domingo, 17 de setembro de 2017

APARÊNCIAS E REALIDADE


...quem se engrandece será humilhado,
e quem se humilha será engrandecido.

Lucas 18.14 (leia 18.9-14) – BLH

Esta parábola é um retrato da Sinagoga e da Igreja de todas as épocas. A religião institucionalizada não mudou. Continua existir as “elites espirituais” e os “pecadores”. Este padrão é enganoso. A natureza do Reino é outra. A igreja institucional tem orgulho do seu “status” de “exclusividade” em relação ao Divino e vive uma ilusória “paz com Deus”. A igreja de Jesus simplesmente ora: “tem pena de mim, pois sou pecador”.

Jesus sempre batia na tecla da futilidade, do orgulho e arrogância. Muitas das suas parábolas estão em torno deste tema. Ironicamente, a religião oferece um campo fértil para as manifestações do sentimento de superioridade e auto retidão. Dificilmente líderes religiosos admitem seus erros. Julgam-se acima dos demais. Tornam “réus” aqueles que têm a coragem de desagradá-los. Apontam para os erros dos outros como parte da sua auto justificação.

A parábola, conhecida como “A Parábola do Fariseu e o Cobridor de Impostos”, é exemplo perfeito deste fenômeno. Esta história não nega as afirmações do fariseu, nem a culpa do cobrador de impostos. Mesmo estando cheio de razão, o fariseu errou fatalmente por tomar sobre si o papel de acusador e juiz. Ele se engrandeceu e se condenou. Voltou para casa com um falso senso de “paz com Deus”, sentindo-se superior ao “réu”. O pecador humilde estava mais perto do Reino do que o justo arrogante que se colocou no lugar de superioridade.

Na igreja de Jesus, não há hierarquia. Não há quem comanda e quem obedeça. Sua igreja é uma família aberta de irmãos e irmãs. Ninguém é melhor do que o outro. Todos são iguais.

O que conhecemos como “igreja” hoje se afasta de tudo que Jesus viveu e ensinou. Tornou-se “sociedade fechada dos salvos”. Ergue templos de separação e cobra ingresso, em forma de submissão às normas que ela estabelece e de dinheiro. A maior parte dos “dízimos” é destinada para o sustento da instituição. Somente uma pequena parte sobra para ajudar os necessitados. As obras sociais estão à parte, pois a instituição consome os dízimos para sua própria manutenção.

Como os fariseus, ela cria um mundo de “atividades sagradas” para comprovar sua superioridade espiritual e classifica tudo mais como “secular” ou “profano”. Ela agradece a Deus por achar-se melhor do que o “mundo da perdição” que ela rejeita e despreza.

A igreja de Jesus continua a ser dos rejeitados e os que se identificam com eles. Nos evangelhos os discípulos e discípulas eram os “João Ninguém” e as “Joanas” da vida. Estavam perdidos no meio da multidão. Foi a igreja posteriormente quem colocou Pedro como chefe e inventou uma estrutura hierárquica de poder para seus sucessores. Na igreja de Jesus não havia chefe. Todos eram irmãos.

As instituições, inclusive as igrejas, refletem a alma humana. Valorizam as aparências mais que o conteúdo. Jesus nos ajuda a enxergar além da “fachada” e ver o interior para fazermos a nossa autocrítica. Só enxergando a nossa verdade podemos ser libertados das nossas ilusões e alcançarmos a verdadeira “paz com Deus”.


Lucas 18:9-14 – Nova Traduҫão na Linguagem de Hoje 2000 (NTLH)

O FARISEU E O COBRADOR DE IMPOSTOS

Jesus também contou esta parábola para os que achavam que eram muito bons e desprezavam os outros:

— Dois homens foram ao Templo para orar. Um era fariseu, e o outro, cobrador de impostos. O fariseu ficou de pé e orou sozinho, assim: “Ó Deus, eu te agradeço porque não sou avarento, nem desonesto, nem imoral como as outras pessoas. Agradeço-te também porque não sou como este cobrador de impostos. Jejuo duas vezes por semana e te dou a décima parte de tudo o que ganho.”

— Mas o cobrador de impostos ficou de longe e nem levantava o rosto para o céu. Batia no peito e dizia: “Ó Deus, tem pena de mim, pois sou pecador!”

E Jesus terminou, dizendo:

— Eu afirmo a vocês que foi este homem, e não o outro, que voltou para casa em paz com Deus. Porque quem se engrandece será humilhado, e quem se humilha será engrandecido.

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