domingo, 18 de outubro de 2015

DEUS PAI MÃE


Assim Deus criou os seres humanos.
Ele os criou parecidos com Deus.
Ele os criou homem e mulher.

Gênesis 1.27 (leia 1.1-19) – NTLH

Qual é a imagem de Deus? Este versículo indica que a imagem de Deus é a sexualidade. Sendo criados à imagem de Deus, os seres humanos foram criados homem e mulher. Para entendemos melhor esta colocação, preciso definir o que entendo por sexualidade. Sexualidade é muito mais do que o simples “transar”; inclui características femininas e masculinas da personalidade humana, também fora do ato sexual.

As características femininas pesam mais para o lado de, igualdade nutrição, parceria, caridade, inclusão, colaboração, intuição e a aceitação de sentimentos. Em contraste as características masculinas inclinam para a ordem hierárquica, lógica, competição, exclusão e medo de sentimentos. Mas, nesta história do primeiro capítulo de Gênesis, o que se destaca são duas qualidades: trazer o universo à existência (dar à luz – gerar a vida = feminina) e organizar o que foi feito (ordenar – manipular = masculino).

Até seis mil anos atrás o conceito da divindade era feminino. Não existiam deuses, apenas deusas. Misteriosamente a vida brotava da terra e do feminino. A Terra foi personificada como a deusa-mãe que gerava todos os seres e os recebia de volta ao seu ventre. O conceito da paternidade chegou muito depois seguido pelo domínio masculino na estrutura social. O Antigo Testamento reflete a ascendência masculina, mas este texto do primeiro capítulo conserve o lado feminino da divindade.

Mas no segundo capítulo de Gênesis o nome de Deus foi mudado de Elohim (plural) para Javé (masculino singular), e o lado feminino foi excluído. Nos tempos primordiais o feminino foi destacado, mas a religião judaica o desprezou, colocando o feminino como quase sub-humano. O cristianismo continuou a marginalização da mulher e o islamismo ainda mais. Até hoje em nossa cultura a mulher é descriminada e as atividades femininas menos valorizadas do que as masculinas.

Para a maioria da nossa cultura Deus é Ele, não Ela. Para compensar esta discriminação os católicos têm a sabedoria de cultuar a feminidade de Deus na pessoa de Maria e acham que a Mãe de Deus é mais acessiva do que “aquele velho lá em cima no trono”. Os protestantes são órfãos de mãe.

Sendo que a primeira experiência de todos nós foi o corpo feminino: gestação no útero, amamentação no peito e abraços carinhosos, o feminino é muito mais íntimo do que o masculino. O nosso preconceito coloca uma barreira, impedindo o uso do termo “Deusa”. Porque a divindade não poderia ser Deusa e Deus ao mesmo tempo? O nome “Elohim” deixa esta porta aberta.

Qualquer tentativa de dogmatizar o divino erra ao reduzi-lo para caber dentro dos limites da nossa compreensão. Sem tentar fazer definições do divino eu posso experimentá-lo como Deusa/Deus ou Mãe/Pai. Deusa Mãe é tão válido como Deus Pai na experiência religiosa. Qualquer dogma não passa de idolatria. O divino é além de qualquer definição. A nossa primeira experiência da vida é a mãe. O pai vem depois.

GÊNESIS 1:26-27 – NOVA TRADUҪÃO NA LINGUAGEM DE HOJE 2000 (NTLH)

Aí ele disse:

— Agora vamos fazer os seres humanos, que serão como nós, que se parecerão conosco. Eles terão poder sobre os peixes, sobre as aves, sobre os animais domésticos e selvagens e sobre os animais que se arrastam pelo chão.

Assim Deus criou os seres humanos; ele os criou parecidos com Deus. Ele os criou homem e mulher.

domingo, 11 de outubro de 2015

COBRAS E CURAS


Moisés fez uma cobra de bronze
e pregou num poste.
Quando alguém era mordido por uma cobra,
olhava para a cobra de bronze
e ficava curado.

Números 21.9 (leia 21.4-9) NTLH

Esta passagem bíblica é difícil de ser entendida ao pé da letra. A interpretação literal da passagem apresenta um Deus intolerante das fraquezas do povo. Ele mandou cobras venenosas para matar as pessoas que reclamavam do deserto sem água, sem pão e da comida ruim. Moisés teve compaixão do povo e intercedeu diante de Deus a seu favor. O herói da história foi Moisés que salvou o povo de um Deus rancoroso e caprichoso! Alguns usam este tipo de interpretação como instrumento para fazerem terrorismo espiritual, dizendo que, se não formos “bonzinhos” e conformados, Deus nos castiga.

Entendemos que isto não é a moral do episódio. Fala mais da espiritualidade humana do que dos atributos de Deus. Fala profundamente dos fatos da vida e como devemos enfrentá-los.

Primeiro: A vida é dura. Seguir o caminho do bem não garante que não teremos privações, frustrações, fracassos e derrotas. Viver épocas de “vacas magras” não é privilégio somente dos maus. Muitas vezes os maldosos saem muito melhor do que aqueles que seguem o caminho da bondade e da justiça. Os israelitas estavam esperando melhorar a sua vida. Achavam que seu estado servil no Egito era melhor do que o deserto hostil.

Segundo: Reclamar e jogar a culpa nos outros não melhora a situação. O povo estava sendo passivo, esperando uma vida boa e confortável, caída do céu. Quando isto não aconteceu, os culpados foram Deus e Moisés. O jogo de culpar os outros trouxe cobras venenosas. As queixas se transformaram em serpentes. Este é um simbolismo profundo!... Muitas vezes, reclamando da vida, esquecemos que fazemos parte do mundo em que vivemos e que temos participação no ruim e no bom. A passividade e a omissão da nossa parte contribuem para o mal, criam serpentes venenosas que vêm nos morder.

Terceiro: Deus não elimina os problemas, mas nos dá meios para enfrentá-los e buscar soluções. As cobras não foram embora. Ficaram e continuavam a infligir o povo com picadas mortíferas. Foi feita uma cobra de bronze e colocada num poste. Ao olharem para a imagem da cobra, as pessoas feridas foram curadas.

Esta história retrata a humanidade. Os problemas (cobras venenosas) existentes na sociedade são da nossa criação e não vão embora. Soluções dependem de onde focarmos o nosso olhar.

A cobra de bronze, colocada no poste, representa a dádiva da vida. Jesus assumiu este simbolismo (João 3.14-16). O “olhar para Jesus” revela uma vida nova de amor atuante, que anula os efeitos da alienação humana. O simbolismo é que a cruz se torna vida.

NÚMEROS 21.4-9 – NOVA TRADUÇÃO NA LINGUAGEM DE HOJE 2000 (NTLH)

A COBRA DE BRONZE

Então os israelitas saíram do monte Hor pelo caminho que vai até o golfo de Ácaba, para dar a volta em redor da região de Edom. Mas no caminho o povo perdeu a paciência e começou a falar contra Deus e contra Moisés. Eles diziam:

— Por que Deus e Moisés nos tiraram do Egito? Será que foi para morrermos no deserto, onde não há pão nem água? Já estamos cansados desta comida horrível!

Aí o Senhor Deus mandou cobras venenosas que se espalharam no meio do povo; e elas morderam e mataram muitos israelitas. Então o povo foi falar com Moisés e disse:

— Nós pecamos, pois falamos contra Deus, o Senhor, e contra você. Peça a Deus que tire essas cobras que estão no meio da gente.

Moisés orou ao Senhor em favor do povo, e ele disse:

— Faça uma cobra de metal e pregue num poste. Quem for mordido deverá olhar para ela e assim ficará curado.
Então Moisés fez uma cobra de bronze e pregou num poste. Quando alguém era mordido por uma cobra, olhava para a cobra de bronze e ficava curado.

sexta-feira, 9 de outubro de 2015

SNAKES AND CURES


Moses made a bronze snake
and put it up on a pole.
Then when anyone was bitten by a snake
and looked at the bronze snake,
they lived.

Numbers 21:9 (read 21.4-9) NIV

This passage is hard to be understood literally. The literal interpretation of the passage presents a God who is intolerant of human weaknesses. He sent venomous snakes to kill people because they complained about being in the desert with no water, no bread and miserable tasting food. But Moses had compassion on the people and interceded with God on their behalf. The hero of the story was Moses who saved the people from a spiteful and capricious God. Some use this type of interpretation as a tool for practicing spiritual terrorism, saying that you had better be good or “God’ll get you”. Then they proceed to tell us what they mean by being good.

I understand that this is not the moral of the episode. It speaks of human spirituality rather than the attributes of God. It speaks of the facts of life and how to face them.

First fact: Life is hard. To follow the path of goodness does not guarantee that we will not have hardships, frustrations, failures and defeats. Living through hard times is not reserved only for evil people. Often wicked people fare much better than those who follow the path of goodness and justice. The Israelites were hoping to improve their lives. They were coming to the conclusion that their servile state in Egypt was better than the hostile desert.

Second fact: to complain and blame God or other people does not improve the situation. The people were being passive and waiting for a good and comfortable life to “fall from heaven”. When that didn’t happen, the culprits were God and Moses. The game of putting blame on others brought venomous snakes. Complaints turned into poison. This has a deep symbolism. Often when we complain about life we forget that we are part of the world we live in and that we have a participation in the bad as well as the good. Many times we are part of the problem. Passivity and omission on our part contribute to evil and create venomous snakes that come to bite us.

Third fact: God does not eliminate the problems, but gives us the means to meet them and find solutions. The snakes did not stop biting. They stayed on and continued to inflict the people with deadly bites. A bronze snake was taken and placed on a pole. By looking at the snake image the injured people were healed.

This story portrays humanity. The problems (venomous snakes) in the society are of our own creation and will not go away. Solutions depend on where we focus our gaze.

The bronze snake, placed on the pole, is the gift of life. Jesus took this symbolism (John 3.14-16). The "look to Jesus" reveals a new life of active love, which counters the effects of human alienation. The symbolism is that the cross becomes life.

NUMBERS 21:4-9 – NEW INTERNATIONAL VERSION (NIV)

THE BRONZE SNAKE

They traveled from Mount Hor along the route to the Red Sea, to go around Edom. But the people grew impatient on the way; they spoke against God and against Moses, and said, “Why have you brought us up out of Egypt to die in the wilderness? There is no bread! There is no water! And we detest this miserable food!”

Then the Lord sent venomous snakes among them; they bit the people and many Israelites died. The people came to Moses and said, “We sinned when we spoke against the Lord and against you. Pray that the Lord will take the snakes away from us.” So Moses prayed for the people.
The Lord said to Moses, “Make a snake and put it up on a pole; anyone who is bitten can look at it and live.” So Moses made a bronze snake and put it up on a pole. Then when anyone was bitten by a snake and looked at the bronze snake, they lived.

domingo, 4 de outubro de 2015

VENDO DEUS PELAS COSTAS


Aí Moisés suplicou:
“Por favor, deixa que eu veja
a luz brilhante da tua presença”.
Deus respondeu:
“…você me verá pelas costas,
porém não verá o meu rosto”.

Êxodo 33.18,23 (leia 33.18-23) – NTLH

Na sua insegurança, Moisés pediu a Deus, “Por favor, deixa que eu veja”. Ele havia escolhido seu destino ao atender uma voz que ouviu no deserto. Acabou sua vida tranquila como pastor das ovelhas mansas do seu sogro. Assumiu a liderança libertadora de seu povo instável, que vacilava entre alegria e rebeldia. Nesta nova caminhada, Moisés passava por muitas emoções: dúvida, medo, ansiedade, surpresa, vitória, perplexidade, esperança, alegria, raiva, etc. Tudo isto sem poder ver o “Dono” daquela voz…

Em resposta ao pedido de poder vê-lo, Deus colocou Moisés na fenda de uma rocha e o cobriu, deixando-o no escuro. Não foi permitido ver a passagem da presença divina brilhante. Somente depois de ter passado, Deus permitiu Moisés vê-lo pelas costas, afastando de longe.

Este episódio é um retrato da vida. A nossa vista é limitada. Podemos enxergar somente a parte da vida que já passou. Caminhamos de costas, podendo ver as paisagens ao nos afastarmos delas. Somos cegos quanto ao futuro. O “rosto de Deus” e o futuro são vedados aos nossos olhos. Podemos contemplar somente os feitos já realizados e eventos passados.

O momento mais escuro para Moisés foi justamente quando Deus estava mais perto. A mão divina o fechava dentro da rachadura da rocha. Aquele momento era somente uma sensação. A visão veio depois. Para nós, também, nunca sabemos o significado do presente momento. Com a passagem do tempo podemos perceber seu sentido. Uma experiência dolorosa, na realidade, pode ser uma grande bênção disfarçada. Uma “grande sorte” pode virar um pesadelo. Nunca sabemos as implicações futuras do nosso “agora”.

A instabilidade de “hoje” nos deixa ansiosos quanto ao “amanhã”. Gostaríamos de ter respostas. Em tempos de crise, como estamos passando, não faltam “profetas” para nos dizer o que queremos ouvir. Surgem ondas de previsões quanto ao futuro. O Apocalipse desperta curiosidade e cresce o número de pessoas que recebem “revelações” sobre eventos vindouros. Há grande faturamento de livros sensacionalistas que dizem desvendar os segredos do destino da terra.

O futuro não nos pertence e está fora do nosso controle e conhecimento. Não sabemos o que vai acontecer daqui há cinco minutos ou se ainda estaremos vivos amanhã. Tentar prognosticar os detalhes é inútil. Teorias sobre o fim dos tempos, o destino final das almas, céu, inferno, purgatório, reencarnação, carma, etc. não passam de ser expressões poéticas do nosso desejo. São mitologias criadas pela subconsciência para nos ajudar a lidar com as incertezas. Só Deus sabe. O importante é a presença divina. O resto é secundário.

Ao olhar ao nosso redor podemos ver o brilho das obras do Criador. No espelho podemos ver apenas uma pessoa já feita, e ter a certeza que Aquele(a) que nos trouxe até aqui não nos abandonará no meio do caminho. Na sua companhia, chegaremos ao nosso destino para maravilharmos com aquilo que, além da imaginação, foi preparado para nossa alegria.

ÊXODO 33.18-23 – NOVA TRADUÇÃO NA LINGUAGEM DE HOJE 2000 (NTLH)

Aí Moisés suplicou:

— Por favor, deixa que eu veja a tua glória.

Deus respondeu:

— Eu farei com que todo o meu brilho passe diante de você e direi qual é o meu nome sagrado. Eu sou o Senhor e terei compaixão de quem eu quiser e terei misericórdia de quem eu desejar.

E disse ainda:
— Não vou deixar que você veja o meu rosto, pois ninguém pode ver o meu rosto e continuar vivo. Mas aqui há um lugar perto de mim, onde você poderá ficar em cima de uma rocha. Quando a minha glória passar, eu porei você numa rachadura da rocha e o cobrirei com a minha mão até que eu passe. Depois tirarei a mão, e você me verá pelas costas, porém não verá o meu rosto.

sexta-feira, 2 de outubro de 2015

SEEING THE BACK OF GOD


Moses said,
“Now show me your glory.”
The Lord said,
“You will see my back;
but my face must not be seen.”

Exodus 33:18,23 (read 33:18-23) - NIV

In his uncertainty, Moses asked God, "Now show me your glory." He had chosen his new direction in life by only hearing a voice in the desert. This did away with his quiet life as pastor of a flock of sheep which belonged to his father-in-law. He had taken on the task of liberating an unstable ethnic group, which constantly vacillated between joy and rebellion. In this new journey, Moses went through many emotions: fear, doubt, anxiety, surprise, victory, confusion, hope, joy, anger, etc. All of this was without being able to see the "Owner" of that voice.

In response to the request to see him, God put Moses in the cleft of a rock and covered him with his hand and leaving him in the dark. He was not allowed to see the bright divine presence of God passing by. Only after having passed, God allowed Moses to see his receding back.

This episode is a picture of life. Our view is limited. We can see only the part of life that has passed. Life is like walking backwards. We can see the landscapes only as they are receding from us. We are blind to what is approaching. The "face of God" and the future are not accessible to our eyes. We can contemplate only past events.

The darkest moment in Moses’ life was just when God was the closest. The divine hand closed the cleft in the rock when God was near. That moment was a time of deep darkness. Sight came only after the light was receding. For us, too, we never know the meaning of the present moment. With the passage of time we can understand some of its meaning. A painful experience can later be seen as a great blessing in disguise. A "jackpot" can become a nightmare. We never know the future implications of our "now".

Today’s global instability makes us anxious about tomorrow. We would like to have answers. In times of crisis such as we are experiencing, there are many "prophets" to tell us what we want to hear. There are many predictions about the future. People who claim to receive revelations attract followers, because there are those want to know the future.

But knowledge of the future does not belong to us, and it is beyond our control even though we can influence it. We do not know what will happen five minutes from now or if we will still be alive tomorrow. Attempts to predict details are useless. Theories about the end times, the final destination of souls, heaven, hell, purgatory, reincarnation, karma, etc. are only poetic expressions of our desire. Mythologies are created by the subconscious in order to help us deal with the uncertainties. Only God knows. The important thing is the divine presence. The rest is secondary.

When looking around us we can see the brightness of the works of the Creator. In the mirror we can see ourselves only as we have already become. However, we can feel assured that whoever or whatever brought us this far will continue to with us. Hopefully we will eventually be able to marvel at what was beyond our vision and our imagination.

 

EXODUS 33:18-23 – NEW INTERNATIONAL VERSION (NIV)

Then Moses said, “Now show me your glory.”

And the Lord said, “I will cause all my goodness to pass in front of you, and I will proclaim my name, the Lord, in your presence. I will have mercy on whom I will have mercy, and I will have compassion on whom I will have compassion. But,” he said, “you cannot see my face, for no one may see me and live.”

Then the Lord said, “There is a place near me where you may stand on a rock. When my glory passes by, I will put you in a cleft in the rock and cover you with my hand until I have passed by. Then I will remove my hand and you will see my back; but my face must not be seen.”

domingo, 27 de setembro de 2015

GRAÇA ANTES DA LEI


Meu povo, eu, o Senhor,
sou o seu Deus.
Eu o tirei do Egito,
a terra onde você era escravo.

Êxodo 20.1 (leia 20.1-17) – NTLH

Os dez mandamentos começam com palavras da graça, as boas novas da iniciativa do Divino: “Sou o seu Deus. Eu o tirei do Egito”. Pensamos no decálogo como uma série de normas de conduta e esquecemos a sua introdução. As primeiras palavras são mais importantes do que os dez mandamentos em si, porque falam da ação do Eterno e não de pessoas. A essência duma espiritualidade sadia é a arte de receber as dádivas do Criador. A vida deveria ser uma resposta à ação de Deus.

É frustrante contemplar o decálogo como leis a serem obedecidas. Nem o próprio Deus as obedece. Deus mata. Mandou o povo roubar dos egípcios na saída do Egito. Mandou os israelitas invadirem terras alheias, matando todos os homens, mulheres e crianças, destruindo tudo! Ficou com raiva quando as ordens não foram cumpridas ao pé da letra...

Em vez de ser uma lista de normas a serem alcançadas, os mandamentos revelam a fragilidade humana. Dizem o que o povo não pratica. Enquanto Moisés estava no monte, recebendo as tábuas da lei das mãos de Deus, o povo estava no vale, adorando um bezerro de ouro. A finalidade dos mandamentos é nos levar a reconhecer as nossas fraquezas e carências, buscando a cura. A cura não está na obediência de um conjunto de normas e leis, mas no recebimento, com gratidão dos cuidados do Criador.

Antes de falar da “lei perfeita” do Eterno (Salmo 19), o salmista fala dos feitos de Deus que anunciam a sua glória. A lei perfeita serve para dar forças, confiança, sabedoria e alegria. Ela revela os nossos erros e nos abrimos para a libertação. É Deus, não a lei, que nos purifica e nos capacita para vivermos de acordo com a vontade do Criador.

A religião institucionalizada tende idolatrar a lei e julgar as pessoas de acordo com as leis que ela mesma sanciona. Jesus desrespeitou as leis do sábado por achar que o amor estava acima de qualquer lei. Foi crucificado porque desafiou a idolatria de coisas invisíveis que é pior do que a adoração de imagens visíveis.

As igrejas, como instituições, colocam seus Cânones, doutrinas e estruturas política e econômica, como valores supremos! A misericórdia é praticada na medida em que não fira seu sistema idolatrado. Nas igrejas, maior parte de seus recursos humanos e financeiros é destinada a automanutenção e autopromoção. Elas não fazem a “loucura” de se tornarem vulneráveis e se sacrificarem em prol de uma causa maior. Querem ser triunfalistas e se projetarem no mundo. Deixam pouco espaço para Deus revelar Seus feitos e mostrar o que Ele pode fazer com pessoas que confessam a sua fragilidade diante dEle/a.

A lei demonstra que precisamos de amor e perdão e que precisamos aprender amar e perdoar.

 

ÊXODO 20.1-17 – NOVA TRADUҪÃO NA LINGUAGEM DE HOJE 2000 (NTLH)

OS DEZ MANDAMENTOS

Deus falou, e foi isto o que ele disse:

— Meu povo, eu, o Senhor, sou o seu Deus. Eu o tirei do Egito, a terra onde você era escravo.

— Não adore outros deuses; adore somente a mim.

— Não faça imagens de nenhuma coisa que há lá em cima no céu, ou aqui embaixo na terra, ou nas águas debaixo da terra. Não se ajoelhe diante de ídolos, nem os adore, pois eu, o Senhor, sou o seu Deus e não tolero outros deuses. Eu castigo aqueles que me odeiam, até os seus bisnetos e trinetos. Porém sou bondoso com aqueles que me amam e obedecem aos meus mandamentos e abençoo os seus descendentes por milhares de gerações.

— Não use o meu nome sem o respeito que ele merece; pois eu sou o Senhor, o Deus de vocês, e castigo aqueles que desrespeitam o meu nome.

— Guarde o sábado, que é um dia santo. Faça todo o seu trabalho durante seis dias da semana; mas o sétimo dia da semana é o dia de descanso, dedicado a mim, o Senhor, seu Deus. Não faça nenhum trabalho nesse dia, nem você, nem os seus filhos, nem as suas filhas, nem os seus escravos, nem as suas escravas, nem os seus animais, nem os estrangeiros que vivem na terra de vocês. Em seis dias eu, o Senhor, fiz o céu, a terra, o mar e tudo o que há neles, mas no sétimo dia descansei. Foi por isso que eu, o Senhor, abençoei o sábado e o separei para ser um dia santo.

— Respeite o seu pai e a sua mãe, para que você viva muito tempo na terra que estou lhe dando.

— Não mate.

— Não cometa adultério.

— Não roube.

— Não dê testemunho falso contra ninguém.

— Não cobice a casa de outro homem. Não cobice a sua mulher, os seus escravos, o seu gado, os seus jumentos ou qualquer outra coisa que seja dele.

sexta-feira, 25 de setembro de 2015

GRACE BEFORE LAW


I am the Lord your God,
who brought you out of Egypt,
out of the land of slavery.

Exodus 20:2 (read 20:1-17) – NIV

The Ten Commandments begin with words of grace which is the good news of the divine initiative: "I am the Lord your God who brought you out of Egypt" We think of the Decalogue mostly as a series of rules of conduct and forget their introduction. The words just before the Decalogue are more important than the commandments themselves, because they speak of the action if the Eternal One and not of humans. The essence of a healthy spirituality is the art of being thankful for the gift of life. Life should be a response to God's goodness.

It's frustrating to contemplate the Decalogue as laws to obey. Not even God obeys them. God kills. He ordered the people to steal from the Egyptians as they left Egypt. He commanded the Israelites invade other people's land, killing all men, women and children and destroying everything. He gets very angry when His orders were not followed to the very letter. God does not set the example.

Instead of being a list of standards to be achieved, the commandments reveal human frailty. They list what the people do not practice. While Moses was on the mountain top receiving the tablets of the law from the hands of God, the people were in the valley worshiping a golden calf. The purpose of the commandments is to lead us to recognize our weaknesses and shortcomings and seek healing. The cure is not in obedience to a set of rules and laws, but in receiving with gratitude the care of the Creator.

Before speaking of the "perfect law" of the Eternal (Psalm 19), the Psalmist speaks of the works of God recognizing His glory. The perfect law is to give us strength, confidence, wisdom and joy. It reveals our mistakes and makes us open to release. It is Divine Grace, not the law, that purifies us and empowers us to live according to the will of the Creator.

Institutional religion tends to idolize the law and judge people according to the laws that it itself establishes and sanctions. Jesus broke the laws of the Sabbath, because he thought love was above any law. He was crucified because he challenged the idolatry of invisible idols which were worse than the worship of visible images.

Churches as institutions put their Canons, doctrines and structures as supreme values. Mercy is practiced to the extent that it does not weaken the idolized system. Most of the human and financial resources of churches are used for self-maintenance and self-promotion. The institutional church doesn’t let itself become vulnerable and sacrifice itself for a greater good of all. It wants to be triumphal and project itself from the world. It leaves little room for God to reveal His deeds and show what He or She can do with people who confess their weakness.

The purpose of the Law is to reveal the need for love and forgiveness and to open us up to receive grace.

EXODUS 20:1-17 – NEW INTERNATIONAL VERSION (NIV)

THE TEN COMMANDMENTS

And God spoke all these words:

“I am the Lord your God, who brought you out of Egypt, out of the land of slavery.

“You shall have no other gods before me.

“You shall not make for yourself an image in the form of anything in heaven above or on the earth beneath or in the waters below. You shall not bow down to them or worship them; for I, the Lord your God, am a jealous God, punishing the children for the sin of the parents to the third and fourth generation of those who hate me, but showing love to a thousand generations of those who love me and keep my commandments.

“You shall not misuse the name of the Lord your God, for the Lord will not hold anyone guiltless who misuses his name.

“Remember the Sabbath day by keeping it holy. Six days you shall labor and do all your work, but the seventh day is a sabbath to the Lord your God. On it you shall not do any work, neither you, nor your son or daughter, nor your male or female servant, nor your animals, nor any foreigner residing in your towns. For in six days the Lord made the heavens and the earth, the sea, and all that is in them, but he rested on the seventh day. Therefore the Lord blessed the Sabbath day and made it holy.

“Honor your father and your mother, so that you may live long in the land the Lord your God is giving you.

“You shall not murder.

“You shall not commit adultery.

“You shall not steal.

“You shall not give false testimony against your neighbor.
“You shall not covet your neighbor’s house. You shall not covet your neighbor’s wife, or his male or female servant, his ox or donkey, or anything that belongs to your neighbor.”