e ser plantada no mar!...

Reconhecendo que o poder, mesmo espiritual, é perigoso e reconhecendo o motivo dos seguidores pedindo aumento de fé, Jesus acrescentou a segunda parte, o relacionamento patrão / empregado.

Usou a estrutura social da época como ilustração. O dono considerava o trabalho do escravo como dever, não favor que merecia gratidão ou elogio! A lição é que, ao fazermos tudo, estamos simplesmente cumprindo o nosso dever. Devemos usar a nossa fé para servirmos, não para comandarmos. A tentação é sempre usarmos a fé como instrumento de poder, não de serviço.

Mandar e manipular é abusar da fé! A fé verdadeira é aquela plantada no serviço humilde, sem esperar elogios e reconhecimento. A fé grande é a fé humilde!

Freqüentemente nas instituições religiosas, principalmente “igrejas”, a fé se torna instrumento de autoridade e domínio, não de compaixão e serviço humilde. A revista Época, na sua edição de 12/07/2004, pp 92 e 93, relatou o caso de um bispo que exerceu sua autoridade, afastando, sob a falsa acusação de bruxaria, uma pastora de origem humilde que trabalhava dando assistência pastoral às prostitutas na Praça da Luz, em São Paulo! Usou seu “poder da fé” para deixar a pastora sem salário e as prostitutas sem sua assistência pastoral!... Pior ainda, os bispos condenaram a pastora por ter procurado a justiça em defesa de seus direitos. Para as autoridades eclesiásticas, era mais importante defender a postura de poder do que apoiar a pastora no seu ministério entre as prostitutas. É mais fácil jogar pedras do que dar pão... Até a data da reportagem, não havia nenhum sinal de compaixão e humildade da parte da cúpula da igreja. Fecharam a porta para a pastora. Ao relatar o episódio, a revista “secular” foi muito mais profética do que as autoridades religiosas que apoiavam as injustiças de seus pares.

Jesus usou a sua fé para servir com humildade. Não se colocou em posição de autoridade sobre os outros, nem usou milagres como meios de promoção. Conhecia bem o ser humano e sua tendência de correr atrás de milagres, demonstrações de poder e obras grandiosas. Recusou usar seu poder como instrumento de manipulação.

No mundo real as “figueiras bravas bem enraizadas” jogam as “pequenas sementes” no mar, às vezes em nome da fé. O Reino de Deus não é daqueles que julgam e comandam, mas daqueles que procuram servir e muitas vezes são julgados e condenados. Jesus avisou às autoridades religiosas da sua época que prostitutas e publicanos entrariam no céu antes deles!

quinta-feira, 26 de março de 2009

REFORÇADOS PELA MÃO DE DEUS

Ele fez que as minhas palavras fossem cortantes
como uma espada afiada
e me protegeu com a sua própria mão.
Ele me fez igual a uma flecha pontuda,
uma arma que ele guarda
até o momento de ser usada.

Isaías 49.2 (leia 49.1-6) – BLH

Ao estarmos nas mãos de Deus, alcançamos nosso potencial máximo, protegidos contra desgastes. Ao estarmos em harmonia com a fonte da vida e do universo, ficamos integrados no ecossistema da vida e da realidade, de tal maneira que os nossos esforços vêm reforçando o sistema. Ao fazermos parte integral deste sistema, estamos reforçando a nós mesmos! Ao agirmos a favor dos outros, estamos agindo a favor de nós mesmos! Ao sermos instrumentos da bênção para os outros, estamos nos abençoando também.

Ser usado e ser conservado ao mesmo tempo, parece ser um dos princípios da vida! Agir contra a vida e contra o amor é agir contra si mesmo. O pecado mata, mas a justiça vivifica. Ao praticarmos o bem e ao andarmos de acordo com os princípios do universo estamos promovendo e reforçando o sistema da vida. Ao praticarmos o mal e andarmos contra os princípios da vida, estamos, na realidade, nos destruindo. Por isso, a humanidade marcha para sua própria destruição...

quarta-feira, 25 de março de 2009

O PEGUEI PELA MÃO

Eu, o Eterno, o chamei
e o peguei pela mão,
para que haja salvação por meio de você.
Eu o criei e o enviei como garantia
do acordo que vou fazer com o meu povo,
como a luz da salvação que darei aos outros povos;

Isaías 42.6 (leia 42.1-7) – BLH

Estas palavras foram dirigidas para o povo de Israel (41.8), mas poderiam ser dirigidas a qualquer um de nós. Os escritores dos Evangelhos lançaram mão de muitos textos de Isaías e os aplicaram à pessoa de Jesus. Por causa disso muitos textos do livro de Isaías são considerados "proféticos" referentes a Jesus como Salvador. Mesmo sendo Salvador, Jesus é também o representante de cada um(a) de nós. Quem, neste mundo, Deus não pegou pela mão? Quem, neste mundo, não foi criado por Deus? Quem, neste mundo, não foi ou não está sendo enviado por Deus para ser “luz da salvação”? O que é válido para Jesus é válido a nós todos. A cruz e o Reino são para nós também.

O “você” no singular é usado no sentido coletivo. Refere-se a todas as pessoas que professam a fé. Mesmo com todas as nossas limitações todos nós estamos sendo chamados para sermos "luz da salvação". A função da luz é revelar. Na medida em que conseguirmos ser luzes podemos mostrar o caminho que leva à salvação. O nosso mundo está em processo de auto destruição e está se perdendo. Precisa de luz. Quem professa a Jesus torna-se as mãos, os pés e a boca de Jesus aqui na terra.

Não estamos sozinhos. A mão divina está estendida para nos guiar e fazer de nós, “luzes da salvação”, vivendo já o Reino.

terça-feira, 24 de março de 2009

É DESCENDO QUE SUBIMOS

Ao contrário,
pela sua própria vontade,
abandonou tudo o que tinha e tomou a natureza de servo.
Ele se tornou semelhante ao ser humano
e apareceu na semelhança humana.
Ele se rebaixou,
andando nos caminhos de obediência
até a morte -- e morte na cruz.

Filipenses 2.7-8 (leia 2.6-11) – BLH

A humildade e a exaltação são muito ligadas uma à outra. Em vez de reivindicar tudo a que tinha direito para si mesmo, isto é, para o seu próprio bem estar, Jesus procurou o bem estar do próximo. A conseqüência foi que, o próprio Jesus foi o mais beneficiado! A humildade resulta na exaltação do humilde e a auto-exaltação, no fim, na humilhação do arrogante!...

Alguns princípios da vida neste sentido são:

  • para subir é preciso primeiro descer;
  • para viver, morrer;
  • para ser um bom líder, ser um bom seguidor;
  • para ser um bom professor, ser um bom aluno;
  • para ser um bom pastor, ser uma boa ovelha;
  • para ser um bom pai (ou mãe), ser um bom filho (ou filha)...

segunda-feira, 23 de março de 2009

COM O ETERNO, TUDO É NOSSO

Farei com eles um acordo
que garantirá que viverão
para sempre em segurança.
Aumentarei a população
e porei o meu Templo na terra deles,
e ali ficará para sempre.

Ezequiel 37.26 (leia 37.21-28) – BLH

Um acordo implica num relacionamento consciente. Poderemos estar em comunhão com as profundas realidades da vida, e em comunhão com a fonte da vida. No Antigo Testamento é conhecida como Iahweh, cuja tradução é: "EU SOU O QUE SOU". A Bíblia na Linguagem de Hoje tem a felicidade de traduzi-lo como "O ETERNO" ou aquele que sempre foi e sempre será.

O nosso relacionamento com O ETERNO está vinculado ao nosso relacionamento criativo e harmonioso com todos os aspectos do mundo em que vivemos. Inclui as leis básicas do universo, a lei do amor, do respeito para com os outros e para com a natureza. Ao estarmos em comunhão com O ETERNO, tudo é nosso. A nossa harmonia com o nosso próximo e com toda a criação faz parte da nossa convivência com O ETERNO. Não podemos desprezar o desrespeitar as pessoas que nos cercam e a natureza sem nos afastar do ETERNO também.

A Terra, junto com toda a criação, é o templo do ETERNO e deve ser tratado assim. Ao desrespeitá-la caminhamos para a nossa própria destruição. Ao respeitá-la tudo é nosso.

domingo, 22 de março de 2009

O ETERNO: A FONTE DA VIDA

Mas tu, ó Deus Eterno,
estás comigo e és forte e poderoso.
Os que me perseguem tropeçarão e nunca vencerão.
Eles ficarão muito envergonhados por causa do seu fracasso.
A desgraça deles não acabará
e nunca será esquecida.

Jeremias 20.11 (LEIA 20.10-13) – BLH

A calma vem da certeza interior. Quem está ao lado da fonte da vida e do bem, representados pelo Eterno, não precisa temer uma derrota definitiva. As forças da anti-vida acabarão sendo derrotadas. Isto não quer dizer que não haverá épocas difíceis e contratempos! Podemos perder determinadas batalhas, mas não a guerra... Um tema constante da fé bíblica é a certeza de que o amor e a justiça terão a última palavra.

A derrota dos inimigos do bem será a conseqüência, não dos nossos esforços, mas da própria estrutura da realidade. Será um tropeço. A própria base da existência é a causa do tropeço do mal... O mal acaba caindo por seu próprio peso. O nosso papel é simplesmente fazer o bem: vivendo a justiça que não é nada mais do que por em prática os ensinamentos de Jesus!

sábado, 21 de março de 2009

EXCLUSIVIDADE: A REJEIÇÃO AO PRÓXIMO

Eu faço com você este acordo:

Prometo que você será pai de muitas nações.
...Você, Abraão,
cumprirá o meu acordo,
você e os seus descendentes,
para sempre.

Gênesis 17.4,9 (Leia 17.3-9) – BLH

Aqui nasce o conceito do povo escolhido. As três grandes religiões monoteístas: judaísmo, cristianismo e islamismo, apontam Abraão como o primeiro, da longa linhagem do povo escolhido, excluindo os demais.

Estes grupos alegam a exclusividade de "Povo de Deus"; só eles e mais ninguém. Ao afirmarem esta exclusividade, eles estão rejeitando o próximo! É uma maneira de rejeitar o amor como valor supremo! Falam de um Deus da promessa, do amor e da misericórdia, mas entendem que estas dádivas são só para eles, tomando a liberdade de classificar os demais como ímpios e destruí-los.

Deus pensa na bênção da inclusão. O seu acordo não é só para uma pessoa e sua família. Este acordo alcança muitas nações. Abraão foi escolhido, não somente para ser abençoado, mas para ser uma bênção a todas as nações.

sexta-feira, 20 de março de 2009

O “EFEITO LÁZARO”

“Meu filho,
lembre que você recebeu na sua vida
todas as coisas boas,
porém
Lázaro só recebeu o que era mau.
E agora ele está feliz aqui,
enquanto você está sofrendo.”

Lucas 16.25 (leia 16.19-31) – BLH

O erro do homem rico era viver numa “ilha de fantasia” num mundo cuja realidade era outra. Não percebeu que, mesmo cercado pelos muros da separação, a vida de Lázaro ia afetá-lo profundamente. Ao ignorar Lázaro na sua miséria, o rico se tornaria mais miserável do que o pobre sofredor. Não foi possível evitar o “efeito Lázaro”. Quando percebeu o engano, era tarde demais! Não houve mais concerto.

O rico tropeçou em Lázaro. Lázaro foi elevado. A prosperidade a custa dos outros é ilusória. O nosso bem estar verdadeiro depende do estado dos outros. Ignorar esta lei da existência é convidar a tragédia futura. O tempo e toda a criação de Deus são niveladores.

Hoje estamos presenciando o drama do rico e Lázaro. O diretor do drama é o deus da globalização, o Lucro! Está passando no palco do planeta Terra, vultos sem precedentes: saque predatório dos recursos não renováveis da natureza, tráfico de entorpecentes, falsificação de medicamentos, saque dos cofres públicos, a substituição de mão da obra pela tecnologia, roubarias, golpes de todas as espécies, tudo em nome do deus Lucro! Os resultados imediatos são guerras e atentados. Todos estes empreendimentos são dirigidos por pequenos grupos que se enriquecem, fazendo bilhões de vítimas, criando “Lázaros”. São caminhos que conduzem a autodestruição. No fim, os exploradores também vão pagar o preço da sua ganância. É o “efeito Lázaro”.

A “ilha de fantasia” do palácio do homem rico virou o fogo do sofrimento infernal. O inferno do sofrimento do Lázaro foi transformado em “festa do céu”. A morte representa o grande nivelador de todos os seres.

Estamos todos construindo: paraísos ou infernos. O “efeito Lázaro” vale para todos e em todas as esferas da vida, incluindo a espiritual.

Muitos cristãos têm mania de achar que a salvação é só para eles! Vivem dentro das paredes dos seus “ismos” com seu Deus particular, protegendo-se do “mundo perdido” e de outros sistemas de crença. Será que no “grande nivelamento” não haverá muitas surpresas? Será que o “efeito Lázaro” não vai operar lá também? Jesus contou esta história para pessoas boas, convencidas da sua própria salvação e superioridade espiritual. Os “Lázaros” da vida também estavam ouvindo e recebendo uma mensagem de esperança. Os Lázaros são os vencedores finais.

quinta-feira, 19 de março de 2009

O MUNDO PODE SER O NOSSO

Deus prometeu a Abraão
e aos seus descendentes
que o mundo ia pertencer a eles.
Essa promessa foi feita,
não porque Abraão tinha obedecido a Lei,
mas porque ele havia crido em Deus
e havia sido aceito por ele como justo.

Romanos 4.13 (leia 4.13,16-18,22) – BLH

A fé de Abraão não era a de cumprir regras e leis, mas estar em harmonia com o universo de Deus. A sua fé levou Abraão a mudar seus planos e seguir outros rumos... Por isso, o mundo todo era a herança dele! Estando em harmonia com o universo e fazendo parte integrante do mesmo, tudo era de Abraão...

Quem anda em desarmonia com o universo de Deus está na contra mão da vida, botando tudo a perder, em vez de ganhar. As vantagens do egoísmo são ilusórias, nunca reais: Parece ganhar o mundo inteiro, mas na realidade, está perdendo tudo...

A nível global, nossa cultura está em desarmonia com o universo pela sua maneira de aplicar a tecnologia. A natureza está sendo ferida e pondo o mundo a se perder. As vantagens da tecnologia estão sendo canceladas pela autodestruição. A nossa tecnologia está destruindo a terra que nos sustenta...

O mundo pode ser nosso na medida que nós entrarmos em harmonia com ele e lutarmos pela sua preservação.

quarta-feira, 18 de março de 2009

A MORTE VENCIDA

Eliseu levantou-se e andou de um lado para outro do quarto.
Depois voltou e deitou-se de novo sobre o menino.
Aí o menino espirrou sete vezes e abriu os olhos.

2 Reis 4.35 (leia 4.18-21,32-37) – BLH

Na Bíblia a ressurreição é retratada como manifestação do poder renovador do Criador. Processos podem ser revertidos e destinos mudados. Deus é retratado como mutável e misericordioso... A ressurreição foi uma afirmação da permanência da vida diante da morte. O menino morreu, mas voltou a viver após o contato com Eliseu. Morreu, mas não deixou de existir. Voltou a respirar e viver.

A ressurreição é tema constante na Bíblia. Está também presente em mitologias que retratam deuses que morrem e voltam a viver. É um tema quase universal. A vida e a morte estão muito ligadas e uma faz parte da outra. A morte não é final e não tem a última palavra. A morte marca a transição entre estágios. A planta morre, mas deixa a semente para a reprodução da espécie, da qual faz parte. A planta se torna adubo que alimenta novas sementes que brotam. Sem a morte não pode haver a continuação da vida. Uma é dependente da outra!

Do ponto de vista humano a morte é semelhante ao horizonte: parece o fim do nosso mundo. Mas sabemos que o horizonte não é o fim, mas o começo do resto de um mundo muito maior. Pela fé acreditamos que para lá do horizonte desta vida existe uma infinidade de vida além da nossa imaginação.

terça-feira, 17 de março de 2009

JESUS A FONTE DA SALVAÇÃO

E,
depois de aperfeiçoado,
tornou-se a fonte da salvação eterna
para todos
os que lhe obedecem.

Hebreus 5.9 (leia 5.7-9) – BLH

O mal é a desarmonia que leva à morte e à destruição. O bem da integração leva à vida, luz e à bem-aventurança! Jesus é o Bem encarnado, a encarnação da força criadora, mantenedora e restauradora do universo.

A obediência a Jesus seria a nossa integração no esquema natural do universo, entrega ao bem para seguir o caminho do bem. Seguir Jesus é seguir tudo aquilo que ele representa, adotar os valores da vida que promovem a coletividade, em vez de promover vantagens egoístas e imediatistas. É seguir um caminho que nos leva a um confronto com os valores populares que colocam costumes e instituições acima do ser humano e fazem do ser humano um escravo para servir os interesses dos poderosos.

A perfeição de Jesus foi a sua própria integração com a criação, a descoberta do Papai que é justamente esta força criadora de amor que rege todas as coisas. Esta perfeita integração com o Papai de amor, fez Jesus compartilhar o caminho da bem-aventurança com todos que o seguem.

segunda-feira, 16 de março de 2009

O MAL NÃO TEM LÓGICA

Eu era como um cordeiro manso
que é levado para ser morto.
Não sabia que era contra mim
que estavam planejando maldades.
Eles diziam o seguinte:
“Vamos derrubar a árvore enquanto ainda está forte.
Vamos matar Jeremias
para que nunca mais ninguém
se lembre dele”.

Jeremias 11.19 (leia 11.18-20) – BLH

Na Bíblia, na mitologia e na ecologia, a árvore representa a vida! Os inimigos de Jeremias compararam-no a uma árvore e queriam derrubá-lo... Com isso estavam conspirando contra a sua própria vida! Afinal, eles estavam conspirando contra si mesmos...

O mal não tem lógica porque é a rejeição da verdade. É auto-destrutivo. A verdade e a vida andam de mãos dadas. O ato de cortar a árvore (ou matar Jeremias) foi a manifestação da rejeição da verdade e a vida. A recusa de reconhecer a nossa verdade é uma forma de suicídio. Quem não a enfrenta não chega a alcançar a vida plena.

O profeta sempre incomoda porque a meta do verdadeiro profeta é a verdade. Viver a verdade do amor e da justiça é um ato profético. Às vezes nem precisa falar. Aqueles que praticam a justiça sempre serão alvos do ódio, do mal porque representam aquilo que rejeitam. Até que ponto a nossa postura de amor ao próximo chega a incomodar as pessoas que vivem com preconceitos e ódio?

domingo, 15 de março de 2009

A RECOMPENSA DO BEM

Eles ignoram os segredos de Deus,
não esperam o prêmio pela santidade,
não crêem na recompensa das vidas puras.

Sabedoria 2.22 (leia 2.1,12-22) – BJ

Ao apoiar o mal, os ímpios apostam num mundo virado, avesso da realidade. Ignoram que o bem tem a sua própria recompensa. Acham que o caminho do mal dá mais lucro e que levam vantagem sobre os que praticam o bem. Além de ignorar que, a longo prazo o bem traz uma recompensa muito maior, desconhecem também, mesmo a curto prazo, que o mal é o caminho pior.

A recompensa do bem não é apenas o objetivo que se quer alcançar. O fato de seguir o caminho em si é a maior recompensa! O objetivo é secundário. O próprio caminho é o valor supremo da vida! Por exemplo: é melhor amar e perder, do que passar a vida sem nunca ter amado. Uma vida de amor frustrado é melhor que uma vida de ódio bem sucedido! Morrer cedo não seria tragédia se a vida foi dedicada ao bem estar dos outros. A maior tragédia seria viver uma vida longa, em torno de si mesmo, ignorando aqueles ao seu redor. A recompensa do bem é o próprio bem e não o que o bem pretende realizar...

sábado, 14 de março de 2009

UM DEUS ARREPENDIDO E MISERICORDIOSO

Por que deixar que os egípcios venham a dizer
que tiraste o teu povo do Egito para matá-lo nos montes
e destruí-lo completamente?
Não fiques assim irado;
muda de idéia
e não faças cair sobre o teu povo essa desgraça...
Então o Deus Eterno mudou de idéia
e não fez cair sobre o seu povo
a desgraça que havia prometido.

Êxodo 32.12e14 (leia 32.7-14) – BLH

Ou Deus é muito humano ou somos muito divinos... Nesta passagem Deus ficou de “saco cheio”, perdeu a paciência e quis destruir o povo que ele havia conduzido no deserto. Mas Moisés chamou a atenção de Deus: destruindo o povo, Deus estaria agindo contra a sua própria pessoa. Pensando melhor, Deus concordou com Moisés...

Na Bíblia, Deus não é apresentado como aquele ser que é infalível e inflexível, que fala e "fim de papo". Nesta passagem Deus é de compaixão e diálogo! A ira de Deus passa e a misericórdia predomina... Mesmo nos momentos de ira, Deus tem dó. A sua ira não é para sempre, nem o inferno é eterno. O inferno existe para educar e não para castigar. Depois de ser crucificado, Jesus desceu para o inferno para libertar os espíritos em prisão. Nem o inferno escapa do amor e misericórdia de Deus...

sexta-feira, 13 de março de 2009

ESPERTEZA SANTA

Quem é fiel nas coisas pequenas
também será nas grandes;
e quem é desonesto nas coisas pequenas
também será nas grandes.

Lucas 16.10 (leia 16.1-13) – BLH

Para entender esta parábola é necessário conhecermos o sistema financeiro daquela época. Os administradores não tinham salários fixos, mas eram compensados por comissões que eles mesmos fixavam e cobravam. Quanto mais movimento, mais lucro! Uma parte do saldo devedor de cada conta pertencia ao patrão e a outra, ao quem administrasse. O administrador da parábola foi acusado de “impropriedade” e correu risco de ser demitido. Sua estratégia de não passar fome era fazer amizades com os devedores. Chamou cada um e perdoou a comissão dele do saldo devedor. O patrão ficou contente em receber a parte dele e apreciou a astúcia do administrador. O patrão não achou ruim porque não foi lesado. O administrador ganhou novos amigos e a apreciação do patrão. Ele fez as pazes com os dois lados!

Não houve desonestidade. Jesus louvou o bom senso do administrador. Nesta parábola todos lucraram!... O patrão recebeu o que era dele. Os devedores foram perdoados da taxa de juros. O administrador conquistou amigos que poderiam ser solidários em caso de necessidade.

A esperteza santa não é nada mais do que uma boa dose de bom senso. O administrador foi astuto em abrir mão da sua comissão, pensando no seu bem estar a longo prazo. Melhor ganhar amigos do que tentar ganhar a comissão! Usou o que era dele por direito para conquistar a boa vontade dos devedores.

Colocar dinheiro como meta principal é ser desonesto com as riquezas deste mundo. As riquezas materiais não são nossas e devem ser administradas para o bem comum. Ganância é desonestidade. As verdadeiras riquezas são as pessoas que conseguimos beneficiar, usando os recursos que temos em mãos.

A esperteza santa é abrir mão das vantagens imediatas e investir no bem estar comum. Ao sermos solidários aos outros, estamos, também, investindo em nós mesmos. Ao sermos escravos do dinheiro nós nos tornamos inimigos da humanidade. A esperteza é um mal quando usado para levar vantagem às custas dos outros. Os corruptos políticos e os empresários exploradores são inimigos do povo como também os golpistas e assaltantes. Servir dinheiro em qualquer nível é desprezar o próximo.

A religião entra no mesmo jogo quando apela para as “vantagens” de ser crente. Visar somente a salvação pessoal e trabalhar para acumular “méritos” espirituais é outra forma de ganância. Ser fiel nas pequenas coisas é abrir mão de direitos e agir para o bem dos outros. Servir os outros é servir a Deus. Nisto consiste a “esperteza santa”.

quinta-feira, 12 de março de 2009

ÁGUAS QUE TRAZEM A VIDA

Então ele me disse:
“Esta água corre para o leste
e desce até o rio Jordão
e até o mar Morto.
Quando entra neste mar,
ela faz que a água salgada do mar vire água doce.
Em todo lugar por onde esse rio passar,
haverá todo o tipo de animais e de peixes.
O rio fará que as águas do mar Morto fiquem boas
e ele trará vida por onde passar”.

Ezequiel 47.8-9 (leia 47.1-9.12) – BLH

Será que esta corrente de água doce que sai do templo e corre em direção sol nascente chegando ao mar Morto, representa as pessoas que seguem o caminho do bem? Ou será uma figura da graça de Deus que alcança aquilo que já está morto e o faz viver? - São ambas as figuras: a figura da graça divina e, ao mesmo tempo, a figura do instrumento que leva esta graça.

O templo é apenas o ponto de partida da água. Esta água não é para o templo, mas para o mundo... Quanto mais longe do templo, mais profunda, quanto mais perto, mais rasa... Onde esta água passa, há vida abundante e sem ela, há morte... O templo não é um fim em si mesmo, mas existe em função do mundo. As águas não existem para ficarem paradas, mas para correr até o mar Morto, transformando-o em mar vivo!...

quarta-feira, 11 de março de 2009

CAINDO E SE LEVANTANDO

Inimigos,
não zombem de nós!
De fato caímos,
mas ficaremos novamente de pé;
agora estamos na escuridão,
mas o Deus Eterno será a nossa luz.

Miquéias 7.8 (leia 7.7-9) – BLH

As conseqüências imediatas nem sempre são as finais, tanto para o lado do bem como para o do mal. Muitas vezes demora para aparecer o resultado final. Outro fato da vida é que tudo muda, nada fica como está. Quem está em cima hoje, pode estar embaixo amanhã e amanhã pode estar em cima, quem hoje, está embaixo...

Outro princípio nos esclarece que, pelas conseqüências das nossas opções erradas, podemos aprender e, depois, acertar. A queda provocada pelo erro não precisa ser definitiva, podemos levantar e andar de novo. As conseqüências dos nossos atos e das nossas atitudes são pedagógicas e não penais. Deus quer nos ensinar e não nos punir; quer nos corrigir e não nos castigar; embora muitas vezes, na Bíblia, uma correção seja interpretada como castigo... A Bíblia relata os feitos de Deus sem, contudo, acertar sempre na interpretação daqueles feitos!

Enquanto há capacidade de arrependimento, há misericórdia divina. Jesus foi até o inferno para pregar depois da sua morte.

terça-feira, 10 de março de 2009

AMOR DE RISCO

Porque foi Deus quem nos fez e,
sendo unidos com Cristo Jesus,
nos criou para fazermos o bem
que ele já havia preparado para nós.

Efésios 2.10 (leia 2.4-10) – BLH

A história, pelo menos no ocidente, tem mostrado que o ser humano tem muita dificuldade de fazer o bem além de seus interesses imediatos. O nosso "bem" geralmente é interesseiro e provoca efeitos negativos na coletividade. Fazemos bem a nós mesmos, à custa do bem dos outros... O nosso ganho é a perda dos outros. Uma coisa é lícita se produz bom resultado para nós sem prejudicar os outros.

Jesus veio para revelar o Reino de Deus e nos abrir a porta. O "bem do jeito de Jesus" é diferente do "bem do jeito popular"... A bem-aventurança de Jesus não é algo para ser recebido e guardado, mas algo a ser recebido e compartilhado! Jesus chega trazendo um “pacote divino”. Este pacote divino é o amor ao próximo como fruto do amor divino. O amor guardado se estraga e deixa de ser amor. Um amor ativo vai ao encontro do outro sem pensar em si mesmo, não é calculista e corre o risco de nos levar à cruz.

segunda-feira, 9 de março de 2009

DEDICAÇÃO A DEUS E À JUSTIÇA

Vamos nos dedicar mais e mais ao Deus Eterno!
Tão certo como nasce o sol,
ele virá nos ajudar;
virá tão certamente
como vêm as chuvas da primavera
que regem a terra.

Oséias 6.3 (leia 6.1-6) – BLH

Tirado fora do contexto, este versículo parece uma linda declaração de fé na graça de Deus... No contexto, fica claro que é rejeitado pelo fato de que, eles entenderam a dedicação a Deus como dedicação de culto e não prática de justiça!

Este capítulo poderia ter sido escrito nos dias de hoje. O povo entendia a renovação espiritual como uma retomada de práticas religiosas e não como uma retomada da prática de justiça. Uma das grandes tendências da religião é separar a prática do culto da vida diária, vivendo um dualismo, isolando a vida espiritual da vida material como se fossem duas coisas distintas. Faz a falsa dicotomia entre a igreja e o mundo. Por dizerem que não são deste mundo, acham, os dualistas, que estão isentos de responsabilidade pelo que se passa no mundo.

Uma experiência religiosa nunca deve ser o fim em si mesma, mas, deve ser um meio de servir a Deus na vida diária.

domingo, 8 de março de 2009

VIDA E RECOMPENSA

Que as pessoas sábias e ajuizadas
entendem a mensagem deste livro
e meditem nela.
Os caminhos do Deus Eterno são certos;
os bons andarão neles,
mas os pecadores
tropeçarão
e cairão.

Oséias 14.9 (leia 14.2-10) – BLH

A própria vida traz a sua recompensa. Os ajuizados procuram se harmonizar com o universo e as suas leis. Sabem que o bem estar geral é o resultado desta harmonia! Os egoístas, ao contrário, procuram fazer aquilo que traz para si vantagens imediatas, sem considerarem o efeito a longo prazo. Não entendem que os prejuízos dados aos outros sobram para eles também...

Seguir os caminhos do Deus Eterno é muito mais que obedecer a um conjunto de regras, mesmo tiradas da Bíblia... Podemos usar a Bíblia para fins egoístas e destruidores! O caminho do Deus Eterno se encontra na pessoa de Jesus. É um estilo de vida que traz benefícios para todos e não a obediência egoísta a um sistema ou conjunto de leis visando a própria salvação. Ignorar o próximo e o mundo que Deus criou é andar no caminho que leva à destruição...

sábado, 7 de março de 2009

IMPORTÂNCIA DE VIVER BEM

Mas o que ordenei foi que me obedecessem,
de modo que eu seria o Deus deles,
e eles seriam o meu povo.
Disse que vivessem sempre como eu tinha mandado,
para que tudo corresse bem para eles.

Jeremias 7.23 (leia 7.23-28) – BLH

O propósito divino para a humanidade e a natureza não é a infelicidade e a tragédia. Nas escrituras, a finalidade das leis visa o bem estar humano e a harmonia de toda a natureza! Mas, a história humana frustra os propósitos bons. Relata uma série de desacertos, tanto no relacionamento de pessoa(s) para pessoa(s), como de pessoa(s), para com o meio ambiente. À medida em que existe opressão de gente contra gente, há devastação da natureza. A opressão e a devastação andam de mãos dadas: uma alimenta a outra.

O ser humano foi colocado na terra para cuidar dela e cultivá-la para o bem de tudo e de todos. Com o aumento acelerado da população e o ritmo cada vez mais acentuado da devastação e do desequilíbrio ambiental a criatura humana está se tornando cada vez mais uma praga. A triste verdade é que o destino de todas as pragas é a autodestruição.

Espero que ainda haja tempo para o arrependimento que inclui uma mudança radical para a mentalidade e a espiritualidade que geram vida e esperança. Quero acreditar não é tarde demais para reverter os processos de exploração que está levando a humanidade em direção a extinção! Para tudo correr bem é preciso viver bem uns com os outros e com toda a criação...

sexta-feira, 6 de março de 2009

A IRONIA DAS 99 E DAS 9

Haverá mais alegria no céu por um pecador
que se arrepende dos seus pecados
do que por noventa e nove pessoas boas
que não precisam se arrepender.

Lucas 15.7 (leia 15.1-10) – BLH

Jesus tinha pouco interesse nas pessoas que professavam ser religiosas e piedosas. Ficar com elas era perda de tempo. Era inútil lidar com pessoas convencidas de serem as escolhidas de Deus e que se separavam dos demais por considerá-los pecadores. Os “outros pecadores” tinham mais possibilidade de serem salvos do que “as noventa e nove pessoas boas que não precisam se arrepender” (ironia). Quem se julgava “salvo” estava mais perdido do que os pecadores assumidos!...

Nesta parábola, a ovelha perdida e a moeda perdida eram as pessoas que os fariseus consideravam “pecadores”. Jesus usou ironia em identificar as noventa e nove ovelhas e as nove moedas com os fariseus hipócritas que se achavam já salvos. Quando o pastor, cheio de alegria, voltou para casa com a ovelha perdida nos ombros ele chamou os amigos e vizinhos para a celebração. As noventa e nove ovelhas eram incapazes de celebrar o retorno da ovelha perdida. A dona das moedas fez festa com as amigas e vizinhas pelo mesmo motivo.

Ironicamente a nossa tendência é nos identificarmos com as noventa e nove ovelhas e as nove moedas. Ao nos identificarmos com elas, inconscientemente somos iguais aos fariseus, ficando na segurança do curral ou do cofre, nos alegrando com a nossa “salvação”.

Os heróis da parábola são o pastor e a mulher, não as noventa e nove ovelhas e nove moedas. Nosso lugar não é o aprisco ou caixa forte. É estarmos juntos, misturando com os pecadores, sendo iguais ao sal e fermento. O sal, enquanto no saleiro, é inútil. O pastor da história estava junto com a ovelha perdida, não com as que estavam no curral.

Onde estaria Jesus hoje se voltasse na carne? Duvido que ele estaria perdendo seu tempo batendo palmas nos “louvorzões” nas casas de culto ou promovendo grandes concentrações de crentes para fazer “oba oba”. Ele estaria junto com aqueles dos quais os “bons” se separam. Jesus não seria encontrado nos templos. Estaria próximo aos favelados, famintos, doentes, sem terra, sem teto, sem família, desempregados, explorados e manipulados.

A parábola é um julgamento contra qualquer tipo de elitismo espiritual e social. Jesus introduziu uma nova espiritualidade que até hoje não é compreendida. A espiritualidade de Jesus nos desafia a repensar as nossas prioridades e valores. A igreja de Jesus não tem paredes que a separa da massa da humanidade. A sua identidade não consiste em ser “diferente” ou “melhor” dos outros, mas em ser solidária, transmissora de esperança. Ela vai ao encontro dos necessitados, participando das suas lutas. Não se protege dentro de “apriscos” ou “cofres”.

quinta-feira, 5 de março de 2009

UMA ORAÇÃO EXEMPLAR

Não retires de nós a tua misericórdia
por amor de Abraão, teu amigo,
e de Isaac, teu servo,
e de Israel, teu santo,

Daniel 3.35 (leia 3.25,34-43) – BLH

Três moços estavam numa situação drástica, condenados a serem queimados numa fornalha por não se ajoelharem diante de uma imagem de ouro. A esperança deles estava na misericórdia de Deus e foi para sua misericórdia que apelaram...

O perigo que o "trio" enfrentou era imediato e evidente. Hoje em dia todos enfrentamos perigos, às vezes não tão imediatos e não tão evidentes, mas de igual gravidade e certeza!

Perigos como: conseqüência da poluição, destruição do meio ambiente, lixo atômico armazenado que um dia escapará de seus depósitos espalhando a contaminação radioativa a todos os cantos da terra e prejudicará tudo que tem vida. A composição atmosférica alterada pela poluição industrial fará o clima da terra esquentar, provocando violentas alterações climáticas. O inverno nuclear ameaça matar a maior parte da humanidade, caso haja uso de armas nucleares. Todos nós, desde já, precisamos orar a oração do texto: - "Não retires de nós a tua misericórdia"!

quarta-feira, 4 de março de 2009

A PRUDÊNCIA E A FÉ

Eu estarei diante de você em cima de uma rocha,
ali no monte Sinai.
Bata na rocha,
e dela sairá água para o povo beber.

Êxodo 17.6 (leia 17.1-7) – BLH

O povo se apavorou quando esteve no deserto, sem água para beber, isolado do Egito onde havia água. O pavor levou-o à revolta. Moisés foi mandado pegar a vara que ele havia usado no Egito para bater no rio Nilo. Com a mesma vara tocou numa rocha no monte Sinai: jorrou água em abundância...

É fácil eu esquecer que, até aqui, Deus tem estado comigo e tem providenciado tudo que tenho necessitado. É fácil eu me apavorar diante de situações em que, aparentemente não tenho recursos suficientes para meu bem estar. Com isto tenho a tendência de seguir o caminho mais seguro e de menos risco! Evito ser vulnerável... Até que ponto isto é prudência e até que ponto isto é falta de fé? Qual é a diferença entre prudência e falta de fé?

A prudência é a norma do dia a dia, mas há ocasiões em que somos impulsionados a fugir desta norma. Quando deparamos com uma "visão celestial", um ideal elevado ou uma inspiração empolgante a "prudência" pode ser colocada de lado, e a fé entrar como força total! Nestes momentos barreiras são rompidas e novas portas abertas.

terça-feira, 3 de março de 2009

UMA SALVAÇÃO ABRANGENTE

Porém, nós anunciamos o Cristo crucificado,
a mensagem que é ofensa para os judeus
e loucura para os não-judeus.
Mas para aqueles que Deus tem chamado,
tanto judeus como não-judeus
Cristo é o poder de Deus
e a sabedoria de Deus.

1 Coríntios 1.23-24 (leia 1.22-25) – BLH

Segundo o Novo Testamento Jesus veio para mostrar o poder salvador de Deus. Em Jesus sabemos que a salvação não é limitada a um punhado de privilegiados, em algum canto remoto do mundo, mas que o poder de Deus se estende para abraçar a todos os que se sentem perdidos neste mundo. Para os judeus, o propósito de Deus era salvar somente um povo escolhido; não estavam percebendo que eles eram o "povo escolhido", selecionados não para a sua própria salvação, mas para serem instrumentos de salvação para todas as pessoas.

O mundo grego também tinha seu elitismo, não por ser "predileto" dos deuses, mas, pela superioridade filosófica. Em Jesus, a sabedoria não é um exercício intelectual ou um nível de iluminação, mas, uma postura de vida ligada aos valores humanos.

O desígnio de Deus para os cristãos é abrir o caminho da salvação para os povos e para as massas, através de Jesus, acabando com todas as formas de privilégio e elitismo.

segunda-feira, 2 de março de 2009

FACE DO AMOR E PERDÃO

Ó Deus,
não há outro deus como tu,
pois perdoas os pecados
e as maldades
daqueles do teu povo que ficaram vivos.
Tu não continuas irado para sempre,
mas tens prazer em nos mostrar sempre
o teu amor.

Miquéias 7.18 (leia 7.14-15,18-20) – BLH

Por que Deus existe? Qual é o seu propósito em relação ao ser humano? Por outro lado existem perguntas contrárias: Por que existe o ser humano? Qual é a sua finalidade e a sua função em relação a Deus?

O ser humano faz perguntas e dá respostas. A sua religiosidade e a sua teologia estão em torno destas perguntas. Nós, os seres humanos, praticamos a religião e fazemos a teologia para atender nossas necessidades espirituais. Criamos nossos deuses de acordo com nossas aspirações e carências, em forma de "máscaras" que colocamos na "Realidade Suprema". Estas "máscaras de deus" são criadas em nossa imagem com a função de promover nosso bem estar de acordo com nossos valores.

Para pessoas com sentimentos de culpa, Deus existe para punir os maus e premiar os bons. Neste caso, Deus é o grande juiz que decide quem se salva e quem se perde! Para pessoas que estão de bem com a vida Deus existe para conduzir o ser humano à vida abundante. Alguns acreditam: Deus é policial, outros, pedagogo! Muitos aceitam que os atos de Deus são para punir ou premiar, outros, ensinar e conduzir pelo perdão e amor.

O profeta Miquéias no texto acima, de bem com a vida, revela a face do perdão e do amor de Deus. Jesus vai mais longe e revela Deus como papai/mamãe amigável que se doa para o bem dos seus filhos e filhas independente de merecimentos. Ao conseguir enxergar a face de amor e perdão do Papai poderemos tratar sem preconceitos os outros como irmãs e irmãos.

domingo, 1 de março de 2009

PENSANDO BEM ANTES DE AGIR

Aí Judá disse aos irmãos:
“O que vamos ganhar se matarmos o nosso irmão
e depois escondermos a sua morte?
Em vez de matá-lo,
vamos vendê-lo a esses ismaelitas.
Afinal de contas ele é nosso irmão,
é do nosso sangue.
Os irmãos concordaram.

Gênesis 37.26-27(leia 37.3-4,12-13,17-27) – BLH

O que vamos ganhar com isso? - Boa pergunta que o irmão de José fez. É uma boa pergunta para sempre ser feita, questionando nossos atos e atitudes! Para os irmãos de José, ele era um chato. Queriam se livrar dessa "chatura" em suas vidas, mas à custa de quê? O preço seria bem alto... Uma outra versão da pergunta: - "Isto levará a quê?"

É importante pesar as conseqüências dos nossos atos e atitudes a longo prazo, antes de tomarmos uma atitude. É perigoso agirmos só pensando no efeito imediato.

Por pior ou mais chato que seja o nosso "irmão" ou o nosso próximo, eles não deixam de ser "próximos"... Ao agirmos contra alguém, estamos agredindo a nós mesmos! Um ato de compaixão está sempre em ordem. O conselho de Judá de poupar a vida de José chegou a ser a salvação de todos os irmãos alguns anos depois.

É bom lembrarmos que as nossas atitudes e os nossos atos vão voltar para residir em nossa casa – para o bem ou para o mal. A misericórdia e a compaixão são sempre as melhores opções.