domingo, 26 de março de 2017

O SABOR DO SAL

O sal é uma coisa útil;
mas, se perder o gosto,
como é que vocês poderão lhe dar gosto de novo?
Tenham sal em vocês mesmos
e vivam em paz uns com os outros.
Marcos 9.50 (leia 9.38-40,50) – NTLH

Os discípulos queriam proibir pessoas que não eram do seu grupo de agirem em nome de Jesus. Agiam como juízes, achando que a salvação estava somente com eles. Mais uma vez, Jesus lhes chamou a atenção. Fazer papel de juízes ou salvadores não era a sua missão. Deveriam ser tempero, sal.

Agir como juízes e salvadores cria problemas. Os nossos julgamentos são limitados e imperfeitos. Acabamos condenando erradamente o bem que nos parece o mal e abraçando o mal que se disfarça como retidão... Agir como salvadores é igualmente perigoso. Os que tentam abaixar o Céu para a Terra acabam administrando o Inferno que eles mesmos criam. O bem que fazemos pode produzir efeitos colaterais negativos, ofendendo os fracos. Nossos atos, mesmo motivados pelas melhores intenções, podem se tornar ofensa para outras pessoas, também, bem intencionadas.

Tradicionalmente, interpretamos “pecar” como hábitos nocivos da vida particular como: fumar, beber, xingar e ferir convenções sociais.

Mas, não foi isso que Jesus queria dizer. Ao usar a figura, sal, Jesus foi muito além de recomendar uma vida piedosa. A natureza do sal implica numa vida de participação positiva na sociedade! Sal é útil somente na medida em que penetra a massa e lhe transmite seu sabor. Agir como sal é fundamental para a vida de fé. O sal é inútil enquanto fica dentro do saleiro. A sua utilidade consiste em sair do saleiro e se perder na massa. Nunca mais volta ao saleiro.

Pecar é omitir viver uma vida de compaixão dentro da sociedade. Para nós, o “dar um copo de água” pouco significa. A água é abundante e jorra de qualquer torneira. Para Jesus, numa terra seca onde a água era uma preciosidade rara e de difícil acesso, água representava sacrifício e generosidade. Cada gota era preciosa. Lavar calçada, nem pensar!...

Vivemos num mundo que carece de “sal”. Jesus relacionou sal com paz. A falta de “sal” leva o mundo à violência. Viver como sal é viver a paz. Nossa missão é ser sal no mundo. O maior pecado seria tentar conservar a nossa identidade de “sal” ficando dentro do saleiro. A verdadeira identidade do sal é perder a sua identidade como algo separado do mundo e dar sabor à massa, sem aparecer.

O Cristão que procura preservar sua identidade cristã, se isolando do mundo, está pecando contra os fracos e necessitados. Igrejas que se esforçam para conservar sua identidade de católica, protestante, carismática ou conservadora, etc. estão se isolando de um mundo, já cheio de barreiras, onde há milhões de vítimas de violência de todos os tipos. Com a nossa presença como sal, muitos, que estão a caminho de se perder, poderiam ser fortalecidos para uma vida de esperança e fé. Como “sal”, poderemos realçar o sabor da massa e torná-la gostosa. Havendo sal, muitos podem viver a paz.

MARCOS 9.38-40,50 – NOVA TRADUҪÃO NA LINGUAGEM DE HOJE 2000 (NTLH)

João disse:

Mestre, vimos um homem que expulsa demônios pelo poder do nome do senhor, mas nós o proibimos de fazer isso porque ele não é do nosso grupo.

Jesus respondeu:

Não o proíbam, pois não há ninguém que faça milagres pelo poder do meu nome e logo depois seja capaz de falar mal de mim. Porque quem não é contra nós é por nós.
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O sal é uma coisa útil; mas, se perder o gosto, como é que vocês poderão lhe dar gosto de novo? Tenham sal em vocês mesmos e vivam em paz uns com os outros.



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