segunda-feira, 17 de agosto de 2009

UMA VISÃO DO ALÉM

Então disse:

--Olhem! Eu estou vendo o céu aberto

e o Filho do Homem em pé do lado direito de Deus!

Enquanto atiravam pedras,

Estêvão chamava Jesus, dizendo:

--Senhor Jesus, recebe o meu espírito!

Depois, ajoelhou-se e gritou com voz bem forte:

--Senhor! Não os condenes por causa deste pecado!

E depois de dizer isso, morreu.

Atos 7.56,59-60 (leia 7.51-8.1) – BLH

A visão dos que estão morrendo pode ter algo a nos ensinar. Podemos aprender com os que estão chegando ao fim desta forma de vida que conhecemos. Há algo que indique em muitos casos que a percepção da realidade fica alterada e percebem o que os outros não estão percebendo. Alguns têm visões do paraíso e outros entram em contacto com parentes e amigos já falecidos. Meu pai conversou com o irmão dele já falecido, há anos!...

É provável que esta cena tenha ficado profundamente gravada na mente de Saulo que assistiu a morte de Estêvão. Tempos depois, Saulo ficou cego. Convertido, como resultado de uma visão de Jesus, mudou sua vida.

domingo, 16 de agosto de 2009

MEDO E MENTIRA

Então arranjaram alguns homens

para dizerem mentiras a respeito dele [Estêvão].

Atos 6.13a (leia 6.8-15) – BLH

Estêvão tinha que morrer porque representava mudança. Mudanças são ameaçadoras, muitas vezes! Esta nova mensagem pregada por Estêvão representava uma mudança. Por isso, era necessário eliminá-la, mesmo lançando mão de mentiras e falsas testemunhas. A ironia era que a mensagem era libertadora não somente para o povo, mas também para a liderança perseguidora.

O maior obstáculo à libertação dos oprimidos não são os opressores, mas, os próprios oprimidos! Os oprimidos encarnam a opressão e o opressor. Têm medo de ficar sem ele. A mudança traz a incerteza. Não sabemos o que vai acontecer com a nova situação, mas, embora com sofrimento, a antiga situação representa terreno conhecido e dá segurança. Os aproveitados, juntos com os aproveitadores, resistem às mudanças.

Um evangelho que representa mudanças profundas vai encontrar resistência por toda parte. Se o nosso evangelho não provoca resistência é porque ele não está sendo visto como algo que ameaça o estado das coisas como são. Será que as igrejas não são perseguidas porque são apáticas à opressão da injustiça e corrupção da nossa sociedade? Os políticos cristãos não são vistos como ameaças ao sistema?

sábado, 15 de agosto de 2009

ESTÊVÃO, CHEIO DE PODER

Estêvão era um homem muito abençoado por Deus

e cheio de poder.

Ele fazia milagres e maravilhas entre o povo.

Atos 6.8 (leia 6.8-10) – BLH

Estêvão tinha a vida plena e esta se manifestou pela sua vida gasta em torno do próximo. Ele atuava entre o povo, compartilhando a sua vida com aqueles que estavam carecendo das bênçãos que ele havia recebido. O campo de ação de Estêvão era o povo e não a igreja. Ele foi escolhido para distribuir mantimentos às viúvas da igreja de origem grega. Entretanto, esta passagem o encontra fora do ambiente da igreja, distribuindo perdão, cura e vida plena à população...

Se Estêvão tivesse ficado quietinho dentro da igreja, ninguém teria se importado com o seu ministério! Mas, ele levou o seu ministério a lugares públicos, entrando em choque com os interesses de privilégio e de poder! Estêvão ameaçou os poderosos e estes tinham que tomar providências para se livrarem dele. Conhecemos a história, Estêvão se tornou o primeiro mártir da era cristã.

Uma igreja grande voltada para si não é uma ameaça para ninguém porque não luta pela justiça e pelo povo. Parece que as nossas igrejas de hoje não são capazes de produzir mártires.

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

UM TRABALHO HUMILDE E DIGNO

Por isso, irmãos, escolham entre vocês

sete homens de confiança,

cheios do Espírito Santo

e de sabedoria,

e entregaremos esse serviço a eles.

Atos 6.3 (leia Atos 6.1-7) – BLH

A tarefa era apenas fazer a distribuição de mantimentos para as viúvas, mas, as "qualificações" eram altas! A tarefa, embora simples, era de grande importância e por isso deveria ser feita com toda a perfeição e dedicação.

Realmente, não existem serviços sem importância. Tudo que se faz na vida é importante e deve ser feito com dedicação e perfeição. Tudo que se faz na vida reflete na vida dos outros e no meio ambiente. Nada deve ser feito de qualquer jeito.

A cultura tem uma escala de valores. Algumas atividades são valorizadas mais do que outras. Determinadas profissões são melhor remuneradas do que outras. Por não ser valorizado pela cultura, não quer dizer que o trabalho não tenha importância. O lixeiro não é um profissional honrado na cidade. Deixá-lo entrar em greve, por alguns dias, tornará a vida da cidade insuportável e até perigosa para a população!... Num hospital, limpar bem o banheiro, pode ser tão importante quanto fazer uma grande cirurgia.

Estamos longe do evangelho quando damos mais valor ao pastor da igreja do que ao zelador, mais valor ao bispo do que a um entregador de pizza. Glorificamos as aparências de grandeza e desprezamos a humildade de serviço anônimo.

quarta-feira, 12 de agosto de 2009

NOVAS OPORTUNIDADES

Mas Deus o colocou à sua direita

como Líder e Salvador,

para dar ao povo de Israel oportunidade

de se arrepender

e receber o perdão

dos seus pecados.

Atos 5.31 (leia 5.27-33) – BLH

O ser humano, muitas vezes, joga fora o melhor e guarda o pior para si... Joga fora o ouro e guarda zelosamente a caixa forte! Isto aconteceu com Jesus. A liderança religiosa e política jogou Jesus fora e ficou com um sistema falido... Jogou fora o remédio e reteve a doença. Jogou fora a libertação e herdou a opressão!

Ainda bem que a oportunidade bate à porta mais de uma vez. Não é tão fácil, simplesmente, jogar as coisas fora! O Jesus, que foi jogado fora pelas instituições civis e religiosas daquela época, foi acolhido por Deus através da gente simples e devolvido, como uma segunda oportunidade, para ainda aceitar uma opção libertadora!

No antigo testamento, José foi jogado fora pelos próprios irmãos, mas, muitos anos depois, apareceu na vida dos irmãos, como salvação de fome! Em Jesus temos a repetição deste tema que, aliás, é um tema eterno na história e na mitologia.

O universo de Deus tem tremenda capacidade de perdoar as ofensas contra ele. Oferece muitas oportunidades de recuperação. Jesus é testemunha que a porta está aberta para transformações e novos começos...

terça-feira, 11 de agosto de 2009

ABRINDO AS PORTAS DA CADEIA

Mas naquela noite um anjo do Senhor

abriu as portas da cadeia,

levou os apóstolos para fora

e disse:

-- Vão ao Templo e contem ao povo tudo

a respeito desta nova vida.

Atos 5.19-20 (leia Atos 5.17-26) – BLH

A essência do evangelho é a libertação - "um anjo do Senhor abriu as portas da cadeia". Muitas pessoas se encontram presas a atitudes negativas, hábitos prejudiciais, conceitos distorcidos, emoções enterradas e valores trocados. Não conseguem se livrar de si mesmas e vivem frustradas e infelizes. As portas desta prisão não abrem sozinhas, são abertas pelos “anjos do Senhor”! Anjo quer dizer mensageiro... Somos objetos desta libertação e, ao mesmo tempo, anjos para levar a mensagem desta libertação a outros presos.

Como anjos, abrimos portas, mas, a missão não termina aí. Acompanhamos as pessoas pelas portas de saída. Não adianta uma porta aberta se não passamos por ela. Os anjos acompanham os presos no seu caminho para alcançar a liberdade.

O que faremos com a liberdade alcançada? - Contar para os outros desta libertação. Os libertados se tornam libertadores. O evangelho nos liberta e nos transforma em instrumentos da libertação.

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

SOCIALISMO CRISTÃO

Todos os que creram pensavam

e sentiam do mesmo modo.

Ninguém dizia que as coisas que possuía

eram somente suas,

mas todos repartiam uns com os outros

tudo o que tinham.

Atos 4.32 (leia Atos 4.32-37) – BLH

Tudo era de todos. Um dos efeitos do evangelho na vida dos "do Caminho" era uma extrema solidariedade humana! Este tudo era tudo mesmo... A carência de um era a carência de todos e a vitória de um era a de todos. Eles estavam tentando pôr em prática o mandamento: "ame a seu próximo como a si mesmo". O evangelho conseguiu romper o muro de isolamento social que os separava dos demais seres humanos antes do pentecostes. Esta generosidade era também o resultado do rompimento de barreiras internas.

Uma das maiores libertações do evangelho é a libertação interna, a nossa libertação de nós mesmos!... Muitas vezes nós nos tornamos escravos de nós mesmos e nos isolamos dos outros. Isto é auto destrutivo. O nosso bem estar nunca pode existir isolado do bem estar dos outros. Esta foi a descoberta da igreja primitiva.

O lado negativo foi que este ideal foi destinado ao fracasso e durou pouco. As cooperativas eram apenas de consumo sem incluir a produção! As comunidades estavam esperando Jesus voltar logo e não renovavam seus bens comuns. Depois, veio a fome e foram socorridas por outras comunidades. Teveram o mesmo destino do Jardim de Éden. O ser humano é incapaz de manter um paraíso.