domingo, 5 de março de 2017

O DESPREZO DO COMUM

De onde é que este homem consegue tudo isso?
De onde vem a sabedoria dele?
Como é que faz esses milagres?
Por acaso ele não é o carpinteiro,
filho de Maria?
Marcos 6.2b-3a (leia 6.1-13) – NTLH

Familiaridade gera desprezo. Jesus era comum demais para merecer respeito. O povo da aldeia de Nazaré desprezou a sabedoria e as palavras de Jesus porque ele era conhecido como simples carpinteiro, filho de Maria, mãe de numerosos filhos e filhas. Rejeitaram-no como profeta e se fecharam contra a verdade que ele representava. A falta de fé do povo limitava a atuação de Jesus no seu meio. Eles esperavam algo mais exótico e impressionante...

A graça divina estava operando fora das estruturas do poder religioso, político e econômico. Jesus era “povão”, agindo nas bases da sociedade. Igual a Jesus, os cristãos dos primeiros quatro séculos eram pessoas sem projeção social e econômica. Eram considerados criminosos, ateus, subversivos e não dignos de respeito. Foi justamente nestas classes desprezadas pela elite que a fé tinha seu poder transformador.

Em nossa cultura, os cristãos estão “por cima”, em posições de poder e prestígio. Será que perdemos de vista a consciência da presença divina e o potencial da fé para fazer transformações pelos humildes, marginalizados e desprezados deste mundo?

O ser humano gosta do espetacular! Temos dificuldade de valorizar o comum. Usamos a palavra “banal” numa maneira derrogatória para expressar a nossa escala de valores. O dicionário Aurélio define o banal como “vulgar, trivial, corrente e corriqueiro”. Banalizamos o comum.

Esperamos a “salvação”, vinda de cima para baixo como intervenção de força superior. Esquecemos que a solução de muitos dos nossos problemas vem da mesma fonte do problema... Bom seria se existisse uma grande vassoura para varrer o nosso mundo e deixar tudo justo e perfeito...

Os “gigantes” e “monstros” que afligem a nossa vida e o mundo em que vivemos não serão vencidos por gigantes ainda maiores e outros monstros mais fortes. A solução está nas coisas pequenas e aparentemente insignificantes.

O materialismo, que domina a nossa cultura, exalta a grandeza superficial. As coisas são julgadas pela aparência. Sucesso e fracasso são determinados pelo IBOPE. “Vender” uma boa imagem é o segredo do sucesso. Assim os “melhores” vencem os mais fracos. As igrejas entram no jogo de usar os meios de comunicação social para criar imagens de grandeza e chamar a atenção do público para si mesma. Mas a fé verdadeira age silenciosamente e discretamente como fazem o sal e o fermento...

Não sabemos valorizar os momentos e eventos comuns da nossa vida diária. Ficamos cegos para o sagrado em cada passo, cada ato, cada encontro e cada respiração. O milagre verdadeiro está na simplicidade e no comum. O maior dos milagres é estarmos vivos. A rotina diária é tão milagrosa quanto um acontecimento inexplicável. A grandeza de Jesus estava na sua simplicidade e humildade.

A falta de fé do povo da aldeia de Nazaré na pessoa tão comum como Jesus criou barreira para a atuação divina. A fé nos ajuda a enxergar a ação divina nas coisas simples de cada dia e a participarmos com atos concretos na construção de um mundo melhor.

MARCOS 6:1-13 – NOVA TRADUÇÃO NA LINGUAGEM DE HOJE 2000 (NTLH)

Jesus voltou com os seus discípulos para a cidade de Nazaré, onde ele tinha morado. No sábado começou a ensinar na sinagoga. Muitos que o estavam escutando ficaram admirados e perguntaram:

— De onde é que este homem consegue tudo isso? De onde vem a sabedoria dele? Como é que faz esses milagres? Por acaso ele não é o carpinteiro, filho de Maria? Não é irmão de Tiago, José, Judas e Simão? As suas irmãs não moram aqui?

Por isso ficaram desiludidos com ele. Mas Jesus disse:

— Um profeta é respeitado em toda parte, menos na sua terra, entre os seus parentes e na sua própria casa.

Ele não pôde fazer milagres em Nazaré, a não ser curar alguns doentes, pondo as mãos sobre eles. E ficou admirado com a falta de fé que havia ali.

Jesus ensinava nos povoados que havia perto dali. Ele chamou os doze discípulos e os enviou dois a dois, dando-lhes autoridade para expulsar espíritos maus. Deu ordem para não levarem nada na viagem, somente uma bengala para se apoiar. Não deviam levar comida, nem sacola, nem dinheiro. Deviam calçar sandálias e não levar nem uma túnica a mais. Disse ainda:

— Quando vocês entrarem numa cidade, fiquem hospedados na casa em que forem recebidos até saírem daquela cidade. Mas, se em algum lugar as pessoas não quiserem recebê-los, nem ouvi-los, vão embora. E na saída sacudam o pó das suas sandálias, como sinal de protesto contra aquela gente.

Então os discípulos foram e anunciaram que todos deviam se arrepender dos seus pecados. Eles expulsavam muitos demônios e curavam muitos doentes, pondo azeite na cabeça deles.



Nenhum comentário: