quinta-feira, 10 de junho de 2010

O SOCORRO VINDO DE DENTRO

Porque, assim como tomamos parte nos sofrimentos de Cristo,
assim também,
por meio dele,
participamos de sua grande ajuda.

2 Coríntios 1.5 (leia 1.1-7) – BLH

Através dos nossos sofrimentos podemos ajudar outros que também sofrem. Pode ser uma das maneiras de entender o sofrimento. Por que os justos sofrem? Pode ser que sofrem para poderem ser instrumentos de ajuda a outros.

O socorro não vem de cima, caindo do céu como magia. Vem de dentro do mundo onde vivemos. Vem daqueles que estão passando por aquilo que nós passamos. Isto explica a crença da vinda de Deus como um ser humano em forma de Jesus para nos salvar. Jesus assumiu todas as nossas limitações para possibilitar a nossa vitória sobre estas áreas.

Para sermos instrumentos do bem é necessário nos identificarmos com o próximo. Não podemos nos colocar num plano de superioridade e ministrarmos de cima para baixo. O ministério cristão verdadeiro é o ministério de igual para igual. É somente com a convivência que podemos transmitir a vida. “Ministrar é um mendigo contar para o outro mendigo onde se encontra o pão”.

quarta-feira, 9 de junho de 2010

DESGASTE E RENOVAÇÃO

Por isso nunca ficamos desanimados.

Ainda que o nosso corpo vá se gastando,

o nosso espírito vai se renovando dia a dia.

2 Coríntios 4.16 (leia 4.13-5.1) – BLH

Embora não seja possível fazer separação entre corpo e alma ou corpo e espírito, nem sempre o estado do corpo reflete imediatamente o do espírito. Um dos fatos da vida que os jovens ainda não sentem é a realidade do desgaste do corpo. Nós, que já passamos bem além do "pique" físico, sentimos o desgaste que o tempo traz para o nosso organismo, somos cientes de que a nossa mente e o espírito são mais ágeis e resistentes do que nunca. Seria bom ter o corpo de ontem com a cabeça de hoje.

Este desencontro entre o corpo e o espírito é confortante e frustrante ao mesmo tempo: é confortante o fato de que nem tudo está indo para trás. Há áreas em nossa vida que ficam melhores com a passagem do tempo. É frustrante quando sentimos cada vez mais as limitações físicas sem podermos pôr em prática o que a cabeça sabe fazer. Pior seria o desgaste do espírito e do corpo juntos.

A fé facilita a renovação da mente. Fico animado pelos novos conhecimentos e novas compreensões que meu espírito alcança diariamente apesar do desgaste do corpo. O corpo vai murchando, mas a mente vai crescendo. A maturidade tem esta vantagem… Isto me faz feliz!

terça-feira, 8 de junho de 2010

COMO EVITAR A DESGRAÇA

É bom manter oculto o segredo do rei; porém, é justo revelar e publicar as obras de Deus. Agradecei-lhe dignamente. Praticai o bem, e a desgraça não vos atingirá.

Tobias 12.7 (leia 12.1,5-15,20) – A Bíblia de Jerusalém

A prática do bem é uma boa vacina contra a desgraça. Isto não quer dizer que as coisas desagradáveis e os contra-tempos não venham! Há uma diferença entre o simples enfrentar contratempos e dificuldades e em deixá-los dominar o nosso ser. Desgraça seria deixar sermos dominados pelos contratempos. A desgraça não é o fato de termos dificuldades e até tempos de tragédia, mas, deixar que estes acontecimentos ou situações venham matar a esperança e o gosto de viver.

O bem tem o poder de transformar os problemas em oportunidades. Dizem que a palavra "crise", na língua chinesa, é o composto das palavras "perigo" e "oportunidade". Neste caso, uma crise na vida pode ser uma oportunidade disfarçada. Quem tem o espírito do bem tem, também, a capacidade de transformação. O bem visa a transformação do negativo em positivo, do mal em bem. A prática do bem transforma a desgraça em graça! É por isso que a desgraça não consegue atingir os que praticam o bem; deixa de ser desgraça.

segunda-feira, 7 de junho de 2010

FORÇA INTERNA

E peço a Deus que,

da riqueza da sua glória,

dê a vocês poder por meio do seu Espírito,

para que sejam fortes no íntimo de vocês mesmos.

Peço também que,

por meio da fé,

Cristo viva nos seus corações.

Efésios 3.16-17(leia 3.9-12,14-19) – BLH

A nossa força vem de dentro. O nosso ponto de contato com a realidade é o nosso interior. Recebemos informações de fora, mas somente depois que passam pelos filtros do nosso sistema neurológico. Vibrações do ar e de luz são convertidas em impulsos neurológicos e interpretados pelo cérebro como som e imagem. Tudo que chega à consciência e à subconsciência passa por filtros de interpretação interna. A autoridade última somos nós mesmos.

O nosso íntimo é a fonte da nossa força e do nosso conhecimento, porta de entrada de Deus. O nosso exterior é uma expressão do interior. O interior determina quem somos nós e o nosso agir. Jesus disse: "não é pelo que entra pela boca que a gente é contaminada, mas do que sai da boca". O evangelho não trata de um estilo de vida sem considerar a motivação. O "porquê" vai determinar o "quê". Somente Jesus, em nós, pode produzir uma vida verdadeiramente cristã.

domingo, 6 de junho de 2010

ORAÇÃO DE UMA AZARADA

E naquele momento, estendendo as mãos para a janela, orou assim: "Bendito sejas tu, Deus de misericórdia! Bendito seja teu nome pelos séculos, e que todas as tuas obras te bendigam para sempre! Volto agora meu rosto e levanto meus olhos para ti.

Tobias 3.11-12 (leia 3.1-12,24-25) – BJ

Esta oração é de Sara, uma pessoa azarada, viúva sete vezes que havia contemplado o suicídio. A sua viuvez era especialmente marcante; cada marido havia morrido na noite de núpcias sem haver tocado nela, mortos por Asmodeu, o pior dos demônios. Sara ainda era virgem e temida como matadora de maridos, bastante desprezada por estar ficando velha sem ter filhos.

Na sua angústia ela pede a morte, mas, em vez da morte, veio a libertação! Mesmo com a adoção da crença de demônios pelo autor deste livro, Deus é retratado como o Deus da salvação nesta vida agora, no nível prático. A salvação no caso de Tobit foi a cura da cegueira, causada pelo excremento de um pardal. No caso de Sara, em arrumar um marido que não morresse antes de engravidá-la, deixando-a com um herdeiro. A salvação começa agora, na vida diária.

sábado, 5 de junho de 2010

VALE A PENA SER BOM?

Não reparei que havia pardais acima de mim, no muro. Caiu-me nos olhos excremento quente, produzindo neles manchas brancas. Fui aos médicos para me tratar; quanto mais me aplicavam pomadas, mais me cegavam as manchas, até que fiquei completamente cego. Fiquei cego durante quatro anos e todos os meus irmãos se afligiam por minha causa; e Aicar cuidou do meu sustento por dois anos, até que partiu para Elimaida.

Tobias 2.10 (leia 2.10-23) – BJ

O narrador havia prestado socorro ao próximo, mas isto não era garantia de sua imunidade contra sofrimento e contratempos. Foi vítima de um estranho acidente, necessitando de alguém para cuidar dele. Como resultado desta cegueira, cresceram brigas de família e muita confusão, acusações e contra acusações. Questão principal: "Vale a pena ser bom?" - a mesma questão do Livro de Jó.

Se a resposta fosse clara todo o mundo seria bonzinho. Parece que a bondade não leva vantagem alguma. Os bons sofrem junto com os ruins e às vezes até mais. Muitas vezes parece que a maldade dá melhores resultados. Acho que a recompensa da bondade é o caráter do praticante, atingindo uma integridade que vence as circunstâncias.

quinta-feira, 3 de junho de 2010

COMPARTILHANDO A VIDA

Quando puseram a mesa, com numerosos pratos,
disse a meu filho Tobias: "Filho, vai procurar, entre nossos irmãos deportados em Nínive, algum pobre de coração fiel, e traze-o aqui para comer conosco. Esperar-te-ei até que voltes, meu filho."

Tobias 2.2 (leia 2.1-9) – BJ

A abundância é para ser compartilhada com o próximo, não de maneira aleatória, mas com critério, com aqueles que realmente necessitam e da maneira que necessitam. Neste relato o filho não trouxe um faminto mas enterrou uma vítima de violência contra seu povo. O que começou como uma festa terminou como luto.

O compartilhar não é somente compartilhar com a abundância mas, também, estar sensível ao sofrimento do próximo e se identificar com ele. Oferecer solidariedade de uma maneira concreta é rir com os que estão felizes e chorar com os que estão em luto, ajudando-os a enterrar seus mortos.

O narrador também era vítima, um co-exilado. Era um sofredor sendo solidário com outro na mesma situação. A identificação não era fingida, era real. Quando um é vítima de um sistema, os outros também são vitimados junto com ele. Sendo solidário com os outros, estamos sendo conosco também.